Tuesday, January 29, 2013
A felicidade nas coisas pequenas (III)
Os dias estão mesmo a ficar mais compridos.
Sair do trabalho com luz ajuda-me a esquecer o recibo de ordenado.
Labels: a felicidade nas coisas pequenas, crise, felicidade, vidinha
A felicidade nas coisas pequenas (III)
Os dias estão mesmo a ficar mais compridos.
Sair do trabalho com luz ajuda-me a esquecer o recibo de ordenado.
Labels: a felicidade nas coisas pequenas, crise, felicidade, vidinha
Friday, January 25, 2013
Indignação
repete sem cessar
há merdas que não irei comer"
e.e. cummings, 'i sing of Olaf glad and big'
Encontrei esta citação logo na abertura de 'Inquietação', de Philip Roth, que comecei a ler enquanto esperava pelo metro, e pareceu-me adequada ao dia de hoje (e ao de ontem e ao de amanhã).
Labels: Livros
Indignação
"Olaf (sobre o que em tempos foram joelhos)
repete sem cessar
há merdas que não irei comer"
e.e. cummings, 'i sing of Olaf glad and big'
Encontrei esta citação logo na abertura de 'Indignação', de Philip Roth, que comecei a ler enquanto esperava pelo metro, e pareceu-me adequada ao dia de hoje (e ao de ontem e ao de amanhã).
Labels: Livros
Indignação
"Olaf (sobre o que em tempos foram joelhos)
repete sem cessar
há merdas que não irei comer"
e.e. cummings, 'i sing of Olaf glad and big'
Encontrei esta citação logo na abertura de 'Indignação', de Philip Roth, que comecei a ler enquanto esperava pelo metro, e pareceu-me adequada ao dia de hoje (e ao de ontem e ao de amanhã).
Labels: Livros
Estas não incomodavam ninguém na esplanada (II)
Nos primeiros tempos em Lisboa a bebé Mikaela é apaparicada pela tia Helena Abecassis, irmã do pai, que saltita entre a casa de Snu, no 6º piso da D. João V, e o 7º piso, o andar da avó Lucienne. (...)
"A Snu não sabe ser uma mãe carinhosa, falta-lhe mimo para os filhos", testemunha Helena (...) As prioridades (...) estão em tudo o resto, em todos os outros cuidados, em não faltar nada em casa ou na escola. Mas falta o afecto. "Isso é olhado como uma mariquice, os abraços, os beijinhos, é tudo muito rápido. Há coisas mais importantes a fazer."
(...) As vidas preenchidas de Snu e Vasco roubam-lhes o tempo para estar, para brincar com os filhos pequenos (...). Os miúdos Mikaela e Ricardo são colocados na escola inglesa de Carcavelos, o St. Julian's, onde mais tarde andará também, por pouco tempo, a mais nova Rebecca. Em casa têm o apoio das empregadas.
Aos domingos, muito cedo, Ricardo acorda estremunhado, sabe que vai ter a mãe só para ele, a manhã inteira. Por volta das 6 da manhã saem de casa em direção a Cascais. (...) "Montamos juntos a cavalo, andamos pela praia, subimos por aquelas dunas." (...) A delícia dos momentos preciosos, juntos na praia, termina ao fim da manhã. "A missão da minha mãe está cumprida." O resto do domingo de Ricardo prossegue "no meu quarto a brincar", entre as quatro paredes (...). O pai também não tem tempo, para além das frequentes viagens de negócios, está sempre no escritório com a porta fechada. "Bato à porta, mas não posso entrar, o pai está a trabalhar."
Ricardo adora a mãe, mas vê nela uma pessoa "extremamente ocupada, com a profissão dela e com uma vida social intensa". Aos olhos dos miúdos, a entrada e saída de convidados são momentos empolgantes em que, do alto da escadaria de madeira [vêem chegar os convidados] (...). Mas "nós não participamos dos jantares dos adultos". Os miúdos ficam pela zona de serviço do duplex, que conhecem bem: o longo corredor em mármore que abre para uma cozinha grande na mesma pedra e a espaçosa mesa no centro onde as crianças tomam as refeições com as empregadas. (...) Depois de jantarem, Ricardo e as irmãs seguem para os quartos.
(...) Depois dos primeiros anos no St. Julian's, Mikaela acaba por ser enviada para uma escola interna de raparigas em Inglaterra. (...) Não se adapta e ao fim de três meses foge. Ricardo acompanha a mãe a Inglaterra para trazerem Mikaela de volta, destroçada, e testemunha uma "enorme tristeza na minha irmã". Snu tem planos para formar a personalidade da filha mais velha, quer contrariar-lhe o espírito rebelde, forçá-la a aceitar regras, o que alimenta uma péssima relação entre ambas. Apesar do mau resultado, Mikaela volta a Inglaterra. O casal decide enviar os dois filhos para uma escola que conhecem bem, Michael Hall.
"Não se discute se é opção para os miúdos, é-lhes imposto, eles são mandados tal como eu já tinha sido e a Snu também." Vasco partilha as responsabilidades pelo envio dos filhos para Inglaterra, o que se torna mais cómodo para a vida do casal em Lisboa (...). Aos onze anos Ricardo segue para Michael Hall. (...) Mikaela volta a adaptar-se mal (...). As férias suspendem a atribulada vida escolar de Mikaela, que passa por três colégios internos sem nunca se adaptar, com viagens entre Lisboa e Londres. (...) Ao mesmo tempo, Vasco e Snu preparam a sua própria separaração. (...)
Os desencontros acentuam-se ao limite no dia em que Snu expulsa a filha de casa, a meio de 1976. Vasco está a viver temporariamente no Chiado quando recebe um telefonema de Snu: "Daqui a dez minutos a Mikaela está a aí e a partir de agora tu tomas conta dela." (...) Aos 14 anos, Mikaela faz a viagem da D. João V para o Chiado, com toda a carga de uma separação forçada com a mãe que deixa marcas para sempre. (...)
Em Inglaterra, Ricardo começa a ser cada vez mais atraído pela agitação de Londres (...). As aulas no colégio interno ressentem-se, ele está sozinho, só vê os pais nas férias, mas no telefonema semanal Snu começa a aperceber-se da situação e toma uma decisão drástica. Faz seguir Ricardo, aos 14 anos, para as montanhas da Suíça, para Aiglon College, uma escola inglesa bastante mais rigorosa em termos de disciplina. (...)
Rebecca cresce alheia aos colégios internos em Inglaterra e às atribuladas adolescências dos irmãos mais velhos, uma vez que a diferença de idades é significativa. Nos primeiros tempos de escola ainda frequenta o St. Julian's, mas Snu alimenta dúvidas sobre o rigor dessa escola e, por influência da sogra francesa, Lucienne, Rebecca entra para o Liceu Francês (...). "Todos os dias o pai leva-me muito cedo para a escola e quando terminam as aulas uma empregada vai-me buscar." Às cinco e meia a mãe chega para o chá. Rebecca tem direito a uma ou duas bolachas de chocolate, e é o momento em que conta o que aprendeu na escola, se tem ou não trabalhos escolares para fazer. (...) A relação é mais pacífica, com uma mãe "muito calma, conservadora, muito séria, mas também sou assim, o feitio dela entende-se com o meu." (...) "Eu tenho direito ao beijinho da manhã, antes de sair para a escola, e ao beijinho à noite, quando me vou deitar, um ritual quase sempre cumprido, o que para mim é perfeito." (...)
in 'Snu e a vida privada com Sá Carneiro', de Cândida Pinto (Dom Quixote, 2011)
Estas não incomodavam ninguém na esplanada (II)
Nos primeiros tempos em Lisboa a bebé Mikaela é apaparicada pela tia Helena Abecassis, irmã do pai, que saltita entre a casa de Snu, no 6º piso da D. João V, e o 7º piso, o andar da avó Lucienne. (...)
"A Snu não sabe ser uma mãe carinhosa, falta-lhe mimo para os filhos", testemunha Helena (...) As prioridades (...) estão em tudo o resto, em todos os outros cuidados, em não faltar nada em casa ou na escola. Mas falta o afecto. "Isso é olhado como uma mariquice, os abraços, os beijinhos, é tudo muito rápido. Há coisas mais importantes a fazer."
(...) As vidas preenchidas de Snu e Vasco roubam-lhes o tempo para estar, para brincar com os filhos pequenos (...). Os miúdos Mikaela e Ricardo são colocados na escola inglesa de Carcavelos, o St. Julian's, onde mais tarde andará também, por pouco tempo, a mais nova Rebecca. Em casa têm o apoio das empregadas.
Aos domingos, muito cedo, Ricardo acorda estremunhado, sabe que vai ter a mãe só para ele, a manhã inteira. Por volta das 6 da manhã saem de casa em direção a Cascais. (...) "Montamos juntos a cavalo, andamos pela praia, subimos por aquelas dunas." (...) A delícia dos momentos preciosos, juntos na praia, termina ao fim da manhã. "A missão da minha mãe está cumprida." O resto do domingo de Ricardo prossegue "no meu quarto a brincar", entre as quatro paredes (...). O pai também não tem tempo, para além das frequentes viagens de negócios, está sempre no escritório com a porta fechada. "Bato à porta, mas não posso entrar, o pai está a trabalhar."
Ricardo adora a mãe, mas vê nela uma pessoa "extremamente ocupada, com a profissão dela e com uma vida social intensa". Aos olhos dos miúdos, a entrada e saída de convidados são momentos empolgantes em que, do alto da escadaria de madeira [vêem chegar os convidados] (...). Mas "nós não participamos dos jantares dos adultos". Os miúdos ficam pela zona de serviço do duplex, que conhecem bem: o longo corredor em mármore que abre para uma cozinha grande na mesma pedra e a espaçosa mesa no centro onde as crianças tomam as refeições com as empregadas. (...) Depois de jantarem, Ricardo e as irmãs seguem para os quartos.
(...) Depois dos primeiros anos no St. Julian's, Mikaela acaba por ser enviada para uma escola interna de raparigas em Inglaterra. (...) Não se adapta e ao fim de três meses foge. Ricardo acompanha a mãe a Inglaterra para trazerem Mikaela de volta, destroçada, e testemunha uma "enorme tristeza na minha irmã". Snu tem planos para formar a personalidade da filha mais velha, quer contrariar-lhe o espírito rebelde, forçá-la a aceitar regras, o que alimenta uma péssima relação entre ambas. Apesar do mau resultado, Mikaela volta a Inglaterra. O casal decide enviar os dois filhos para uma escola que conhecem bem, Michael Hall.
"Não se discute se é opção para os miúdos, é-lhes imposto, eles são mandados tal como eu já tinha sido e a Snu também." Vasco partilha as responsabilidades pelo envio dos filhos para Inglaterra, o que se torna mais cómodo para a vida do casal em Lisboa (...). Aos onze anos Ricardo segue para Michael Hall. (...) Mikaela volta a adaptar-se mal (...). As férias suspendem a atribulada vida escolar de Mikaela, que passa por três colégios internos sem nunca se adaptar, com viagens entre Lisboa e Londres. (...) Ao mesmo tempo, Vasco e Snu preparam a sua própria separaração. (...)
Os desencontros acentuam-se ao limite no dia em que Snu expulsa a filha de casa, a meio de 1976. Vasco está a viver temporariamente no Chiado quando recebe um telefonema de Snu: "Daqui a dez minutos a Mikaela está a aí e a partir de agora tu tomas conta dela." (...) Aos 14 anos, Mikaela faz a viagem da D. João V para o Chiado, com toda a carga de uma separação forçada com a mãe que deixa marcas para sempre. (...)
Em Inglaterra, Ricardo começa a ser cada vez mais atraído pela agitação de Londres (...). As aulas no colégio interno ressentem-se, ele está sozinho, só vê os pais nas férias, mas no telefonema semanal Snu começa a aperceber-se da situação e toma uma decisão drástica. Faz seguir Ricardo, aos 14 anos, para as montanhas da Suíça, para Aiglon College, uma escola inglesa bastante mais rigorosa em termos de disciplina. (...)
Rebecca cresce alheia aos colégios internos em Inglaterra e às atribuladas adolescências dos irmãos mais velhos, uma vez que a diferença de idades é significativa. Nos primeiros tempos de escola ainda frequenta o St. Julian's, mas Snu alimenta dúvidas sobre o rigor dessa escola e, por influência da sogra francesa, Lucienne, Rebecca entra para o Liceu Francês (...). "Todos os dias o pai leva-me muito cedo para a escola e quando terminam as aulas uma empregada vai-me buscar." Às cinco e meia a mãe chega para o chá. Rebecca tem direito a uma ou duas bolachas de chocolate, e é o momento em que conta o que aprendeu na escola, se tem ou não trabalhos escolares para fazer. (...) A relação é mais pacífica, com uma mãe "muito calma, conservadora, muito séria, mas também sou assim, o feitio dela entende-se com o meu." (...) "Eu tenho direito ao beijinho da manhã, antes de sair para a escola, e ao beijinho à noite, quando me vou deitar, um ritual quase sempre cumprido, o que para mim é perfeito." (...)
in 'Snu e a vida privada com Sá Carneiro', de Cândida Pinto (Dom Quixote, 2011)
Estas não incomodavam ninguém na esplanada (II)
Nos primeiros tempos em Lisboa a bebé Mikaela é apaparicada pela tia Helena Abecassis, irmã do pai, que saltita entre a casa de Snu, no 6º piso da D. João V, e o 7º piso, o andar da avó Lucienne. (...)
"A Snu não sabe ser uma mãe carinhosa, falta-lhe mimo para os filhos", testemunha Helena (...) As prioridades (...) estão em tudo o resto, em todos os outros cuidados, em não faltar nada em casa ou na escola. Mas falta o afecto. "Isso é olhado como uma mariquice, os abraços, os beijinhos, é tudo muito rápido. Há coisas mais importantes a fazer."
(...) As vidas preenchidas de Snu e Vasco roubam-lhes o tempo para estar, para brincar com os filhos pequenos (...). Os miúdos Mikaela e Ricardo são colocados na escola inglesa de Carcavelos, o St. Julian's, onde mais tarde andará também, por pouco tempo, a mais nova Rebecca. Em casa têm o apoio das empregadas.
Aos domingos, muito cedo, Ricardo acorda estremunhado, sabe que vai ter a mãe só para ele, a manhã inteira. Por volta das 6 da manhã saem de casa em direção a Cascais. (...) "Montamos juntos a cavalo, andamos pela praia, subimos por aquelas dunas." (...) A delícia dos momentos preciosos, juntos na praia, termina ao fim da manhã. "A missão da minha mãe está cumprida." O resto do domingo de Ricardo prossegue "no meu quarto a brincar", entre as quatro paredes (...). O pai também não tem tempo, para além das frequentes viagens de negócios, está sempre no escritório com a porta fechada. "Bato à porta, mas não posso entrar, o pai está a trabalhar."
Ricardo adora a mãe, mas vê nela uma pessoa "extremamente ocupada, com a profissão dela e com uma vida social intensa". Aos olhos dos miúdos, a entrada e saída de convidados são momentos empolgantes em que, do alto da escadaria de madeira [vêem chegar os convidados] (...). Mas "nós não participamos dos jantares dos adultos". Os miúdos ficam pela zona de serviço do duplex, que conhecem bem: o longo corredor em mármore que abre para uma cozinha grande na mesma pedra e a espaçosa mesa no centro onde as crianças tomam as refeições com as empregadas. (...) Depois de jantarem, Ricardo e as irmãs seguem para os quartos.
(...) Depois dos primeiros anos no St. Julian's, Mikaela acaba por ser enviada para uma escola interna de raparigas em Inglaterra. (...) Não se adapta e ao fim de três meses foge. Ricardo acompanha a mãe a Inglaterra para trazerem Mikaela de volta, destroçada, e testemunha uma "enorme tristeza na minha irmã". Snu tem planos para formar a personalidade da filha mais velha, quer contrariar-lhe o espírito rebelde, forçá-la a aceitar regras, o que alimenta uma péssima relação entre ambas. Apesar do mau resultado, Mikaela volta a Inglaterra. O casal decide enviar os dois filhos para uma escola que conhecem bem, Michael Hall.
"Não se discute se é opção para os miúdos, é-lhes imposto, eles são mandados tal como eu já tinha sido e a Snu também." Vasco partilha as responsabilidades pelo envio dos filhos para Inglaterra, o que se torna mais cómodo para a vida do casal em Lisboa (...). Aos onze anos Ricardo segue para Michael Hall. (...) Mikaela volta a adaptar-se mal (...). As férias suspendem a atribulada vida escolar de Mikaela, que passa por três colégios internos sem nunca se adaptar, com viagens entre Lisboa e Londres. (...) Ao mesmo tempo, Vasco e Snu preparam a sua própria separaração. (...)
Os desencontros acentuam-se ao limite no dia em que Snu expulsa a filha de casa, a meio de 1976. Vasco está a viver temporariamente no Chiado quando recebe um telefonema de Snu: "Daqui a dez minutos a Mikaela está a aí e a partir de agora tu tomas conta dela." (...) Aos 14 anos, Mikaela faz a viagem da D. João V para o Chiado, com toda a carga de uma separação forçada com a mãe que deixa marcas para sempre. (...)
Em Inglaterra, Ricardo começa a ser cada vez mais atraído pela agitação de Londres (...). As aulas no colégio interno ressentem-se, ele está sozinho, só vê os pais nas férias, mas no telefonema semanal Snu começa a aperceber-se da situação e toma uma decisão drástica. Faz seguir Ricardo, aos 14 anos, para as montanhas da Suíça, para Aiglon College, uma escola inglesa bastante mais rigorosa em termos de disciplina. (...)
Rebecca cresce alheia aos colégios internos em Inglaterra e às atribuladas adolescências dos irmãos mais velhos, uma vez que a diferença de idades é significativa. Nos primeiros tempos de escola ainda frequenta o St. Julian's, mas Snu alimenta dúvidas sobre o rigor dessa escola e, por influência da sogra francesa, Lucienne, Rebecca entra para o Liceu Francês (...). "Todos os dias o pai leva-me muito cedo para a escola e quando terminam as aulas uma empregada vai-me buscar." Às cinco e meia a mãe chega para o chá. Rebecca tem direito a uma ou duas bolachas de chocolate, e é o momento em que conta o que aprendeu na escola, se tem ou não trabalhos escolares para fazer. (...) A relação é mais pacífica, com uma mãe "muito calma, conservadora, muito séria, mas também sou assim, o feitio dela entende-se com o meu." (...) "Eu tenho direito ao beijinho da manhã, antes de sair para a escola, e ao beijinho à noite, quando me vou deitar, um ritual quase sempre cumprido, o que para mim é perfeito." (...)
in 'Snu e a vida privada com Sá Carneiro', de Cândida Pinto (Dom Quixote, 2011)
Estas não incomodavam ninguém na esplanada (I)
Voltando à Parada: grande parte das crianças veio a drogar-se depois ou a traficar ou a assaltar casas de amigos ou a despenhar-se nos carros dos pais ou, ainda, a roubar lojas para comprar droga, tudo fruto daquela educação impaciente confiada a pessoal primário, industriado para se abster de considerações e só incomodar os progenitores em casos muito graves, como partir um braço ou morrer afogado nas ondas que não existiam na Praia da Conceição. Resultado: quando voltaram a ser incomodados, anos mais tarde, foi pela judiciária.
(...) Era muito pequena, pelo que a verdade é que não tenho grandes recordações da Parada, a não ser a ideia cada vez mais precisa de que os adultos não nos ligavam bóia (...)
Foi por essa altura que o meu pai, alheado mas lúcido, resolveu que aquilo não era meio para os filhos crescerem e nos arrastou nas férias para a Praia das Maçãs. (...) Os cafés eram pindéricos, a praia desabrigada, a água ártica e as ondas todos os anos levavam umas tantas crianças anónimas, já que os banheiros vigiavam com outra aplicação os filhos-família:
- Ó Fortunato, tenha paciência, veja-me aí a Madalenazinha, que é muito afoita no mar. Posso ficar descansada? (...)
in 'A menina é filha de quem?', de Rita Ferro (Dom Quixote, 2011)
Estas não incomodavam ninguém na esplanada (I)
Voltando à Parada: grande parte das crianças veio a drogar-se depois ou a traficar ou a assaltar casas de amigos ou a despenhar-se nos carros dos pais ou, ainda, a roubar lojas para comprar droga, tudo fruto daquela educação impaciente confiada a pessoal primário, industriado para se abster de considerações e só incomodar os progenitores em casos muito graves, como partir um braço ou morrer afogado nas ondas que não existiam na Praia da Conceição. Resultado: quando voltaram a ser incomodados, anos mais tarde, foi pela judiciária.
(...) Era muito pequena, pelo que a verdade é que não tenho grandes recordações da Parada, a não ser a ideia cada vez mais precisa de que os adultos não nos ligavam bóia (...)
Foi por essa altura que o meu pai, alheado mas lúcido, resolveu que aquilo não era meio para os filhos crescerem e nos arrastou nas férias para a Praia das Maçãs. (...) Os cafés eram pindéricos, a praia desabrigada, a água ártica e as ondas todos os anos levavam umas tantas crianças anónimas, já que os banheiros vigiavam com outra aplicação os filhos-família:
- Ó Fortunato, tenha paciência, veja-me aí a Madalenazinha, que é muito afoita no mar. Posso ficar descansada? (...)
in 'A menina é filha de quem?', de Rita Ferro (Dom Quixote, 2011)
Estas não incomodavam ninguém na esplanada (I)
Voltando à Parada: grande parte das crianças veio a drogar-se depois ou a traficar ou a assaltar casas de amigos ou a despenhar-se nos carros dos pais ou, ainda, a roubar lojas para comprar droga, tudo fruto daquela educação impaciente confiada a pessoal primário, industriado para se abster de considerações e só incomodar os progenitores em casos muito graves, como partir um braço ou morrer afogado nas ondas que não existiam na Praia da Conceição. Resultado: quando voltaram a ser incomodados, anos mais tarde, foi pela judiciária.
(...) Era muito pequena, pelo que a verdade é que não tenho grandes recordações da Parada, a não ser a ideia cada vez mais precisa de que os adultos não nos ligavam bóia (...)
Foi por essa altura que o meu pai, alheado mas lúcido, resolveu que aquilo não era meio para os filhos crescerem e nos arrastou nas férias para a Praia das Maçãs. (...) Os cafés eram pindéricos, a praia desabrigada, a água ártica e as ondas todos os anos levavam umas tantas crianças anónimas, já que os banheiros vigiavam com outra aplicação os filhos-família:
- Ó Fortunato, tenha paciência, veja-me aí a Madalenazinha, que é muito afoita no mar. Posso ficar descansada? (...)
in 'A menina é filha de quem?', de Rita Ferro (Dom Quixote, 2011)
Wednesday, January 23, 2013
Não é preciso ser mãe para saber como é
Não conseguir. Recusar convites para viagens de trabalho porque são muitas noites e é complicado. Viver em função do horário da escola. Por isso recusar ficar a trabalhar até mais tarde. Por isso ser olhada de lado no trabalho. Recusar constantemente todos os convites para eventos ao fim da tarde ou à noite, jantares, saídas, cinemas, festas. Conseguir fazer algumas destas coisas mas sempre sozinha porque algum dos pais tem que ficar com os filhos, né?
Ouvir o despertador e não poder dizer só mais um bocadinho porque esse bocadinho vai pôr toda a família em stress. Garantir que os miúdos têm roupa para vestir, o equipamento do desporto lavado, os trabalhos de casa em dia. Garantir que há leite para o pequeno-almoço e bife para o jantar. Pensar em tudo. Chegar a casa e não descansar. Não podermos estender-nos no sofá e ficar em silêncio. Ler-lhes uma história ao fim do dia e aconchegar-lhes o cobertor e saber que ainda se tem a loiça por lavar e a roupa por estender. Estar estafada e ainda assim sorrir-lhes, porque eles merecem e porque de facto nos fazem felizes.
Fazer isto tudo tentando não gritar nem bater (mas gritando e batendo quando é preciso). Fazer isto tudo tentando dar-lhes a melhor educação, o melhor exemplo, ensinar-lhes os valores que contam. Dar-lhes as melhores memórias possíveis da infância ao mesmo tempo que exigimos que se portem bem à mesa, que se esforcem na escola, que sejam responsáveis. Tentar moldá-los aos nossos sonhos e ao mesmo tempo dizer-lhes para serem eles mesmos. Ter dúvidas. Morrer de culpa, porque hoje em dia os senhores psiquiatras que escrevem nas revistas são peritos em fazerem sentir-nos culpadas. Prometer a nós mesmas que amanhã seremos melhores.
É. Ser mãe é a melhor coisa do mundo, que é, mas também é isto. E não me venham cá dizer que não é preciso ser mãe para poder criticar e dizer como é que deveria ser. Tretas. Todas nós sonhámos em ser melhores mães do que aquilo que somos. Todas nós imaginámos como iriamos fazer, como seríamos perfeitas, quão maravilhosos seriam os nossos filhos. Que respostas daríamos. Quantas certezas teríamos. Como manteríamos a calma e dominaríamos a situação. Como seríamos encantadoras, sempre a falar baixo e a fazer coisas divertidas, e os nossos filhos tão queridos, tão educados, tão inteligentes. Sem fazerem birras nem dizerem palavrões. A gostarem de música clássica e a lerem ficção científica. Todas nós. Mas depois. A vida de todos os dias troca-nos as voltas. São poucas as que conseguem trocar as voltas à vida (conheço duas ou três). Mas são muitas as excelentes mães, apesar de tudo.
Sim, lamento, mas é preciso mesmo passar por isto para saber.
(já escrevi sobre este assunto antes, e várias vezes até, mas esta semana li uma coisa que me fez ter vontade de dizer isto de novo. e não foi o senhor henrique raposo - esse não sabe nada sobre crianças, é óbvio. estou mesmo a falar de quem não sabe nada do que é ser mãe/pai)
Não é preciso ser mãe para saber como é?
Tentar educar um ou mais filhos ao mesmo tempo que se trabalha oito ou muito mais horas por dia e se tenta ser bom nesse trabalho, estar a par, não perder a competitividade, tentar fazê-lo sem a ajuda de avós que ou estão longe ou ainda trabalham, sem a presença de tias ou madrinhas ou família alargada que hoje em dia está quase sempre afastada e também atarefada com a sua vidinha, sem a presença de baysitters caríssimas ou empregadas internas ou outras, só uma mulher a dias (as mais das vezes num só dia) e já é uma sorte, e por isso tentar educar um ou mais filhos e trabalhar no duro ao mesmo tempo que se tem uma casa para governar e para arrumar, compras para fazer e comida para cozinhar, tentar ainda assim fazer qualquer coisa gira no pouco tempo de lazer, praticar um desporto, pôr os miúdos a fazer desporto, ir ao cinema ou ao teatro ou a exposições, passar algum tempo com os amigos, passear, com ou sem os filhos, praticar uma religião, ter algum tipo de atividade política ou cívica.
Não conseguir. Recusar convites para viagens de trabalho porque são muitas noites e é complicado. Viver em função do horário da escola. Por isso recusar ficar a trabalhar até mais tarde. Por isso ser olhada de lado no trabalho. Recusar constantemente todos os convites para eventos ao fim da tarde ou à noite, jantares, saídas, cinemas, festas. Conseguir fazer algumas destas coisas mas sempre sozinha porque algum dos pais tem que ficar com os filhos, né?
Ouvir o despertador e não poder dizer só mais um bocadinho porque esse bocadinho vai pôr toda a família em stress. Garantir que os miúdos têm roupa para vestir, o equipamento do desporto lavado, os trabalhos de casa em dia. Garantir que há leite para o pequeno-almoço e bife para o jantar. Pensar em tudo. Chegar a casa e não descansar. Não podermos estender-nos no sofá e ficar em silêncio. Ler-lhes uma história ao fim do dia e aconchegar-lhes o cobertor e saber que ainda se tem a loiça por lavar e a roupa por estender. Estar estafada e ainda assim sorrir-lhes, porque eles merecem e porque de facto nos fazem felizes.
Fazer isto tudo tentando não gritar nem bater (mas gritando e batendo quando é preciso). Fazer isto tudo tentando dar-lhes a melhor educação, o melhor exemplo, ensinar-lhes os valores que contam. Dar-lhes as melhores memórias possíveis da infância ao mesmo tempo que exigimos que se portem bem à mesa, que se esforcem na escola, que sejam responsáveis. Tentar moldá-los aos nossos sonhos e ao mesmo tempo dizer-lhes para serem eles mesmos. Ter dúvidas. Morrer de culpa, porque hoje em dia os senhores psiquiatras que escrevem nas revistas são peritos em fazerem sentir-nos culpadas. Prometer a nós mesmas que amanhã seremos melhores.
É. Ser mãe é a melhor coisa do mundo, que é, mas também é isto. E não me venham cá dizer que não é preciso ser mãe para poder criticar e dizer como é que deveria ser. Tretas. Todas nós sonhámos em ser melhores mães do que aquilo que somos. Todas nós imaginámos como iriamos fazer, como seríamos perfeitas, quão maravilhosos seriam os nossos filhos. Que respostas daríamos. Quantas certezas teríamos. Como manteríamos a calma e dominaríamos a situação. Como seríamos encantadoras, sempre a falar baixo e a fazer coisas divertidas, e os nossos filhos tão queridos, tão educados, tão inteligentes. Sem fazerem birras nem dizerem palavrões. A gostarem de música clássica e a lerem ficção científica. Todas nós. Mas depois. A vida de todos os dias troca-nos as voltas. São poucas as que conseguem trocar as voltas à vida (conheço duas ou três). Mas são muitas as excelentes mães, apesar de tudo.
Sim, lamento, mas é preciso mesmo passar por isto para saber.
Não é preciso ser mãe para saber como é?
Tentar educar um ou mais filhos ao mesmo tempo que se trabalha oito ou muito mais horas por dia e se tenta ser bom nesse trabalho, estar a par, não perder a competitividade, tentar fazê-lo sem a ajuda de avós que ou estão longe ou ainda trabalham, sem a presença de tias ou madrinhas ou família alargada que hoje em dia está quase sempre afastada e também atarefada com a sua vidinha, sem a presença de baysitters caríssimas ou empregadas internas ou outras, só uma mulher a dias (as mais das vezes num só dia) e já é uma sorte, e por isso tentar educar um ou mais filhos e trabalhar no duro ao mesmo tempo que se tem uma casa para governar e para arrumar, compras para fazer e comida para cozinhar, tentar ainda assim fazer qualquer coisa gira no pouco tempo de lazer, praticar um desporto, pôr os miúdos a fazer desporto, ir ao cinema ou ao teatro ou a exposições, passar algum tempo com os amigos, passear, com ou sem os filhos, praticar uma religião, ter algum tipo de atividade política ou cívica.
Não conseguir. Recusar convites para viagens de trabalho porque são muitas noites e é complicado. Viver em função do horário da escola. Por isso recusar ficar a trabalhar até mais tarde. Por isso ser olhada de lado no trabalho. Recusar constantemente todos os convites para eventos ao fim da tarde ou à noite, jantares, saídas, cinemas, festas. Conseguir fazer algumas destas coisas mas sempre sozinha porque algum dos pais tem que ficar com os filhos, né?
Ouvir o despertador e não poder dizer só mais um bocadinho porque esse bocadinho vai pôr toda a família em stress. Garantir que os miúdos têm roupa para vestir, o equipamento do desporto lavado, os trabalhos de casa em dia. Garantir que há leite para o pequeno-almoço e bife para o jantar. Pensar em tudo. Chegar a casa e não descansar. Não podermos estender-nos no sofá e ficar em silêncio. Ler-lhes uma história ao fim do dia e aconchegar-lhes o cobertor e saber que ainda se tem a loiça por lavar e a roupa por estender. Estar estafada e ainda assim sorrir-lhes, porque eles merecem e porque de facto nos fazem felizes.
Fazer isto tudo tentando não gritar nem bater (mas gritando e batendo quando é preciso). Fazer isto tudo tentando dar-lhes a melhor educação, o melhor exemplo, ensinar-lhes os valores que contam. Dar-lhes as melhores memórias possíveis da infância ao mesmo tempo que exigimos que se portem bem à mesa, que se esforcem na escola, que sejam responsáveis. Tentar moldá-los aos nossos sonhos e ao mesmo tempo dizer-lhes para serem eles mesmos. Ter dúvidas. Morrer de culpa, porque hoje em dia os senhores psiquiatras que escrevem nas revistas são peritos em fazerem sentir-nos culpadas. Prometer a nós mesmas que amanhã seremos melhores.
É. Ser mãe é a melhor coisa do mundo, que é, mas também é isto. E não me venham cá dizer que não é preciso ser mãe para poder criticar e dizer como é que deveria ser. Tretas. Todas nós sonhámos em ser melhores mães do que aquilo que somos. Todas nós imaginámos como iriamos fazer, como seríamos perfeitas, quão maravilhosos seriam os nossos filhos. Que respostas daríamos. Quantas certezas teríamos. Como manteríamos a calma e dominaríamos a situação. Como seríamos encantadoras, sempre a falar baixo e a fazer coisas divertidas, e os nossos filhos tão queridos, tão educados, tão inteligentes. Sem fazerem birras nem dizerem palavrões. A gostarem de música clássica e a lerem ficção científica. Todas nós. Mas depois. A vida de todos os dias troca-nos as voltas. São poucas as que conseguem trocar as voltas à vida (conheço duas ou três). Mas são muitas as excelentes mães, apesar de tudo.
Sim, lamento, mas é preciso mesmo passar por isto para saber.
Monday, January 21, 2013
Sessão especial
Labels: Vida
Sessão especial
Labels: Vida
Sessão especial
Labels: Vida
Friday, January 18, 2013
Tal e qual
Isto são os meus filhos. Tal e qual. Juro. Não estou a exagerar.
E juntos são assim:
E agora isto sou eu:
Têm graça estes senhores do Baby Blues. Fazem-me esquecer por um bocadinho as patacoadas do FMI e do nosso desgoverno.
Thursday, January 17, 2013
Cadê a luz ao fundo do túnel?
Eu até sou uma pessoa optimista, que sou, e esforço-me por pensar que isto é tudo uma fase e que as coisas vão melhorar e que os meus filhos hão de crescer num país decente e conseguir ter uma vida boa. Esforço-me, pois. Mas está difícil.
Cadê a luz ao fundo do túnel?
Eu até sou uma pessoa optimista, que sou, e esforço-me por pensar que isto é tudo uma fase e que as coisas vão melhorar e que os meus filhos hão de crescer num país decente e conseguir ter uma vida boa. Esforço-me, pois. Mas está difícil.
Cadê a luz ao fundo do túnel?
Eu até sou uma pessoa optimista, que sou, e esforço-me por pensar que isto é tudo uma fase e que as coisas vão melhorar e que os meus filhos hão de crescer num país decente e conseguir ter uma vida boa. Esforço-me, pois. Mas está difícil.
Thursday, January 10, 2013
A ministra grávida
A notícia foi publicada ontem pela Lusa e reproduzida em todos os sites de informação, não sei quem foi o jornalista que fez a pergunta mas acho isto tudo extraordinário.
Demitir-se?
Demitir-se porquê?
Assunção Cristas e o Governo têm aqui uma bela oportunidade para darem o melhor dos exemplos às mulheres que trabalham e às empresas que as contratam. Vamos lá ver se não estragam tudo...
Labels: coisas de gaja, gravidez, política
A ministra grávida
"(...) Questionada sobre se iria ser substituída no ministério durante a licença de maternidade ou se iria demitir-se antes daquela licença, a governante respondeu: “É matéria que não me preocupa neste momento, agora o que me preocupa é que a gravidez corra bem e o trabalho continue a ser intenso.” (...)"
A notícia foi publicada ontem pela Lusa e reproduzida em todos os sites de informação, não sei quem foi o jornalista que fez a pergunta mas acho isto tudo extraordinário.
Demitir-se?
Demitir-se porquê?
Assunção Cristas e o Governo têm aqui uma bela oportunidade para darem o melhor dos exemplos às mulheres que trabalham e às empresas que as contratam. Vamos lá ver se não estragam tudo...
Labels: gravidez e parto, igualdade, mulheres, política
A ministra grávida
"(...) Questionada sobre se iria ser substituída no ministério durante a licença de maternidade ou se iria demitir-se antes daquela licença, a governante respondeu: “É matéria que não me preocupa neste momento, agora o que me preocupa é que a gravidez corra bem e o trabalho continue a ser intenso.” (...)"
A notícia foi publicada ontem pela Lusa e reproduzida em todos os sites de informação, não sei quem foi o jornalista que fez a pergunta mas acho isto tudo extraordinário.
Demitir-se?
Demitir-se porquê?
Assunção Cristas e o Governo têm aqui uma bela oportunidade para darem o melhor dos exemplos às mulheres que trabalham e às empresas que as contratam. Vamos lá ver se não estragam tudo...
Labels: gravidez e parto, igualdade, mulheres, política
Wednesday, January 09, 2013
Tuesday, January 08, 2013
A felicidade nas coisas pequenas (II)
Estando esta semana no turno na noite e não gostando de estar em casa enquanto a Neusa anda a limpar, decidi ir tomar um café à Fnac. Peguei no 'José', do Rubem Fonseca, e sentei-me numa cadeira. A minha intenção era comprá-lo mas... o tempo passou correndo, fiquei ali mais de duas horas e li o livro todo. Ups. Voltei a colocá-lo na estante e saí, sorrateiramente, um bocado envergonhada. Mas, depois, vendo bem, não devo ser a única a fazê-lo, não é? E soube-me tão bem. Um livro assim, a meio do dia, é um bálsamo. E com o dinheiro que poupei posso voltar para comprar as tão elogiadas 'Axilas e outras histórias indecorosas'.
Labels: a felicidade nas coisas pequenas, Brasil, felicidade, Livros
A felicidade nas coisas pequenas (II)
Estando esta semana no turno na noite e não gostando de estar em casa enquanto a Neusa anda a limpar, decidi ir tomar um café à Fnac. Peguei no 'José', do Rubem Fonseca, e sentei-me numa cadeira. A minha intenção era comprá-lo mas... o tempo passou correndo, fiquei ali mais de duas horas e li o livro todo. Ups. Voltei a colocá-lo na estante e saí, sorrateiramente, um bocado envergonhada. Mas, depois, vendo bem, não devo ser a única a fazê-lo, não é? E soube-me tão bem. Um livro assim, a meio do dia, é um bálsamo. E com o dinheiro que poupei posso voltar para comprar as tão elogiadas 'Axilas e outras histórias indecorosas'.
Labels: a felicidade nas coisas pequenas, Brasil, felicidade, Livros
A felicidade nas coisas pequenas (2)
Monday, January 07, 2013
Sunday, January 06, 2013
A juventude
Labels: jornalismo
A juventude
Labels: jornalismo
A juventude
Labels: jornalismo
Thursday, January 03, 2013
A felicidade nas coisas pequenas
Labels: vidinha
A felicidade nas coisas pequenas
Um pijama polar, prenda de natal de quem me conhece mesmo bem.
Labels: a felicidade nas coisas pequenas, felicidade, vidinha
A felicidade nas coisas pequenas
Um pijama polar, prenda de natal de quem me conhece mesmo bem.
Labels: a felicidade nas coisas pequenas, felicidade, vidinha
Wednesday, January 02, 2013
Tuesday, January 01, 2013
Tantas semanas à espera para isto
E, agora, quando é que regressa o Madmen? É que já não há nada para ver nesta televisão.
Labels: televisão
Tantas semanas à espera para isto
E, agora, quando é que regressa o Madmen? É que já não há nada para ver nesta televisão.
Labels: televisão
Tantas semanas à espera para isto
E, agora, quando é que regressa o Madmen? É que já não há nada para ver nesta televisão.
Labels: televisão
Ilusões de ano novo
Labels: vidinha
Ilusões de ano novo
Labels: vidinha
Ilusões de ano novo
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