Saoirse

A Saoirse Ronan é bem capaz de ser a minha jovem actriz preferida. Tem 30 anos e já esteve quatro vezes nomeada para um Óscar, a primeira das quais quando tinha apenas 13 anos, por Expiação. E fez alguns filmes de que gosto muito, como Brooklyn, Lady Bird, Na Praia de Chesil, Maria, Rainha dos Escoceses, Mulherzinhas. Recentemente vi mais dois filmes com ela, muito diferentes.
Blitz, de Steve McQueen, conta a história de uma jovem mãe e do seu filho durante os bombardeamentos de Londres em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial. É um filme muito bem feito e muito bonito, com toques de Dickens e uma boa reconstituição histórica. Um filme "old fashioned", li algures. Imagino que os ingleses tenham adorado. As pessoas de Londres - e as memórias daqueles dias difíceis em que a guerra entrou nas suas casas - são os heróis aqui. A mim não me comoveu particularmente. Pareceu-me tudo demasiado previsível e delicodoce, com ar de conto infantil, mesmo nas cenas mais terríveis. Mas a Saoirse cumpre a sua parte e ainda temos uma participação especial do Benjamin Clementine, o que só por si já é motivo para gostar um bocadinho mais.
Pelo contrário, gostei muito de The Outrun. O filme basea-se no livro de memórias de Amy Liptrot e mostra a batalha de Rona contra o alcoolismo. Depois de uma vida de auto-destruição, a jovem decide "fugir" para Orkney, um arquipélago na Escócia, bastante longe do seu mundo. As ilhas são um lugar difícil, inóspito, frio. Mas as pessoas que ali vivem são acolhedoras. É nesse lugar de desconforto e de reencontro consigo mesma que Rona, entre passos à frente e passos atrás, vai percebendo como seguir com a sua vida. O tema tem alguns triggers muito pessoais e confesso que ao início pensei que ia odiar, mas, afinal, acabei por gostar, sobretudo pela crueza com que aborda a dependência, sem lições de moral. A realização é da alemã Nora Fingscheidt, de quem só tinha visto The Unforgivable, um filme (nada mau, por sinal) com a Sandra Bullock que está na Netflix. Este não sei onde o poderão ver, mas se o encontrarem por aí não o deixem fugir.
Labels: cinema

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