Monday, July 04, 2022

"Um corpo que dança"

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Fui ver Um Corpo que Dança - Ballet Gulbenkian 1965-2005, o filme de Marco Martins, e saí de lá feliz por ter assistido ao documentário e triste por tudo o que ele me pôs a pensar. Mais do que uma história do Ballet Gulbenkian, conta-se um bocadinho da história de Portugal, com maravilhosa recolha de imagens de arquivo e muitas entrevistas (em off). Porque a história do Ballet Gulbenkian é inseparável da história da Fundação, é inseparável da ditadura que silenciou os portugueses durante 48 anos e da guerra que matava jovens no Ultramar e da pobreza e do analfabetismo dominantes, e é também inseparável da Revolução de Abril, da vontade de acabar com as elites e a "cultura burguesa", da história de um país que se abriu ao mundo e se modernizou, e é, por fim, inseparável das histórias e das ideias e dos corpos de todos aqueles que passaram pela companhia. A história do Ballet Gulbenkian é feita de uma tensão permanente entre o poder (que é sempre restritivo) e o corpo (que é, na sua essência, livre). E isso é visível também no modo abrupto como a companhia terminou. 


O documentário, feito "a convite" (foi assim que vi escrito) da Fundação Calouste Gulbenkian, tem uma mensagem, isso é claro em todos os detalhes (incluindo a banda sonora e a montagem, ambas bastante marcadas no filme), mas peca talvez, em alguns momentos, pelo excesso de informação: num só plano podemos ter imagens da época, uma música em fundo que não tem nada ver, alguém a falar em off e legendas informativas para ler. 


Ainda assim, é tudo muito bonito. E fez-me pensar. E trouxe-me tantas memórias. 


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