Sunday, January 26, 2025

Uma mão cheia de filmes para esta tarde de domingo

Como prometido, e antes que me esqueça, venho aqui falar de alguns filmes que andei a ver e que poderão não ser os melhores nem estar indicados a prémios, mas, ainda assim, são filmes que me tocaram de alguma maneira.


Challengers


Realizado por Luca Guadagnini, Challengers acompanha o triângulo amoroso composto por uma estrela do ténis lesionada que se transforma em treinadora (Zendaya), o seu ex-namorado e jogador de ténis sem grande sucesso (Josh O'Connor) e o seu marido e campeão de ténis (Mike Faist) ao longo de 13 anos de relacionamento, culminando numa partida entre eles num jogo do ATP Challenger Tour. Para quem gosta de ténis, como eu, este filme é uma delícia, retratando muito bem vários aspectos da vida dos jogadores e todo aquele mundo (aconselho a leitura deste testemunho de Conor Niland e, sobre o filme, o texto de uma ex-jogadora, Andrea Petkovic). Depois, isto do triângulo amoroso pode não ser muito original, mas parece-me que o Guadagnini lhe dá bem a volta. 


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How to have sex


Vi no Filmim, entusiasmada pelo trailer, e foi uma boa surpresa. O filme é a estreia na realização da britânica Molly Manning Walker, de 31 anos. Acho que se sente, nos pequenos detalhes, que é realizado por uma mulher. Em vez do habitual male gaze, temos um olhar bastante honesto e sensível sobre este grupo de raparigas de 16 anos numa viagem a Creta. O ambiente é aquele que imagino que seja nas viagens de finalistas, com miúdos vindos do Reino Unido com o único objectivo de se divertirem, beberem, dançarem e curtirem uns com os outros (que é uma expressão que se usava muito no meu tempo, embora agora tenha caído em desuso). Eventualmente, ter sexo, claro. Podia ser um filme sobre a primeira vez. Mas é sobretudo sobre a peer pressure a que os adolescentes estão sujeitos, sobretudo as raparigas, presas naquela vontade de agradar aos homens e de ser desejadas, e de como por causa disso tantas vezes ignoram os seus próprios desejos. Muito boa a interpretação de Mia McKenna-Bruce.


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Lee


A história de Lee Miller, só por si, já é um filme. Foi uma fotógrafa americana que começou por trabalhar como modelo, o que a levou a trabalhar com Man Ray, em Paris, e a começar também a fotografar. Durante a Segunda Guerra Mundial, passou do surrealismo e dos retratos para o fotojornalismo, documentou os bombardeamentos em Londres e depois acompanhou o exército americano na Europa. Esteve na casa de Hitler, captou o uso de napalm e registou a libertação de Paris e os campos de concentração de Buchenwald e Dachaus. Realizado por Ellen Kuras e protagonizado por Kate Winslet, Lee não tem  nada de extraordinário, mas também não é um mau filme. 


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As Três Filhas


As Três Filhas é um filme especialmente tocante para quem tem esta idade que eu tenho e vê os seus pais a envelhecer. É a história de três irmãs que seguiram percursos muito diferentes mas que tentam pôr de parte as suas desavenças para cuidar do pai nos seus últimos dias de vida. É muito sobre aquele balanço que fazemos em determinadas alturas da vida do que fizemos e deixámos de fazer, as decisões que tomámos e os sonhos que deixámos para trás. E como eventualmente percebemos que o amor e aquilo que partilhamos com as pessoas que amamos é mesmo o mais importante. Realizado por Azazel Jacobs, o filme conta com óptimas interpretações de Carrie Coon, Natasha Lyonne e Elizabeth Olse. Está na Netflix.


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Janet Planet


Janet Planet é o primeiro filme realizado pela dramaturga Annie Baker. Janet (Julianne Nicholson) é uma mãe solteira e acumpucturista hippie, que vive com a filha de 11 anos, Lucy  (Zoe Ziegler), numa pequena cidade americana. A acção passa-se no início dos anos 90. Ainda não há telemóveis. Lucy, que não tem muitos amigos, arranja maneira de escapar ao campo de férias e passa os longos dias do verão sozinha, ou com a mãe e com os amigos da mãe, que vão aparecendo por ali. Estamos tanto no mundo de Janet, uma mulher que quer mais para a sua vida, como estamos no mundo daquela miúda solitária, Lucy, a braços com as confusas emoções da adolescência. Janet Planet é também sobre mães e filhas e sobre esta relação essencial mas tão complicada. Um filme aparentemente simples e onde pouco acontece, e é em parte nisso que está a sua beleza. 


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1 Comments:

Anonymous Inês said...

Gostei muito de «As três filhas»

8:19 PM  

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