Thursday, October 31, 2013
Wednesday, October 30, 2013
Escolhas
Falei há uns dias com um comandante da marinha sobre o filme 'Captain Phillips'. Ele esteve na Somália naquela altura, lembra-se perfeitamente do caso e contava-me a sua surpresa por o filme estar tão bem feito, todos os pormenores batiam certo, nada de erros grosseiros a apontar, nada do espetáculo hollywoodesco e pouco verosímil que é costume neste tipo de filmes. "Claro que a realidade não tem banda sonora, mas de resto é tudo muito real", disse-me.
Fiquei curiosa. E hoje, num impulso, decidi ir ver o Tom Hanks. Não é o tipo de filme que me atraia particularmente mas, sendo baseado num caso real e tendo esta garantia de que não ia ver o 'Pearl Harbour' nem outra qualquer lamechice a adular os heróis americanos, arrisquei. Poucos minutos depois de começar já estava toda encolhida na cadeira. Mesmo conhecendo a história e sabendo exactamente como aquilo ia terminar não dava para controlar os nervos. O coração aos saltos. A tentação de roer as unhas. Tapar os olhos para não ver. Sofrer com o sofrimento daquele homem. Querer sair a meio e querer ficar ao mesmo tempo. Emocionar-me. Uma tortura. Gostei do filme, pois gostei, e vale a pena, sim, senhor, mas ainda assim para mim foi uma tortura. Saí dali como se tivesse levado uma surra por dentro, o que não é surpresa nenhuma. Não é a primeira vez que isto me acontece. E, conhecendo-me, era até bastante previsível que isto iria acontecer.
Mas a questao é: porque é que eu insisto? o que me leva a enfiar-me numa sala escura a meio da tarde, para ver um filme destes, sabendo eu de antemão que vou sofrer assim? não teria sido melhor ir ver o 'Romeu e Julieta' ou 'O Sentido do Amor' ou outra coisa qualquer? sabendo eu o que sabia não seria melhor evitar esta camada de nervos que só me faz cabelos brancos? o prazer de ver este filme é superior ao sofrimento que ele me causa?
Labels: cinema
Escolhas
Falei há uns dias com um comandante da marinha sobre o filme 'Captain Phillips'. Ele esteve na Somália naquela altura, lembra-se perfeitamente do caso e contava-me a sua surpresa por o filme estar tão bem feito, todos os pormenores batiam certo, nada de erros grosseiros a apontar, nada do espetáculo hollywoodesco e pouco verosímil que é costume neste tipo de filmes. "Claro que a realidade não tem banda sonora, mas de resto é tudo muito real", disse-me.
Fiquei curiosa. E hoje, num impulso, decidi ir ver o Tom Hanks. Não é o tipo de filme que me atraia particularmente mas, sendo baseado num caso real e tendo esta garantia de que não ia ver o 'Pearl Harbour' nem outra qualquer lamechice a adular os heróis americanos, arrisquei. Poucos minutos depois de começar já estava toda encolhida na cadeira. Mesmo conhecendo a história e sabendo exactamente como aquilo ia terminar não dava para controlar os nervos. O coração aos saltos. A tentação de roer as unhas. Tapar os olhos para não ver. Sofrer com o sofrimento daquele homem. Querer sair a meio e querer ficar ao mesmo tempo. Emocionar-me. Uma tortura. Gostei do filme, pois gostei, e vale a pena, sim, senhor, mas ainda assim para mim foi uma tortura. Saí dali como se tivesse levado uma surra por dentro, o que não é surpresa nenhuma. Não é a primeira vez que isto me acontece. E, conhecendo-me, era até bastante previsível que isto iria acontecer.
Mas a questao é: porque é que eu insisto? o que me leva a enfiar-me numa sala escura a meio da tarde, para ver um filme destes, sabendo eu de antemão que vou sofrer assim? não teria sido melhor ir ver o 'Romeu e Julieta' ou 'O Sentido do Amor' ou outra coisa qualquer? sabendo eu o que sabia não seria melhor evitar esta camada de nervos que só me faz cabelos brancos? o prazer de ver este filme é superior ao sofrimento que ele me causa?
Labels: cinema
Tuesday, October 29, 2013
Supermercados
Ao jantar, partilhando os acontecimentos do dia: "Hoje a Inês trouxe o globo e estivemos a ver os supermercados do mundo toooooodo", diz o Pedro.
"Os supermercados?", pergunto eu.
"Sim."
"Os supermercados do mundo todo? Não pode ser... Tens a certeza?"
"Todos."
E, neste momento, o mano mais velho percebe tudo: "Os continentes, mãe, eles estiveram a ver os continentes."
Lol.
Labels: Filhos
Supermercados
Ao jantar, partilhando os acontecimentos do dia: "Hoje a Inês trouxe o globo e estivemos a ver os supermercados do mundo toooooodo", diz o Pedro.
"Os supermercados?", pergunto eu.
"Sim."
"Os supermercados do mundo todo? Não pode ser... Tens a certeza?"
"Todos."
E, neste momento, o mano mais velho percebe tudo: "Os continentes, mãe, eles estiveram a ver os continentes."
Lol.
Labels: Filhos
Sunday, October 27, 2013
Saturday, October 26, 2013
Friday, October 25, 2013
"Without a shadow of a doubt"
O Paul McCartney velhinho, enrugado, ao piano, com umas birkenstock nos pés. A divertir-se. E uma série de gente mais ou menos conhecida à sua volta para alimentar as notícias dos jornais. A música não tem nada especial mas é suficiente para me pôr a viajar (e sou só eu que ao vê-lo a assobiar e a descer as escadas para o estúdio me lembro do video de No More Lonely Nights?). E agora tenho outra vez 16 anos e sento-me ao microfone da rádio da minha terra a anunciar que All You Need is Love.
Queenie Eye.
"Without a shadow of a doubt"
O Paul McCartney velhinho, enrugado, ao piano, com umas birkenstock nos pés. A divertir-se. E uma série de gente mais ou menos conhecida à sua volta para alimentar as notícias dos jornais. A música não tem nada especial mas é suficiente para me pôr a viajar (e sou só eu que ao vê-lo a assobiar e a descer as escadas para o estúdio me lembro do video de No More Lonely Nights?). E agora tenho outra vez 16 anos e sento-me ao microfone da rádio da minha terra a anunciar que All You Need is Love.
Queenie Eye.
Thursday, October 24, 2013
Fazer o que se gosta (2)
Às vezes vou entrevistar uma pessoa mas passado pouco tempo esqueço-me das perguntas que tenho no caderno e deixo-me levar pela conversa e perco a já de si pouca objectividade que costumo ter e fico a gostar ainda mais da pessoa que está ali à minha frente como se a conhecesse de facto, mesmo sabendo que não conheço e que daí a pouco vou desligar o gravador e não vamos voltar a encontrar-nos. É muito bom quando isso acontece. Já me aconteceu duas vezes com a Patrícia Reis. E ainda por cima ela, como eu, é mãe de rapazes.
Labels: jornalismo
Fazer o que se gosta (2)
Às vezes vou entrevistar uma pessoa mas passado pouco tempo esqueço-me das perguntas que tenho no caderno e deixo-me levar pela conversa e perco a já de si pouca objectividade que costumo ter e fico a gostar ainda mais da pessoa que está ali à minha frente como se a conhecesse de facto, mesmo sabendo que não conheço e que daí a pouco vou desligar o gravador e não vamos voltar a encontrar-nos. É muito bom quando isso acontece. Já me aconteceu duas vezes com a Patrícia Reis. E ainda por cima ela, como eu, é mãe de rapazes.
Labels: jornalismo
Monday, October 21, 2013
Perspectiva (2)
Sabem quando duas pessoas têm uma relação amorosa ou de amizade e discutem e depois cada uma conta a sua versão da história? Os factos são só uns mas as versões pouco coincidem. As palavras ditas ou escritas são as que são, mas cada uma interpreta-as de sua forma. Mais do que ter visões diferentes é quase como se cada uma tivesse vivido algo realmente diferente. Isto acontece tantas vezes. E o pior é que às vezes isto está acontecendo, no dia a dia, e, até ao momento da discussão, as pessoas nem se apercebem.
Perspectiva (2)
Sabem quando duas pessoas têm uma relação amorosa ou de amizade e discutem e depois cada uma conta a sua versão da história? Os factos são só uns mas as versões pouco coincidem. As palavras ditas ou escritas são as que são, mas cada uma interpreta-as de sua forma. Mais do que ter visões diferentes é quase como se cada uma tivesse vivido algo realmente diferente. Isto acontece tantas vezes. E o pior é que às vezes isto está acontecendo, no dia a dia, e, até ao momento da discussão, as pessoas nem se apercebem.
Saturday, October 19, 2013
A felicidade nas coisas pequenas (XI)
Arco-Íris. Muitos. Por todos os lados. É sempre mágico.
Labels: a felicidade nas coisas pequenas, felicidade, vidinha
A felicidade nas coisas pequenas (XI)
Arco-Íris. Muitos. Por todos os lados. É sempre mágico.
Labels: a felicidade nas coisas pequenas, felicidade, vidinha
Friday, October 18, 2013
Uma noite de folga
Hoje, ao conversar com um colega que acabou de se separar, ele falava-me da solidão que sentia em casa. Do silêncio insuportável. Das saudades dos miúdos. Do não ter nada que fazer. Das refeições para um. Falava e a cara dele era só tristeza. Compreendo-o perfeitamente. Imagino-me a dar em maluca numa situação dessas. Não são só as saudades que se tem dos filhos, é a perda de toda uma rotina. É quase como reaprender a viver. Mas, por outro lado, é igualmente desesperante nunca estar sozinha, não poder fazer qualquer programa sem crianças, ter que estar sempre a pensar no jantar e no supermercado e nas roupas e na escola e não ter ninguém com quem partilhar as responsabilidades ou os fins-de-semana ou alguma coisa que seja. É uma situação igualmente solitária, só que no caso dele, acredito, é só uma questão de tempo até ele perceber que pode sair de casa, ver outras pessoas, ir ao cinema, convidar amigos para jantar e ter uma vida normal nos dias em que não tem os filhos. No meu caso, não há escapatória possível. Não sei se consigo explicar isto sem parecer uma mãe desnaturada. Não é que eu não goste dos meus filhos e de estar com eles,que gosto. Não é que eu não consiga fazer isto sozinha, que consigo. É só que é muito intenso. E de vez em quando uma pessoa precisa de um intervalo.
Amanhã, pela primeira vez num mês, vou ter uma noite sem crianças. Uma conjugação de factores e uma tia simpática vão permitir-me ter uma noite inteira de folga. Não sei que vos diga. Estou quase tão entusiasmada com isto como eles estão excitados com o facto de irem passar uma noite fora de casa.
Uma noite de folga
Hoje, ao conversar com um colega que acabou de se separar, ele falava-me da solidão que sentia em casa. Do silêncio insuportável. Das saudades dos miúdos. Do não ter nada que fazer. Das refeições para um. Falava e a cara dele era só tristeza. Compreendo-o perfeitamente. Imagino-me a dar em maluca numa situação dessas. Não são só as saudades que se tem dos filhos, é a perda de toda uma rotina. É quase como reaprender a viver. Mas, por outro lado, é igualmente desesperante nunca estar sozinha, não poder fazer qualquer programa sem crianças, ter que estar sempre a pensar no jantar e no supermercado e nas roupas e na escola e não ter ninguém com quem partilhar as responsabilidades ou os fins-de-semana ou alguma coisa que seja. É uma situação igualmente solitária, só que no caso dele, acredito, é só uma questão de tempo até ele perceber que pode sair de casa, ver outras pessoas, ir ao cinema, convidar amigos para jantar e ter uma vida normal nos dias em que não tem os filhos. No meu caso, não há escapatória possível. Não sei se consigo explicar isto sem parecer uma mãe desnaturada. Não é que eu não goste dos meus filhos e de estar com eles,que gosto. Não é que eu não consiga fazer isto sozinha, que consigo. É só que é muito intenso. E de vez em quando uma pessoa precisa de um intervalo.
Amanhã, pela primeira vez num mês, vou ter uma noite sem crianças. Uma conjugação de factores e uma tia simpática vão permitir-me ter uma noite inteira de folga. Não sei que vos diga. Estou quase tão entusiasmada com isto como eles estão excitados com o facto de irem passar uma noite fora de casa.
A minha amiga mais antiga
Parabéns, maninha. Ao fim destes anos todos ainda é bom brincar contigo.
(a foto foi tirada pelo pai, claro)
Labels: Amigos
A minha amiga mais antiga
Parabéns, maninha. Ao fim destes anos todos ainda é bom brincar contigo.
(a foto foi tirada pelo pai, claro)
Labels: Amigos
Às vezes o amor
Labels: música
Às vezes o amor
Labels: música
Thursday, October 17, 2013
Wednesday, October 16, 2013
Aldina
Labels: música
Aldina
Labels: música
Bolos no forno
Educar é como fazer um bolo, diz a Sónia. É isto mesmo.
(e eu acho que a Sónia é uma grande pasteleira, mas, lá está, vamos ter que esperar para ver)
Bolos no forno
Educar é como fazer um bolo, diz a Sónia. É isto mesmo.
(e eu acho que a Sónia é uma grande pasteleira, mas, lá está, vamos ter que esperar para ver)
Tuesday, October 15, 2013
Abrir portas (2)
Educar um filho é abrir-lhe portas.
Não podemos decidir o que os filhos vão fazer com as suas vidas nem que tipo de pessoas eles vão ser. Penso muito nisso quando vejo grupos de jovens na rua ou nos transportes. Fico a observá-los e a tentar imaginar como serão os meus filhos daqui a uns anos. Como irão falar. Como se irão comportar. Que música irão ouvir? O que despertará o seu interesse? Serão desportistas? Serão marrões? Serão uns calões? Que profissão irão escolher? Em que partido vão votar? Vão fazer piercings? Irão usar gravata? É impossível prever. Espero mesmo que eles sejam boas pessoas. Rapazes honestos, bons amigos, que gostem de aprender e se preocupem com o mundo em que vivem. Não gostava que eles fossem uns tontinhos, obcecados com as marcas da roupa e do telemóvel. Mas não tenho garantias nenhumas de que assim seja. Faço o meu melhor por lhes transmitir valores. Por lhes dar um bom exemplo. Por lhes mostrar um caminho. Mas, na verdade, apesar de eu saber que a minha influência é grande, há muita coisa que eu sei que não posso controlar.
Educar um filho é abrir-lhe portas. Mostrar-lhe como o mundo é grande. Como há muita coisa interessante. Despertar-lhe a curiosidade. E deixá-lo descobrir o que é que lhe interessa, o que é que o faz feliz. Dar-lhe oportunidade para mexer o corpo e para ginasticar a mente. Dar-lhe ferramentas para que ele vá à procura de coisas novas, por sua livre vontade. E esperar que aquilo que fizemos tenha sido suficiente. Não tenho grandes ilusões sobre isto. Sei que não é por os levar ao ballet na infância que eles vão gostar de ballet quando forem crescidos. As coisas não são assim tão simples. Mas podemos ir abrindo portas, acredito que esse é o meu dever.
Levá-los ao futebol, à missa e ao teatro, tudo no mesmo fim-de-semana. Por exemplo.
Abrir portas (2)
Educar um filho é abrir-lhe portas.
Não podemos decidir o que os filhos vão fazer com as suas vidas nem que tipo de pessoas eles vão ser. Penso muito nisso quando vejo grupos de jovens na rua ou nos transportes. Fico a observá-los e a tentar imaginar como serão os meus filhos daqui a uns anos. Como irão falar. Como se irão comportar. Que música irão ouvir? O que despertará o seu interesse? Serão desportistas? Serão marrões? Serão uns calões? Que profissão irão escolher? Em que partido vão votar? Vão fazer piercings? Irão usar gravata? É impossível prever. Espero mesmo que eles sejam boas pessoas. Rapazes honestos, bons amigos, que gostem de aprender e se preocupem com o mundo em que vivem. Não gostava que eles fossem uns tontinhos, obcecados com as marcas da roupa e do telemóvel. Mas não tenho garantias nenhumas de que assim seja. Faço o meu melhor por lhes transmitir valores. Por lhes dar um bom exemplo. Por lhes mostrar um caminho. Mas, na verdade, apesar de eu saber que a minha influência é grande, há muita coisa que eu sei que não posso controlar.
Educar um filho é abrir-lhe portas. Mostrar-lhe como o mundo é grande. Como há muita coisa interessante. Despertar-lhe a curiosidade. E deixá-lo descobrir o que é que lhe interessa, o que é que o faz feliz. Dar-lhe oportunidade para mexer o corpo e para ginasticar a mente. Dar-lhe ferramentas para que ele vá à procura de coisas novas, por sua livre vontade. E esperar que aquilo que fizemos tenha sido suficiente. Não tenho grandes ilusões sobre isto. Sei que não é por os levar ao ballet na infância que eles vão gostar de ballet quando forem crescidos. As coisas não são assim tão simples. Mas podemos ir abrindo portas, acredito que esse é o meu dever.
Levá-los ao futebol, à missa e ao teatro, tudo no mesmo fim-de-semana. Por exemplo.
Abrir portas
"As pessoas podem não querer vir, podem não gostar de nada do que fazemos. Há pessoas que acham que temos uma programação elitista, que não é para elas. E na esmagadora maioria dos casos nem experimentaram. Recusam a experiência, excluem-se dessa hipótese. E têm o seu direito. Não estou a fazer nenhuma crítica. Mas tenho pena que seja assim. Do meu ponto de vista, têm a probabilidade de ser mais infelizes. Quanto mais coisas uma pessoa gostar mais momentos de felicidade posso ter, penso eu. O prazer que me dá ler um livro ou ver um certo espectáculo são coisas que eu tenho e que outras pessoas não terão."
Miguel Lobo Antunes, director da Culturgest
Abrir portas
"As pessoas podem não querer vir, podem não gostar de nada do que fazemos. Há pessoas que acham que temos uma programação elitista, que não é para elas. E na esmagadora maioria dos casos nem experimentaram. Recusam a experiência, excluem-se dessa hipótese. E têm o seu direito. Não estou a fazer nenhuma crítica. Mas tenho pena que seja assim. Do meu ponto de vista, têm a probabilidade de ser mais infelizes. Quanto mais coisas uma pessoa gostar mais momentos de felicidade posso ter, penso eu. O prazer que me dá ler um livro ou ver um certo espectáculo são coisas que eu tenho e que outras pessoas não terão."
Miguel Lobo Antunes, director da Culturgest
Sunday, October 13, 2013
Parabéns, Cornucópia
Luís Miguel Cintra: "A felicidade vem do respeito por nós próprios e pelos outros".
O Teatro da Cornucópia faz hoje 40 anos.
(a foto é de João Girão/ Global Imagens)
Labels: teatro
Parabéns, Cornucópia
Luís Miguel Cintra: "A felicidade vem do respeito por nós próprios e pelos outros".
O Teatro da Cornucópia faz hoje 40 anos.
(a foto é de João Girão/ Global Imagens)
Labels: teatro
Saturday, October 12, 2013
Décalage
Quando terminamos uma relação é provável que à medida que a tristeza passa e que a paixão se dilui, à medida que recuperamos a razão e voltamos a ver o mundo com clareza, é provável, dizia, darmos por nós a pensar mas como é que eu gostei daquele gajo, ou mas como é que eu fui capaz de acreditar em, ou mas como é que eu não vi que, ou mas como é que eu me dei ao trabalho de, ou mas como é que eu fui tão tonta, até chegarmos aliviadas à conclusão que nos livrámos de boa, foi o que foi. O problema é que mesmo depois de sabermos isto tudo às vezes ainda leva algum tempo até o sentirmos.
Labels: Amor
Décalage
Quando terminamos uma relação é provável que à medida que a tristeza passa e que a paixão se dilui, à medida que recuperamos a razão e voltamos a ver o mundo com clareza, é provável, dizia, darmos por nós a pensar mas como é que eu gostei daquele gajo, ou mas como é que eu fui capaz de acreditar em, ou mas como é que eu não vi que, ou mas como é que eu me dei ao trabalho de, ou mas como é que eu fui tão tonta, até chegarmos aliviadas à conclusão que nos livrámos de boa, foi o que foi. O problema é que mesmo depois de sabermos isto tudo às vezes ainda leva algum tempo até o sentirmos.
Labels: Amor
Friday, October 11, 2013
Thursday, October 10, 2013
Uma daquelas verdades
"A questão é que às vezes não me apetece ser mãe, como não me apetece muitas outras coisas, e isso, além de desconcertante, é um grande problema, porque eu simplesmente não posso não ser mãe."
Não conheço a Calita mas admiro por demais a capacidade que ela tem para dizer aquelas verdades de que às vezes nos envergonhamos mas que são mesmo mesmo assim - nem que seja por breves momentos.
Labels: Filhos
Uma daquelas verdades
"A questão é que às vezes não me apetece ser mãe, como não me apetece muitas outras coisas, e isso, além de desconcertante, é um grande problema, porque eu simplesmente não posso não ser mãe."
Não conheço a Calita mas admiro por demais a capacidade que ela tem para dizer aquelas verdades de que às vezes nos envergonhamos mas que são mesmo mesmo assim - nem que seja por breves momentos.
Labels: Filhos
Wednesday, October 09, 2013
Da amizade e outros demónios
Não tenho grandes certezas sobre isto mas acho que acontece mais às raparigas do que aos rapazes (e mais às mulheres do que aos homens) isto de se chatearem umas com as outras. As amizades dos homens são um dos grandes mistérios da humanidade, pois na verdade eles conseguem ficar anos sem falar com um amigo e continuar a dizer que ele é o seu melhor amigo e depois quando se encontram podem ficar horas e horas juntos a falar sabe-se lá do quê pois se formos ver contam muito pouco uns aos outros daquilo que verdadeiramente se passa consigo, na sua vida, na sua família, na sua cabeça. Estou a generalizar, claro. Já para as mulheres, generalizando outra vez, a amizade é outra coisa. As mulheres, quando são mesmo amigas, contam tudo umas às outras. Tudo, mas mesmo tudo. E a amizade das mulheres precisa de ser vivida. Precisa de muitas conversas, jantares, cafézinhos, telefonemas, mensagens, idas às compras, essas coisas. Não quer dizer que eu não passe algum tempo sem ver algumas das minhas amigas mais queridas (infelizmente passo) mas há um limite. Uma amiga com quem eu não fale há dois anos, por exemplo, é uma amiga mas não é uma graaande amiga. Enfim. Não tenho grandes certezas sobre isto mas acho que deve ser por causa disto que acontece mais às mulheres chatearem-se umas com as outras. Se só falássemos de futebol ou das eleições de certeza que não nos chateávamos tanto. Mas como pomos tanto de nós nas relações as coisas são mais intensas. É só uma teoria. E eu, devo dizê-lo com alegria, não sou grande exemplo pois, que me lembre, só houve uma vez que me chateei mesmo com uma amiga, e era uma grande amiga, e decidi que não queria mais continuar naquela amizade. Telefonei-lhe, disse o que tinha a dizer e acrescentei: não quero mais ser tua amiga. Uma vez em quase quarenta anos não é nada mau. E se fosse agora, sinceramente, nem sei se me daria ao trabalho. As amizades quando não são verdadeiras, morrem naturalmente, sem que precisemos sequer fazer nada. Aliás, basta isso mesmo, não fazer nada.
(to be continued)
Da amizade e outros demónios
Não tenho grandes certezas sobre isto mas acho que acontece mais às raparigas do que aos rapazes (e mais às mulheres do que aos homens) isto de se chatearem umas com as outras. As amizades dos homens são um dos grandes mistérios da humanidade, pois na verdade eles conseguem ficar anos sem falar com um amigo e continuar a dizer que ele é o seu melhor amigo e depois quando se encontram podem ficar horas e horas juntos a falar sabe-se lá do quê pois se formos ver contam muito pouco uns aos outros daquilo que verdadeiramente se passa consigo, na sua vida, na sua família, na sua cabeça. Estou a generalizar, claro. Já para as mulheres, generalizando outra vez, a amizade é outra coisa. As mulheres, quando são mesmo amigas, contam tudo umas às outras. Tudo, mas mesmo tudo. E a amizade das mulheres precisa de ser vivida. Precisa de muitas conversas, jantares, cafézinhos, telefonemas, mensagens, idas às compras, essas coisas. Não quer dizer que eu não passe algum tempo sem ver algumas das minhas amigas mais queridas (infelizmente passo) mas há um limite. Uma amiga com quem eu não fale há dois anos, por exemplo, é uma amiga mas não é uma graaande amiga. Enfim. Não tenho grandes certezas sobre isto mas acho que deve ser por causa disto que acontece mais às mulheres chatearem-se umas com as outras. Se só falássemos de futebol ou das eleições de certeza que não nos chateávamos tanto. Mas como pomos tanto de nós nas relações as coisas são mais intensas. É só uma teoria. E eu, devo dizê-lo com alegria, não sou grande exemplo pois, que me lembre, só houve uma vez que me chateei mesmo com uma amiga, e era uma grande amiga, e decidi que não queria mais continuar naquela amizade. Telefonei-lhe, disse o que tinha a dizer e acrescentei: não quero mais ser tua amiga. Uma vez em quase quarenta anos não é nada mau. E se fosse agora, sinceramente, nem sei se me daria ao trabalho. As amizades quando não são verdadeiras, morrem naturalmente, sem que precisemos sequer fazer nada. Aliás, basta isso mesmo, não fazer nada.
(to be continued)
Tuesday, October 08, 2013
Rosas
Nem de propósito. Tinha acabado de escrever o post em baixo e recebi um mail com notícias da Anne Teresa de Keersmaeker. Tive o privilégio (lá está) de entrevistar Anne Teresa quando ela esteve em Lisboa. Tive também o enorme prazer de a ver dançar em 'Fase' e assistir ainda ao espéctaculo 'Rosas danst Rosas', criado em 1983. São dois dos espectáulos mais extraordinários que vi até hoje. Dos tais momentos que valem mesmo a pena. Para celebrar estes 30 anos, a companhia Rosas organizou uma série de iniciativas a partir de amanhã, no Kaaitheater, em Bruxelas, que incluem reinterpretações da famosa coreografia e um espetáculo em que pela primeira vez Anne Teresa se junta à filha, Franziska, no palco. A companhia lançou ainda um desafio a quem quisesse recriar a coreografia. Os vídeos chegaram do mundo inteiro. Há grávidas, crianças, jovens, velhotes, gente que sabe mesmo dançar e gente que se está só a divertir. Alguns dos filmes são mesmo tocantes. São mais de dez horas de filmagens e podem ser vistas no site oficial. Para quem tem pouco tempo, fica aqui uma espécie de trailer:
Ou de Xangai:
Labels: dançar, jornalismo, teatro
Rosas
Nem de propósito. Tinha acabado de escrever o post em baixo e recebi um mail com notícias da Anne Teresa de Keersmaeker. Tive o privilégio (lá está) de entrevistar Anne Teresa quando ela esteve em Lisboa. Tive também o enorme prazer de a ver dançar em 'Fase' e assistir ainda ao espéctaculo 'Rosas danst Rosas', criado em 1983. São dois dos espectáulos mais extraordinários que vi até hoje. Dos tais momentos que valem mesmo a pena. Para celebrar estes 30 anos, a companhia Rosas organizou uma série de iniciativas a partir de amanhã, no Kaaitheater, em Bruxelas, que incluem reinterpretações da famosa coreografia e um espetáculo em que pela primeira vez Anne Teresa se junta à filha, Franziska, no palco. A companhia lançou ainda um desafio a quem quisesse recriar a coreografia. Os vídeos chegaram do mundo inteiro. Há grávidas, crianças, jovens, velhotes, gente que sabe mesmo dançar e gente que se está só a divertir. Alguns dos filmes são mesmo tocantes. São mais de dez horas de filmagens e podem ser vistas no site oficial. Para quem tem pouco tempo, fica aqui uma espécie de trailer:
Ou de Xangai:
Labels: dançar, jornalismo, teatro
Fazer o que se gosta
Passamos muito tempo a queixar-nos. Esta não foi exactamente a vida escolhemos. O jornalismo (já?) não é tal e qual como o sonhámos. Os jornais funcionam mal. Os jornais são efectivamente maus. E, na maior parte das vezes, chegamos ao fim do dia com aquela sensação de que poderíamos ou deveríamos ter feito muito melhor, de que acabamos por escrever textos irrelevantes ou apenas banais. Que não tivemos tempo suficiente nem espaço bastante para fazer o que queríamos. Ou que não nos deixaram fazer o que queríamos. A frustração é grande. E temos de facto motivos para nos queixarmos.
E, no entanto, sou uma privilegiada. Se quiser ser justa tenho que admiti-lo. Sou uma privilegiada. Faço aquilo que gosto. Olho para o mundo e escrevo sobre ele. Nos dias bons, nada se compara a isto. Mais. No meu trabalho eu faço coisas tão incríveis como ler jornais e ler livros, ver filmes, ouvir músicas, assistir a espetáculos, ir a concertos, falar com pessoas, falar com pessoas interessantes. Conseguem imaginar? Há muito trabalho chato, que há, fazem-se muitos textos de treta e perde-se muito tempo com coisas sem importância, é verdade, e às vezes quase perdemos a cabeça com a incompetência que nos rodeia, mas, de vez em quando, há dias, há momentos, que compensam tudo. O meu trabalho obriga-me a crescer, a descobrir o mundo, a dar atenção a coisas a que nunca teria chegado sozinha. Pode ser a Pina Bausch ou a Miley Cyrus, a sério. Sair da zona de conforto. Absorver. Reflectir. Ver de outra forma. O prazer de me sentar numa sala escura a meio da tarde e ver, em primeira mão, um daqueles espetáculos que nos reviram por dentro. Ou de visitar uma exposição guiada pelas explicações pormenorizadas do seu criador. Ou de acompanhar a rodagem de um filme, que está a nascer ali mesmo, à minha frente. Os nervos antes de uma entrevista com um daqueles artistas que adoro. Ou as longas conversas com algumas daquelas pessoas que fazem mesmo a diferença. Há jornalistas que ganham o dia com uma "cacha". Para mim é isto. A alegria de aprender e de me surpreender. De chegar ao fim de um trabalho um bocadinho mais rica do que quando comecei.
Falta o resto, que é muito, mas enquanto puder continuar a fazer o que faço acho que ainda vale a pena.
Labels: jornalismo
Fazer o que se gosta
Passamos muito tempo a queixar-nos. Esta não foi exactamente a vida escolhemos. O jornalismo (já?) não é tal e qual como o sonhámos. Os jornais funcionam mal. Os jornais são efectivamente maus. E, na maior parte das vezes, chegamos ao fim do dia com aquela sensação de que poderíamos ou deveríamos ter feito muito melhor, de que acabamos por escrever textos irrelevantes ou apenas banais. Que não tivemos tempo suficiente nem espaço bastante para fazer o que queríamos. Ou que não nos deixaram fazer o que queríamos. A frustração é grande. E temos de facto motivos para nos queixarmos.
E, no entanto, sou uma privilegiada. Se quiser ser justa tenho que admiti-lo. Sou uma privilegiada. Faço aquilo que gosto. Olho para o mundo e escrevo sobre ele. Nos dias bons, nada se compara a isto. Mais. No meu trabalho eu faço coisas tão incríveis como ler jornais e ler livros, ver filmes, ouvir músicas, assistir a espetáculos, ir a concertos, falar com pessoas, falar com pessoas interessantes. Conseguem imaginar? Há muito trabalho chato, que há, fazem-se muitos textos de treta e perde-se muito tempo com coisas sem importância, é verdade, e às vezes quase perdemos a cabeça com a incompetência que nos rodeia, mas, de vez em quando, há dias, há momentos, que compensam tudo. O meu trabalho obriga-me a crescer, a descobrir o mundo, a dar atenção a coisas a que nunca teria chegado sozinha. Pode ser a Pina Bausch ou a Miley Cyrus, a sério. Sair da zona de conforto. Absorver. Reflectir. Ver de outra forma. O prazer de me sentar numa sala escura a meio da tarde e ver, em primeira mão, um daqueles espetáculos que nos reviram por dentro. Ou de visitar uma exposição guiada pelas explicações pormenorizadas do seu criador. Ou de acompanhar a rodagem de um filme, que está a nascer ali mesmo, à minha frente. Os nervos antes de uma entrevista com um daqueles artistas que adoro. Ou as longas conversas com algumas daquelas pessoas que fazem mesmo a diferença. Há jornalistas que ganham o dia com uma "cacha". Para mim é isto. A alegria de aprender e de me surpreender. De chegar ao fim de um trabalho um bocadinho mais rica do que quando comecei.
Falta o resto, que é muito, mas enquanto puder continuar a fazer o que faço acho que ainda vale a pena.
Labels: jornalismo
Thursday, October 03, 2013
Wednesday, October 02, 2013
Tuesday, October 01, 2013
Perspectiva
"O ponto de vista ou perspectiva, na teoria cognitiva, é a escolha de um contexto ou referência (ou o resultado desta escolha) de onde se percebe o sentido, a categorização, a medição ou a codificação de uma experiência, tipicamente pela comparação com outra. Pode-se posteriormente reconhecer diversos significados de diferença subtil, como o ponto de vista, o Weltanschauung, o paradigma. A ideia básica que une todos estes significados da palavra perspectiva é o de que a experiência humana é relativizada de acordo com o ponto de vista de onde ela é vivenciada."
(segundo a Wikipedia)
Perspectiva
"O ponto de vista ou perspectiva, na teoria cognitiva, é a escolha de um contexto ou referência (ou o resultado desta escolha) de onde se percebe o sentido, a categorização, a medição ou a codificação de uma experiência, tipicamente pela comparação com outra. Pode-se posteriormente reconhecer diversos significados de diferença subtil, como o ponto de vista, o Weltanschauung, o paradigma. A ideia básica que une todos estes significados da palavra perspectiva é o de que a experiência humana é relativizada de acordo com o ponto de vista de onde ela é vivenciada."
(segundo a Wikipedia)



