Saturday, June 28, 2025

Famílias, tantas declinações (e outras reflexões)

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No espaço de uma semana fui ver dois espectáculos sobre isto de se querer ter ou não filhos, o que muda nas nossas vidas, se estamos mesmo dispostos a isso e que expectativas temos. Na semana passada vi Corre, Bebé, de Ary Zara e Gaya de Medeiros (na foto), e ontem fui ver Começar Tudo Outra Vez, de Raquel André e Tonan Quito. Apesar de partirem do mesmo sítio - um casal de artistas que equaciona engravidar - e de percorrerem caminhos semelhantes, os dois espectáculos são bastante diferentes na sua forma. Corre, Bebé é mais abstracto e com uma maior componente de fisicalidade. Começar Tudo Outra Vez junta os universos da Raquel e do Tonan - ela mais ligada à realidade, fazendo entrevistas para procurar histórias reais, recorrendo ao vídeo; ele trazendo a sua formação de actor e os textos clássicos, de Sófocles, Shapeare ou Tchekhov. Foram duas experiências muito distintas mas que me deixaram feliz. Este é um tema de que gosto muito e que raramente é posto em palco, e não deixa de ser curioso que surjam na mesma altura, trazendo para a luz os problemas que as novas gerações enfrentam. No caso de Ary e Gaya, duas pessoas trans, as questões ligadas à paternidade/maternidade são bastante complexas, e só poder falar disto assim já é uma vitória. Mas, na verdade, são um casal como qualquer outro, a tentar perceber se quer ou não embarcar nesta viagem. No espectáculo da Raquel e do Tonan é impossível não nos comovermos com as histórias das famílias deles (que são as histórias de muitas famílias) e é muito engraçado ver como tem mudado a nossa percepção sobre o parto, o papel do pai ou a figura da madrasta.


Existe aquela famosa frase do Tolstoi, que toda a gente cita quando fala de famílias e eu também o vou fazer, que diz que "todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira". No final destes dois espectáculos, fica mais forte a convicção de que uma família para ser feliz, seja em que configuração for, tem de ser um sinónimo de amor, sempre, mais do que de sangue. 


*


Aconteceu outra coisa engraçada, que foi, em cada noite, encontrar pessoas que conheci há muito tempo e que me deram saudades daquela altura em que o meu trabalho me levava tantas vezes ao teatro e, por causa disso, decidi voltar à faculdade e fazer estudos de teatro, para ter mais ferramentas. Foi uma fase muito boa, em que conheci tanta gente, participei em conversas interessantes, li textos estimulantes. Era quase como se sentisse o meu pensamento a expandir-se, sabem? Parece que foi noutra vida. Entretanto, eu fui-me afastando desse mundo, arrastada pela vida. E de então para cá, também deixou de existir crítica de teatro, fosse na imprensa ou noutras publicações ou sites. Foi como se as redes sociais tivessem aniquilado qualquer hipótese de reflexão e não conseguíssemos ir mais além do gostei ou não gostei (que é o que eu faço aqui). Claro que há muita gente a reflectir, mas essa reflexão dificilmente chega ao público em geral - e eu hoje sou do público em geral e tenho saudades disso.


Para contrariar o que acabei de dizer:


O Tiago Bartolomeu Costa voltou a escrever sobre teatro, agora no Comunidade Cultura e Arte. O Tiago, que conheci nos tempos do blog O Melhor Anjo, está longe de ser uma pessoa consensual, mas é uma pessoa que pensa e que, com os seus textos, me dá sempre algo para pensar. É o que se quer de uma crítica, afinal. 


A minha querida professora Maria João Brilhante (uma das minhas queridas professoras e professores, não quero ser injusta), que agora já se reformou, falou-me do seu último projeto, uma investigação sobre arquivos de companhia de teatro - que está disponível AQUI. Ainda tenho que explorar isto melhor, mas, num tempo tão fugaz e em que tudo é descartável, acho mesmo importante este trabalho sobre o arquivo e a memória.

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Friday, June 27, 2025

Não bebo cerveja

Há sempre alguém que diz: "Isso não é verdade, tu é que ainda não provaste uma cerveja como deve ser". Entao, dão-me a provar marcas diferentes e insistem em levar-me a um desses sítios trendy de cerveja artesanal. "Tu vais ver". Eu vou. Já experimentei cerveja portuguesa, belga, alemã e de outras nacionalidades, com marcas com nomes esquisitos, com sabor a frutos, a flores, a caramelo, mais ácida ou mais doce, com mais ou menos espuma, mais ou menos pressão. Odeios todas. O sabor repugna-me. Fico mal disposta só de bebericar. No fim do jantar ou do que seja, o copo continua quase cheio e as pessoas concluem "não gostas mesmo de cerveja, pois não?". Algumas olham para mim com pena, só lhes faltam verbalizar um "coitadinha". Coitadinha de mim que nunca vou saber o que é a alegria de beber uma cerveja gelada num dia de calor, o prazer de saborear uma imperial acompanhada de tremoços ou de caracóis, como é bom abancar numa esplanada depois de um dia de trabalho ou de praia e ter sempre um copo cheio à minha frente, porque há sempre alguém que pede mais uma rodada: "Imperiais para todos?". Sim, eu só aquela pessoa chata que levanta a mão e diz "para mim não, obrigada". Mas fiquem tranquilos e nada temam, sei que é difícil, mas alguém tem ajudar os produtores de vinho branco.


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Esta semana há "bejecas" no largo, vão lá provar:


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Friday, June 20, 2025

Caramelo

Quando eu era pequena, Espanha era o Rosal de La Frontera, uma terra que fica do outro lado da fronteira de Vila Verde de Ficalho, a uma hora e meia da minha terra. Nunca lá fui, mas de vez em quando alguém ia a Espanha fazer compras e voltava com embalagens enormes de gel de banho e detergentes para a casa. Isto foi antes da União Europeia, claro, ainda havia fronteiras e ir a Espanha, ainda que fosse só ali ao lado e que não fosse preciso passaporte, era uma aventura. Nesses dias, ficava à espera que o carro da dona Fátinha estacionasse à nossa porta, em pulgas para saber que coisas maravilhosas a minha avó teria comprado. Vinha o porta-bagagens cheio. De lá me trouxeram bonecas várias, tabletes gigantes de chocolates com avelãs, pacotes de rebuçados. Lembro-me particularmente de uns rebuçados muito grandes, de caramelo e pinhão, que quase não cabiam na boca e se pegavam ao dentes, dificílimos de comer. Não se vendiam em mais lado nenhum. Nesses tempos, para mim, ir a Espanha era sinónimo de ir comprar caramelos. Ainda hoje, se penso em caramelos é este o sabor que me vem à boca.


Não garanto que fossem desta marca, mas eram mais ou menos assim:


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Porque é sexta-feira, é dia de largo. Eu tenho andado um pouco desleixada, mas esta semana aqui estou, a roer caramelos com estas companheiras:


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Thursday, June 19, 2025

Ainda a recuperar o atraso: mais séries

Nestes dias dei por mim a ver uma série com a Nicole Kidman e o Hugh Grant, The Undoing. Passa-se no mundo dos super-ricos de Manhatthan, pessoas que moram em casas lindas e enormes e têm criadas e vão a leilões, enfim, um mundo que não me diz muito mas que parece ser terreno fértil para séries de sucesso. Esta mulher sofisticada, sempre impecável e controlada, é um tipo de personagem em que a Nicole se especializou. Não gosto muito da Nicole Kidman como actriz, parece que é incapaz de mostrar verdadeiros sentimentos; aquele rosto já foi bonito mas agora está completamente esticado e desfigurado, sem rugas nem expressão. 


Apesar de tudo, ao ver The Undoing não consegui evitar fixar-me no sentimento daquela mulher que descobre que o marido lhe mentiu. Ainda que possa acreditar que o marido não é um assassino, saber que ele lhe mentiu tanto é o suficiente para se questionar se conhecerá assim tão bem o homem com quem casou. 


Por causa disto, lembrei-me de uma outra série, que penso que não cheguei a referir aqui e que é um pouco melhor do que esta: Disclaimer, uma série realizada pelo Alfonso Cuarón, com a Cate Blanchett, o Sacha Baron Cohen e o Kevin Kline. Mais uma vez temos um casal a braços com mentiras e com mais mentiras que servem para ocultar as mentiras anteriores. Como se mantém uma relação depois de se perder a confiança?


Há muito tempo que não pensava nisto (e isso é muito bom sinal).


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Cate Blanchett em Disclaimer

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Wednesday, June 18, 2025

Recuperar o atraso: três séries

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(Will Forte e Tina Fey em Four Seasons)


Tenho tanta coisa atrasada para falar aqui que nem sei por onde começar. Hoje vou só referir três séries que vi nos últimos meses e que aconselho bastante:


Love and Death - já a vi há bastante tempo, mas no outro dia voltei a encontrá-la na HBO Max e percebi que não a tinha referido. Vale muito a pena. É uma série baseada na história real de Candy Montgomery (aviso spoiler, se não querem saber o que acontece não continuem a ler), uma americana do Texas que é a mulher ideal, a dona de casa de perfeita, a mãe dedicada. Religiosa, entretida com os chás das amigas e a quermesse da igreja, Candy envolve-se romanticamente com o marido de uma das amigas e perde completamente o controlo da sua vida. Enredada em mentiras, em 1980, Candy acaba por matar a mulher do amante, esfanqueando-a 41 vezes. Eu não sabia nada disto quando vi a série e acho que o facto de não saber o que ia acontecer e se ela iria ser ou não apanhada tornou tudo mais entusiasmante. Elizabeth Olsen e Jesse Plemons são os actores principais.



Não digas nada - é mais uma daquelas que apanhei por acaso na Disney Plus e comecei a ver sem saber nada do que aí vinha. A ação passa-se em Belfast, na Irlanda do Norte, sobretudo nos anos 70, e também é baseada nas vidas reais das irmãs Price e outros membros do IRA. É um tema fascinante. Tentar perceber aquelas vidas e a quela guerra, o que pode levar as pessoas a tornarem-se terroristas. Claro que depois fui à procura das histórias e das caras verdadeiras. Pareceu-me que a série é um pouco parcial, mas não tenho assim tantos conhecimentos para avaliar. Seja como for, também gostei.



Quatro estações - esta já não foi surpresa, porque já tinha lido sobre ela e porque tem Tina Fey (também co-criadora), Steve Carrell e Colman Domingo. É uma comédia, mas uma comédia-dramática, como agora se diz. Há um artigo na Vulture com o título "The Four Seasons is probably not your thing", que se refere ao facto de esta ser uma comédia com e para pessoas que estão nos 50s. Começa assim:


"The Netflix comedy The Four Seasons stars (mostly) actors who are in their 50s, playing characters who are in their 50s, in a show whose target demographic is (I assume) people in their 50s. Perhaps that explains why this series’s greatest strength is its deep understanding of how it feels to be a person — admittedly with some privilege and a generous serving of self-absorption — in the deepest throes of midlife, staring down a future filled with empty nests, potential health issues, and the nagging fear that all chances for happiness are way past their expiration dates."


Fiquei a pensar que, provavelmente, a Vulture "is not my thing anymore" (mas isso é toda uma outra reflexão), porque gostei bastante desta série que anda à volta de três casais amigos, com as suas crises de meia idade, casamentos complicados, filhos crescidos, sonhos por cumprir e muito companheirismo. É para rir, mas, ainda assim, faz-nos pensar um bocadinho (e a banda sonora é muito boa).


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Tuesday, June 10, 2025

Up and down

Março, abril e maio foram meses bons, de muitas emoções e muita agitação. Mas não se pode estar sempre lá em cima. Depois daquelas duas semanas de campanha que me deixaram exausta e do trambolhão emocional da noite eleitoral, entrei numa espécie de ressaca de onde está a ser difícil sair. Não me apetece ver ninguém nem fazer nada. Portanto, tenho me deixado estar, simplesmente. Andei entretida com o ténis de Roland Garros (e que bela entretenga foi) e tenho visto filmes antigos, mas não muito antigos, dos 80s, 90s e 00s, uns não muito bons, outros um pouco melhores, filmes que não me chateiam muito a cabeça ou que me fazem chorar como uma madalena arrependida, só para passar o tempo. Pelo meio, também tive uma gripe que me mandou a baixo. Mais uns contratempos de trabalho. E esta semana estou a trabalhar à noite. Resultado: ando cansada, não tenho feito exercício e tenho comido muitas porcarias, sinto-me a engordar todos os dias um bocadinho e isso também não é muito animador. Isto tudo junto e mais as preocupações com os putos e a vidinha e a idade e as frustrações (e o mundo, o mundo está bastante deprimento também)  é uma bela mistura. É como uma bola de neve. A parte boa é que já começo a estar farta de estar nesta fase. Não tarda nada passou um mês, já é tempo de reagir. 


Tenho escrito sobre estas fases blah, e isso ajuda-me a perceber que isto acontece e que depois melhora, a aceitar esta montanha-russa mas, por outro lado, assumir que também está nas minhas mãos fazer algo para mudar. É uma batalha constante e temos de estar mesmo muito atentos para não nos deixarmos cair num poço sem fundo.


*


Coisas que ajudam: há discos novos dos Arcade Fire, dos Pulp e da Garota Não. Ainda estou a descobrir. 


 


"Without love, you're just making a fool of yourself", in "Got to Have Love", Pulp

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Sunday, June 08, 2025

(sem) Terra

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1
Fugi da minha terra assim que pude. Fugi sem olhar para trás. Estava a sufocar ali. Lembro-me que a partir de determinada altura deixei sequer de tentar discutir com os meus pais, limitava-me a contar os dias que faltavam para sair dali, para poder fazer o que me apetecesse, sem me sentir olhada e controlada por toda a gente, sem os dedos apontadores, sem recriminações moralistas. Fugi da minha terra no Alentejo para deixar de ser a filha do senhor professor e poder ser, finalmente, eu. Mesmo que, vai-se a ver, afinal eu não fosse muito diferente em Lisboa do que era ali. Mas isso era irrelevante. A verdadeira mudança aconteceu dentro de mim, na liberdade que tinha para escolher e para ser o que eu quisesse.


2
Não gosto assim tanto da minha terra, não a acho particularmente bonita, não deixei lá grandes amigos, não sinto saudades de nada. Não tenho vontade de voltar para lá. Gostaria muito de ter uma casa no campo, mas não ali. Durante a faculdade, quando os meus colegas iam passar o fim-de-semana à terra, eu dizia que ia a casa. Não gostava da minha terra, mas gostava da minha casa. Depois, quando os miúdos eram pequenos e passávamos grandes temporadas no Alentejo, foi como se fizesse as tréguas com aquela terra. Mas foi sol de pouca dura. Na verdade, não era a terra, era outra vez a casa. A casa dos avós. A casa da tia. Ainda hoje, quando lá vou, ando pouco nas ruas, só fico nestas casas que, não o sendo, são também a minha casa.


3
Não gosto assim tanto de Lisboa, não a acho particularmente bonita, nem limpa, nem agradável. Pelo contrário, cada vez gosto menos. Sinto-me desconfortável na maior parte dos sítios. Há demasiadas pessoas, demasiado trânsito, demasiado lixo, demasiada degradação. De Lisboa gosto sobretudo das pessoas e das oportunidades. As pessoas que me aquecem a alma. As oportunidades para trabalhar e para fazer coisas que gosto de fazer. Moro em Lisboa há mais anos do que aqueles que morei na minha terra, nunca morei noutro sítio, nem sequer temporariamente. E no entanto não adoro morar em Lisboa. Tenho aqui a minha casa, mas Lisboa não é a minha terra.


4
Há pessoas que me perguntam de onde sou mas o que querem saber é onde moro. Ainda assim, não consigo evitá-lo, respondo sempre que sou do Alentejo. Aconteça o que acontecer, é dali que sou. Sou daquela paisagem, daquele sotaque, daquelas vilas brancas, daquela determinada maneira de ser e de viver, que é tão diferente do Norte. Sinto-me em casa no cante alentejano, nas açordas e nas migas, no calor abrasador, na frestas das janelas abertas para deixar entrar o fresco do fim do dia. Sinto-me em casa naquelas terras áridas, nas ruas vazias, no silêncio, naquele sentimento de abandono. 


5
Acontece-me frequentemente. Se o meu pai não atender o telefomóvel, procuro na lista onde diz "casa" e ligo. Só me apercebo do erro quando ouço a voz de algum dos meus filhos do outro lado. Claro que a "casa" da lista telefónica é a minha casa, em Lisboa, e não a casa dos meus pais, no Alentejo, cujo número está devidamente guardado como "casa pais". Mas, algures no meu subconsciente, a minha casa continua a ser ali, na casa dos meus pais, ainda que, na verdade (e isto é o mais impressionante), eu nunca tenha vivido "naquela" que é agora a casa do meu pai, mas noutra, na mesma rua. Esta minha casa-terra não existe. É um lugar puramente afectivo. 


*


Esta semana, no largo, a proposta era escrever sobre "terra". É um conceito estranho para mim. Ainda assim, dei o meu melhor. Na foto lá em cima sou eu. A foto foi tirada pelo meu pai, claro.


Encontram outras "terras" por aqui:


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Sunday, June 01, 2025

Crianças

Há uma altura, quando eles são muito pequenos e estão sempre a exigir a nossa atenção, em que parece que estamos enfiadas num buraco cheio de fraldas e papas e trabalhos manuais da escola e festas de aniversário e almôndegas de carne e brinquedos com música e roupa suja e birras e é muito difícil imaginar que algum dia vamos voltar a ver um filme do princípio ao fim ou a ir à casa-de-banho sem sermos interrompidas. E, no entanto, isso vai acontecer. Vai chegar o dia em que vamos de férias sozinhas com os nossos dois filhos e vamos conseguir ler na praia, no mais absoluto descanso. É assim que sabemos que eles cresceram, quando damos por nós a ler mais do que duas páginas seguidas, levantamos os olhos do livro, vemos que os putos estão a brincar lá longe e até podem estar dentro de água, e está tudo bem, não temos que nos levantar, não temos que dar a mão nem pular nas ondas nem molhar a cintura (molhar a cintura é muito difícil para mim), e podemos só fazer um sorriso, acenar-lhes e continuar à sombra. 


Ser mãe é uma aventura enorme e são poucas as de nós que estão realmente preparadas para a avalanche de trabalho e sentimentos e exigências e hormonas e mudanças daqueles primeiros tempos que até podem ser anos. Ser mãe de crianças e ser mãe sozinha de crianças foi a coisa mais difícil que fiz na vida (pelo menos até ser mãe de adolescentes). E, no entanto, quando olho para trás, mesmo sabendo do cansaço e das irritações, do sono e das frustrações, mesmo sabendo o quão desafiante foi, também sei que fomos imensamente felizes os três-juntos-como-um-só e não consigo evitar sentir uma certa nostalgia de quando eles eram crianças.


(é verdade que ando um pouco lamechas por estes dias e se calhar estou só a romantizar as memórias, mas provavelmente é mesmo assim que tem de ser, faz parte do processo).


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Nós em 2014.


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Estou a tricotar uma mantinha para o bebé de uma amiga que vai nascer depois do verão. Um bebé, que alegria! Lembro-me tão bem desse entusiasmo. Ainda me emociono com as barrigas que crescem à minha volta e com os bebés que vão chegando, com a alegria que vejo nos olhos dos novos pais. Nos dias que correm, temos poucos motivos para celebrar. Festejemos, pois, as crianças que nascem do (e no) amor e que nos devolvem a esperança num futuro melhor.


*


Porque hoje é o dia delas, o nosso "largo" deveria estar cheio de crianças, para já são estas:


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