Tuesday, December 31, 2013
Mãe de rapazes (IV)
Um desafio dos grandes: ir à depilação.
O que é isso, mãe?
Lá expliquei (quase) tudo o que ia fazer mas avisei-os que isto era uma coisa de crescidos e por isso teriam de ficar na sala de espera, a jogar com as nintendos. O António lançou um "já percebi, precisas de privacidade, tudo bem". O Pedro, claro, garantiu logo ali "eu vou contigo".
Fui salva por uma amiga, como de costume. Eles ficaram entretidos a brincar com os amigos deles enquanto eu fui num instantinho pôr-me bonita (dentro do possível, né?).
Quase pronta para entrar no novo ano.
Mãe de rapazes (IV)
Um desafio dos grandes: ir à depilação.
O que é isso, mãe?
Lá expliquei (quase) tudo o que ia fazer mas avisei-os que isto era uma coisa de crescidos e por isso teriam de ficar na sala de espera, a jogar com as nintendos. O António lançou um "já percebi, precisas de privacidade, tudo bem". O Pedro, claro, garantiu logo ali "eu vou contigo".
Fui salva por uma amiga, como de costume. Eles ficaram entretidos a brincar com os amigos deles enquanto eu fui num instantinho pôr-me bonita (dentro do possível, né?).
Quase pronta para entrar no novo ano.
Monday, December 30, 2013
Um ano na montanha russa
Reduzido assim a palavras soltas até pode parecer que este foi um ano mau. E não foi. Foi um ano de decisões e de mudanças. E as mudanças, mesmo quando são desejadas e inevitáveis, complicam-nos a vida. Este foi um ano complicado e de muitas adaptações (para mim e para os miúdos). Mas. 2012 tinha sido um ano de desesperança, este foi o ano de acreditar. 2012 tinha sido um ano para cuidar dos outros, este ano decidi cuidar de mim. Olhar para mim. Foi tempo de avançar. E é verdade que nem sempre as coisas correm como nós imaginamos. Continuo a supreender-me com a capacidade que algumas pessoas têm para mentir e agredir os outros. Houve momentos muito dolorosos, sim. Mas. Também foi o ano em que aprendemos a viver e a ser felizes a três. Em que me aproximei ou reaproximei de algumas pessoas muito queridas. Em que, mais uma vez, pude confirmar que tenho alguns amigos mesmo especiais (só por me aturarem já seriam uns santos, mas fazem muito mais do que isso). E em que aconteceram muitas coisas boas. Mesmo. Fui muito feliz neste 2013. Muito mais do que poderia sequer sonhar há doze meses. Os momentos felizes valem sempre a pena, aconteça o que acontecer. E as boas memórias ficam para sempre. Por isso. Este não foi um ano mau. 2012 tinha sido um ano mau. Este foi o ano de seguir em frente. Uma e outra vez. E continuar sorrindo.
Chegar ao final deste ano é como chegar ao fim de uma viagem na montanha russa. Um frio na barriga, as pernas a tremer, mas uma vontade louca de dar mais uma voltinha. Bora lá, 2014?
Um ano na montanha russa
Reduzido assim a palavras soltas até pode parecer que este foi um ano mau. E não foi. Foi um ano de decisões e de mudanças. E as mudanças, mesmo quando são desejadas e inevitáveis, complicam-nos a vida. Este foi um ano complicado e de muitas adaptações (para mim e para os miúdos). Mas. 2012 tinha sido um ano de desesperança, este foi o ano de acreditar. 2012 tinha sido um ano para cuidar dos outros, este ano decidi cuidar de mim. Olhar para mim. Foi tempo de avançar. E é verdade que nem sempre as coisas correm como nós imaginamos. Continuo a supreender-me com a capacidade que algumas pessoas têm para mentir e agredir os outros. Houve momentos muito dolorosos, sim. Mas. Também foi o ano em que aprendemos a viver e a ser felizes a três. Em que me aproximei ou reaproximei de algumas pessoas muito queridas. Em que, mais uma vez, pude confirmar que tenho alguns amigos mesmo especiais (só por me aturarem já seriam uns santos, mas fazem muito mais do que isso). E em que aconteceram muitas coisas boas. Mesmo. Fui muito feliz neste 2013. Muito mais do que poderia sequer sonhar há doze meses. Os momentos felizes valem sempre a pena, aconteça o que acontecer. E as boas memórias ficam para sempre. Por isso. Este não foi um ano mau. 2012 tinha sido um ano mau. Este foi o ano de seguir em frente. Uma e outra vez. E continuar sorrindo.
Chegar ao final deste ano é como chegar ao fim de uma viagem na montanha russa. Um frio na barriga, as pernas a tremer, mas uma vontade louca de dar mais uma voltinha. Bora lá, 2014?
Sunday, December 29, 2013
13 palavras de 2013
Eu
Sozinha Borboletas Acreditar
Gajo Filhos Divórcio
Desamigar Lágrimas Psicoterapia
Tatuagem Amigos Abraços
Labels: Vida
13 palavras de 2013
Eu
Sozinha Borboletas Acreditar
Gajo Filhos Divórcio
Desamigar Lágrimas Psicoterapia
Tatuagem Amigos Abraços
Labels: Vida
Saturday, December 28, 2013
Por entre os pingos da chuva
Por entre os pingos da chuva
Friday, December 27, 2013
Em suspenso
Aquele momento em que mandamos uma mensagem no facebook e vemos aparecer o sinal de "lido" e relemos a mensagem "com" o outro e imaginamos o que o outro estará a pensar e esperamos a resposta.
Labels: vidinha
Em suspenso
Aquele momento em que mandamos uma mensagem no facebook e vemos aparecer o sinal de "lido" e relemos a mensagem "com" o outro e imaginamos o que o outro estará a pensar e esperamos a resposta.
Labels: vidinha
Thursday, December 26, 2013
O natal é isto
Voltar a casa, que não é a nossa casa mas é. Os miúdos felizes a correr pela rua, ou de bicicleta, a brincar com os primos dias inteiros, a partilharem segredos, às escondidas pela casa, jogar matraquilhos (o António cada vez melhor, eu sempre a perder), quando é que vemos as prendas?, o Pedro com a boca suja de mousse de chocolate, todos juntos no sofá a ver o circo, com os avós dos primos que também são avós, o barulho, tanto barulho, pintar os desenhos feitos pelo tio, pedir um doce ao avô, já podemos ver as prendas?, perguntar à tia se fez sonhos, ficar com as mãos sujas de açúcar, os meus filhos a falar com sotaque alentejano, a fazerem birras que também faz parte, as receitas de sempre, copos de vinho entre gargalhadas, o momento em que nos lembramos com saudade da nossa avó, barulho, muito barulho, e música e cantigas, desembrulhar os presentes, a alegria estampada naquelas caras, outra vez comida, eles a pedirem para ficarmos mais um dia, voltar para a casa que é nossa, os miúdos, estourados, dormindo a viagem toda.
E a felicidade de pode fazer isto, mais ou menos da mesma maneira, todos os anos.
O natal é isto
Voltar a casa, que não é a nossa casa mas é. Os miúdos felizes a correr pela rua, ou de bicicleta, a brincar com os primos dias inteiros, a partilharem segredos, às escondidas pela casa, jogar matraquilhos (o António cada vez melhor, eu sempre a perder), quando é que vemos as prendas?, o Pedro com a boca suja de mousse de chocolate, todos juntos no sofá a ver o circo, com os avós dos primos que também são avós, o barulho, tanto barulho, pintar os desenhos feitos pelo tio, pedir um doce ao avô, já podemos ver as prendas?, perguntar à tia se fez sonhos, ficar com as mãos sujas de açúcar, os meus filhos a falar com sotaque alentejano, a fazerem birras que também faz parte, as receitas de sempre, copos de vinho entre gargalhadas, o momento em que nos lembramos com saudade da nossa avó, barulho, muito barulho, e música e cantigas, desembrulhar os presentes, a alegria estampada naquelas caras, outra vez comida, eles a pedirem para ficarmos mais um dia, voltar para a casa que é nossa, os miúdos, estourados, dormindo a viagem toda.
E a felicidade de pode fazer isto, mais ou menos da mesma maneira, todos os anos.
Wednesday, December 25, 2013
Tuesday, December 24, 2013
Véspera
Está vento. E chuva. E frio. Está-se bem em casa. No quentinho, a ver as luzes da árvore, os miúdos a espiolharem os embrulhos e a tentarem descobrir o que são os presentes, o forno ligado na cozinha, os bolos na mesa, os telefonemas dos amigos. Estamos cá todos. Feliz natal.
Labels: Natal
Véspera
Está vento. E chuva. E frio. Está-se bem em casa. No quentinho, a ver as luzes da árvore, os miúdos a espiolharem os embrulhos e a tentarem descobrir o que são os presentes, o forno ligado na cozinha, os bolos na mesa, os telefonemas dos amigos. Estamos cá todos. Feliz natal.
Labels: Natal
Monday, December 23, 2013
Sunday, December 22, 2013
Saturday, December 21, 2013
Canções de amor e só amor
Mas o que eu queria mesmo era ter alguém a cantar-me coisas destas (sim, sou pirosa, o que se há de fazer).
Loves all of you
Love your curves and all your edges
All your perfect imperfections
Give your all to me
I'll give my all to you
You're my end and my beginning
Even when I lose I'm winning
'Cause I give you all, all of me
And you give me all, all of you, oh"
Labels: música
Canções de amor e só amor
Mas o que eu queria mesmo era ter alguém a cantar-me coisas destas (sim, sou pirosa, o que se há de fazer).
Loves all of you
Love your curves and all your edges
All your perfect imperfections
Give your all to me
I'll give my all to you
You're my end and my beginning
Even when I lose I'm winning
'Cause I give you all, all of me
And you give me all, all of you, oh"
Labels: música
Canções de amor e desamor
'Mala', de Devendra Banhart. Este foi, muito provavelmente, o disco (o disco todo, mesmo) que mais ouvi este ano. Está tudo explicado no jornal de hoje.
Labels: jornalismo, música
Canções de amor e desamor
'Mala', de Devendra Banhart. Este foi, muito provavelmente, o disco (o disco todo, mesmo) que mais ouvi este ano. Está tudo explicado no jornal de hoje.
Labels: jornalismo, música
Friday, December 20, 2013
Isto não é um babyblog
Um amigo chamou-me a atenção para o facto de os leitores deste blog poderem estar um pouco confusos por eu intercalar posts sobre miúdos com posts sobre homens, a blondie a seguir ao galo gordo, o coelhinho branco antes do brad pitt. Eu ri-me. Confusos porquê? Como se uma pessoa só por ser mãe deixasse de apreciar os abdominais do ryan gosling.
O meu blog é como a minha vida. De manhã faço biscoitos com as crianças, à noite posso ir beber um gin com um gajo giro (ou pelo menos sonhar com isso).
Labels: blog
Isto não é um babyblog
Um amigo chamou-me a atenção para o facto de os leitores deste blog poderem estar um pouco confusos por eu intercalar posts sobre miúdos com posts sobre homens, a blondie a seguir ao galo gordo, o coelhinho branco antes do brad pitt. Eu ri-me. Confusos porquê? Como se uma pessoa só por ser mãe deixasse de apreciar os abdominais do ryan gosling.
O meu blog é como a minha vida. De manhã faço biscoitos com as crianças, à noite posso ir beber um gin com um gajo giro (ou pelo menos sonhar com isso).
Labels: blog
Thursday, December 19, 2013
Wednesday, December 18, 2013
O Galo Gordo
Este é um daqueles projectos que acompanho quase desde o início, desde o primeiro livro/disco, 'Canta o Galo Gordo', que foi lançado em 2008. Depois veio 'A Casa Sincronizada' e, no ano passado, 'Este Dia Vale a Pena'. O Gonçalo (que faz as músicas) e a Inês (que escreve as letras) põem todo o cuidado na criação destes objectos, que além disso ainda têm as ilustrações da Cristina Sampaio. Entre as canções, há umas que são mais fáceis e entram logo no ouvido das crianças ("subir às montanhas, apanhar frio no nariz, gritar não me apanhas, ser o rei do meu país"), e há outras que são mais complicadas e exigem alguma atenção. Mas esse é também o objectivo deles. Pôr os miúdos a ouvir música que não seja enlatada nem simplificada. Dar-lhes a ouvir sons e ritmos diferentes e poemas que nem sempre rimam. O Galo Gordo também tem concertos - os próximos são nos dias 21, 22 e 28, no Teatro Aberto, em Lisboa, e nós vamos tentar ir.
O Galo Gordo
Este é um daqueles projectos que acompanho quase desde o início, desde o primeiro livro/disco, 'Canta o Galo Gordo', que foi lançado em 2008. Depois veio 'A Casa Sincronizada' e, no ano passado, 'Este Dia Vale a Pena'. O Gonçalo (que faz as músicas) e a Inês (que escreve as letras) põem todo o cuidado na criação destes objectos, que além disso ainda têm as ilustrações da Cristina Sampaio. Entre as canções, há umas que são mais fáceis e entram logo no ouvido das crianças ("subir às montanhas, apanhar frio no nariz, gritar não me apanhas, ser o rei do meu país"), e há outras que são mais complicadas e exigem alguma atenção. Mas esse é também o objectivo deles. Pôr os miúdos a ouvir música que não seja enlatada nem simplificada. Dar-lhes a ouvir sons e ritmos diferentes e poemas que nem sempre rimam. O Galo Gordo também tem concertos - os próximos são nos dias 21, 22 e 28, no Teatro Aberto, em Lisboa, e nós vamos tentar ir.
Tuesday, December 17, 2013
O Brad Pitt tem 50 anos e eu também já não me estou a sentir lá muito bem
O Brad Pitt faz 50 anos. O Brad Pitt é lindo, lindo, lindo. É lindo de cabelo curto e de cabelo comprido. É lindo com a barba feita, com barba curta e com barba longa. É lindo a comer cachorros e a mascar pastilhas (o Brad Pitt come muito nos filmes). É lindo arranjadinho como Mr. Smith e desarranjadinho como no 'Clube de Combate'. É lindo a fazer de maluco como em '12 Macacos', a fazer de polícia bom em 'Sete Pecados Mortais', a fazer de pai complicado em 'A Árvore da Vida', a fazer de totó em 'Destruir Depois de Ler' e até a fazer de vampiro (e só não é lindo a fazer de velhinho naquela estopada que é o caso do benjamin button porque acho que aí era mesmo impossível). O Brad Pitt é lindo vestido à hippie com os filhos todos a tiracolo e é lindo quando põe o smoking e desfila na passadeira vermelha ao lado da boazona da Angelina. E até quando é assim um bocadinho piroso continua a ser um bocadinho lindo. O Brad Pitt tem um sorriso que é qualquer coisa, entortado, de maroto. E tem uma cara de bebé a quem apetece dar colinho mas ao mesmo tempo aquele ar de homem a quem apetece dar outras coisas (o que não é nada o caso do Leonardo Di Caprio, que só tem cara de bebé e pronto, tadinho). Também não percebo como é que alguém pode achar que o George Clooney é mais lindo do que o Brad Pitt. O George tem charme, que tem, é um sedutor à la James Bond. Mas não é lindo. Não tem aquele corpo nem aqueles olhos nem nada daquilo que o Brad lindo tem, ok? E além de ser lindo o Brad Pitt é bom actor, digo eu, com a objectividade que me é possível. Não conheço nenhum actor vivo que seja mais bonito do que o Brad Pitt. Podem dizer-me que é uma escolha geracional e se calhar é. Se calhar há montes de miúdos de 20 anos lindos de morrer a entrarem em filmes que eu não vejo. Não quero saber. Assim de repente para fazer concorrência ao Brad Pitt só me ocorre o Ryan Gosling.
O Brad Pitt tem 50 anos. E até já tem pêlos brancos na barba. E, apesar de ele ser lindo, isso é um bocadinho deprimente, não sei se me compreendem.
Aqui está ele, como o conheci, em 1991, em 'Thelma & Louise"
O Brad Pitt tem 50 anos e eu também já não me estou a sentir lá muito bem
O Brad Pitt faz 50 anos. O Brad Pitt é lindo, lindo, lindo. É lindo de cabelo curto e de cabelo comprido. É lindo com a barba feita, com barba curta e com barba longa. É lindo a comer cachorros e a mascar pastilhas (o Brad Pitt come muito nos filmes). É lindo arranjadinho como Mr. Smith e desarranjadinho como no 'Clube de Combate'. É lindo a fazer de maluco como em '12 Macacos', a fazer de polícia bom em 'Sete Pecados Mortais', a fazer de pai complicado em 'A Árvore da Vida', a fazer de totó em 'Destruir Depois de Ler' e até a fazer de vampiro (e só não é lindo a fazer de velhinho naquela estopada que é o caso do benjamin button porque acho que aí era mesmo impossível). O Brad Pitt é lindo vestido à hippie com os filhos todos a tiracolo e é lindo quando põe o smoking e desfila na passadeira vermelha ao lado da boazona da Angelina. E até quando é assim um bocadinho piroso continua a ser um bocadinho lindo. O Brad Pitt tem um sorriso que é qualquer coisa, entortado, de maroto. E tem uma cara de bebé a quem apetece dar colinho mas ao mesmo tempo aquele ar de homem a quem apetece dar outras coisas (o que não é nada o caso do Leonardo Di Caprio, que só tem cara de bebé e pronto, tadinho). Também não percebo como é que alguém pode achar que o George Clooney é mais lindo do que o Brad Pitt. O George tem charme, que tem, é um sedutor à la James Bond. Mas não é lindo. Não tem aquele corpo nem aqueles olhos nem nada daquilo que o Brad lindo tem, ok? E além de ser lindo o Brad Pitt é bom actor, digo eu, com a objectividade que me é possível. Não conheço nenhum actor vivo que seja mais bonito do que o Brad Pitt. Podem dizer-me que é uma escolha geracional e se calhar é. Se calhar há montes de miúdos de 20 anos lindos de morrer a entrarem em filmes que eu não vejo. Não quero saber. Assim de repente para fazer concorrência ao Brad Pitt só me ocorre o Ryan Gosling.
O Brad Pitt tem 50 anos. E até já tem pêlos brancos na barba. E, apesar de ele ser lindo, isso é um bocadinho deprimente, não sei se me compreendem.
Aqui está ele, como o conheci, em 1991, em 'Thelma & Louise"
Monday, December 16, 2013
Os livros dos meus filhos - o que eu aprendi até agora
Não me lembro de me lerem histórias quando eu era pequena. Pode ter acontecido, quando eu era mesmo mesmo mesmo pequenina, mas não me lembro. Porém, sempre houve muitos livros lá em casa, livros para todas as idades e de todos os géneros, e sempre lemos muito, desde miúdas. O meu pai lê bastante, aprendemos com ele a gostar de livros, de comprar livros, de ter livros, de ler. Gostamos de ler ainda hoje. É preciso dizer isto porque, hoje em dia, parece-me que os pais sentem que ler livros aos filhos é uma obrigação tão importante quanto dar-lhes comida ou cortar-lhes as unhas. E não é. Pensam "tenho que lhes ler livros para eles crescerem e gostarem de ler". Mas não é assim que funciona. Há outros caminhos. E há outros factores a ter em conta. Ler livros aos filhos é só uma coisa entre muitas coisas que podemos fazer com eles.
Dito isto, tenho que dizer que leio livros aos meus filhos desde muito cedo, desde antes de eles saberem sequer falar. Porque não sei contar histórias sem ser a ler. Porque, como todos os outros pais, queria que eles se habituassem a mexer em livros e aprendessem a gostar de ler. E porque me dá jeito. Temos uma vida muito agitada e encontrámos no momento de ler um (ou mais) livro antes de dormir o nosso momento de acalmar ao fim do dia, de nos aconchegarmos uns nos outros e partilharmos uma história. Depois tornou-se uma rotina. Passaram a ser eles a pedir. A gostar daquele momento e a ter o prazer das histórias.
Uma coisa que uma mãe aprende quando começa a ler livros às crianças é que há muitos livros que são muito maus. Mesmo. Mal escritos. Com histórias sem sentido. Sem graça. É muito difícil encontrar bons livros para crianças. Podemos ir ler as descrições das editoras, mas uma coisa é aquilo que a editora diz sobre o livro (sempre maravilhas), outra coisa é aquilo que o livro efectivamente é. O melhor mesmo é ir às livrarias, procurar os livros, folheá-los e, de preferência, lê-los antes de os comprar (raramente o fiz mas muitas vezes me arrependi de não o ter feito, há livros que parecem tão bonitos e depois...). Também ajuda ir ver a opinião de pessoas que saibam do que estão a falar, como por exemplo a Sílvia, a Carla ou a Rita.
Depois, é bom perceber que livros é que cada miúda gosta. Há uns que gostam mais de dinossauros, outros de histórias de príncipes, há os que preferem livros com aviões, outros com lobos maus. E outra coisa que temos que aprender rapidamente é que existe uma diferença enorme entre os livros que nós lhes queremos ler e os livros de que eles na verdade gostam. Há livros extraordinários, lindos, maravilhosos, de autores famosíssimos, e, depois, pode acontecer os miúdos pegarem neles e não lhes acharem piada ou não perceberem ou lerem uma vez e não quererem mais. Pode acontecer. É preciso não desistir. Não ceder à tentação de lhes dar só as porcarias que eles querem. Mas é preciso ceder de vez em quando. Fazer uma negociação. Hoje lemos este que tu escolheste, amanhã vamos ler este que eu escolhi. E depois tentarmos seduzi-los com as nossas leituras. Muitas vezes resulta. Outras vezes não.
Nós, cá em casa, vamos lendo. Umas vezes mais, outra vezes menos. Umas vezes umas coisas mesmo giras, outras vezes uns livrinhos sem ponta por onde se lhe pegue que eles insistem em ler todas as noites. Umas vezes com mais entusiasmo, outras vezes obrigado (o mais velho, claro, que já está noutra fase). Mas vamos lendo e isso já é alguma coisa. (Espero eu)
Os livros dos meus filhos - o que eu aprendi até agora
Não me lembro de me lerem histórias quando eu era pequena. Pode ter acontecido, quando eu era mesmo mesmo mesmo pequenina, mas não me lembro. Porém, sempre houve muitos livros lá em casa, livros para todas as idades e de todos os géneros, e sempre lemos muito, desde miúdas. O meu pai lê bastante, aprendemos com ele a gostar de livros, de comprar livros, de ter livros, de ler. Gostamos de ler ainda hoje. É preciso dizer isto porque, hoje em dia, parece-me que os pais sentem que ler livros aos filhos é uma obrigação tão importante quanto dar-lhes comida ou cortar-lhes as unhas. E não é. Pensam "tenho que lhes ler livros para eles crescerem e gostarem de ler". Mas não é assim que funciona. Há outros caminhos. E há outros factores a ter em conta. Ler livros aos filhos é só uma coisa entre muitas coisas que podemos fazer com eles.
Dito isto, tenho que dizer que leio livros aos meus filhos desde muito cedo, desde antes de eles saberem sequer falar. Porque não sei contar histórias sem ser a ler. Porque, como todos os outros pais, queria que eles se habituassem a mexer em livros e aprendessem a gostar de ler. E porque me dá jeito. Temos uma vida muito agitada e encontrámos no momento de ler um (ou mais) livro antes de dormir o nosso momento de acalmar ao fim do dia, de nos aconchegarmos uns nos outros e partilharmos uma história. Depois tornou-se uma rotina. Passaram a ser eles a pedir. A gostar daquele momento e a ter o prazer das histórias.
Uma coisa que uma mãe aprende quando começa a ler livros às crianças é que há muitos livros que são muito maus. Mesmo. Mal escritos. Com histórias sem sentido. Sem graça. É muito difícil encontrar bons livros para crianças. Podemos ir ler as descrições das editoras, mas uma coisa é aquilo que a editora diz sobre o livro (sempre maravilhas), outra coisa é aquilo que o livro efectivamente é. O melhor mesmo é ir às livrarias, procurar os livros, folheá-los e, de preferência, lê-los antes de os comprar (raramente o fiz mas muitas vezes me arrependi de não o ter feito, há livros que parecem tão bonitos e depois...). Também ajuda ir ver a opinião de pessoas que saibam do que estão a falar, como por exemplo a Sílvia, a Carla ou a Rita.
Depois, é bom perceber que livros é que cada miúda gosta. Há uns que gostam mais de dinossauros, outros de histórias de príncipes, há os que preferem livros com aviões, outros com lobos maus. E outra coisa que temos que aprender rapidamente é que existe uma diferença enorme entre os livros que nós lhes queremos ler e os livros de que eles na verdade gostam. Há livros extraordinários, lindos, maravilhosos, de autores famosíssimos, e, depois, pode acontecer os miúdos pegarem neles e não lhes acharem piada ou não perceberem ou lerem uma vez e não quererem mais. Pode acontecer. É preciso não desistir. Não ceder à tentação de lhes dar só as porcarias que eles querem. Mas é preciso ceder de vez em quando. Fazer uma negociação. Hoje lemos este que tu escolheste, amanhã vamos ler este que eu escolhi. E depois tentarmos seduzi-los com as nossas leituras. Muitas vezes resulta. Outras vezes não.
Nós, cá em casa, vamos lendo. Umas vezes mais, outra vezes menos. Umas vezes umas coisas mesmo giras, outras vezes uns livrinhos sem ponta por onde se lhe pegue que eles insistem em ler todas as noites. Umas vezes com mais entusiasmo, outras vezes obrigado (o mais velho, claro, que já está noutra fase). Mas vamos lendo e isso já é alguma coisa. (Espero eu)
10 livros dos meus filhos
A Cecília desafiou-me a fazer uma lista de 10 livros que leio às minhas crianças. Lembrei-me imediatamente destes, que estão entre os preferidos deles (até aos 5 anos) e meus (o que também é importante). Alguns deles estão certamente entre os que lemos mais vezes, muitas vezes, até sabermos as histórias e as palavras de cor.
A lagartinha muito comilona, de Eric Carle (Kalandraka)
Pê de pai, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho (Planeta Tangerina)
O coelhinho branco, de Xosé Ballesteros e Óscar Villán (Kalandraka)
O ganso do charco, de Caroline Jayne Church (Livros Horizonte)
O nabo gigante, de Alexis Tolstoi e Niamh Sharkey (Livros Horizonte)
A que sabe a lua?, de Michael Grejniec (Kalandraka)
Catatuas, de Quentin Blake (Caminho)
Para onde vamos quando desaparecemos?, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso (Planeta Tangerina)
Amélia quer um cão, de Tim Bowley e André Neves (Kalandraka)
Uma baleia no quarto, de João Miguel Tavares e Ricardo Cabral (Esfera dos Livros)
10 livros dos meus filhos
A Cecília desafiou-me a fazer uma lista de 10 livros que leio às minhas crianças. Lembrei-me imediatamente destes, que estão entre os preferidos deles (até aos 5 anos) e meus (o que também é importante). Alguns deles estão certamente entre os que lemos mais vezes, muitas vezes, até sabermos as histórias e as palavras de cor.
A lagartinha muito comilona, de Eric Carle (Kalandraka)
Pê de pai, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho (Planeta Tangerina)
O coelhinho branco, de Xosé Ballesteros e Óscar Villán (Kalandraka)
O ganso do charco, de Caroline Jayne Church (Livros Horizonte)
O nabo gigante, de Alexis Tolstoi e Niamh Sharkey (Livros Horizonte)
A que sabe a lua?, de Michael Grejniec (Kalandraka)
Catatuas, de Quentin Blake (Caminho)
Para onde vamos quando desaparecemos?, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso (Planeta Tangerina)
Amélia quer um cão, de Tim Bowley e André Neves (Kalandraka)
Uma baleia no quarto, de João Miguel Tavares e Ricardo Cabral (Esfera dos Livros)
Coisas bonitas
Coisas bonitas
Friday, December 13, 2013
Para quem precisa de razões
Aqui estão sete. Sete razões para não oferecer um i-pad às crianças neste natal.
Na sequência do que já tinha falado aqui e aqui e provavelmente em mais sítios, porque este é um assunto que me é caro.
Labels: Filhos, tecnologia
Para quem precisa de razões
Aqui estão sete. Sete razões para não oferecer um i-pad às crianças neste natal.
Na sequência do que já tinha falado aqui e aqui e provavelmente em mais sítios, porque este é um assunto que me é caro.
Labels: Filhos, tecnologia
Para onde vamos quando desaparecemos?
O livro 'Para onde vamos quando desaparecemos?', de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, foi eleito como um dos dez melhores livros para crianças, pela revista Time Out Londres. O livro foi publicado em 2011 pela Planeta Tangerina e chegou ao mercado britânico pela editora Tate Publishing. A distinção vale o que vale. Para mim vale como pretexto para falar de um livro muito bom, muito bonito, que aborda um tema bastante complicado de uma forma simples, bela e adequada às crianças. Um achado.
Labels: Livros
Para onde vamos quando desaparecemos?
O livro 'Para onde vamos quando desaparecemos?', de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, foi eleito como um dos dez melhores livros para crianças, pela revista Time Out Londres. O livro foi publicado em 2011 pela Planeta Tangerina e chegou ao mercado britânico pela editora Tate Publishing. A distinção vale o que vale. Para mim vale como pretexto para falar de um livro muito bom, muito bonito, que aborda um tema bastante complicado de uma forma simples, bela e adequada às crianças. Um achado.
Labels: Livros
Thursday, December 12, 2013
Da cozinha para o coração
Não conheci ninguém que cozinhasse melhor do que a minha avó. Guardo com carinho os sabores das sopas, das feijoadas, das açordas, do pombo estufado com cebola, dos pastéis de bacalhau, da caldeirada, da cabidela, das lulas guisadas, das lulas recheadas, dos imensos molhos onde eu encharcava o pão para depois me lambuzar toda. Aprendi com ela alguns dos truques que ainda uso na cozinha. Aprendi a fazer refogados lentos e cheirosos. Aprendi com ela que é difícil e chato ter que cozinhar todos os dias e pensar em pratos diferentes para fazer ao almoço e ao jantar e ainda é mais difícil (se não mesmo impossível) agradar a todos. Devia ter aprendido mais mas a adolescência é uma idade lixada e achamos que cozinhar não é importante e depois quando percebemos o quão erradas estávamos pode já ser tarde demais.
Com a minha mãe ganhei o gosto pelos bolos e doces. Comecei pelas tarefas mais básicas. Segurar a taça enquanto ela batia a massa, que naquele tempo as batedeiras não vinham com taça anexa. Untar a forma. Bater as claras em castelo. Pelar a amêndoa (e queimar as pontas dos dedos na água a escaldar). Aprendi o que é o banho-maria. O segredo do ponto de açúcar. A dificuldade dos ovos moles. Muito cedo eu e a minha irmã tornámo-nos especialistas em sobremesas. O bolo de fécula de batata que era o bolo de aniversário das nossas festas. O bolo S. Jorge do aniversário do pai. O bolo de maçã e nozes para o pequeno-almoço. A bavaroise de ananás, receita da tia São. Não há mousse de chocolate como a mousse lá de casa, que era a receita da nossa vizinha do lado, mousse da Mariazinha, como está escrito no livro de receitas doces, escritas à mão, da minha mãe, e que ainda hoje nos serve de guia para algumas delícias.
A nossa cozinha tinha uma mesa comprida onde cabíamos todos. E tinha uma despensa que era um mundo à parte. Mas podia também falar da cozinha da minha irmã. Com o sol a entrar pelas janelas com vista para as oliveiras. Um frigorífico sempre cheio. Onde se preparam os almoços da família. Onde passamos a véspera de natal em azáfama culinária. Porque a cozinha para mim é isto, uma confusão de memórias, cheiros, sabores, o calor do forno e os encontros de família.
Há dias em que a minha cozinha também é assim. Não são muitos. Mas há. Nesses dias, mesmo sendo poucos à mesa, a minha cozinha fica cheia de comida e risos e amor.
Da cozinha para o coração
Não conheci ninguém que cozinhasse melhor do que a minha avó. Guardo com carinho os sabores das sopas, das feijoadas, das açordas, do pombo estufado com cebola, dos pastéis de bacalhau, da caldeirada, da cabidela, das lulas guisadas, das lulas recheadas, dos imensos molhos onde eu encharcava o pão para depois me lambuzar toda. Aprendi com ela alguns dos truques que ainda uso na cozinha. Aprendi a fazer refogados lentos e cheirosos. Aprendi com ela que é difícil e chato ter que cozinhar todos os dias e pensar em pratos diferentes para fazer ao almoço e ao jantar e ainda é mais difícil (se não mesmo impossível) agradar a todos. Devia ter aprendido mais mas a adolescência é uma idade lixada e achamos que cozinhar não é importante e depois quando percebemos o quão erradas estávamos pode já ser tarde demais.
Com a minha mãe ganhei o gosto pelos bolos e doces. Comecei pelas tarefas mais básicas. Segurar a taça enquanto ela batia a massa, que naquele tempo as batedeiras não vinham com taça anexa. Untar a forma. Bater as claras em castelo. Pelar a amêndoa (e queimar as pontas dos dedos na água a escaldar). Aprendi o que é o banho-maria. O segredo do ponto de açúcar. A dificuldade dos ovos moles. Muito cedo eu e a minha irmã tornámo-nos especialistas em sobremesas. O bolo de fécula de batata que era o bolo de aniversário das nossas festas. O bolo S. Jorge do aniversário do pai. O bolo de maçã e nozes para o pequeno-almoço. A bavaroise de ananás, receita da tia São. Não há mousse de chocolate como a mousse lá de casa, que era a receita da nossa vizinha do lado, mousse da Mariazinha, como está escrito no livro de receitas doces, escritas à mão, da minha mãe, e que ainda hoje nos serve de guia para algumas delícias.
A nossa cozinha tinha uma mesa comprida onde cabíamos todos. E tinha uma despensa que era um mundo à parte. Mas podia também falar da cozinha da minha irmã. Com o sol a entrar pelas janelas com vista para as oliveiras. Um frigorífico sempre cheio. Onde se preparam os almoços da família. Onde passamos a véspera de natal em azáfama culinária. Porque a cozinha para mim é isto, uma confusão de memórias, cheiros, sabores, o calor do forno e os encontros de família.
Há dias em que a minha cozinha também é assim. Não são muitos. Mas há. Nesses dias, mesmo sendo poucos à mesa, a minha cozinha fica cheia de comida e risos e amor.
A felicidade nas coisas pequenas (XIV)
Cozinhar.
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