Saturday, April 30, 2016

Livros ao domicílio

Lembram-se disto?


A reportagem foi finalmente publicada aqui.


E a foto em baixo foi roubada ao Papalagui, porque acho que tem tudo a ver. Vão lá ver as fotos que o Nuno tira para perceberem do que é que estou a falar.


DSC09203.JPG

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Livros ao domicílio

Lembram-se disto?


A reportagem foi finalmente publicada aqui.


E a foto em baixo foi roubada ao Papalagui, porque acho que tem tudo a ver. Vão lá ver as fotos que o Nuno tira para perceberem do que é que estou a falar.


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Friday, April 29, 2016

Hoje é sexta-feira

Esta semana fui com o António estudar para o teste de história no Museu do Aljube. E depois contei tudo no Quarto das Brincadeiras. É sempre bom ter uma oportunidade para lhes falar da importância da democracia e da liberdade. O teste é hoje, espero que lhe corra bem (estamos em plena época de testes, isto não tem sido fácil).


Hoje é Dia Mundial da Dança. Esta noite, estreia o Romeu e Julieta, espetáculo de Rui Horta com a Companhia Nacional de Bailado. Não é ballet, ficam já avisados. Mas é mesmo muito bom. 


Hoje é também o dia em que Samuel Úria apresenta o seu novo disco, Carga de Ombro, num concerto no São Luiz. O Samuel Úria é um daqueles músicos de quem é quase impossível não gostar. É inteligente e bom conversador, com a dose certa de referências e de intelectualismo sem arrogância e com algum humor. Além disso, este disco é muito bom. Vejam-no aqui, a cantar um dos temas novos:



Gostava de ir ver o Úria mas prefiro ir terminar o dia com a minha amiga Cecília, que faz hoje 40 anos. Parabéns, minha lindeza.


Hoje é sexta-feira e está sol.

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Hoje é sexta-feira

Esta semana fui com o António estudar para o teste de história no Museu do Aljube. E depois contei tudo no Quarto das Brincadeiras. É sempre bom ter uma oportunidade para lhes falar da importância da democracia e da liberdade. O teste é hoje, espero que lhe corra bem (estamos em plena época de testes, isto não tem sido fácil).


Hoje é Dia Mundial da Dança. Esta noite, estreia o Romeu e Julieta, espetáculo de Rui Horta com a Companhia Nacional de Bailado. Não é ballet, ficam já avisados. Mas é mesmo muito bom. 


Hoje é também o dia em que Samuel Úria apresenta o seu novo disco, Carga de Ombro, num concerto no São Luiz. O Samuel Úria é um daqueles músicos de quem é quase impossível não gostar. É inteligente e bom conversador, com a dose certa de referências e de intelectualismo sem arrogância e com algum humor. Além disso, este disco é muito bom. Vejam-no aqui, a cantar um dos temas novos:



Gostava de ir ver o Úria mas prefiro ir terminar o dia com a minha amiga Cecília, que faz hoje 40 anos. Parabéns, minha lindeza.


Hoje é sexta-feira e está sol.

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Ubertaxi

Nunca usei a Uber. 


Nunca usei a Uber mas sou doutorada em taxis. E já apanhei de tudo. Carros a cair de podres. Carros sujos, que cheiram mal, sem ar condicionado, com o ar condicionado no máximo. Vidros que não abrem, vidros que não fecham. Os bancos da frente chegados para trás e quase não nos conseguimos mexer - nem ver o taxímetro.Taxistas com as unhas pretas. Que cheiram mal. Que falam ao telefone enquanto estão a conduzir e com clientes no taxi. Que saem do carro para cumprimentar colegas nos outros carros. Que saem do carro para discutir com outros condutores. Taxistas mal educados. Que começam a bufar quando nos vêem a entrar com um bebé no ovinho e perguntamos pelo cinto. Cintos que não funcionam. Cintos que nem sequer lá estão. Taxistas que protestam porque a corrida é curta, ou porque está trânsito, ou porque já trabalharam muitas horas. Taxistas que dizem palavrões. Que vão o caminho todo a remoer porque queriam era ter apanhado a outra chamada que ia para Paço de Arcos. Que insultam os imigrantes. Que sabem onde eu trabalho e aproveitam para dizer que os jornalistas são todos uns aldrabões. Taxistas que fumam nos carros. Taxistas que ouvem a Rádio Amália em altos berros. Ou que nos obrigam a ouvir o terço da Renascença. Taxistas que nunca sabem o caminho. Taxistas que se armam em espertos e acham que sabem sempre tudo. Os que se fingem de parvos a ver se nos enganam. Os que dão voltas a mais. Os que tentam mesmo enganar-nos às claras. Taxistas que não têm troco (e ainda sou do tempo em que havia uns taxistas que achavam que não tinham que ter troco sequer de dez euros e diziam: tem que ir ali ao café trocar, e eu ia). Taxistas que cobram taxas que não existem. Que fazem má cara por terem de abrir o porta-malas. Que não querem passar factura. Que dão uns papéis aos estrangeiros a dizer que são facturas mas não são. Que se enganam nas contas. Que demoram mais tempo a dar o troco a ver se a gente diz que não é preciso incomodar-se.Taxistas que andam a pisar ovos. E outros que julgam que estão a conduzir um carro de corrida. Taxistas que passam sinais vermelhos. Uma pessoa entra num taxi e nunca sabe o que vai apanhar. É tipo roleta russa mas ao contrário. De vez em quando, esporadicamente, sentimo-nos bem tratados e corre tudo lindamente. Na maior parte das vezes sentimo-nos reféns. Entrámos ali e agora não temos maneira de sair, é aguentar caladinhos se não ainda somos insultados. Se não gostamos da maneira como somos atentidos num café ou numa loja podemos não voltar lá. Com um taxi não existe essa opção. Só depois de entrarmos e fecharmos a porta é que olhamos para a cara do taxista e não queremos acreditar, oh, não, é este outra vez. E aguentamos, outra vez, caladinhos a ver se conseguimos chegar ao nosso destino sãos e salvos.


Sei que estou a ser injusta, há com certeza muitos taxistas bons, muita gente honesta nesta profissão, como em todas. Mas infelizmente existem todos os outros, que são muitos e são os que ficam na nossa memória. Se não tivesse que ser, por motivos profissionais ou porque às vezes me dá mesmo, mesmo jeito, não andaria de taxi.


Nunca usei a Uber mas já estive mais longe de o fazer.

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Ubertaxi

Nunca usei a Uber. 


Nunca usei a Uber mas sou doutorada em taxis. E já apanhei de tudo. Carros a cair de podres. Carros sujos, que cheiram mal, sem ar condicionado, com o ar condicionado no máximo. Vidros que não abrem, vidros que não fecham. Os bancos da frente chegados para trás e quase não nos conseguimos mexer - nem ver o taxímetro.Taxistas com as unhas pretas. Que cheiram mal. Que falam ao telefone enquanto estão a conduzir e com clientes no taxi. Que saem do carro para cumprimentar colegas nos outros carros. Que saem do carro para discutir com outros condutores. Taxistas mal educados. Que começam a bufar quando nos vêem a entrar com um bebé no ovinho e perguntamos pelo cinto. Cintos que não funcionam. Cintos que nem sequer lá estão. Taxistas que protestam porque a corrida é curta, ou porque está trânsito, ou porque já trabalharam muitas horas. Taxistas que dizem palavrões. Que vão o caminho todo a remoer porque queriam era ter apanhado a outra chamada que ia para Paço de Arcos. Que insultam os imigrantes. Que sabem onde eu trabalho e aproveitam para dizer que os jornalistas são todos uns aldrabões. Taxistas que fumam nos carros. Taxistas que ouvem a Rádio Amália em altos berros. Ou que nos obrigam a ouvir o terço da Renascença. Taxistas que nunca sabem o caminho. Taxistas que se armam em espertos e acham que sabem sempre tudo. Os que se fingem de parvos a ver se nos enganam. Os que dão voltas a mais. Os que tentam mesmo enganar-nos às claras. Taxistas que não têm troco (e ainda sou do tempo em que havia uns taxistas que achavam que não tinham que ter troco sequer de dez euros e diziam: tem que ir ali ao café trocar, e eu ia). Taxistas que cobram taxas que não existem. Que fazem má cara por terem de abrir o porta-malas. Que não querem passar factura. Que dão uns papéis aos estrangeiros a dizer que são facturas mas não são. Que se enganam nas contas. Que demoram mais tempo a dar o troco a ver se a gente diz que não é preciso incomodar-se.Taxistas que andam a pisar ovos. E outros que julgam que estão a conduzir um carro de corrida. Taxistas que passam sinais vermelhos. Uma pessoa entra num taxi e nunca sabe o que vai apanhar. É tipo roleta russa mas ao contrário. De vez em quando, esporadicamente, sentimo-nos bem tratados e corre tudo lindamente. Na maior parte das vezes sentimo-nos reféns. Entrámos ali e agora não temos maneira de sair, é aguentar caladinhos se não ainda somos insultados. Se não gostamos da maneira como somos atentidos num café ou numa loja podemos não voltar lá. Com um taxi não existe essa opção. Só depois de entrarmos e fecharmos a porta é que olhamos para a cara do taxista e não queremos acreditar, oh, não, é este outra vez. E aguentamos, outra vez, caladinhos a ver se conseguimos chegar ao nosso destino sãos e salvos.


Sei que estou a ser injusta, há com certeza muitos taxistas bons, muita gente honesta nesta profissão, como em todas. Mas infelizmente existem todos os outros, que são muitos e são os que ficam na nossa memória. Se não tivesse que ser, por motivos profissionais ou porque às vezes me dá mesmo, mesmo jeito, não andaria de taxi.


Nunca usei a Uber mas já estive mais longe de o fazer.

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Wednesday, April 27, 2016

Só existe conciliação com igualdade

Em 2012, Anne-Marie Slaughter escreveu um artigo na The Atlantic em que falava de como tinha deixado um trabalho de sonho, pelo qual lutara durante toda a carreira, para poder estar mais tempo em casa, com os filhos adolescentes, e em como isto a tinha deixado a pensar nas opções que as mulheres tinham e se seria ou não possível conciliar a vida familiar com uma aposta séria numa carreira profissional. O artigo chamava-se "Women can't have it all" e só o título dizia tudo. Depois, ela recebeu imensas mensagens de outras mulheres e também de homens a contar a sua experiência, deu inúmeras palestras e continuou a reflectir sobre este tema. Como resultado disso, no ano passado, publicou um livro, que agora ganhou uma edição portuguesa: "Uma Questão em Aberto: Mulheres, Homens, Trabalho, Família" (Temas e Debates). Mais uma vez, o título diz tudo. E, mais uma vez, ela levanta questões muito pertinentes. Aconselho-vos a lerem o livro, mas deixo aqui algumas ideias que me parecem relevantes:


 


Anne-Marie Slaughter refere-se a uma realidade um pouco diferente da nossa: nos EUA não há licenças de maternidade pagas com a dimensão das nossas (muito menos como as dos países nórdicos), não há a opção de tirar dias para "apoio à família" e os trabalhadores têm muito menos férias do que nós. Além disso, a protecção laboral é quase inexistente - para os trabalhadores em geral, para pais e mães em particular. Haverá patrões mais compreensivos e há profissões onde as coisas são mais fáceis de conciliar mas, de uma maneira geral, é o salve-se quem puder. E também não há muitas ajudas sociais (creches, escolas, apoios à família). Assim se explica que muitas mulheres optem (quando o podem fazer) por, depois de serem mães, ficar em casa com os filhos, fazendo uma pausa (quando não mesmo colocando um ponto final) na sua carreira. E depois voltando ao trabalho num modo light, sem esperar chegar ao topo da carreira. 


 


Esta é uma realidade que está a mudar. E é precisamente pelo facto de muitas mulheres quererem manter a sua carreira, mesmo depois de serem mães, que estas questões se tornam mais urgentes. Por cá, as coisas não são bem assim mas no fundo também são, por isso tudo o que ela diz acaba por fazer sentido para nós.


 


Uma das grandes diferenças do livro em relação ao artigo de há quatro anos: aqui o papel do pai é muito mais valorizado. No artigo, Anne-Marie deixava implícito que havia uma ligação umbilical entre mães e filhos que fazia com que as mães, mesmo quando tinham oportunidade para voar, preferiam não o fazer, não por qualquer imposição social, mas porque sentiam-se melhor assim. Este terá sido um dos pontos mais discutido no artigo. Aqui ela vai mais longe. Olha para outras famílias (por exemplo, para casais LGBT). E tenta pôr-se no lugar dos pais - os que são pressionados para trabalhar e sustentar a família e também não têm a liberdade de sair mais cedo do trabalho para ir à festa do filho com medo de serem mal-vistos no escritório; e os que tomam a opção de ficar em casa com os filhos, enquanto a mãe está a trabalhar no duro, e são olhados como pessoas extraordinárias, quase como animais do zoo, quando, na verdade, estão apenas a ser pais tal como as mães são mães. (é aquela velha ideia: uma mãe que não deixa de ter vida própria é criticada e apelidada de egoísta, a um pai basta-lhe trocar uma fralda para já ser elogiado como um pai fabuloso). Há, portanto, muito a mudar, também para os homens. E se estamos a falar de igualdade, isto é importante. Sobre este assunto, o marido de Anne-Marie Slaughter também já tinha escrito um belo artigo.


 


Outra ideia em que ela insiste bastante: a importância do cuidar (dos filhos, dos mais velhos, dos doentes). A tarefa de cuidar, que é tradicionalmente feminina, tem sido muito pouco valorizada ao longo da história. Uma coisa anda de mão dada com a outra. Mas Anne-Marie vai muito mais além, propondo uma alteração de mentalidades profunda: se precisamos de ter mais crianças, se temos cada vez mais idosos na nossa sociedade, se cuidar é assim tão importante porque não é uma profissão valorizada e paga de acordo com essa importância? Este é um longo caminho que temos pela frente. 


Mais uma vez, não sei se concordo com tudo o que ela escreve, até porque há coisas em que nunca tinha pensado, mas há, decididamente, uma série de ideias neste livro que vale a pena deesenvolver. Ela faz-nos pensar muito na ideia de carreira e nos ritmos dessa carreira. Faz-nos pensar no tipo de trabalhadores que somos ou que queremos ser (e que trabalhadores é que os patrões querem ter nas suas empresas?). Faz-nos questionar os critérios que usamos habitualmente para dizer o que é um bom empregado/a. E - e isto também é muito importante - retira a carga de culpa que habitualmente as mulheres carregam sobre si, dizendo-lhes: se vocês não conseguiram aquele emprego ou aquela promoção pelo facto de não estarem disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, a culpa não é vossa, não são vocês que têm de mudar, é o vosso patrão que está errado! (ou, em linguagem comum, não temos que nos comportar "como homens" para chegarmos ao topo da carreira, ser competente num trabalho não pode significar o fim da nossa vida privada, com filhos ou sem eles).


 


E, embora saibamos que estas são mudanças que acontecem lentamente e que em certos sectores da sociedade é pouco provável que aconteçam nos próximos tempos, ela propõe-nos um plano de acção - o que podemos fazer para que as coisas mudem realmente em vez de nos estarmos só a queixar? A mim parece-me que Anne-Marie Slaughter é demasiado optimista (e apetece dizer que é fácil falar quando temos determinadas condições privilegiadas - leia-se dinheiro, nisto, como em tudo, ter ou não dinheiro faz toda a diferença) - mas ainda assim é bom ler, virar as ideias do avesso e perceber que esta é uma luta que só será ganha quando todos (homens e mulheres, patrões e empregados, novos e velhos) estiverem empenhados nela. Isto, claro, se quisermos ter uma sociedade mais igualitária. Uma sociedade melhor.


anne-marie.jpg

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Só existe conciliação com igualdade

Em 2012, Anne-Marie Slaughter escreveu um artigo na The Atlantic em que falava de como tinha deixado um trabalho de sonho, pelo qual lutara durante toda a carreira, para poder estar mais tempo em casa, com os filhos adolescentes, e em como isto a tinha deixado a pensar nas opções que as mulheres tinham e se seria ou não possível conciliar a vida familiar com uma aposta séria numa carreira profissional. O artigo chamava-se "Women can't have it all" e só o título dizia tudo. Depois, ela recebeu imensas mensagens de outras mulheres e também de homens a contar a sua experiência, deu inúmeras palestras e continuou a reflectir sobre este tema. Como resultado disso, no ano passado, publicou um livro, que agora ganhou uma edição portuguesa: "Uma Questão em Aberto: Mulheres, Homens, Trabalho, Família" (Temas e Debates). Mais uma vez, o título diz tudo. E, mais uma vez, ela levanta questões muito pertinentes. Aconselho-vos a lerem o livro, mas deixo aqui algumas ideias que me parecem relevantes:


 


Anne-Marie Slaughter refere-se a uma realidade um pouco diferente da nossa: nos EUA não há licenças de maternidade pagas com a dimensão das nossas (muito menos como as dos países nórdicos), não há a opção de tirar dias para "apoio à família" e os trabalhadores têm muito menos férias do que nós. Além disso, a protecção laboral é quase inexistente - para os trabalhadores em geral, para pais e mães em particular. Haverá patrões mais compreensivos e há profissões onde as coisas são mais fáceis de conciliar mas, de uma maneira geral, é o salve-se quem puder. E também não há muitas ajudas sociais (creches, escolas, apoios à família). Assim se explica que muitas mulheres optem (quando o podem fazer) por, depois de serem mães, ficar em casa com os filhos, fazendo uma pausa (quando não mesmo colocando um ponto final) na sua carreira. E depois voltando ao trabalho num modo light, sem esperar chegar ao topo da carreira. 


 


Esta é uma realidade que está a mudar. E é precisamente pelo facto de muitas mulheres quererem manter a sua carreira, mesmo depois de serem mães, que estas questões se tornam mais urgentes. Por cá, as coisas não são bem assim mas no fundo também são, por isso tudo o que ela diz acaba por fazer sentido para nós.


 


Uma das grandes diferenças do livro em relação ao artigo de há quatro anos: aqui o papel do pai é muito mais valorizado. No artigo, Anne-Marie deixava implícito que havia uma ligação umbilical entre mães e filhos que fazia com que as mães, mesmo quando tinham oportunidade para voar, preferiam não o fazer, não por qualquer imposição social, mas porque sentiam-se melhor assim. Este terá sido um dos pontos mais discutido no artigo. Aqui ela vai mais longe. Olha para outras famílias (por exemplo, para casais LGBT). E tenta pôr-se no lugar dos pais - os que são pressionados para trabalhar e sustentar a família e também não têm a liberdade de sair mais cedo do trabalho para ir à festa do filho com medo de serem mal-vistos no escritório; e os que tomam a opção de ficar em casa com os filhos, enquanto a mãe está a trabalhar no duro, e são olhados como pessoas extraordinárias, quase como animais do zoo, quando, na verdade, estão apenas a ser pais tal como as mães são mães. (é aquela velha ideia: uma mãe que não deixa de ter vida própria é criticada e apelidada de egoísta, a um pai basta-lhe trocar uma fralda para já ser elogiado como um pai fabuloso). Há, portanto, muito a mudar, também para os homens. E se estamos a falar de igualdade, isto é importante. Sobre este assunto, o marido de Anne-Marie Slaughter também já tinha escrito um belo artigo.


 


Outra ideia em que ela insiste bastante: a importância do cuidar (dos filhos, dos mais velhos, dos doentes). A tarefa de cuidar, que é tradicionalmente feminina, tem sido muito pouco valorizada ao longo da história. Uma coisa anda de mão dada com a outra. Mas Anne-Marie vai muito mais além, propondo uma alteração de mentalidades profunda: se precisamos de ter mais crianças, se temos cada vez mais idosos na nossa sociedade, se cuidar é assim tão importante porque não é uma profissão valorizada e paga de acordo com essa importância? Este é um longo caminho que temos pela frente. 


Mais uma vez, não sei se concordo com tudo o que ela escreve, até porque há coisas em que nunca tinha pensado, mas há, decididamente, uma série de ideias neste livro que vale a pena deesenvolver. Ela faz-nos pensar muito na ideia de carreira e nos ritmos dessa carreira. Faz-nos pensar no tipo de trabalhadores que somos ou que queremos ser (e que trabalhadores é que os patrões querem ter nas suas empresas?). Faz-nos questionar os critérios que usamos habitualmente para dizer o que é um bom empregado/a. E - e isto também é muito importante - retira a carga de culpa que habitualmente as mulheres carregam sobre si, dizendo-lhes: se vocês não conseguiram aquele emprego ou aquela promoção pelo facto de não estarem disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, a culpa não é vossa, não são vocês que têm de mudar, é o vosso patrão que está errado! (ou, em linguagem comum, não temos que nos comportar "como homens" para chegarmos ao topo da carreira, ser competente num trabalho não pode significar o fim da nossa vida privada, com filhos ou sem eles).


 


E, embora saibamos que estas são mudanças que acontecem lentamente e que em certos sectores da sociedade é pouco provável que aconteçam nos próximos tempos, ela propõe-nos um plano de acção - o que podemos fazer para que as coisas mudem realmente em vez de nos estarmos só a queixar? A mim parece-me que Anne-Marie Slaughter é demasiado optimista (e apetece dizer que é fácil falar quando temos determinadas condições privilegiadas - leia-se dinheiro, nisto, como em tudo, ter ou não dinheiro faz toda a diferença) - mas ainda assim é bom ler, virar as ideias do avesso e perceber que esta é uma luta que só será ganha quando todos (homens e mulheres, patrões e empregados, novos e velhos) estiverem empenhados nela. Isto, claro, se quisermos ter uma sociedade mais igualitária. Uma sociedade melhor.


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Tuesday, April 26, 2016

Sonhar não paga impostos

Esta é aquela altura do ano em temos de pagar o IMI e o seguro do carro. Não vamos pensar muito nisso. Esta é aquela altura do ano em que o nosso calendário familiar, que está pendurado na porta do frigorífico, vai já até agosto e à palavrinha mágica: férias. É aquela altura do ano em que olhamos para os dias que aí vêm e vemos muitos testes e muitos trabalhos para entregar, mas também vemos feriados, festas de aniversário, semanas de praia, semanas de campo, torneios de futebol e dias de sol que iremos aproveitar o melhor que soubermos. É aquela altura em que, mesmo sem termos dinheiro para nada, começamos a sonhar com todas as coisas que gostaríamos de fazer e todos os locais que gostaríamos de visitar. Se não for este ano é no próximo. Ou no outro. Isso é certo. Temos um mealheiro que tarda em ficar cheio e temos um objectivo mais ou menos realista a cumprir: uma pequena viagem daqui a dois anos, quando o Pedro terminar o 4º ano, ainda não sabemos muito bem aonde. Eu gostaria que fosse a Londres mas os putos não estão convencidos, parece que preferiam algo com montanhas-russas e assim. Olhar para um calendário e sonhar também é uma maneira de sermos felizes.


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Sonhar não paga impostos

Esta é aquela altura do ano em temos de pagar o IMI e o seguro do carro. Não vamos pensar muito nisso. Esta é aquela altura do ano em que o nosso calendário familiar, que está pendurado na porta do frigorífico, vai já até agosto e à palavrinha mágica: férias. É aquela altura do ano em que olhamos para os dias que aí vêm e vemos muitos testes e muitos trabalhos para entregar, mas também vemos feriados, festas de aniversário, semanas de praia, semanas de campo, torneios de futebol e dias de sol que iremos aproveitar o melhor que soubermos. É aquela altura em que, mesmo sem termos dinheiro para nada, começamos a sonhar com todas as coisas que gostaríamos de fazer e todos os locais que gostaríamos de visitar. Se não for este ano é no próximo. Ou no outro. Isso é certo. Temos um mealheiro que tarda em ficar cheio e temos um objectivo mais ou menos realista a cumprir: uma pequena viagem daqui a dois anos, quando o Pedro terminar o 4º ano, ainda não sabemos muito bem aonde. Eu gostaria que fosse a Londres mas os putos não estão convencidos, parece que preferiam algo com montanhas-russas e assim. Olhar para um calendário e sonhar também é uma maneira de sermos felizes.


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Monday, April 25, 2016

A liberdade passou por aqui

DSC_0148.JPGCrianças a brincar no terraço.


Mãe refastelada no sofá.


Nova tag: eles crescem. 

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A liberdade passou por aqui

DSC_0148.JPGCrianças a brincar no terraço.


Mãe refastelada no sofá.


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A felicidade nas coisas pequenas (XXXI)


Pedro e a Hope. Os passarinhos. O silêncio. O sol. O alentejo. (saudades).

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A felicidade nas coisas pequenas (XXXI)


Pedro e a Hope. Os passarinhos. O silêncio. O sol. O alentejo. (saudades).

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Thursday, April 21, 2016

Prince Rogers Nelson (1958-2016)

prince.jpg


Saí do jornal à pressa, já atrasada, atarantada. Prince tinha acabado de morrer e os meus filhos quase a sair da escola. Prince tinha acabado de morrer e a mim apetecia-me ter uns 16 ou 17 anos e fechar-me no quarto com uns phones nos ouvidos e ouvi-lo outra vez, mais uma vez, com aquela voz inconfundível. Entrei no metro, rodeada de pessoas e próximas paragens, e eu a lembrar-me das tantas vezes em que dancei o Kiss, o Get Off, o Cream, o Purple Rain. E agora há o treino e os banhos e o jantar e a cozinha por arrumar e enquanto isso ele a tocar guitarra na minha cabeça. Que parvoíce isto de se ficar triste com a morte de alguém que não nos é próximo, pensava. E no entanto.The most beautiful girl in the world. This Could Be Us. When Doves Cry. Na batalha entre Michael Jackson e Prince, eu sempre fui pelo Prince. Não há moonwalk que bata aquele menear de ancas. Sexy MF. As músicas mais sensuais do mundo são as do Prince. Músicas para empernar com as minhas miúdas (não há outra maneira, amigas, vocês sabem como é). Diamonds and Pearls. I Would Die 4 You. U Got the Look. Alphabet St. Diamonds and Pearls. Tantas. Uma meia leca de gente e tanto talento ali. Ele não precisava dos tacões altos para ser o maior. E era livre. Era o que eu achava, era o que eu sentia quando o via e ouvia. E também eu me sentia livre a dançar com ele.


Ainda não tive tempo para ler muito do que se escreveu nestas horas, mas gostei de ler este texto do Vítor Belanciano.


Vejam-no AQUI que também é uma delícia. 


Adenda: o que tenho a dizer sobre Get Off e outras escolhas de Prince na Máquina de Escrever.

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Prince Rogers Nelson (1958-2016)

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Saí do jornal à pressa, já atrasada, atarantada. Prince tinha acabado de morrer e os meus filhos quase a sair da escola. Prince tinha acabado de morrer e a mim apetecia-me ter uns 16 ou 17 anos e fechar-me no quarto com uns phones nos ouvidos e ouvi-lo outra vez, mais uma vez, com aquela voz inconfundível. Entrei no metro, rodeada de pessoas e próximas paragens, e eu a lembrar-me das tantas vezes em que dancei o Kiss, o Get Off, o Cream, o Purple Rain. E agora há o treino e os banhos e o jantar e a cozinha por arrumar e enquanto isso ele a tocar guitarra na minha cabeça. Que parvoíce isto de se ficar triste com a morte de alguém que não nos é próximo, pensava. E no entanto.The most beautiful girl in the world. This Could Be Us. When Doves Cry. Na batalha entre Michael Jackson e Prince, eu sempre fui pelo Prince. Não há moonwalk que bata aquele menear de ancas. Sexy MF. As músicas mais sensuais do mundo são as do Prince. Músicas para empernar com as minhas miúdas (não há outra maneira, amigas, vocês sabem como é). Diamonds and Pearls. I Would Die 4 You. U Got the Look. Alphabet St. Diamonds and Pearls. Tantas. Uma meia leca de gente e tanto talento ali. Ele não precisava dos tacões altos para ser o maior. E era livre. Era o que eu achava, era o que eu sentia quando o via e ouvia. E também eu me sentia livre a dançar com ele.


Ainda não tive tempo para ler muito do que se escreveu nestas horas, mas gostei de ler este texto do Vítor Belanciano.


Vejam-no AQUI que também é uma delícia. 


Adenda: o que tenho a dizer sobre Get Off e outras escolhas de Prince na Máquina de Escrever.

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Saturday, April 16, 2016

Des-ensinar

O meu filho, que tem 12 anos e está no 6º ano, tem um trabalho de ciências para fazer: 10 páginas em letra Arial 12 sobre vacinas. Leram bem: 10 páginas em letra Arial 12 sobre vacinas. Fiquei estupefacta, mandei-o confirmar com a professora se 10 páginas seria o mínimo ou máximo. Ele confirma que são "no mínimo" 10 páginas. Não sei o que a professora lhe disse mas o rapaz ficou tão obcecado com estas regras que nem na folha de rosto do trabalho quer pôr uma letra um bocadinho maior, porque "a setôra não deixa". Eu até acho que os miúdos aprendem muito melhor as matérias se fizerem trabalhos em vez de testes. Mesmo. Mas isto não é normal. No ciclo eu fazia fantásticos trabalhos em cartolina, com desenhos, colagens e pequenos textos, que depois colocávamos na parede da sala de aula. 10 páginas tinham alguns dos meus trabalhos universitários. A professora de ciências espera que ele produza sozinho um trabalho de 10 páginas em Arial 12 (com umas imagens lá pelo meio, vá, só para ficar mais bonito)? A professora quer que o miúdo escreva 10 páginas sobre vacinas sem ir copiar parte do texto a sites científicos com coisas que ele não tem capacidade para perceber? Não seria melhor ele fazer só 5 páginas mas com coisas que ele efectivamente compreendesse? Ah, já sei, a professora quer avaliar os pais dos alunos, é isso? A professora vai ler todos os 30 trabalhos de 10 páginas em Arial 12 destes alunos (e mais os das outras turmas) com atenção ou vai só dar uma vista de olhos para ficar com uma ideia do que eles fizeram? Tantas dúvidas, tantas dúvidas.


Fico doida com estas coisas. Só espero que ele aprenda alguma coisa com esta empreitada. Entretanto, temos o fim de semana lixado, está visto.

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Des-ensinar

O meu filho, que tem 12 anos e está no 6º ano, tem um trabalho de ciências para fazer: 10 páginas em letra Arial 12 sobre vacinas. Leram bem: 10 páginas em letra Arial 12 sobre vacinas. Fiquei estupefacta, mandei-o confirmar com a professora se 10 páginas seria o mínimo ou máximo. Ele confirma que são "no mínimo" 10 páginas. Não sei o que a professora lhe disse mas o rapaz ficou tão obcecado com estas regras que nem na folha de rosto do trabalho quer pôr uma letra um bocadinho maior, porque "a setôra não deixa". Eu até acho que os miúdos aprendem muito melhor as matérias se fizerem trabalhos em vez de testes. Mesmo. Mas isto não é normal. No ciclo eu fazia fantásticos trabalhos em cartolina, com desenhos, colagens e pequenos textos, que depois colocávamos na parede da sala de aula. 10 páginas tinham alguns dos meus trabalhos universitários. A professora de ciências espera que ele produza sozinho um trabalho de 10 páginas em Arial 12 (com umas imagens lá pelo meio, vá, só para ficar mais bonito)? A professora quer que o miúdo escreva 10 páginas sobre vacinas sem ir copiar parte do texto a sites científicos com coisas que ele não tem capacidade para perceber? Não seria melhor ele fazer só 5 páginas mas com coisas que ele efectivamente compreendesse? Ah, já sei, a professora quer avaliar os pais dos alunos, é isso? A professora vai ler todos os 30 trabalhos de 10 páginas em Arial 12 destes alunos (e mais os das outras turmas) com atenção ou vai só dar uma vista de olhos para ficar com uma ideia do que eles fizeram? Tantas dúvidas, tantas dúvidas.


Fico doida com estas coisas. Só espero que ele aprenda alguma coisa com esta empreitada. Entretanto, temos o fim de semana lixado, está visto.

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Thursday, April 14, 2016

Hoje foi assim

bibliomovel.JPGPés para dentro, a conversar e a sorrir, não há dúvida, sou eu. Está aqui a reportagem de uma reportagem molhada, para ler na próxima semana.

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Hoje foi assim

bibliomovel.JPGPés para dentro, a conversar e a sorrir, não há dúvida, sou eu. Está aqui a reportagem de uma reportagem molhada, para ler na próxima semana.

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Wednesday, April 13, 2016

Uma imagem, muitas memórias

stickadas.jpgTalvez esta não seja a melhor fotografia, mas é especial para mim (boas memórias de um trabalho feito fora de horas quase só pelo gozo que nos deu fazê-lo). Vão lá ver as imagens do Rodrigo Cabrita, que é um fotógrafo de mão cheia e uma pessoa cinco estrelas. E diz que está disponível para trabalhar. Aproveitem.

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Uma imagem, muitas memórias

stickadas.jpgTalvez esta não seja a melhor fotografia, mas é especial para mim (boas memórias de um trabalho feito fora de horas quase só pelo gozo que nos deu fazê-lo). Vão lá ver as imagens do Rodrigo Cabrita, que é um fotógrafo de mão cheia e uma pessoa cinco estrelas. E diz que está disponível para trabalhar. Aproveitem.

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Monday, April 11, 2016

Resistência

Julián Fuks é um escritor brasileiro de 35 anos que me chamou a atenção por ter uma barba grande, hipster, e um olhar intrigante. Vi a fotografia dele em vários jornais mas por uma razão ou por outra acabei por não ler nenhuma das entrevistas que deu. Por isso comecei a ler Resistência, o seu livro agora editado em Portugal, sem saber nada sobre a história. Fui então descobrindo que este é um livro sobre a ditadura militar na Argentina e sobre as crianças que foram tiradas às suas famílias. Sobre as Avós da Praça de Maio e sobre essas crianças que entretanto cresceram noutras famílias sem saberem (ou sabendo ou pelo menos suspeitando) a sua origem. É um livro sobre a resistência à ditadura e sobre o exílio. Sobre uma criança que foi adoptada. Também é um livro sobre o modo como uma família se constrói, sobre o que é isto de ser uma família. Sobre pais e filhos, e irmãos e laços. Sobre aquilo que não dizemos. Sobre os silêncios à mesa do jantar. É um livro pequeno, que às vezes me irritou por ter tantas repetições e porque eu queria que a história avançasse e queria saber mais coisas sobre aquelas pessoas e a sua situação e em vez disso o autor decidia mudar de assunto e voltar atrás e olhar para o lado e olhar dentro. Mas também é um pequeno livro encantador precisamente por isso, por não ser óbvio, por ser uma auto-ficção em vez de uma autobiografia, por não dar todas as respostas e deixar tanto por dizer. 

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Resistência

Julián Fuks é um escritor brasileiro de 35 anos que me chamou a atenção por ter uma barba grande, hipster, e um olhar intrigante. Vi a fotografia dele em vários jornais mas por uma razão ou por outra acabei por não ler nenhuma das entrevistas que deu. Por isso comecei a ler Resistência, o seu livro agora editado em Portugal, sem saber nada sobre a história. Fui então descobrindo que este é um livro sobre a ditadura militar na Argentina e sobre as crianças que foram tiradas às suas famílias. Sobre as Avós da Praça de Maio e sobre essas crianças que entretanto cresceram noutras famílias sem saberem (ou sabendo ou pelo menos suspeitando) a sua origem. É um livro sobre a resistência à ditadura e sobre o exílio. Sobre uma criança que foi adoptada. Também é um livro sobre o modo como uma família se constrói, sobre o que é isto de ser uma família. Sobre pais e filhos, e irmãos e laços. Sobre aquilo que não dizemos. Sobre os silêncios à mesa do jantar. É um livro pequeno, que às vezes me irritou por ter tantas repetições e porque eu queria que a história avançasse e queria saber mais coisas sobre aquelas pessoas e a sua situação e em vez disso o autor decidia mudar de assunto e voltar atrás e olhar para o lado e olhar dentro. Mas também é um pequeno livro encantador precisamente por isso, por não ser óbvio, por ser uma auto-ficção em vez de uma autobiografia, por não dar todas as respostas e deixar tanto por dizer. 

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Sunday, April 10, 2016

Domingos assim

cake2.jpg

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Domingos assim

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Friday, April 08, 2016

É outra vez sexta-feira

A semana passou a correr (o facto de só ter ter folgado um dia não ajudou) e o fim-de-semana já está à porta.


Se tiverem tempo, aproveitem para ir ao Teatro São Luiz ver A Conquista do Polo Sul, um espectáculo arrojado e que nos põe a pensar no mundo em que vivemos, com grandes interpretações de Bruno Nogueira, Nuno Lopes, Romeu Costa, Miguel Damião (ainda me lembro de quando ele era fotojornalista em início de carreira e agora é um actor e tanto), Flávia Gusmão, Nuno Nunes e Ana Brandão. A encenação é de Beatriz Batarda, que está sem dúvida no meu top de encenadores portugueses.


polo.JPG(a foto é de Paulo Spranger/ Global Imagens)


E ainda:


- Birth is not performance art - um artigo na Slate sobre o regresso das mulheres "à natureza". Sou muito crítica das fábricas-de-fazer-nascer-bebés que são as maternidades mas mais do que defender o parto natural ou o que quer que seja defendo que cada mulher deve ter o direito a dar à luz como quiser e de viver este momento como achar melhor, desde que o faça em segurança. Os fundamentalismos são maus para todos. E esta Amy Tuteur fez-me lembrar as palavras de Elisabeth Badinter.


- ainda a propósito de nascimentos, uma reportagem do Finantial Times para nos ajudar a pôr tudo em perspectiva.


- se ainda não leram, vale a pena ler esta reflexão da Sónia sobre a idade adulta, dos quarenta e tais, quando nos confrontamos cada vez mais com o envelhecimento e a morte dos que nos rodeiam.


- este vídeo da Lupita Nyong'o a pentear as amigas é qualquer coisa. O vídeo foi feito há dois anos mas eu só o vi esta semana. E lembrei-me da Djaimilia.


- a Marisa Monte está a preparar uma Coleção de gravações que ficaram de fora dos discos, colaborações, participações em bandas sonoras e outros temas mais esquecidos. O disco sai no dia 29 mas ela deixou-nos este aperitivo: Nu com a minha música, com Rodrigo Amarante e Devendra Banhart.



Ah, e descansar, descansar muito (mesmo com jogos de futebol e festas de anos e trabalhos de casa, aproveitar que pelo menos neste fim-de-semana os putos ainda não têm que estudar para os testes, valha-nos isso).

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É outra vez sexta-feira

A semana passou a correr (o facto de só ter ter folgado um dia não ajudou) e o fim-de-semana já está à porta.


Se tiverem tempo, aproveitem para ir ao Teatro São Luiz ver A Conquista do Polo Sul, um espectáculo arrojado e que nos põe a pensar no mundo em que vivemos, com grandes interpretações de Bruno Nogueira, Nuno Lopes, Romeu Costa, Miguel Damião (ainda me lembro de quando ele era fotojornalista em início de carreira e agora é um actor e tanto), Flávia Gusmão, Nuno Nunes e Ana Brandão. A encenação é de Beatriz Batarda, que está sem dúvida no meu top de encenadores portugueses.


polo.JPG(a foto é de Paulo Spranger/ Global Imagens)


E ainda:


- Birth is not performance art - um artigo na Slate sobre o regresso das mulheres "à natureza". Sou muito crítica das fábricas-de-fazer-nascer-bebés que são as maternidades mas mais do que defender o parto natural ou o que quer que seja defendo que cada mulher deve ter o direito a dar à luz como quiser e de viver este momento como achar melhor, desde que o faça em segurança. Os fundamentalismos são maus para todos. E esta Amy Tuteur fez-me lembrar as palavras de Elisabeth Badinter.


- ainda a propósito de nascimentos, uma reportagem do Finantial Times para nos ajudar a pôr tudo em perspectiva.


- se ainda não leram, vale a pena ler esta reflexão da Sónia sobre a idade adulta, dos quarenta e tais, quando nos confrontamos cada vez mais com o envelhecimento e a morte dos que nos rodeiam.


- este vídeo da Lupita Nyong'o a pentear as amigas é qualquer coisa. O vídeo foi feito há dois anos mas eu só o vi esta semana. E lembrei-me da Djaimilia.


- a Marisa Monte está a preparar uma Coleção de gravações que ficaram de fora dos discos, colaborações, participações em bandas sonoras e outros temas mais esquecidos. O disco sai no dia 29 mas ela deixou-nos este aperitivo: Nu com a minha música, com Rodrigo Amarante e Devendra Banhart.



Ah, e descansar, descansar muito (mesmo com jogos de futebol e festas de anos e trabalhos de casa, aproveitar que pelo menos neste fim-de-semana os putos ainda não têm que estudar para os testes, valha-nos isso).

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Tuesday, April 05, 2016

Eu e a verdadeira Agatha

Segunda-feira. De folga, depois de um fim-de-semana de trabalho. Fui levar as crianças à escola, pouco depois das 9 já estava a encher o carrinho do supermercado, voltei para casa, dei uma arrumação geral e sentei-me no sofá. Antes do meio-dia estava sentada a ver televisão. Um luxo. E ali fiquei durante três horas, completamente vidrada na minissérie Convite para a morte - três episódios a partir do livro And Then There Were None, da Agatha Christie, com a assinatura da BBC. Passou na Fox Crime e é uma pequena maravilha.



Lembrava-me de ter lido o livro mas já não me lembrava quem era o criminoso. Acho que li todos os livros da Agatha Christie. Mais do que uma vez. No entanto, não tenho nenhum livro dela. Os livros da Agatha Christie, gordos, com duas histórias em cada volume, eram bastante mais caros do que os livros dos cinco e da patrícia que nós costumávamos ler e, por isso, era mais difícil juntar dinheiro para comprá-los. Além disso eram daqueles que se liam de um só fôlego. Então, faziam parte daquele lote de livros que íamos buscar à biblioteca da gulbenkian durante as longas férias de verão. Um de cada vez. Um a seguir ao outro. E no ano seguinte todos de novo, ou só os que nos apetecia reler.  


agatha.jpgOs livros da biblioteca tinham um cheiro característico. Para mim, os livros da Agatha Christie têm esse cheiro, a papel antigo. Era esse o cheiro dos crimes do A, B, C e do mistério dos sete relógios, da morte no Nilo e da velhinha Miss Marple que resolvia mistérios enquanto bebia chá. Do Crime no Expresso do Oriente, também em filme que por essa altura passou na televisão e deu origem a várias brincadeiras de detectives, eu, a minha irmã e mais duas amigas a desvendar segredos e a prender criminosos nas tardes de calor. Depois Poirot ganhou um rosto com a série com David Suchet, perfeito a interpretar o detective belga, com as células cinzentas sempre a trabalhar e a sua mania da perfeição e da arrumação. E, por fim, as peças todas encaixaram-se quando li a autobiografia de Agatha Christie (editada em Portugal pela Asa). É um belo calhamaço mas vale muito a pena por todas as histórias, que começam ainda no século XIX, passam pela primeira guerra mundial, Agatha Christie a surfar na África do Sul, as viagens ao Médio Oriente, as grandes viagens de comboio, as explorações arqueológicas, os filhos, os livros. Fiquei a adorar esta mulher.


agatha_christie_su_3340225b.jpg


Outro dia tentei ler um dos livros de Agatha Christie e não consegui. Aquela escrita já não é para mim. Achei melhor não insistir. Todas as coisas têm o seu tempo, mais vale não estragar as boas memórias. Mas os filmes e as séries, se forem bem feitos assim como este Convite para a morte, são sempre um prazer. 

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Eu e a verdadeira Agatha

Segunda-feira. De folga, depois de um fim-de-semana de trabalho. Fui levar as crianças à escola, pouco depois das 9 já estava a encher o carrinho do supermercado, voltei para casa, dei uma arrumação geral e sentei-me no sofá. Antes do meio-dia estava sentada a ver televisão. Um luxo. E ali fiquei durante três horas, completamente vidrada na minissérie Convite para a morte - três episódios a partir do livro And Then There Were None, da Agatha Christie, com a assinatura da BBC. Passou na Fox Crime e é uma pequena maravilha.



Lembrava-me de ter lido o livro mas já não me lembrava quem era o criminoso. Acho que li todos os livros da Agatha Christie. Mais do que uma vez. No entanto, não tenho nenhum livro dela. Os livros da Agatha Christie, gordos, com duas histórias em cada volume, eram bastante mais caros do que os livros dos cinco e da patrícia que nós costumávamos ler e, por isso, era mais difícil juntar dinheiro para comprá-los. Além disso eram daqueles que se liam de um só fôlego. Então, faziam parte daquele lote de livros que íamos buscar à biblioteca da gulbenkian durante as longas férias de verão. Um de cada vez. Um a seguir ao outro. E no ano seguinte todos de novo, ou só os que nos apetecia reler.  


agatha.jpgOs livros da biblioteca tinham um cheiro característico. Para mim, os livros da Agatha Christie têm esse cheiro, a papel antigo. Era esse o cheiro dos crimes do A, B, C e do mistério dos sete relógios, da morte no Nilo e da velhinha Miss Marple que resolvia mistérios enquanto bebia chá. Do Crime no Expresso do Oriente, também em filme que por essa altura passou na televisão e deu origem a várias brincadeiras de detectives, eu, a minha irmã e mais duas amigas a desvendar segredos e a prender criminosos nas tardes de calor. Depois Poirot ganhou um rosto com a série com David Suchet, perfeito a interpretar o detective belga, com as células cinzentas sempre a trabalhar e a sua mania da perfeição e da arrumação. E, por fim, as peças todas encaixaram-se quando li a autobiografia de Agatha Christie (editada em Portugal pela Asa). É um belo calhamaço mas vale muito a pena por todas as histórias, que começam ainda no século XIX, passam pela primeira guerra mundial, Agatha Christie a surfar na África do Sul, as viagens ao Médio Oriente, as grandes viagens de comboio, as explorações arqueológicas, os filhos, os livros. Fiquei a adorar esta mulher.


agatha_christie_su_3340225b.jpg


Outro dia tentei ler um dos livros de Agatha Christie e não consegui. Aquela escrita já não é para mim. Achei melhor não insistir. Todas as coisas têm o seu tempo, mais vale não estragar as boas memórias. Mas os filmes e as séries, se forem bem feitos assim como este Convite para a morte, são sempre um prazer. 

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Saturday, April 02, 2016

Está tudo bem

fine.jpgNão desapareci. Ando ocupada. E muito cansada. E com pouca paciência para algumas coisas. Mas está tudo bem.

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fine.jpgNão desapareci. Ando ocupada. E muito cansada. E com pouca paciência para algumas coisas. Mas está tudo bem.

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