Emma Thompson somos todas nós

O filme chama-se Boa sorte, Leo Grande e está nos cinemas. Nem tinha ouvido falar dele, de tão desligada que ando das estreias dos filmes, mas uma amiga desafiou-me, eu perguntei é sobre o quê?, ela respondeu que a Emma Thompson faz de uma mulher que nunca teve um orgasmo e eu disse logo que sim, quero. A Emma Thompson tem 63 anos e ali, naquele quarto de hotel onde se passa quase toda a acção, ela é Nancy Stokes que é, na verdade, a professora Mrs. Robbinson (com todas as imagens que esse nome ecoa em nós). Uma mulher que, como todas as mulheres, cresceu a ser ensinada a ter vergonha do seu corpo, a escondê-lo e a controlá-lo. Porque é isso que as mulheres como deve ser devem fazer. E que, uma vez viúva, percebe que viveu uma vida inteira sem prazer, não é só sem nunca ter tido um orgasmo, é sem ter tido prazer, sem nunca ter experimentado o desejo, sem saber como é deixar-se ir guiada só pelo que o corpo quer, sem pensar. É um filme sobre as mulheres e os seus corpos, sobre o envelhecimento e o tal do aceita-te a ti mesma, sobre isto, em que eu insisto tanto, da necessidade de sermos nós mesmas, sem dar cavaco ao que os outros pensam.
Boa sorte, Leo Grande é realizado por Sophie Hyde, que eu desconhecia, e, além de Emma Thompson, conta com Daryl McCormack, de 29 anos, que é um belo pedaço de mau caminho mas, acreditem, não é (só) por isso que vale a pena ir ver este filme.
Ideal para rir e chorar e depois ficar horas na conversa com uma amiga, de preferência a beber uma óptima sangria de frutos vermelhos. A melhor terapia de sábado à noite.

1 Comments:
Quero muito ver este filme! Quando vi o trailer fiquei muito bem impressionada. Mas com a Emma Thompson, qual é a novidade.
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