Thursday, January 10, 2013

A ministra grávida

"(...) Questionada sobre se iria ser substituída no ministério durante a licença de maternidade ou se iria demitir-se antes daquela licença, a governante respondeu: “É matéria que não me preocupa neste momento, agora o que me preocupa é que a gravidez corra bem e o trabalho continue a ser intenso.” (...)"
A notícia foi publicada ontem pela Lusa e reproduzida em todos os sites de informação, não sei quem foi o jornalista que fez a pergunta mas acho isto tudo extraordinário.
Demitir-se?
Demitir-se porquê?
Assunção Cristas e o Governo têm aqui uma bela oportunidade para darem o melhor dos exemplos às mulheres que trabalham e às empresas que as contratam. Vamos lá ver se não estragam tudo...

Labels: , ,

Tuesday, November 20, 2012

Da vergonha das mulheres

No metro, reparo em várias mulheres de trintas e quarentas que lêem um livro grosso. Taparam a capa do livro com uma sobre-capa de pano. Ou forraram-na com um papel colorido. Para que só possamos suspeitar que andam a ler aquele livro das sombras.

Labels: ,

Tuesday, February 28, 2012

Dos Óscares

Não vi os Óscares e não percebo nada de vestidos, mas como estou enfiada em casa a tentar curar uma gripe aproveito para vir aqui dizer que acho esta menina adorável com o seu vestido de bolinhas:

(sim, sim, a gwyneth ia muito bem, muito impecável, com muita classe, muito magra, muito direita, muito lisinha, mas é uma chata e eu gosto mais da natalie)

Labels:

Friday, January 13, 2012

Algumas coisas nunca mudam

O Brad Pitt é lindo. Já o era, em 1991, quando eu o descobri em 'Thelma e Louise', e continua assim, vinte anos depois, em 'Moneyball'.

Labels: ,

Tuesday, June 28, 2011

Basics

Um vestido preto, que tenho há pelo menos onze anos, é bem capaz de ser uma das melhores coisinhas que tenho no meu guarda-fatos.

Labels: ,

Monday, June 28, 2010

As vantagens do mundial (II)

O sorriso do Kaká.

Colegas minhas mais novas, mais descomprometidas e certamente com mais tempo do que eu dedicaram-se a elaborar uma lista dos jogadores mais "gatos" deste campeonado. Italianos, franceses, neo-zelandeses, ingleses, dinamarqueses, com abdominais perfeitos, rabiosques delineados, olhos azuis e barba de três dias, enfim. Acho que sim. Mas para mim o Kaká é o Kaká. Manias.

Labels: ,

Monday, June 07, 2010

Compras

As outras mulheres que eu conheço gostam de andar nas lojas e de comprar roupa e sapatos. Eu fui ao Colombo e, quase duas horas depois, saí de lá com dois livros e um pacote de puré para fazer o empadão pro jantar. Não se iludam. Isto não faz de mim uma pessoa mais interessante. Apenas mais mal vestida.

Labels:

Sunday, November 01, 2009

Trinta e cinco

A partir de agora, disse a minha médica, vamos ter que ficar mais atentas. Irei marcar a minha primeira mamografia, farei análises e ecografias. Regularmente, disse ela, porque a partir de agora, e não teve que o dizer mas ficou implícito no silêncio, a partir de agora, eu, nós, mulheres, entramos na curva descendente. Os quilos serão mais difíceis de perder, as rugas mais dificeís de disfarçar, os cabelos poderão começar a ficar grisalhos, já me aparecem salpicos castanhos na pele das mãos, e as hormonas irão fazer das suas, pois claro, somos mulheres, até podemos enganar o espelho com plásticas e botox mas o nosso corpo sabe perfeitamente a idade que tem. Trinta e cinco. E sabe tão bem.

Labels: ,

Wednesday, March 04, 2009

Pronto-a-vestir

Há um ano e meio que não entrava numa loja para comprar roupa para mim. Leram bem: um ano e meio. A última vez tinha sido quando engravidei e, com a barriga a crescer, pareceu-me que precisava de umas calças. De então para cá, a gravidez e depois o parto, os quilos e a recuperação, no Verão qualquer trapinho serve e no Inverno, com aniversário e natal, os meus mais próximos, sabendo deste meu feitio, oferecem-me sempre blusas e casacos que me sabem que nem ginjas. Recuperei a roupa de há dois anos, que na verdade já tem quatro, cinco ou mais anos, e vesti-a sentindo uma alegria profunda por ela ainda me servir. Que bom, quer dizer que não engordei assim tanto. Que bom, quer dizer que não tenho que ir à loja. É que eu, ao contrário das outras mulheres, não vim equipada com o chip das compras. Não me divirto a ver montras, angustiam-me os centros comerciais, não tenho a mais pequena paciência para procurar roupa, acho sempre tudo horroroso e demasiado caro, nunca encontro nada do que quero e detesto, detesto mesmo, ter de experimentar. Despir, vestir, despir, vestir. Ali, naquele cubículo, naquele metro quadrado de sofrimento, não tenho escapatória e sou forçada a confrontar-me com o meu corpo rechonchudo que não se adequa, por mais que eu puxe, por mais que estique, não se adequa aos modelitos da estação. A culpa é do espelho, a culpa é das luzes, a culpa é dos designers que fazem roupa que não se consegue vestir, roupa que só fica bem aos bonecos de madeira que eles têm nas lojas com as camisas presas por alfinetes. Mera ilusão. A mim quando as calças me servem no rabo ficam largas na cintura, quando as blusas me cabem nos braços ficam a baloiçar nas mamas. Mas que raio, não hei de comprar XL porque não quero, recuso-me sequer a experimentar algo como um 44. Mudo de loja, mudo de marca, posso até nem comprar a roupa da moda mas hei de encontrar qualquer coisa que não me faça parecer um saco de batatas. Ou então, não. Ou então, como quase sempre, desisto. Não compro. (...) Há um ano e meio que não entrava numa loja para comprar roupa para mim mas hoje lá fui. Teve que ser. Depois de duas horas de sacrifício voltei para casa com uma dor de cabeça e um saquinho com a roupa para a festa. O que a gente não faz pelos amigos que se amam e decidem casar.

Labels:

Monday, January 26, 2009

Tpm

Raios partam as estúpidas das hormonas.

Labels:

Friday, December 19, 2008

Que esforço?

Na enfermaria onde estive após ter tido o meu segundo conheci uma mulher que chorava todas as noites. Ouviamo-la a fungar por trás da cortina. Diz que teve um parto horrível. Que foram muitas horas de sofrimento e que de repente estava tudo à volta dela a carregar-lhe na barriga e um médico com fórceps e a criança que não saía, uma aflição. No final ficou toda rasgada e dorida que mal se mexia e o bebé tinha ficado nos cuidados intensivos até ver se a demora e as amolgadelas na cabeça não lhe iriam deixar sequelas. Acabou de ter o filho e nem lhe podia pegar. Estava ali deitada e de três em três horas lá se arrastava até à outra ponta do hospital para ir amamentar o seu bebé e dar-lhe um bocadinho de colo até que as enfermeiras a expulsavam e lá vinha ela de olhos vermelhos morrer de inveja a olhar para mim e para as outras com os nossos rebentos.

Tenho uma amiga que passou horas, muitas horas, em trabalho de parto, completamente sozinha no corredor de uma maternidade. Não podia ter o seu companheiro com ela porque não tinha quarto. Não tinha quarto porque estava tudo cheio. E ali ficou a contorcer-se com dores, a vomitar para o chão, a gritar sem amparo, a senhora da limpeza a passar a esfregona por debaixo das suas pernas. De vez em quando, quando mudava o turno, alguém parecia interessar-se. Enfiavam uns dedos e iam-se embora. Horas nisto. Nenhuma explicação. Ninguém a quem recorrer. Agarrada à barriga. A doer.

Eu ouço isto e nem me posso queixar. Mas a verdade é que eu fui, voluntariamente, mais uma cliente desta fábrica nacional de parir bebés que são as maternidades públicas. Como tantas outras. Entramos ali e dão-nos logo um clíster e uma rapadela, sem pedir licença nem dar explicações, que ali nós somos utentes e baixamos a bola porque os doutores é que sabem e podem vir cá ver quantos dedos cabem as vezes que lhes apetece. Bata verde, catéter no braço, e agora ficas aí queitinha e deitadinha com o ctg a apertar-te a barriga. Se precisar de alguma coisa toque a campanhia que há de aparecer a auxiliar com cara de frete a perguntar o que é. Se quiser fazer xi-xi dão-lhe uma arrastadeira (porquê? as grávidas não se podem mexer e ir à casa-de-banho?). E ainda não chegámos à parte do parto propriamente dito. Onde os cortes são feitos por princípio, antes mesmo de se perceber se vai ser necessário. E só pode haver um acompanhante - e, portanto, se a mulher tem uma doula tem de prescindir do companheiro. E mesmo os pais não podem ficar depois do parto porque temos que ir umas horas para o recobro - podem ser duas horas ou seis horas, depende das vagas na enfermaria, e ali fica a mãe sozinha outra vez, agarrada ao seu recém-nascido, com as emoções aos pulos e ninguém para partilhar. (só eu mesmo que sou ideologicamente estúpida para me deixar levar duas vezes pela conversa de que os hospitais públicos é que são bons)

Li hoje no jornal Público que Portugal é o segundo país da Europa com mais cesarianas e que os hospitais deviam todos, mas sobretudo os particulares, fazer um esforço para diminuir o número de intervenções. Que esforço? Claro que aos senhores que mandam (e que são quase sempre senhores, o que pode ser parte da explicação mas não é a única) não ocorre que grande parte do problema se resolveria se as maternidades funcionassem como deve ser. Se não tratassem as mulheres como se fossem gado. Se tivessem o cuidado de preparar efectivamente as suas grávidas para o parto (e já agora uma preparaçãozita ao pessoal que lá trabalha também não seria má ideia). Porque enquanto houver histórias destas para contar é claro que haverá cada vez mais mulheres que, sempre que possível, vão recorrer aos hospitais particulares e chegar lá com a certeza absoluta que querem fazer uma cesariana porque não querem passar pelo que a amiga passou. E alguém as pode censurar?

Labels: ,

Thursday, September 18, 2008

South American Way

Então tu és a Miranda, exclamaram elas em uníssono. Eu não vi o filme O Sexo e a Cidade mas percebi logo, pelas gargalhadas, que isso de ser a Miranda não devia ser um grande elogio. Essa não é aquela que usa tailleurs e está sempre de trombas com a vida? Tst, tst. Miranda, eu, só se for a Carmen Miranda. Pois se gosto de samba e água de côco, se gosto de Elis e casquinha de siri também hei de gostar da brazilian wax, não é? Um dia destes, amigas, um dia destes, com a dose certa de caipirinhas, vou atrever-me no calor dos trópicos. Miranda? Eu vou ser é a garota de Ipanema. Me aguardem (mas sentadinhas que isto ainda vai demorar).

Labels: , , ,

Wednesday, September 10, 2008

Maminhas

O nosso badochas experimentou hoje o seu primeiro biberon. Não foi mau. Não chorou nem se revoltou mas também não bebeu tudo até ao fim e terminou a refeição, todo contente, a mamar na mamoca, coisa boa, à laia de sobremesa. Daqui a uma semana fará quatro meses, no início de outubro começará a ir, por pequenos períodos, até à creche e, aos cinco meses, inevitável e lamentavelmente, voltarei a trabalhar. Poderia, portanto, se quisesse, prolongar a amamentação até começar a introduzir outros alimentos e, se quisesse mesmo muito, até poderia nunca lhe dar um biberon. Mas não quero. A bem dizer (ai que vou ser trucidada por todas as fantásticas mães deste mundo) não sou grande fã desta coisa de ter um bebé a chuchar nas minhas maminhas de três em três horas. Eu faço-o. Por ele. E porque, apesar de dizer estas barbaridades, até sou uma mãe sensata e dedicada. Mas, enough is enough e, neste momento, o que eu quero mesmo é ter a minhas maminhas de volta. Para mim. Para fazer com elas o que bem entender. Levá-las a passear e a jantar fora. Levá-las a beber umas caipirinhas (que saudades!). Colocá-las dentro de um sutien pequenino e colorido e vestir uns vestidos e umas blusas justinhas, sem ter que me preocupar com o e agora como é que eu faço?. Oferecê-las de bandeja ao meu gajo. Porque, convenhamos, a amamentação tem todas as vantagens do mundo - é bom para o bebé e para a mãe, é prático e económico - mas tem uma enorme desvantagem - faz-nos sentir umas autênticas vacas. E já nem falo das dores e das arrelias das primeiras semanas, quando as mamas ficam duras que nem pedra e os mamilos podem até gretar (felizmente comigo nunca aconteceu). O mais triste mesmo é uma pessoa ir tomar banho e o leite esguinchar por todo o lado. O mais triste é ter, por uma vez, um par de mamas digno desse nome e não poder fazer grande coisa com elas porque, além de estarem do mais insensível, ainda nos arriscamos a que, entre beijos e abraços, comecem a cair umas gotas de leite para cima do nosso parceiro (não é lá muito sexy, pois não?). Por isso, perdoem-me as fundamentalistas, mas hoje, cá em casa, iniciamos uma nova etapa. Hoje foi o primeiro biberon, amanhã será o segundo e, daqui a umas semanas, se tudo correr bem, poderei anunciar, sem sentimentos de culpa: acabou-se a mama. Literalmente.

Labels: ,

Thursday, August 07, 2008

E mais alguma coisa

Labels:

Tudo

Labels:

Wednesday, June 04, 2008

(s)em forma

Algumas simpáticas amigas emprestaram-me roupa para vestir durante a gravidez. Simpáticas e magras. Mas acham que isso me serve?, perguntei. Claro que sim, garantiram-me, eu também estava enorme, disseram, isso é tudo elástico, explicaram. Na dúvida, agradeci, levei a roupa para casa e esforcei-me por enfiar a barriga, as minhas coxas gigantes e o meu rabo monstruoso dentro daquelas calças e saias tão giras. Sem sucesso. As minha ancas, que, aparentemente, me tornam uma parideira fantástica, pura e simplesmente não cabiam ali. A roupa ficou na gaveta mas não ficou esquecida. Agora, que já dei à luz, fui buscar as peças que as outras usavam quando estavam barrigudas e, adivinhem, servem-me na perfeição. Uau. Já posso sair à rua sem ter que usar calças de ginástica. Quão deprimente é isto? Muito.

Labels:

Friday, May 30, 2008

A dor

Cá a mim podem chamar-me insensível à vontade. Não me importo. Gosto muito de estar grávida, de sentir a barriga a crescer, de fantasiar o meu bebé, de me sentir mãe desde o primeiro dia em atraso. Gosto ainda mais de ser mãe, de passar horas a olhar para o bebé (um bebé é como as ondas do mar ou como as labaredas de uma fogueira, uma pessoa nunca se cansa de ficar a olhar), de o ver crescer fora de mim, de me deliciar, em cada nova fase, com as suas aprendizagens, os primeiros passos, as primeiras palavras, o raciocínio cada vez mais elaborado. Mas não gosto do que está pelo meio. Lamento. E cá a mim podem chamar-me insensível à vontade, que eu não me importo, pois a verdade é que não consigo ver onde é que está a maravilhosa beleza do parto. Há até quem diga que o dia em que deu à luz foi o mais feliz da sua vida. A sério? Pois a mim a felicidade costuma doer-me um bocadinho menos. É que, não sei se já tinha dito, mas a mim, insensível como sou, nem a epidural me consegue afectar. Nada. Nicles. Uma fraude. Vem a anestesista e promete, com aquele ar de quem tem um poder mágico, que a próxima contracção ainda me vai doer mas que a outra já será menor e à terceira não sentirei nada. E eu, tansa, apesar da experiência de há quatro anos, ainda acredito. Achei que desta vez é que era. Mas não. À terceira contracção continuo a contorcer-me e daí a pouco já estou outra vez a bufar ou a soprar ou lá o que é que nos ensinam nas aulas de preparação para o parto, mas uma coisa é a Graça Mexia a dizer-nos ‘vem aí uma contracção’ e a gente imagina que dói e aquilo não custa, é só respirar e pronto, outra coisa bem diferente é começarmos a senti-la de facto, vem aí, vem aí, e não há nada que acalme aquela dor, uma pontada que vem sabe-se lá de onde e se espalha da barriga e dos rins até ao resto do corpo, uma coisa assim quase demoníaca, digo-vos eu que até nem costumo ser muito queixosa e quem me conhece sabe que não me deixo abater facilmente por uma gripe qualquer. Só que isto não é uma dorzinha de dentes nem uma ferida no joelho. Isto é um parto, senhoras e senhores, um parto à moda antiga, com direito a gritos e suores, uma coisa verdadeiramente animal - ali, de pernas abertas, a tentar expulsar a cria que carregámos durante nove meses, somos animais, não há outra hipótese, não há beleza nem tranquilidade nem marido a dar a mão que nos safe, só há força, força, força, sai daí puto, vá, deixa lá a mãe descansar. E, então, sim, lá vem a felicidade. Uma enorme felicidade. Por tudo ter finalmente terminado.

Labels: ,