Tuesday, September 09, 2025

Lviv: a guerra ali tão perto

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Queres ir?
Quero.


O meu trabalho, com todos os seus defeitos e problemas, com todas as desilusões e tristezas, continua a dar-me momentos de grande alegria. Ter oportunidade de sair daqui, de conhecer sítios novos, de falar com pessoas diferentes, de ir, ver, ouvir, experimentar, é mesmo uma das melhores coisas do mundo. O mundo é tão grande e há tanto para descobrir. Quando me perguntam se estou diponível para uma viagem, respondo sempre que sim, seja para perto ou para longe, seja qual for o tema do trabalho, digo que sim e depois logo vejo como é que isto se encaixa na minha vida.


Foi assim que fui parar a Lviv, na Ucrânia.


Vim das férias diretamente para a viagem. Saí de casa no dia 2 de setembro, terça-feira, antes das 7:00 da manhã e voltei esta noite, cheguei a casa já depois da meia-noite. Uma semana inteira fora. Viagens cansativas, de avião e de autocarro, muitas horas de autocarro, um autocarro que esteve muito tempo parado na fronteira, para sair e depois para entrar na União Europeia. O programa era intenso. E, sobre esse programa, ainda tive que acrescentar as horas de trabalho - entrevistas realizadas nos momentos de pausa, textos escritos pela noite dentro, a roubar horas ao sono, às refeições e ao descanso. É sempre assim quando vamos para fora, sem horários, a dar tudo. Estou exausta, o meu cérebro está enevoado, não sei como é que vou conseguir enfrentar os dias que tenho pela frente e todas as coisas que tenho para fazer, mas valeu bem a pena é o que posso dizer. 


Lviv é uma cidade muito bonita e senti-me sempre bastante segura, apesar da guerra. Na noite antes de chegarmos, quando estávamos em Cracóvia, na Polónia, toda a Ucrânia esteve sob alerta e a região de Lviv foi atacada. Durante a nossa estadia, houve dois alertas que nos obrigaram a ir para o abrigo, mas nada aconteceu. Ouvir as sirenes da cidade a tocar e receber a mensagem de alerta no telemóvel é um bocadinho assustador, há que reconhecer, mas depressa percebemos que - pelo menos destas vezes - não havia nada a temer. O recolher obrigatório é da meia-noite às 5:00 da manhã, mas até essa hora a população faz a sua vida normal, no centro os restaurantes e os bares estão abertos, as esplanadas movimentadas. Foi muito interessante ver como as pessoas continuam a fazer o seu dia-a-dia, apesar de todos os constrangimentos.


Mas a guerra está sempre presente, mesmo quando não há ataques. Há funerais de militares praticamente todos os dias, toda a gente tem familiares e amigos a combater na linha da frente, é comum nas ruas encontrar feridos de guerra. Em todas as conversas, a guerra. Falei com alguns jovens ucranianos e é claro que foi muito comovente. São miúdos, da idade dos meus filhos, e vivem há mais de três anos em guerra, alguns passaram por situações realmente dramáticas. Como não ficar a pensar nisto?


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O alerta de ataque aéreo é acompanhado pelo som de uma sirente e uma voz que grita "Attention! Attention!"


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O cemitério onde estão sepultados mais de 1.200 militares de Lviv, mortos na guerra desde 2022


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Vários monumentos estão protegidos por causa dos ataques aéreos. Aqui, os vitrais da catedral tapados


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Por todo o lado, nos jardins e nas igrejas, há memoriais que homenageiam as vítimas da guerra


Se quiserem perceber melhor o que fui lá fazer, podem procurar os seis textos que escrevi para a CNN Portugal sobre o (ou à volta do) encontro de jovens portugueses e ucranianos em Lviv: o primeiro é uma antecipação do programa, o último é uma espécie de balanço, pelo meio há outras histórias. Foi tudo escrito a quente e em contra-relógio, mas espero que gostem.

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1 Comments:

Anonymous Inês said...

Que coragem!
Muitos parabéns pelo trabalho!

1:37 PM  

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