Uma viagem a Lampedusa e outros livros de não-ficção
Quero falar-vos também dos livros de não-ficção, que são sempre uma parte importante das minhas leituras.
Destes, destaco Lampedusa, o livro da Ana França que é uma grande reportagem sobre a ilha italiana que se tornou a porta de entrada de muitos imigrantes na Europa. Ao longo dos últimos anos, a jornalista do Expresso fez várias viagens a Lampedusa, investigou, entrevistou muitas pessoas e, no final, dá-nos um livro muito bem escrito, que nos mostra o lado mais humano deste drama sem esquecer toda a informação factual.
Muito interessante também é Líbano: uma biografia, o livro onde a Safaa Dib conta a história da sua família, desde a vida atribulada dos antepassados no Líbano aos horrores da guerra civil que levaram os seus pais a vir morar em Portugal. No entanto, como li este livro logo a seguir ao excelente Lampedusa, não pude evitar constatar que faltou aqui o talento (e talvez um certo distanciamento) para transformar esta incrível saga familiar num livro igualmente incrível, ou, pelo menos, faltou um bom editor que conseguisse limar algumas arestas.
Li ainda três biografias, todas monumentais:
Logo a seguir à morte da Maria Teresa Horta, mergulhei n'A Desobediente, a biografia de autoria de Patrícia Reis, que já tinha cá em casa mas ainda não tinha tido tempo para ler. É uma óptima biografia. A Patrícia não só entrevistou várias vezes a Teresa como se tornou sua amiga, e essa proximidade traz uma outra camada ao relato de uma vida já tão cheia e com tantas coisas para contar. Não sou a maior fã da poesia de Maria Teresa Horta mas foi uma mulher extraordinária, corajosa e curiosa. Era uma pessoa por quem eu já tinha um enorme carinho, do pouco contacto que tivemos, e de quem fiquei a gostar ainda mais.
Li também a biografia que o Joaquim Vieira fez de Francisco Pinto Balsemão. É um trabalho de grande investigação, com imensos testemunhos e pormenores sobre as várias facetas de Balsemão. O biografado odiou este livro e acabou por escrever as suas próprias memórias, como que a querer deixar a sua versão dos factos. Mas o livro de memórias - que também li assim em diagonal, por motivos profissionais, é uma grande seca, há que dizê-lo.
E, finalmente, comprei na Feira do Livro, com desconto, Integrado e Marginal, biografia de José Cardoso Pires escrita por Bruno Vieira do Amaral. Não sabia muito sobre o escritor, de quem li alguns (poucos) livros e recordo sobretudo o De Profundis Valsa Lenta, que adorei. Achei que a celebração do seu centenário seria uma bela oportunidade para ficar um bocadinho menos ignorante. Foi uma excelente leitura. Tal como a biografia da Maria Teresa Horta, este é um livro que se lê como se fosse romance - como se fosse um bom romance - e isto é um grande elogio.
Fica a faltar falar de uns dois ou três livros, tentarei fazê-lo em breve. Não sou, como já se sabia, uma leitora voraz, e os booktookers que devem estar neste momento a ler o seu 50º livro do ano ficarão, seguramente, a rir-se de mim; mas, apesar de tudo, estou muito contente.
Labels: Livros

1 Comments:
Sobre Lampedusa li o “Notas sobre um naufrágio” de Davide Enia. Também gostei muito de “A desobediente” e quero ler a biografia do José Cardoso Pires
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