Sunday, January 31, 2016
Da escola que queremos
Pepe Menéndez, diretor adjunto da Fundació Jesuïtes Educació, da Catalunha, em entrevista hoje ao DN, fala da revolução na educação que os jesuítas estão a realizar por lá. Para que saibamos todos que é possível. É possível mudar. É possível fazer melhor. É possível educar melhor. Todos os dias, cada vez mais, tenho a certeza que isto que estamos fazer às nossas crianças lhes está a fazer mal e vai ser muito prejudicial no seu futuro. Porque não tentar fazer diferente?
Leiam, que vale muito a pena.
"(...) A dificuldade essencial era o aborrecimento, a falta de ligação. "Isto não me interessa." A escola é uma obrigação, não é um sítio que me apaixone. Os adolescentes não têm de estar sempre a divertir-se, mas a escola estava a tornar-se uma prisão. Eu ainda fiz o serviço militar obrigatório e digo que a escola obrigatória é igual. Igual! Todos têm de ir porque os pais trabalham, porque a lei obriga, mas o direito à educação não é fechar os miúdos numa escola. É provocar as suas emoções, as suas paixões, potenciar os seus talentos tão diferentes... os talentos dos alunos são muito maiores do que o currículo. Um miúdo ou uma miúda podem pensar - "não presto". Costumo perguntar aos professores onde estão os cantores ou os cozinheiros que um dia vão ser ótimos. E alguns respondem - estão no corredor, foram expulsos.
A mudança está em olhar para as coisas de forma diferente: o que queremos? Nós, jesuítas, dizemos: queremos alunos competentes, compassivos, conscientes, comprometidos e criativos. Que sejam capazes de construir o seu projeto de vida, é esse o centro do nosso projeto educativo. É preciso fazer coisas no colégio para que o aluno se vá construindo, e todos os conhecimentos têm de ser metidos dentro do projeto. Não é: "A minha vida é isto e os meus conhecimentos estão noutro lado." Tenho de integrá-los.
(...) Primeiro houve uma fase de pegar na tesoura e no currículo e começar a cortar. O currículo é excessivo, demasiado grande, mas não podes perder os elementos essenciais, tens de garantir que o aluno os aprende. Juntámos um grupo de professores e dissemos: têm de estabelecer prioridades nos conteúdos do currículo. Esse trabalho durou dois anos. Não foram dois meses, foram dois anos. Porque começam a priorizar e só cortam uma parte, e é preciso reduzir mais. O mais importante é garantir que os alunos aprendem os conteúdos. Precisamos de mais tempo, porque precisamos de uma metodologia muito mais construtivista.
(...) Não há provas finais. Há testes pequenos durante a avaliação, até porque os currículos dizem que tem de haver avaliação contínua. Substituímos a ideia de um exame final escrito pela apresentação e defesa de projetos. Se estive três semanas a trabalhar num projeto em que adquiri algumas competências, em que assimilei alguns conceitos, tenho de ser capaz de defendê-los quando o apresento diante de um professor. O professor faz testes, por exemplo sobre os verbos irregulares de inglês... Há testes de problemas de matemática. O que não há é um exame no fim da avaliação que determina a nota. O boletim que se baseia nas oito competências do currículo nacional - matemática, linguística, âmbito social, aprender a aprender, digital, social e cidadã, trabalho em equipa. Ao aluno, mostramos a avaliação com o símbolo da bateria do telemóvel - quanto mais cheia está a bateria, mais ele conseguiu. E depois há as notas oficiais - os professores traduzam a avaliação em notas.
(...) Porque a mudança mete medo. Sou professor e vejo que não funciona, vejo que se chateiam na aula, mas o que posso fazer diferente? Os sindicatos também têm medo. Isto não afeta as condições laborais mas leva-as ao limite, porque tens de meter muita energia e intensidade. Quando explicamos isto, há gente de outros países que nos diz: foram muito corajosos. Nós temos pequenos conflitos, mas há que liderar. Não com autoritarismo mas com sedução.
A educação é uma arma política, e creio que acontece o mesmo em Portugal, como dizia o professor Joaquim Azevedo há dias no vosso jornal. Um partido conservador muda a lei, vem o outro e muda tudo, e quando o conservador regressa, volta a mudar. Em Espanha tem sido assim, entre os socialistas e o PP. A educação é uma arma política mais no sul da Europa e não no norte. A política procura sempre resultados a curto prazo, e a educação é uma questão de longo prazo. Temos de ser generosos."
Labels: escola
Da escola que queremos
Pepe Menéndez, diretor adjunto da Fundació Jesuïtes Educació, da Catalunha, em entrevista hoje ao DN, fala da revolução na educação que os jesuítas estão a realizar por lá. Para que saibamos todos que é possível. É possível mudar. É possível fazer melhor. É possível educar melhor. Todos os dias, cada vez mais, tenho a certeza que isto que estamos fazer às nossas crianças lhes está a fazer mal e vai ser muito prejudicial no seu futuro. Porque não tentar fazer diferente?
Leiam, que vale muito a pena.
"(...) A dificuldade essencial era o aborrecimento, a falta de ligação. "Isto não me interessa." A escola é uma obrigação, não é um sítio que me apaixone. Os adolescentes não têm de estar sempre a divertir-se, mas a escola estava a tornar-se uma prisão. Eu ainda fiz o serviço militar obrigatório e digo que a escola obrigatória é igual. Igual! Todos têm de ir porque os pais trabalham, porque a lei obriga, mas o direito à educação não é fechar os miúdos numa escola. É provocar as suas emoções, as suas paixões, potenciar os seus talentos tão diferentes... os talentos dos alunos são muito maiores do que o currículo. Um miúdo ou uma miúda podem pensar - "não presto". Costumo perguntar aos professores onde estão os cantores ou os cozinheiros que um dia vão ser ótimos. E alguns respondem - estão no corredor, foram expulsos.
A mudança está em olhar para as coisas de forma diferente: o que queremos? Nós, jesuítas, dizemos: queremos alunos competentes, compassivos, conscientes, comprometidos e criativos. Que sejam capazes de construir o seu projeto de vida, é esse o centro do nosso projeto educativo. É preciso fazer coisas no colégio para que o aluno se vá construindo, e todos os conhecimentos têm de ser metidos dentro do projeto. Não é: "A minha vida é isto e os meus conhecimentos estão noutro lado." Tenho de integrá-los.
(...) Primeiro houve uma fase de pegar na tesoura e no currículo e começar a cortar. O currículo é excessivo, demasiado grande, mas não podes perder os elementos essenciais, tens de garantir que o aluno os aprende. Juntámos um grupo de professores e dissemos: têm de estabelecer prioridades nos conteúdos do currículo. Esse trabalho durou dois anos. Não foram dois meses, foram dois anos. Porque começam a priorizar e só cortam uma parte, e é preciso reduzir mais. O mais importante é garantir que os alunos aprendem os conteúdos. Precisamos de mais tempo, porque precisamos de uma metodologia muito mais construtivista.
(...) Não há provas finais. Há testes pequenos durante a avaliação, até porque os currículos dizem que tem de haver avaliação contínua. Substituímos a ideia de um exame final escrito pela apresentação e defesa de projetos. Se estive três semanas a trabalhar num projeto em que adquiri algumas competências, em que assimilei alguns conceitos, tenho de ser capaz de defendê-los quando o apresento diante de um professor. O professor faz testes, por exemplo sobre os verbos irregulares de inglês... Há testes de problemas de matemática. O que não há é um exame no fim da avaliação que determina a nota. O boletim que se baseia nas oito competências do currículo nacional - matemática, linguística, âmbito social, aprender a aprender, digital, social e cidadã, trabalho em equipa. Ao aluno, mostramos a avaliação com o símbolo da bateria do telemóvel - quanto mais cheia está a bateria, mais ele conseguiu. E depois há as notas oficiais - os professores traduzam a avaliação em notas.
(...) Porque a mudança mete medo. Sou professor e vejo que não funciona, vejo que se chateiam na aula, mas o que posso fazer diferente? Os sindicatos também têm medo. Isto não afeta as condições laborais mas leva-as ao limite, porque tens de meter muita energia e intensidade. Quando explicamos isto, há gente de outros países que nos diz: foram muito corajosos. Nós temos pequenos conflitos, mas há que liderar. Não com autoritarismo mas com sedução.
A educação é uma arma política, e creio que acontece o mesmo em Portugal, como dizia o professor Joaquim Azevedo há dias no vosso jornal. Um partido conservador muda a lei, vem o outro e muda tudo, e quando o conservador regressa, volta a mudar. Em Espanha tem sido assim, entre os socialistas e o PP. A educação é uma arma política mais no sul da Europa e não no norte. A política procura sempre resultados a curto prazo, e a educação é uma questão de longo prazo. Temos de ser generosos."
Labels: escola
Monday, January 25, 2016
Vamos dar a volta ao mundo?
Conheço a Joana embora não a conheça. Nunca nos encontrámos. Entrevistei-a uma vez, por telefone, quando estava a fazer um trabalho sobre pessoas que tinham decidido mudar de país e de vida, indo de armas e bagagens para outras paragens. No caso dela foi Angola. Ela mandou-me umas fotos e fomos mantendo o contacto (coisas boas das novas tecnologias) e até descobrimos que somos vizinhas - ou melhor, seríamos, se ela decidisse "assentar arraiais" em Lisboa. Mas isso nunca aconteceu. A Joana é uma viajante. E agora está de partida para (mais) uma aventura fantástica: durante um ano vai dar a volta ao mundo, com o marido e a filha. Conseguem imaginar? É uma loucura, não é? Mas uma loucura daquelas boas. Quem é que nunca sonhou fazer algo assim?
“Vocês são malucos!”, “Mas com a miúda?”, “Então, mas e os empregos?”, “Despediram-se?”, “Vocês são malucos!”, “Que inveja!”, “Adorava fazer isso”. Estas são, sem grandes diferenças, as reacções da família e dos amigos à notícia que é a sério. Vamos mesmo despedir-nos dos nossos empregos (nesta altura já o fizemos) e viajar à volta do mundo durante os próximos meses de 2016. - escreve a Joana no Hotel Globo, o blogue que criou para contar todos os pormenores da viagem. Com fotos maravilhosas, para que fiquemos ainda com mais inveja. E dicas para quem estiver a pensar fazer alguma coisa deste género. Quem preferir pode acompanhá-los no facebook.
Boa viagem Joana, Francisco e Mia. Obrigado por nos levarem convosco. Obrigado por nos fazerem sonhar.
Vamos dar a volta ao mundo?
Conheço a Joana embora não a conheça. Nunca nos encontrámos. Entrevistei-a uma vez, por telefone, quando estava a fazer um trabalho sobre pessoas que tinham decidido mudar de país e de vida, indo de armas e bagagens para outras paragens. No caso dela foi Angola. Ela mandou-me umas fotos e fomos mantendo o contacto (coisas boas das novas tecnologias) e até descobrimos que somos vizinhas - ou melhor, seríamos, se ela decidisse "assentar arraiais" em Lisboa. Mas isso nunca aconteceu. A Joana é uma viajante. E agora está de partida para (mais) uma aventura fantástica: durante um ano vai dar a volta ao mundo, com o marido e a filha. Conseguem imaginar? É uma loucura, não é? Mas uma loucura daquelas boas. Quem é que nunca sonhou fazer algo assim?
“Vocês são malucos!”, “Mas com a miúda?”, “Então, mas e os empregos?”, “Despediram-se?”, “Vocês são malucos!”, “Que inveja!”, “Adorava fazer isso”. Estas são, sem grandes diferenças, as reacções da família e dos amigos à notícia que é a sério. Vamos mesmo despedir-nos dos nossos empregos (nesta altura já o fizemos) e viajar à volta do mundo durante os próximos meses de 2016. - escreve a Joana no Hotel Globo, o blogue que criou para contar todos os pormenores da viagem. Com fotos maravilhosas, para que fiquemos ainda com mais inveja. E dicas para quem estiver a pensar fazer alguma coisa deste género. Quem preferir pode acompanhá-los no facebook.
Boa viagem Joana, Francisco e Mia. Obrigado por nos levarem convosco. Obrigado por nos fazerem sonhar.
Wednesday, January 20, 2016
Turn on
“The point is,” she continued, “each of us is responsible for our own desire. For being shut down or being turned on. I have asked people in twenty-two countries the same questions, ‘What draws you to your partner?’ And the answers are universal. First, when he’s away, when she comes back, when we are separate and reunite. Second, when I see the other at work, on the stage, surfing, singing; when I see my partner doing something he’s passionate about. And third, when he makes me laugh, when he surprises me, when she dresses differently, when she introduces an element of the unknown.”
Verdades universais, relatadas pela Joanna Godard.
Labels: Amor
Turn on
“The point is,” she continued, “each of us is responsible for our own desire. For being shut down or being turned on. I have asked people in twenty-two countries the same questions, ‘What draws you to your partner?’ And the answers are universal. First, when he’s away, when she comes back, when we are separate and reunite. Second, when I see the other at work, on the stage, surfing, singing; when I see my partner doing something he’s passionate about. And third, when he makes me laugh, when he surprises me, when she dresses differently, when she introduces an element of the unknown.”
Verdades universais, relatadas pela Joanna Godard.
Labels: Amor
Monday, January 18, 2016
Coisas que nós fazemos quando não temos muitos trabalhos de casa
Isto de se tentar fazer programas culturais com os miúdos no tempo que sobra das aulas, dos trabalhos de casa, do estudo, dos treinos, dos jogos e das festas de aniversário (já para não falar dos fins-de-semana em que eu trabalho) não é nada fácil. Ainda assim, lá vamos tentando.
Em outubro, aproveitando o facto de o António estar a estudar o terramoto, fomos ao Lisbon Story Centre. Um dia de chuva, o sporting a jogar no estádio da luz, e nós vestimos os impermeáveis e enfiámo-nos no metro até ao terreiro do paço. A exposição está muito bem feita e acho que as crianças aprenderam algumas coisas (embora aquela parte final com a publicidade ao novo terreiro do paço e à grande movida lisboeta seja um bocadinho despropositada). Subimos ao arco da rua augusta e até comemos gelados e crepes. Não fosse o benfica ter perdido e teria sido uma tarde perfeita.
Este fim-de-semana, aproveitando o facto do António estar a estudar o corpo humano, fomos ver a exposição Real Bodies, na Cordoaria Nacional. É de facto muito impressionante. Saber que o que ali está são corpos verdadeiros e não bonecos faz-nos olhar de maneira muito diferente para tudo aquilo. Claro que as primeiras perguntas dos rapazes foram sobre isso mesmo: como é que eles fizeram isto? quem eram estas pessoas? como é que os corpos estão tão bem conservados? como é que arranjaram estes bebés que ainda não tinham nascido? Passado esse impacto inicial, lá conseguimos ver os corpos por dentro, espantarmo-nos com o tamanho do fígado e deslumbrarmo-nos com a profusão de vasos sanguíneos. Apesar dos avisos, nenhum ficou demasiado impressionado com o que viu - são rapazes e já viram muitos daqueles desenhos animados nojentos no nickelodeon, acho que deve ser isso. Penso que a exposição só vai ficar até ao fim do mês, por isso se quiserem ir, apressem-se.
(agora eu punha aqui uma foto dos pimpolhos na cordoaria mas não sei se já sabem que ganhei uma máquina fotográfica nova no natal e é tudo muito recente e ainda não experimentei passar as fotografias para o computador. lá chegaremos.)
Coisas que nós fazemos quando não temos muitos trabalhos de casa
Isto de se tentar fazer programas culturais com os miúdos no tempo que sobra das aulas, dos trabalhos de casa, do estudo, dos treinos, dos jogos e das festas de aniversário (já para não falar dos fins-de-semana em que eu trabalho) não é nada fácil. Ainda assim, lá vamos tentando.
Em outubro, aproveitando o facto de o António estar a estudar o terramoto, fomos ao Lisbon Story Centre. Um dia de chuva, o sporting a jogar no estádio da luz, e nós vestimos os impermeáveis e enfiámo-nos no metro até ao terreiro do paço. A exposição está muito bem feita e acho que as crianças aprenderam algumas coisas (embora aquela parte final com a publicidade ao novo terreiro do paço e à grande movida lisboeta seja um bocadinho despropositada). Subimos ao arco da rua augusta e até comemos gelados e crepes. Não fosse o benfica ter perdido e teria sido uma tarde perfeita.
Este fim-de-semana, aproveitando o facto do António estar a estudar o corpo humano, fomos ver a exposição Real Bodies, na Cordoaria Nacional. É de facto muito impressionante. Saber que o que ali está são corpos verdadeiros e não bonecos faz-nos olhar de maneira muito diferente para tudo aquilo. Claro que as primeiras perguntas dos rapazes foram sobre isso mesmo: como é que eles fizeram isto? quem eram estas pessoas? como é que os corpos estão tão bem conservados? como é que arranjaram estes bebés que ainda não tinham nascido? Passado esse impacto inicial, lá conseguimos ver os corpos por dentro, espantarmo-nos com o tamanho do fígado e deslumbrarmo-nos com a profusão de vasos sanguíneos. Apesar dos avisos, nenhum ficou demasiado impressionado com o que viu - são rapazes e já viram muitos daqueles desenhos animados nojentos no nickelodeon, acho que deve ser isso. Penso que a exposição só vai ficar até ao fim do mês, por isso se quiserem ir, apressem-se.
(agora eu punha aqui uma foto dos pimpolhos na cordoaria mas não sei se já sabem que ganhei uma máquina fotográfica nova no natal e é tudo muito recente e ainda não experimentei passar as fotografias para o computador. lá chegaremos.)
Bater umas bolas
Naquele dia acordei muito cedo. Tinha um avião para apanhar. Liguei a televisão para ver como estava o ténis - naquela altura, em 2003, eu acompanhava com grande atenção tudo o que se passava no ténis - e vi o princípio do jogo da Kim Clijsters com a Serena Williams. Ia ser renhido. Saí de casa. Fui para o aeroporto. Apanhei o avião. Cheguei a Nantes. Fiz check in no hotel. Deviam ser umas nove da manhã ou pouco mais, lembro-me que era ainda muito cedo. Liguei a televisão. No terceiro set a Clijsters ganhava por 5-1- A Serena defendeu dois match points e acabou por ganhar. Nem queria acreditar. É claro que não dormi nada, fiquei presa à televisão (e bem que precisava de dormir, nesse dia o trabalho prolongou-se pela noite fora...)
Entretanto, a Clijsters mudou de vida e abandonou o ténis profissional em 2012 (mas antes teve o seu momento super-mãe) e a Serena aí está, prestes a disputar mais um open da Austrália e a provar que é uma das melhores tenistas de sempre.
Eu gosto de ténis. Gosto desde o tempo do Agassi e da maluca da Jennifer Capriati, do Pete Sampras e da Steffi Graf. Agora já não tenho tanto tempo, já não consigo ficar acordada até às tantas a ver os jogos e quando estamos em casa os putos nem sempre querem ver ténis, mas ainda vou acompanhando e tenho os meus jogadores favoritos. A nova temporada está a começar. A ver se o Nadal ou o Djokovic me vão dar alguma alegria.
Bater umas bolas
Naquele dia acordei muito cedo. Tinha um avião para apanhar. Liguei a televisão para ver como estava o ténis - naquela altura, em 2003, eu acompanhava com grande atenção tudo o que se passava no ténis - e vi o princípio do jogo da Kim Clijsters com a Serena Williams. Ia ser renhido. Saí de casa. Fui para o aeroporto. Apanhei o avião. Cheguei a Nantes. Fiz check in no hotel. Deviam ser umas nove da manhã ou pouco mais, lembro-me que era ainda muito cedo. Liguei a televisão. No terceiro set a Clijsters ganhava por 5-1- A Serena defendeu dois match points e acabou por ganhar. Nem queria acreditar. É claro que não dormi nada, fiquei presa à televisão (e bem que precisava de dormir, nesse dia o trabalho prolongou-se pela noite fora...)
Entretanto, a Clijsters mudou de vida e abandonou o ténis profissional em 2012 (mas antes teve o seu momento super-mãe) e a Serena aí está, prestes a disputar mais um open da Austrália e a provar que é uma das melhores tenistas de sempre.
Eu gosto de ténis. Gosto desde o tempo do Agassi e da maluca da Jennifer Capriati, do Pete Sampras e da Steffi Graf. Agora já não tenho tanto tempo, já não consigo ficar acordada até às tantas a ver os jogos e quando estamos em casa os putos nem sempre querem ver ténis, mas ainda vou acompanhando e tenho os meus jogadores favoritos. A nova temporada está a começar. A ver se o Nadal ou o Djokovic me vão dar alguma alegria.
Sunday, January 17, 2016
Uma pilha de pratos
Deixei os miúdos numa festa de anos e fui num instantinho ao teatro. Queria muito ver a Maria Rueff no António e Maria. Das outras vezes que o espectáculo esteve em cena não consegui ir e desta vez não podia mesmo deixar passar. São textos do António Lobo Antunes, costurados pelo Rui Cardoso Martins e encenados pelo Miguel Seabra. Tudo muito bem embrulhado e num dos meus sítios preferidos, o Teatro Meridional. Chovia na rua mas lá dentro estava-se como em casa, com o cheiro do café, a sala cheia, as mantas nas pernas, e um espetáculo tão bom, tão tocante, tão simples e ao mesmo tempo não tão simples assim. Conhecia aquelas pessoas todas. A Celina, voar, Celina, voar. A mulher que vê o marido a morrer na esplanada, não morras agora que está toda a gente a olhar. "Acordei mas não me digam nada que até às 11 da manhã tenho um feitio de cão." Mulheres sofridas, envelhecidas, entristecidas, usadas por homens, revoltadas com os homens, conformadas, sozinhas. Lembrava-me daquelas palavras - "A vida é uma pilha de pratos a caírem no chão" - e daquelas pessoas, do livros de crónicas e da Exortação aos Crocodilos, não sei se de mais algum livro, mas destes seguramente. Uma hora e pouco e o bem que me fez.
Vão ver, vão ver. O espetáculo fica em cena só até 7 de fevereiro e é preciso reservar os bilhetes com antecedência para garantirem que têm lugar.
"A minha sede de amor é inexcedível mas não vou sair por aí com uma caneca na mão."
Uma pilha de pratos
Deixei os miúdos numa festa de anos e fui num instantinho ao teatro. Queria muito ver a Maria Rueff no António e Maria. Das outras vezes que o espectáculo esteve em cena não consegui ir e desta vez não podia mesmo deixar passar. São textos do António Lobo Antunes, costurados pelo Rui Cardoso Martins e encenados pelo Miguel Seabra. Tudo muito bem embrulhado e num dos meus sítios preferidos, o Teatro Meridional. Chovia na rua mas lá dentro estava-se como em casa, com o cheiro do café, a sala cheia, as mantas nas pernas, e um espetáculo tão bom, tão tocante, tão simples e ao mesmo tempo não tão simples assim. Conhecia aquelas pessoas todas. A Celina, voar, Celina, voar. A mulher que vê o marido a morrer na esplanada, não morras agora que está toda a gente a olhar. "Acordei mas não me digam nada que até às 11 da manhã tenho um feitio de cão." Mulheres sofridas, envelhecidas, entristecidas, usadas por homens, revoltadas com os homens, conformadas, sozinhas. Lembrava-me daquelas palavras - "A vida é uma pilha de pratos a caírem no chão" - e daquelas pessoas, do livros de crónicas e da Exortação aos Crocodilos, não sei se de mais algum livro, mas destes seguramente. Uma hora e pouco e o bem que me fez.
Vão ver, vão ver. O espetáculo fica em cena só até 7 de fevereiro e é preciso reservar os bilhetes com antecedência para garantirem que têm lugar.
"A minha sede de amor é inexcedível mas não vou sair por aí com uma caneca na mão."
Wednesday, January 13, 2016
Pequenas coisas
"Little things we do together", de Stephen Sondheim para o musical Company, 1970 (aqui com o elenco de Londres, 1972)
JOANNE:
It's the little things you do together,
Do together,
Do together,
That make perfect relationships.
The hobbies you pursue together,
Savings you accrue together,
Looks you misconstrue together,
That make marriage a joy.
M-hm...
It's the little things you share together,
Swear together,
Wear together,
That make perfect relationships.
The concerts you enjoy together,
Neighbors you annoy together,
Children you destroy together,
That keep marriage intact.
It's not so hard to be married
When two manoeuver as one.
It's not so hard to be married,
And, Jesus Christ, is it fun!
It's sharing little winks together,
Drinks together,
Kinks together,
That make marriage a joy.
The bargains that you shop together,
Cigarettes you stop together,
Clothing that you swap together,
That make perfect relationships.
Uh-huh...
M-hm...
FRIENDS:
It's not talk of God and the decade ahead that
Allows you to get through the worst.
It's "I do" and "you don't" and "nobody said that"
And "who brought the subject up first?"
It's the little things,
The little things, the little things, the little things.
The little ways you try together,
Cry together,
Lie together,
That make perfect relationships.
Becoming a cliche together,
Growing old and grey together,
Withering away together,
That make marriage a joy.
It's not so hard to be married,
It's much the simplest of crimes.
It's not so hard to be married--
JOANNE:
I've done it three or four times.
FRIENDS:
It's the people that you hate together,
Bait together,
Date together,
That make marriage a joy.
It's things like using force together,
Shouting till you're hoarse together,
Getting a divorce together,
That make perfect relationships.
Uh-huh...
Kiss-kiss...
M-hm...
Labels: música
Pequenas coisas
"Little things we do together", de Stephen Sondheim para o musical Company, 1970 (aqui com o elenco de Londres, 1972)
JOANNE:
It's the little things you do together,
Do together,
Do together,
That make perfect relationships.
The hobbies you pursue together,
Savings you accrue together,
Looks you misconstrue together,
That make marriage a joy.
M-hm...
It's the little things you share together,
Swear together,
Wear together,
That make perfect relationships.
The concerts you enjoy together,
Neighbors you annoy together,
Children you destroy together,
That keep marriage intact.
It's not so hard to be married
When two manoeuver as one.
It's not so hard to be married,
And, Jesus Christ, is it fun!
It's sharing little winks together,
Drinks together,
Kinks together,
That make marriage a joy.
The bargains that you shop together,
Cigarettes you stop together,
Clothing that you swap together,
That make perfect relationships.
Uh-huh...
M-hm...
FRIENDS:
It's not talk of God and the decade ahead that
Allows you to get through the worst.
It's "I do" and "you don't" and "nobody said that"
And "who brought the subject up first?"
It's the little things,
The little things, the little things, the little things.
The little ways you try together,
Cry together,
Lie together,
That make perfect relationships.
Becoming a cliche together,
Growing old and grey together,
Withering away together,
That make marriage a joy.
It's not so hard to be married,
It's much the simplest of crimes.
It's not so hard to be married--
JOANNE:
I've done it three or four times.
FRIENDS:
It's the people that you hate together,
Bait together,
Date together,
That make marriage a joy.
It's things like using force together,
Shouting till you're hoarse together,
Getting a divorce together,
That make perfect relationships.
Uh-huh...
Kiss-kiss...
M-hm...
Labels: música
Tuesday, January 12, 2016
Já passaram 20 anos
Foi em 1996. Há vinte anos terminei o curso. Há vinte anos comecei a trabalhar. Há vinte anos cheguei ao Diário de Notícias. Esta fotografia foi tirada há vinte anos e está aqui só para contrariar aquelas pessoas que me encontram na rua e gostam de dizer oh pá, estás nas mesma. Não, não estou. E isso é bom. Também é mau, mas é bom.
Labels: envelhecer, memórias
Já passaram 20 anos
Foi em 1996. Há vinte anos terminei o curso. Há vinte anos comecei a trabalhar. Há vinte anos cheguei ao Diário de Notícias. Esta fotografia foi tirada há vinte anos e está aqui só para contrariar aquelas pessoas que me encontram na rua e gostam de dizer oh pá, estás nas mesma. Não, não estou. E isso é bom. Também é mau, mas é bom.
Labels: envelhecer, memórias
Monday, January 11, 2016
Just for one day
passei o dia com o David Bowie. dancei pela casa com modern love. fiquei sentada no carro à espera dos miúdos com life on mars. voltei à pista dos meus 40 com let's dance. tive vontade de mudar o mundo (ou pelo menos mudar a minha vida) com rebel rebel. encarnei seu jorge na versão alternativa de starman. recordei canções que há muito não ouvia, descobri outras que não conhecia. há que dizer que eu não sou assim grande conhecedora, só conheço aquelas músicas que toda a gente conhece. e só essas são tantas. changes. dancing in the street. oh pretty things. ziggy stardust. suffragate city. space oddity. china girl. absolute begginers. ashes to ashes. e mais umas quantas. mas o Bowie é muito mais do que as suas músicas. já o admirava mas quis saber mais. passei o dia a ler textos sobre ele, a descobrir curiosidades sobre a sua infância, a ver entrevistas antigas. os videoclipes. a vê-lo a dançar. a envelhecer. a rever aquele lazarus que me tinha impressionado logo e que agora ganha todo um novo sentido. a pensar nisto da doença e da morte e de como é que se pode enfrentá-la. isso de se saber que se vai morrer não deve ser lá muito bom, comentou o antónio quando, a caminho do treino, ouvindo a antena 3, lhes falei do David Bowie e de como tinha sido um músico importante. isso de se saber que se vai morrer e fazer um disco de despedida, sem dizer a ninguém, mas que é elogiado por todos, e depois morrer serenamente num dia frio de inverno, não é para todos, é mesmo só para pessoas especiais. no final do dia, ouço esta, em repeat. heroes. e é como se estivesse outra vez na faculdade e fôssemos dançar para um daqueles bares que dantes havia numas caves apertadas do bairro alto. e eu que nessa altura só bebia água, água a noite inteira, e dançava como se não houvesse amanhã, de olhos fechados que é a melhor maneira de dançar. dançávamos e acreditávamos. we can be heroes. o Bowie morreu e é como se tivesse morrido um de nós.
e ainda:
um texto para saber mais sobre a sua carreira
coisas que devemos contar aos nossos filhos sobre David Bowie - por exemplo, que nunca nos devemos conformar com o que temos e que um homem que sabe dançar é sempre atraente
este texto para pensar
e esta fotografia, a última, publicada na página ofical de Bowie no dia do seu aniversário, no passado dia 8 de janeiro:
Just for one day
passei o dia com o David Bowie. dancei pela casa com modern love. fiquei sentada no carro à espera dos miúdos com life on mars. voltei à pista dos meus 40 com let's dance. tive vontade de mudar o mundo (ou pelo menos mudar a minha vida) com rebel rebel. encarnei seu jorge na versão alternativa de starman. recordei canções que há muito não ouvia, descobri outras que não conhecia. há que dizer que eu não sou assim grande conhecedora, só conheço aquelas músicas que toda a gente conhece. e só essas são tantas. changes. dancing in the street. oh pretty things. ziggy stardust. suffragate city. space oddity. china girl. absolute begginers. ashes to ashes. e mais umas quantas. mas o Bowie é muito mais do que as suas músicas. já o admirava mas quis saber mais. passei o dia a ler textos sobre ele, a descobrir curiosidades sobre a sua infância, a ver entrevistas antigas. os videoclipes. a vê-lo a dançar. a envelhecer. a rever aquele lazarus que me tinha impressionado logo e que agora ganha todo um novo sentido. a pensar nisto da doença e da morte e de como é que se pode enfrentá-la. isso de se saber que se vai morrer não deve ser lá muito bom, comentou o antónio quando, a caminho do treino, ouvindo a antena 3, lhes falei do David Bowie e de como tinha sido um músico importante. isso de se saber que se vai morrer e fazer um disco de despedida, sem dizer a ninguém, mas que é elogiado por todos, e depois morrer serenamente num dia frio de inverno, não é para todos, é mesmo só para pessoas especiais. no final do dia, ouço esta, em repeat. heroes. e é como se estivesse outra vez na faculdade e fôssemos dançar para um daqueles bares que dantes havia numas caves apertadas do bairro alto. e eu que nessa altura só bebia água, água a noite inteira, e dançava como se não houvesse amanhã, de olhos fechados que é a melhor maneira de dançar. dançávamos e acreditávamos. we can be heroes. o Bowie morreu e é como se tivesse morrido um de nós.
e ainda:
um texto para saber mais sobre a sua carreira
coisas que devemos contar aos nossos filhos sobre David Bowie - por exemplo, que nunca nos devemos conformar com o que temos e que um homem que sabe dançar é sempre atraente
este texto para pensar
e esta fotografia, a última, publicada na página ofical de Bowie no dia do seu aniversário, no passado dia 8 de janeiro:
Wednesday, January 06, 2016
Tirar a barriga de misérias (outra vez)
Acho que vou transformar isto numa tradição de natal: enquanto as crianças estão de férias, vejo todos os filmes que encontrar por aí, no cinema, na televisão, na internet. Tenho visto tantos filmes, mais antigos e mais recentes, que acho que nem consigo lembrar-me de todos. Dos que estão a ser falados para os Óscares e assim, para além do Mad Max, vi estes:
- A Rapariga Dinamarquesa, de Tom Hooper - a história real é absolutamente fascinante e penso que o filme não consegue captar tudo o que a vida daquelas pessoas foi. O final é apressado (a partir da decisão da cirurgia tudo é muito apressado, aliás) e a última cena era dispensável. Ainda assim, o Eddie Redmayne faz um belo papel e a Alicia Vikander está perfeita naquela mulher forte e luminosa.
- Creed, o Legado de Rocky, de Ryan Coogler - surpreendentemente bom. Grande Sylvester Stallone como um pugilista reformado a braços com a idade e a doença. E as cenas de luta não são assim tantas, o que para mim é bom.
- A Ponte dos Espiões, de Steven Spielberg - passa-se na guerra fria e tem espiões, o que são só pontos a favor. De resto, é uma história bem contada, como o Spielberg sabe fazer. Com lamechices e americanices q.b. E o Tom Hanks a fazer de Tom Hanks, para não variar.
- The Revenant, de Alejandro G. Iñarritu - depois do Birdman, confesso que não estava com grande vontade de voltar ao Iñarritu mas ainda bem que o fiz. É mesmo um grande filme e o Leonardo Di Caprio sai completamente do seu registo. Poucas palavras, muita neve. Alguma espiritualidade mas sem exageros (não tenho muita paciência para o blá blá blá existencial do Iñarritu).
- Carol, de Todd Haynes - tão bom, tão bonito, tão vamos acreditar que o amor é possível, sem pressas, sem loucuras. Com Cate Blanchett e Rooney Mara, lindas cada uma no seu estilo (ainda assim para me apaixonar acho que preferia a Vikander).
Ainda me faltam uns quantos e agora voltei a ficar sem tempo mas acho que já devo conseguir manter uma conversa mais ou menos normal sobre cinema sem falar só dos Mínimos ou da Missão Impossível...
Labels: cinema
Tirar a barriga de misérias (outra vez)
Acho que vou transformar isto numa tradição de natal: enquanto as crianças estão de férias, vejo todos os filmes que encontrar por aí, no cinema, na televisão, na internet. Tenho visto tantos filmes, mais antigos e mais recentes, que acho que nem consigo lembrar-me de todos. Dos que estão a ser falados para os Óscares e assim, para além do Mad Max, vi estes:
- A Rapariga Dinamarquesa, de Tom Hooper - a história real é absolutamente fascinante e penso que o filme não consegue captar tudo o que a vida daquelas pessoas foi. O final é apressado (a partir da decisão da cirurgia tudo é muito apressado, aliás) e a última cena era dispensável. Ainda assim, o Eddie Redmayne faz um belo papel e a Alicia Vikander está perfeita naquela mulher forte e luminosa.
- Creed, o Legado de Rocky, de Ryan Coogler - surpreendentemente bom. Grande Sylvester Stallone como um pugilista reformado a braços com a idade e a doença. E as cenas de luta não são assim tantas, o que para mim é bom.
- A Ponte dos Espiões, de Steven Spielberg - passa-se na guerra fria e tem espiões, o que são só pontos a favor. De resto, é uma história bem contada, como o Spielberg sabe fazer. Com lamechices e americanices q.b. E o Tom Hanks a fazer de Tom Hanks, para não variar.
- The Revenant, de Alejandro G. Iñarritu - depois do Birdman, confesso que não estava com grande vontade de voltar ao Iñarritu mas ainda bem que o fiz. É mesmo um grande filme e o Leonardo Di Caprio sai completamente do seu registo. Poucas palavras, muita neve. Alguma espiritualidade mas sem exageros (não tenho muita paciência para o blá blá blá existencial do Iñarritu).
- Carol, de Todd Haynes - tão bom, tão bonito, tão vamos acreditar que o amor é possível, sem pressas, sem loucuras. Com Cate Blanchett e Rooney Mara, lindas cada uma no seu estilo (ainda assim para me apaixonar acho que preferia a Vikander).
Ainda me faltam uns quantos e agora voltei a ficar sem tempo mas acho que já devo conseguir manter uma conversa mais ou menos normal sobre cinema sem falar só dos Mínimos ou da Missão Impossível...
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Monday, January 04, 2016
Home
Os rapazes voltaram para casa. Abraçámo-nos tanto. Lanchámos torradas enquanto víamos o filme do Ronaldo. O Pedro montou o comboio no corredor. Arrumaram as mochilas para a escola. Cortei o dedo a fazer o jantar e acabei por não fazer a sopa. Na falta das minhas avós, aprendi com as senhoras brasileiras do youtube a fazer ponto meia. O António não conseguia dormir e pôs-se ao meu lado no sofá, embrulhado numa manta, a ajudar-me a contar as malhas. E a conversarmos sobre angústias várias. Lá consegui construir um pequeno gorro de bebé. Os acabamentos estão péssimos, vou ter de fazer outro se quero oferecê-lo à bebé-amiga que aí vem. O António conseguiu dormir, finalmente. Já pus o despertador. Vai ser difícil acordar cedo amanhã. E no entanto esta sensação de que tudo está no lugar certo.
Labels: felicidade, Filhos, Vida
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Os rapazes voltaram para casa. Abraçámo-nos tanto. Lanchámos torradas enquanto víamos o filme do Ronaldo. O Pedro montou o comboio no corredor. Arrumaram as mochilas para a escola. Cortei o dedo a fazer o jantar e acabei por não fazer a sopa. Na falta das minhas avós, aprendi com as senhoras brasileiras do youtube a fazer ponto meia. O António não conseguia dormir e pôs-se ao meu lado no sofá, embrulhado numa manta, a ajudar-me a contar as malhas. E a conversarmos sobre angústias várias. Lá consegui construir um pequeno gorro de bebé. Os acabamentos estão péssimos, vou ter de fazer outro se quero oferecê-lo à bebé-amiga que aí vem. O António conseguiu dormir, finalmente. Já pus o despertador. Vai ser difícil acordar cedo amanhã. E no entanto esta sensação de que tudo está no lugar certo.
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