Sunday, May 08, 2022

Sita

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Fui à ante-estreia do filme Sita - A Vida e o Tempo de Sita Valles, de Margarida Cardoso. Já conhecia a história da Sita porque tinha lido a biografia escrita pela Leonor Figueiredo, mas ainda assim acho que é sempre diferente quando se tem imagens e testemunhos das pessoas que viveram as situações.


Sita Valles, portuguesa de Angola, combateu a ditadura como dirigente estudantil em Lisboa e, depois do 25 de Abril, de regresso a Luanda, foi médica e activista, ligando-se a um grupo de pessoas - mais tarde apelidados de fraccionistas - que questionavam a linha ideológica do MPLA. Acusada de ser uma das cabecilhas da tentativa de golpe de estado de 27 Maio de 77, Sita foi presa e morta, em circunstâncias até hoje desconhecidas. Tinha 26 anos. O seu corpo nunca foi encontrado, nem o do seu marido José Van-Dunem, e o do seu irmão Ademar.


A história aqui é contada com calma. As cartas escritas pela mãe, pelo pai e pela própria Sita são um achado. Pelo que dizem, pela maneira como dizem. As memórias dos amigos que a conheceram estão cheias de detalhes deliciosos. Talvez faltem ali alguns pormenores históricos, algumas explicações que poderiam ser dadas a quem chega ao filme sem conhecer o contexto. É a única coisa que tenho a apontar. Nem sempre os depoimentos recolhidos são suficientemente claros e completos. Mas isso não me impediu de gostar muito do filme. Gostei tanto, emocionei-me até, que quase nem dei pelos 167 minutos de duração. Fascinam-me as histórias dos combates às ditaduras. Fascinam-me sempre as pessoas que lutam pelos seus ideais. Fascina-me também, embora não pelas melhores razões, a maldade humana. É preciso que se contem estas histórias, que se preservem estas memórias - parciais, incompletas, o que seja, são as memórias de quem viveu os acontecimentos e é importante que se partilhem, que não se percam. 


O filme estreia no cinema no dia 12 de maio.


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