E daqui para a frente?
O trabalho da Comissão Independente que investigou os abusos sexuais de menores na igreja católica portuguesa é importantíssimo. Aquelas pessoas fizeram um trabalho difícil com grande seriedade e apresentaram resultados concretos num prazo curto: um relatório feito sem papas na língua nem meios termos, doa a quem doer (e imagino que doa muito aos muitos bons católicos, que os há). Um trabalho necessário para que se tente, quando possível e na medida do possível, reparar as vítimas, punir os culpados e, também muito importante, evitar que os abusos continuem. Para que nos possamos encarar uns aos outros, enquando comunidade, independentemente da nossa religião, porque, não se iludam, o problema é de todos nós, dos que permitiram, dos que sabiam e não disseram nada, dos que fingiam que não sabiam, dos que preferiram não saber, dos que deram palmadinhas nos ombros, dos que olharam para o outro lado, dos que disseram "cala-te, não inventes", o problema é de todos nós, que durante tanto tempo, em tantas situações, e ainda hoje, quantas vezes, desculpamos e protegemos agressores, violadores, abusadores.
É ler o texto do meu amigo João Miguel, com quem nem sempre concordo, mas que desta vez diz tudo o que penso.
É impossível ouvir ou ler aqueles testemunhos sem nos revoltarmos por dentro. Alguém se questionava ao meu lado: mas era mesmo necessário sabermos estes pormenores todos? Acredito que sim. Que se fossem só números, só descrições vagas, as pessoas não iriam dar tanta importância, iriam ouvir e esquecer. Às vezes é mesmo preciso um murro no estômago. Um acordar para a realidade. Se nos sentimos desconfortáveis com aqueles testemunhos é porque eles estão a cumprir a sua função. É porque a coragem que aquelas pessoas tiveram para falar não foi em vão.
A partir de agora, ninguém pode dizer que não sabe.
Resta saber o que vamos fazer com isto.
Labels: religião

1 Comments:
Infelizmente, na minha modesta opinião, vai ficar tudo "em águas de bacalhau"....
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