"Elvis": I can't help falling in love with you
Andei a adiar ver o Elvis. Porquê? Porque eu sempre gostei muito do Elvis Presley, sempre tive um fascínio por aquele miúdo de sorriso maroto e movimentos atrevidos que pôs as miúdas a gritarem de excitação, tornou-se uma estrela e acabou gordo e decadente a cantar para senhoras ricas com colares de pérolas e casacos de peles nos casinos de Las Vegas. Toda a história dele é fascinante. E olhem que quando eu comecei a gostar do Elvis e tinha a cara dele em postais colados na parede do quarto não havia internet e não era assim tão fácil saber os pormenores destas histórias, era preciso ir apanhando umas coisas aqui e outras ali, as imagens de Elvis a cortar o cabelo mil vezes repetidas sempre que se falava dele na televisão, os filmes pirosos que passavam nas matinés de domingo na RTP, as fotografias do casamento com a Priscilla nas revistas de fofocas, as ancas apenas imaginadas no Ed Sullivan Show, as ancas em todo o seu esplendor no Jailhouse Rock , o Elvis dengoso a cantar com colares de flores hawaianos ao pescoço. Aquela voz, mesmo nos últimos tempos, aquela voz poderosa.
Andei a adiar ver o Elvis porque quando se gosta assim de uma figura na adolescência não há filme nenhum que lhe possa fazer justiça, isso eu já sabia. Mas, agora que já vi, posso dizer-vos que não é assim tão mau quanto eu imaginei. Temos que admitir que Austin Butler faz um bom trabalho, percebe-se que investiu muito para que as suas ancas não mentissem. Também gostei do facto de o filme explorar todo o background cultural, sobretudo a relação de Elvis com a música negra. E não deixa de ser interessante que o filme seja contado do ponto de vista do agente, o "coronel Parker", que, para mim, era uma figura praticamente desconhecida. Por outro lado, parece-me imperdoável que três das cenas mais importantes - o concerto de 4 de julho, a gravação do especial de natal e o despedimento de Parker - sejam quase completamente inventadas. Eu sei, eu sei, aquilo é um filme, tem as suas próprias regras e é só inspirado na realidade, há que apimentar as coisas e o essencial é não fugir ao espírito original dos factos. Mas, ainda assim, custa-me. E, depois, pronto, é o Baz Luhrmann a realizar e dá para sentir aquele cheirinho de Moulin Rouge, aquele excesso de luzes e de cores, de glamour nas roupas e teatralidade nas cenas. E, o que francamente mais me custa, todo o tom de tragédia anunciada, como se a vida de Elvis tivesse ficado decidida no momento do nascimento (e da morte do irmão gémeo), com aquela irritante voz off de um Tom Hanks em overacting e over-caracterização, a estafada comparação com os ilusionistas do circo, a vida dos artistas é sempre uma mentira e blá blá blá. Hmmmmm. Não é tão mau como pensei que seria mas não fiquei satisfeita. Acabei o filme e fui para o YouTube ver o real Elvis para me confortar. Só por isso já valeu a pena.
Em 1956, com 21 anos:
Em 1977, pouco antes de morrer aos 42 anos:

1 Comments:
Olá A Gata Christie, tem toda a lógica o encanto de uma Gata por um Gato como o Elvis! Esta descrição, (e visto ser uma biografia, é impossível fazer spoiler ) despertou a curiosidade desta cotovia (que como não é um gato não tem perigo ser curiosa...) para ver o filme. Já tinha pensado se valeria a pena ver? Pois aqui está a resposta, obrigada pela sugestão! Boa semana! 🐦
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