"Os Espíritos de Inisherin"

"Os Espíritos de Inisherin", de Martin McDonagh, é um filme sobre a amizade. Mais precisamente, sobre a amizade entre dois homens - estava a pensar se isto seria relevante, se fossem mulheres seria diferente?, não tenho uma resposta definitiva mas tenho tendência para achar que sim, que há ali qualquer coisa de não-dito que é muito típico da amizade dos homens, mas talvez seja só eu a estereotipar e a generalizar. Também é um filme sobre a solidão - e isto, sim, é relevante, porque em princípio quando temos amigos sentimo-nos menos sozinhos. A solidão de uma mulher que vive numa ilha e não tem um único amigo. A solidão de um rapaz que sente que ninguém o compreende. A solidão das pessoas que precisam das vidas e das histórias dos outros para se ocuparem. A solidão de um homem cujo melhor amigo decide, de um dia para o outro, que já não gosta dele e, assim, ele fica sem companheiro de conversas e de passeios, com quem se sentar a beber uma cerveja, alguém que o ouça, mesmo que o que ele tenha para dizer não tenha interesse nenhum (o que, até ver, é a melhor definição de amigo). A solidão de um outro homem que percebe que talvez já não viva muito tempo e decide que não quer perder tempo com pessoas que não lhe interessam, que quer ter mais tempo para si e para a sua solidão. O resto é paisagem - literalmente. O filme passa-se numa ilha da Irlanda, de extensas planícies e enormes pedregulhos, rodeada por um mar pouco convidativo. Uma paisagem bonita mas agreste.

Óptimos diálogos. Boas interpretações de Colin Farrell, Brandon Gleeson, Kerry Condon e Barry Kehogan. Gostei muito e não achei um aborrecimento, como alguns me avisaram que seria.
Labels: cinema

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