Monday, October 24, 2022

O que ficou do Império?

Coisas bonitas a que tenho o privilégio de estar ligada. Já está disponível o terceiro número da revista sonora da Culturgest, "Projeto Invisível", e, mais uma vez, fui falar com pessoas "For Real". Desta vez, o desafio foi maior, porque o tema era mais exigente - impérios e imperialismo, do colonialismo aos dias de hoje. Tive a sorte enorme de encontrar a Patrícia, o Carlos e a Paula com quem tive conversas muito bonitas e enriquecedoras. 


Se quiserem ouvir, vão AQUI.


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Sunday, October 23, 2022

A felicidade nas coisas pequenas (L)

Para ler


Os livros da Jessi Klein, que descobri já não me lembro por recomendação de quem nas redes sociais. A Jessi Klein é uma atriz, stand-up comedian e argumentista norte-americana que escreveu dois livros com pequenos textos onde fala disto de ser mulher, de chegar à meia-idade e de ser mãe, com grande realismo e algum humor. Intitulam-se You'll Grow Out of It (2016)e I'll Show Myself Out: Essays on Midlife and Motherhood (2022) e têm lá muito daquilo em que nós, as mulheres, pensamos, dos cabelos brancos à busca pelo amor. 


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Para ver


Duas sugestões muito diferentes (entre as milhares de coisas que tenho visto no streaming):


Heartstopper (Netflix), uma série sobre adolescentes, que é também uma série sobre pessoas LGBT. Podia ser só mais uma série sobre miúdos num liceu, mas é tão fofinha que conseguiu emocionar uma cota quarentona



Olive Kitteridge (HBO): a partir do livro de Elizabeth Strout, esta minissérie protagonizada por Frances McDormand, Richard Jenkins e Bill Murray acompanha o casamento entre uma rígida professora de matemática e um farmacêutico gentil numa terra perdida em New England, EUA, ao longo de uma vida, por entre obrigações, sonhos e desilusões, filhos que crescem e o lento envelhecimento, com a doença e a morte à espreita. E no meio disto tudo o que é o amor e onde fica a felicidade? E como é que vamos mudando e nos vamos adaptando a todas as mudanças da vida?



Para ouvir


A playlist de outono do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, é ainda melhor do que a playlist que ele tinha feito para o verão. São quatro horas de puro deleite (e melancolia q.b.). Por aqui está em repeat.


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Sunday, October 16, 2022

Ah, então estás "nessa" fase?

Envelhecer é uma grande porcaria mas não há como evitá-lo, não é? Por isso, não adianta fechar os olhos e fingir que não está a acontecer (e deus sabe como eu gosto desta técnica de sobrevivência). Decidi enfrentar a realidade e fazer um artigo sobre a menopausa. Parti para este trabalho sem saber nada, só com esta ideia de que acho que é isto que me está a acontecer, como será com as outras mulheres? Foi um processo muito bom, pelas conversas que tive. Tive muita sorte com as minhas entrevistadas. E, depois, tem sido muito bom receber todas as reacções e mensagens de mulheres que me agradecem por ter falado neste tema, que me contam como se identificaram com as histórias ou que partilham comigo as suas histórias diferentes. Ah, então estás "nessa" fase? Sim, estou, chama-se perimenopausa (nem sabia que esta palavra existia) e é uma grande confusão, uns dias sinto-me um caco, como se já tivesse 90 anos, noutros estou imparável e disposta a tudo para combater a apatia. 


O texto não tem pretensões de dar explicações científicas ou apresentar respostas milagrosas. Mas tem uma mensagem que me parece muito importante, para mim e para toda a gente. Se quiserem ler, está aqui:


"Eu não estou velha e acabada". A menopausa traz calores, peso, irritabilidade mas também uma certeza: "Não é um fim, é uma mudança"


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Wednesday, October 05, 2022

Love me do: a estreia dos Beatles há 60 anos

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Ouvida hoje pode parecer uma musiquinha simples, sem nada de especial. Mas Love me do, o primeiro tema dos Beatles, lançado a 5 de outubro de 1962, é na verdade bastante diferente do que se fazia naquela altura, com a harmónica a lançar o ritmo alegre, que convida o corpo a abanar, com uma letra simples, sim, mas honesta, e um refrão orelhudo e a falar diretamente ao coração dos jovens. Isto sem falar naqueles quatro miúdos de Liverpool, de ar imberbe e cabelos desalinhados, que se apresentaram ao mundo a sorrir e a implorar por amor. Se calhar é preciso ser fã, como eu (neste blog há uma tag Beatles, não sei se sabem), para ver este vídeo e reparar nestas coisas todas e ficar deliciada, ainda agora, 60 anos depois:


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Sunday, October 02, 2022

Emma Thompson somos todas nós

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O filme chama-se Boa sorte, Leo Grande e está nos cinemas. Nem tinha ouvido falar dele, de tão desligada que ando das estreias dos filmes, mas uma amiga desafiou-me, eu perguntei é sobre o quê?, ela respondeu que a Emma Thompson faz de uma mulher que nunca teve um orgasmo e eu disse logo que sim, quero. A Emma Thompson tem 63 anos e ali, naquele quarto de hotel onde se passa quase toda a acção, ela é Nancy Stokes que é, na verdade, a professora Mrs. Robbinson (com todas as imagens que esse nome ecoa em nós). Uma mulher que, como todas as mulheres, cresceu a ser ensinada a ter vergonha do seu corpo, a escondê-lo e a controlá-lo. Porque é isso que as mulheres como deve ser devem fazer. E que, uma vez viúva, percebe que viveu uma vida inteira sem prazer, não é só sem nunca ter tido um orgasmo, é sem ter tido prazer, sem nunca ter experimentado o desejo, sem saber como é deixar-se ir guiada só pelo que o corpo quer, sem pensar. É um filme sobre as mulheres e os seus corpos, sobre o envelhecimento e o tal do aceita-te a ti mesma, sobre isto, em que eu insisto tanto, da necessidade de sermos nós mesmas, sem dar cavaco ao que os outros pensam.


Boa sorte, Leo Grande é realizado por Sophie Hyde, que eu desconhecia, e, além de Emma Thompson, conta com Daryl McCormack, de 29 anos, que é um belo pedaço de mau caminho mas, acreditem, não é (só) por isso que vale a pena ir ver este filme.


Ideal para rir e chorar e depois ficar horas na conversa com uma amiga, de preferência a beber uma óptima sangria de frutos vermelhos. A melhor terapia de sábado à noite.


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