Sunday, April 26, 2015

Relatos

Lembro-me das tardes de domingo na barragem da Rocha. Primavera. Eu e a minha irmã a apanhar flores amarelas e brancas e a brincar às casinhas nos bancos de pedra. Nós e a vovó Ana a brincar à apanhada, às voltas num pilar que lá havia, a relva a crescer por entre as placas de cimento que faziam um caracol no chão. Lembro-me dos cães que ladravam no barracão que era um café. De ter medo. De fazer xixi agachada, atrás das árvores. Lembro-me do Dinho, no carro branco, a ouvir os relatos da bola. Talvez também lesse o jornal. Ou não. Não sei se me lembro disto tudo ou se inventei algumas memórias.


Lembrei-me disto porque estou a ouvir o benfica-porto na rádio (e, tirando os anúncios constantes, parece que os relatos continuam mais ou menos na mesma).

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Relatos

Lembro-me das tardes de domingo na barragem da Rocha. Primavera. Eu e a minha irmã a apanhar flores amarelas e brancas e a brincar às casinhas nos bancos de pedra. Nós e a vovó Ana a brincar à apanhada, às voltas num pilar que lá havia, a relva a crescer por entre as placas de cimento que faziam um caracol no chão. Lembro-me dos cães que ladravam no barracão que era um café. De ter medo. De fazer xixi agachada, atrás das árvores. Lembro-me do Dinho, no carro branco, a ouvir os relatos da bola. Talvez também lesse o jornal. Ou não. Não sei se me lembro disto tudo ou se inventei algumas memórias.


Lembrei-me disto porque estou a ouvir o benfica-porto na rádio (e, tirando os anúncios constantes, parece que os relatos continuam mais ou menos na mesma).

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Começar o domingo a dançar


Ainda há uma sessão às 16.30. Corram para o Teatro Maria Matos, em Lisboa, e desfrutem da beleza de Cair, o espectáculo de Victor Hugo Pontes para maiores de 5 anos. Nós fomos ver esta manhã e adorámos.

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Começar o domingo a dançar


Ainda há uma sessão às 16.30. Corram para o Teatro Maria Matos, em Lisboa, e desfrutem da beleza de Cair, o espectáculo de Victor Hugo Pontes para maiores de 5 anos. Nós fomos ver esta manhã e adorámos.

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Saturday, April 25, 2015

O 25 de abril também é isto

Os miúdos dormiram em casa de uns amigos do peito (obrigado, obrigado). O António teve um jogo de futebol. Fomos experimentar os hamburgueres da praça de londres. Não conseguimos encontrar cravos. Já em casa, o Pedro andou a recolher informações sobre a chita, recentemente eleita o seu animal preferido, e o António estudou para o teste de ciências. Jogaram playstation enquanto eu me divertia na cozinha. Olhei a chuva pela janela da cozinha e pareceu-me inverno. O Pedro cantou o Grândola enquanto tomava banho e explicou-me que esta era uma música proibida mas que havia outra, que era uma "música da moda", que também foi um sinal para os militares. Depois do jantar houve wrestling e eu temi pelos móveis da sala e pelos ossos das crianças. Consegui pô-los na cama mesmo a tempo de ver, na RTP2, o documentário sobre os últimos dias das Pide. Emociono-me sempre com as imagens do 25 de abril.


IMG_1098.JPGEste ano não descemos a avenida. A revolução acontece todos os dias. 

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O 25 de abril também é isto

Os miúdos dormiram em casa de uns amigos do peito (obrigado, obrigado). O António teve um jogo de futebol. Fomos experimentar os hamburgueres da praça de londres. Não conseguimos encontrar cravos. Já em casa, o Pedro andou a recolher informações sobre a chita, recentemente eleita o seu animal preferido, e o António estudou para o teste de ciências. Jogaram playstation enquanto eu me divertia na cozinha. Olhei a chuva pela janela da cozinha e pareceu-me inverno. O Pedro cantou o Grândola enquanto tomava banho e explicou-me que esta era uma música proibida mas que havia outra, que era uma "música da moda", que também foi um sinal para os militares. Depois do jantar houve wrestling e eu temi pelos móveis da sala e pelos ossos das crianças. Consegui pô-los na cama mesmo a tempo de ver, na RTP2, o documentário sobre os últimos dias das Pide. Emociono-me sempre com as imagens do 25 de abril.


IMG_1098.JPGEste ano não descemos a avenida. A revolução acontece todos os dias. 

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Ando há uns dias assim

A ouvir o novo disco dos Blur vezes sem conta. Chama-se 'The Magic Whip'. E é mesmo aquilo que me apetecia ouvir nesta altura.


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Ando há uns dias assim

A ouvir o novo disco dos Blur vezes sem conta. Chama-se 'The Magic Whip'. E é mesmo aquilo que me apetecia ouvir nesta altura.


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Sunday, April 19, 2015

Favas frescas

IMG_1091.JPG


Melhor do que cozinhar para os amigos só mesmo cozinhar com os amigos. A Cecília trouxe as favas - acho que os putos nunca tinham visto favas frescas -, o chouriço e a morcela. Trouxe o sabor a alentejo e a conversa boa. E o nosso almoço de domingo não podia ter sido melhor.


IMG_1092.JPG

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Favas frescas

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Melhor do que cozinhar para os amigos só mesmo cozinhar com os amigos. A Cecília trouxe as favas - acho que os putos nunca tinham visto favas frescas -, o chouriço e a morcela. Trouxe o sabor a alentejo e a conversa boa. E o nosso almoço de domingo não podia ter sido melhor.


IMG_1092.JPG

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Friday, April 17, 2015

A felicidade nas coisas pequenas (XXV)

Ficar à janela a vê-lo ir sozinho para a escola.


(no início do ano lectivo, tínhamos falado sobre isto: na primavera já vais conseguir, vais ver, disse-lhe eu. vê-los crescer é das coisas mais fantásticas do mundo)

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A felicidade nas coisas pequenas (XXV)

Ficar à janela a vê-lo ir sozinho para a escola.


(no início do ano lectivo, tínhamos falado sobre isto: na primavera já vais conseguir, vais ver, disse-lhe eu. vê-los crescer é das coisas mais fantásticas do mundo)

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Thursday, April 16, 2015

Lágrimas

Deixei-o no quarto a ler com uma lanterna, debaixo das mantas, para não incomodar o mano que queria dormir. Apareceu-me na sala um bom quarto de hora depois, lavado em lágrimas. O que se passou, meu filho? Não consigo dizer. E ali ficámos, abraçados, até eu conseguir perceber que a família do Jamie, o protagonista, tinha morrido toda num acidente. O pai, a mãe, a irmã. Morreram todos, mãe. Ora bolas, como se acalma esta dor? Conversámos um bocadinho sobre isto. Sobre as coisas más que acontecem e como aprendemos a dar a volta por cima. Sobre aquele Jamie que teve um acidente e anda numa cadeira de rodas e perdeu a família e ainda assim diz piadas e ri e tem amigos e outra família. Um pouco mais de colo. Já passou. Assoou o nariz, limpou os olhos, voltou para a cama. O meu filho, o meu filho pré-adolescente e lindo, que chora com filmes de animação desde que tinha três anos e viu o Nemo, afinal também chora com os livros. Sei exactamente como é, eu sou igual.


(tinha mais ou menos esta idade quando li o meu pé de laranja-lima e chorei baba-e-ranho com a morte do portuga. ainda hoje, choro mais com os filmes do que com a vida real)

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Lágrimas

Deixei-o no quarto a ler com uma lanterna, debaixo das mantas, para não incomodar o mano que queria dormir. Apareceu-me na sala um bom quarto de hora depois, lavado em lágrimas. O que se passou, meu filho? Não consigo dizer. E ali ficámos, abraçados, até eu conseguir perceber que a família do Jamie, o protagonista, tinha morrido toda num acidente. O pai, a mãe, a irmã. Morreram todos, mãe. Ora bolas, como se acalma esta dor? Conversámos um bocadinho sobre isto. Sobre as coisas más que acontecem e como aprendemos a dar a volta por cima. Sobre aquele Jamie que teve um acidente e anda numa cadeira de rodas e perdeu a família e ainda assim diz piadas e ri e tem amigos e outra família. Um pouco mais de colo. Já passou. Assoou o nariz, limpou os olhos, voltou para a cama. O meu filho, o meu filho pré-adolescente e lindo, que chora com filmes de animação desde que tinha três anos e viu o Nemo, afinal também chora com os livros. Sei exactamente como é, eu sou igual.


(tinha mais ou menos esta idade quando li o meu pé de laranja-lima e chorei baba-e-ranho com a morte do portuga. ainda hoje, choro mais com os filmes do que com a vida real)

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Sunday, April 12, 2015

Sebastião Salgado (I)

É uma pessoa, assim tão magra? Vêem-se os ossos... Mas são pessoas mortas? Não pode ser. Quem as matou? Porque é que as mataram? Onde é que eles estão? É longe? Para onde é que eles vão? Não têm casa? Porquê? Foram muitas as perguntas, no sábado à noite, enquanto víamos O Sal da Terra, o documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado. Mas os miúdos lá se aguentaram.


sebastião.jpg


Agora só nos falta ir ver a exposição, na Cordoaria Nacional. Para vermos também o lado belo do mundo.teaser_fo_salgado_genesis_top_1212171540_id_645724(a primeira imagem é da série Migrações, a segunda é de Génesis)

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Sebastião Salgado (I)

É uma pessoa, assim tão magra? Vêem-se os ossos... Mas são pessoas mortas? Não pode ser. Quem as matou? Porque é que as mataram? Onde é que eles estão? É longe? Para onde é que eles vão? Não têm casa? Porquê? Foram muitas as perguntas, no sábado à noite, enquanto víamos O Sal da Terra, o documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado. Mas os miúdos lá se aguentaram.


sebastião.jpg


Agora só nos falta ir ver a exposição, na Cordoaria Nacional. Para vermos também o lado belo do mundo.teaser_fo_salgado_genesis_top_1212171540_id_645724(a primeira imagem é da série Migrações, a segunda é de Génesis)

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Saturday, April 11, 2015

Capicua

Dos privilégios do meu trabalho. Dizer: gostava de falar com esta pessoa. E ter oportunidade de o fazer.



Capicua na 'Casa no Campo' (versão acústica) e a acutilância de 'Medusa'.


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Capicua

Dos privilégios do meu trabalho. Dizer: gostava de falar com esta pessoa. E ter oportunidade de o fazer.



Capicua na 'Casa no Campo' (versão acústica) e a acutilância de 'Medusa'.


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Friday, April 10, 2015

Remendos

Tornei-me especialista em colocar joelheiras nas calças dos miúdos. Primeiro, coso o rasgão. Depois, aplico a joelheira com o ferro de engomar. Finalmente, coso a joelheira toda a volta (a experiência diz-me que se não o fizer aquilo acaba por descolar em pouco tempo). Quase todas as calças do mais novo têm joelheiras. Não sei se poupo grande coisa, se me esforçasse acho que hoje em dia encontraria calças bastante baratas para substituir as rasgadas e não teria este trabalho todo. Mas prefiro gastar o meu tempo na costura do que nas lojas. Descobri que costurar, tal como cozinhar, é relaxante. Já ir às compras é um martírio. E, depois, é quase uma questão ideológica. As calças remendadas dos meus filhos revelam muito daquilo que somos cá em casa.

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Remendos

Tornei-me especialista em colocar joelheiras nas calças dos miúdos. Primeiro, coso o rasgão. Depois, aplico a joelheira com o ferro de engomar. Finalmente, coso a joelheira toda a volta (a experiência diz-me que se não o fizer aquilo acaba por descolar em pouco tempo). Quase todas as calças do mais novo têm joelheiras. Não sei se poupo grande coisa, se me esforçasse acho que hoje em dia encontraria calças bastante baratas para substituir as rasgadas e não teria este trabalho todo. Mas prefiro gastar o meu tempo na costura do que nas lojas. Descobri que costurar, tal como cozinhar, é relaxante. Já ir às compras é um martírio. E, depois, é quase uma questão ideológica. As calças remendadas dos meus filhos revelam muito daquilo que somos cá em casa.

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Sunday, April 05, 2015

Celebremos


 Beirut, 'A Sunday Smile'

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Celebremos


 Beirut, 'A Sunday Smile'

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Thursday, April 02, 2015

Quinta-feira de aleluia

"O que é a fé? (...) Invejo aqueles que conseguiram munir-se de uma ideia definitiva sobre a religião. Tanto os que acham que a religião é uma fonte de bem estar e prosperidade, e que quem está fora acabará por ser justamente punido pela insolência e rebeldia, como os que pensam que a religão é a fonte de todos os males, o ópio do povo, uma força obscurantista que oferece aos homens ilusões que o adormecem. (...) Apesar de todos os defeitos que encontro na religão organizada; apesar do meu anti-clericalismo precoce e do qual todavia ainda não me libertei por causa da figura de alguns padres e do seu odioso papel no controlo e no silenciamento dos mais fracos; apesar de todas as reservas que me merecem os profetas, os apóstolos, os mártires, os bispos, os vendedores da salvação, os ginastas da fé, os cantares de aleluias; apesar de tudo isto, sei, porque já o testemunhei, da fé genuína que move pessoas (tantas vezes mais difíceis de mover do que as montanhas), leigos e clero, sem distinção, do amor pelos outros e da crença sincera em Deus e em fazer bem que os anima, da orientação que têm na Bíblia e em fazer o bem dos seus irmãos na fé, e de terem encontrado um sentido para as suas vidas nesta selva confusa de dúvidas, temores e padecimentos. (...) Eu, e tantos como eu, procuramos consolo na arte, na literatura, na música, no amor, nos filhos, numa certa ideia de humanismo, criando assim uma para-religião para suprir as nossas lacunas espirituais."


Este é só um excerto do último capítulo, que é o mais pessoal, de Aleluia, de Bruno Vieira Amaral. Chegar ao fim com vontade de ler mais. É um tema fascinante.


Leiam o que escreveu, a propósito do livro, o Tiago Cavaco aqui e aqui.

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Quinta-feira de aleluia

"O que é a fé? (...) Invejo aqueles que conseguiram munir-se de uma ideia definitiva sobre a religião. Tanto os que acham que a religião é uma fonte de bem estar e prosperidade, e que quem está fora acabará por ser justamente punido pela insolência e rebeldia, como os que pensam que a religão é a fonte de todos os males, o ópio do povo, uma força obscurantista que oferece aos homens ilusões que o adormecem. (...) Apesar de todos os defeitos que encontro na religão organizada; apesar do meu anti-clericalismo precoce e do qual todavia ainda não me libertei por causa da figura de alguns padres e do seu odioso papel no controlo e no silenciamento dos mais fracos; apesar de todas as reservas que me merecem os profetas, os apóstolos, os mártires, os bispos, os vendedores da salvação, os ginastas da fé, os cantares de aleluias; apesar de tudo isto, sei, porque já o testemunhei, da fé genuína que move pessoas (tantas vezes mais difíceis de mover do que as montanhas), leigos e clero, sem distinção, do amor pelos outros e da crença sincera em Deus e em fazer bem que os anima, da orientação que têm na Bíblia e em fazer o bem dos seus irmãos na fé, e de terem encontrado um sentido para as suas vidas nesta selva confusa de dúvidas, temores e padecimentos. (...) Eu, e tantos como eu, procuramos consolo na arte, na literatura, na música, no amor, nos filhos, numa certa ideia de humanismo, criando assim uma para-religião para suprir as nossas lacunas espirituais."


Este é só um excerto do último capítulo, que é o mais pessoal, de Aleluia, de Bruno Vieira Amaral. Chegar ao fim com vontade de ler mais. É um tema fascinante.


Leiam o que escreveu, a propósito do livro, o Tiago Cavaco aqui e aqui.

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Wednesday, April 01, 2015

Diagnóstico

A mãe tem uma rotura parcial do ligamento interno do joelho esquerdo. Diz que não é grave, precisa de mais gelo e descanso durante umas quantas semanas.


O filho pequeno tem uma amigdalite com febres altas e já vai começar  a tomar o devido antibiótico.


O filho grande prepara-se para um torneio de futebol com duas noites fora de casa e tem uma camada de nervos que não se aguenta.


Sobrevivemos. Não há motivo para preocupações. O pior de tudo mesmo é que está um dia de calor maravilhoso e nós em vez de irmos esplanadar andámos entre o hospital da luz e o centro de saúde com paragens generosas no sofá da sala.

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Diagnóstico

A mãe tem uma rotura parcial do ligamento interno do joelho esquerdo. Diz que não é grave, precisa de mais gelo e descanso durante umas quantas semanas.


O filho pequeno tem uma amigdalite com febres altas e já vai começar  a tomar o devido antibiótico.


O filho grande prepara-se para um torneio de futebol com duas noites fora de casa e tem uma camada de nervos que não se aguenta.


Sobrevivemos. Não há motivo para preocupações. O pior de tudo mesmo é que está um dia de calor maravilhoso e nós em vez de irmos esplanadar andámos entre o hospital da luz e o centro de saúde com paragens generosas no sofá da sala.

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