Crianças
Há uma altura, quando eles são muito pequenos e estão sempre a exigir a nossa atenção, em que parece que estamos enfiadas num buraco cheio de fraldas e papas e trabalhos manuais da escola e festas de aniversário e almôndegas de carne e brinquedos com música e roupa suja e birras e é muito difícil imaginar que algum dia vamos voltar a ver um filme do princípio ao fim ou a ir à casa-de-banho sem sermos interrompidas. E, no entanto, isso vai acontecer. Vai chegar o dia em que vamos de férias sozinhas com os nossos dois filhos e vamos conseguir ler na praia, no mais absoluto descanso. É assim que sabemos que eles cresceram, quando damos por nós a ler mais do que duas páginas seguidas, levantamos os olhos do livro, vemos que os putos estão a brincar lá longe e até podem estar dentro de água, e está tudo bem, não temos que nos levantar, não temos que dar a mão nem pular nas ondas nem molhar a cintura (molhar a cintura é muito difícil para mim), e podemos só fazer um sorriso, acenar-lhes e continuar à sombra.
Ser mãe é uma aventura enorme e são poucas as de nós que estão realmente preparadas para a avalanche de trabalho e sentimentos e exigências e hormonas e mudanças daqueles primeiros tempos que até podem ser anos. Ser mãe de crianças e ser mãe sozinha de crianças foi a coisa mais difícil que fiz na vida (pelo menos até ser mãe de adolescentes). E, no entanto, quando olho para trás, mesmo sabendo do cansaço e das irritações, do sono e das frustrações, mesmo sabendo o quão desafiante foi, também sei que fomos imensamente felizes os três-juntos-como-um-só e não consigo evitar sentir uma certa nostalgia de quando eles eram crianças.
(é verdade que ando um pouco lamechas por estes dias e se calhar estou só a romantizar as memórias, mas provavelmente é mesmo assim que tem de ser, faz parte do processo).
Nós em 2014.
*
Estou a tricotar uma mantinha para o bebé de uma amiga que vai nascer depois do verão. Um bebé, que alegria! Lembro-me tão bem desse entusiasmo. Ainda me emociono com as barrigas que crescem à minha volta e com os bebés que vão chegando, com a alegria que vejo nos olhos dos novos pais. Nos dias que correm, temos poucos motivos para celebrar. Festejemos, pois, as crianças que nascem do (e no) amor e que nos devolvem a esperança num futuro melhor.
*
Porque hoje é o dia delas, o nosso "largo" deveria estar cheio de crianças, para já são estas:
Labels: Amigos, eles crescem, Filhos, largo

0 Comments:
Post a Comment
<< Home