Saturday, July 16, 2022

Rescaldo

14MM27.jpg


14MM44.jpg


14MM49.jpg


Fui à procura de histórias por onde o fogo passou esta semana. Foram dois dias como antigamente, sem pressas nem pressões. O resultado está AQUI e AQUI. Os incêndios são uma tragédia, claro. Mas foi um prazer poder voltar a ser repórter. São as contradições do jornalismo.


As fotos (estas e as dos artigos) são do Miguel Mateus.

Labels: ,

Friday, July 08, 2022

E, vocês, já têm o vosso "corpo de praia"?

290829501_5200154216736945_7946157847271640827_n.j 


Esta podia ser eu, hoje, a desesperar com o calor.


Isto é só para lembrar que todes temos "corpo de praia". É o corpo que temos e de mais não precisamos. 


A fotografia é de Robbie McIntosh, street photographer italiano, de Nápoles. Podem ver mais no seu Instagram

Labels: ,

Monday, July 04, 2022

"Andamos adormecidos, como nenúfares"

"(...) Na verdade, e no limite, qualquer um de nós, tentando, pode ser poeta. Qualquer leitor pode escrever e, de certa forma, ao ler reescreve. A escrita é um dos trabalhos feitos à mão que menos meios requer. Ser-se pintor, escultor, músico, fotógrafo ou realizador de cinema requer seguramente muito mais utensílios. Para se ser poeta não é necessário muita coisa: um lápis, um papel, e uma especial capacidade de observação. O restante é linguagem e oficina. “Aprende acerca de pinheiros com pinheiros, e sobre bamboo com bamboo”, escreveu o mestre japonês Matsuo Bashō. Aprende sobre poemas, com poemas, acrescentaria eu.


Lápis, papel e olhar. É certo que simplifico. O problema começa exactamente nessa especial capacidade para observar. A maior parte de nós passa pelo mundo sem verdadeiramente reparar em nada. Sem destapar. Sem pensamento. Andamos adormecidos, como nenúfares. E os nenúfares são tão superficiais…


A poesia é um despertador extraordinário. Quantos de nós saberiam ver como o poeta norte-americano de origem sérvia Charles Simic que uma pedra não é mais do que “um espelho que funciona mal”? Ou que uma vassoura é “uma árvore no pomar dos desfavorecidos”? Ou como o sueco Tomas Tranströmer que lembrou que uma lagoa é “uma janela para o interior da Terra”? Algum de nós já tinha notado como o poeta norte-americano Billy Collins que a foz de um rio é “o sítio onde o rio perde o seu nome para o mar”?


É precisamente para este tipo de coisas que precisamos de poetas. (...)"


Excerto do discurso de João Luís Barreto Guimarães ao aceitar o prémio de Literatura DST

Labels:

"Um corpo que dança"

maxresdefault.jpg


Fui ver Um Corpo que Dança - Ballet Gulbenkian 1965-2005, o filme de Marco Martins, e saí de lá feliz por ter assistido ao documentário e triste por tudo o que ele me pôs a pensar. Mais do que uma história do Ballet Gulbenkian, conta-se um bocadinho da história de Portugal, com maravilhosa recolha de imagens de arquivo e muitas entrevistas (em off). Porque a história do Ballet Gulbenkian é inseparável da história da Fundação, é inseparável da ditadura que silenciou os portugueses durante 48 anos e da guerra que matava jovens no Ultramar e da pobreza e do analfabetismo dominantes, e é também inseparável da Revolução de Abril, da vontade de acabar com as elites e a "cultura burguesa", da história de um país que se abriu ao mundo e se modernizou, e é, por fim, inseparável das histórias e das ideias e dos corpos de todos aqueles que passaram pela companhia. A história do Ballet Gulbenkian é feita de uma tensão permanente entre o poder (que é sempre restritivo) e o corpo (que é, na sua essência, livre). E isso é visível também no modo abrupto como a companhia terminou. 


O documentário, feito "a convite" (foi assim que vi escrito) da Fundação Calouste Gulbenkian, tem uma mensagem, isso é claro em todos os detalhes (incluindo a banda sonora e a montagem, ambas bastante marcadas no filme), mas peca talvez, em alguns momentos, pelo excesso de informação: num só plano podemos ter imagens da época, uma música em fundo que não tem nada ver, alguém a falar em off e legendas informativas para ler. 


Ainda assim, é tudo muito bonito. E fez-me pensar. E trouxe-me tantas memórias. 


Labels: ,

Sunday, July 03, 2022

O espaço vazio

“I can take any empty space and call it a bare stage. A man walks across this empty space, whilst someone else is watching him, and this is all that is needed for an act of theatre to be engaged.” (O Espaço Vazio, 1968)


Peter Brook (1925-2022) foi encenador, realizador, investigador, pensador, desafiador.  Tenho ideia de só ter visto um espectáculo encenado por ele (O Fato, apresentado na Culturgest, em 2002), mas sei bem como influenciou tantos criadores (inclusivamente portugueses) e tanto do teatro que vemos. Como forma de despedida, estive a ler os textos no The Guardian e no Le Monde, dois olhares muito diferentes sobre a sua obra. Também vale a pena ir ver o seu site oficial


Obrigado por tudo, Peter Brook.


39a0e43278bf62e1d00b2cbc5c6bc64af60d9a40.jpg

Labels: