Monday, January 31, 2022

Ir para fora de pé

Nas últimas duas semanas, por uma daquelas coincidências de agenda que não conseguimos controlar, fui atropelada por um camião de trabalho que me obrigou a dormir algumas noites fora de casa, noutras a chegar à cama muito tarde, a fazer muitos quilómetros para baixo e para cima, a deixar um pouco os miúdos por sua conta e a fechar os olhos ao caos que se instalava aqui em casa. Nada disto foi fácil, por diferentes motivos. Mas, apesar do cansaço, das dores nas costas e nos joelhos, da ansiedade, da tensão permanente nos ombros, do sono (muito sono) e da culpa (a culpa, sempre), há também aqui uma grande alegria. Porque nestas duas semanas tive oportunidade de fazer algumas das coisas de que mais gosto. Por um lado, a pretexto da campanha eleitoral, pude sair da redacção e andar por aí, descobrindo o país e falando com pessoas. Por outro lado, tive um convite maravilhoso da Patrícia Portela, diretora do Teatro Viriato, em Viseu, para moderar algumas conversas com artistas no NANT - Encontro de Dança Contemporânea. O único problema foi calhar acontecer tudo ao mesmo tempo.


Esta noite dormi pouco mais de três horas e estou podre como não me sentia há muito tempo, jogada no sofá praticamente sem me mexer. Mas, apesar de tudo, é bom quando, de vez em quando, o trabalho não é só um trabalho, é também algo que nos faz sentirmos vivos, que nos desafia e nos leva a arriscar por terrenos desconhecidos, quando nos permite ultrapassar medos (e se me espalho ao comprido e só digo parvoíces em frente daquelas pessoas todas?), quando chegamos ao fim e, mesmo quando temos capacidade de auto-crítica para percebemos onde errámos e onde poderíamos ter feito melhor, sentimos que o balanço até é positivo (e, que alívio, afinal, não nos espalhámos ao comprido). E no meio disto, reencontrei algumas pessoas de que gosto muito e conheci pessoas novas, muito fixes, que quero manter por perto.


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Na foto, na conversa com a fantástica Piny. Acho que aquele sorriso diz tudo. Não fui feita para o palco, isso é certo, mas talvez possa aprender a gostar disto em doses moderadas.

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Saturday, January 15, 2022

"Love is the answer"

Já vi tudo. A terceira temporada de After Life toda de seguida, numa manhã nublada de sábado em que tinha tantas outras coisas mais importantes para fazer. O trabalho pode esperar, a roupa por passar pode esperar e se hoje não sair de casa nem fizer exercício nem fôr comprar pão também não há de ser grave. Comecei com vou só ver um bocadinho e acabei por ver os episódios todos ali entre o riso e a lágrima, uma gargalhada de vez em quando, uma ternura constante, um sentimento enorme de empatia e, depois, no último episódio, não deu mais para conter e foi choradeira do princípio ao fim.


Sobre as duas temporadas anteriores escrevi AQUI e AQUI. Não há muito mais que possa dizer. Só que é muito bom.



E, já agora, se estiverem em mood lamechas, podem ir ouvir a playlist oficial.

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Monday, January 10, 2022

Da beleza da imperfeição

Ver Anne Teresa de Keersmaeker a dançar com 61 anos é uma pequena maravilha. Saio dos seus espectáculos sempre com uma alegria profunda e uma crença enorme no mundo. Contra todos os puristas e perfeccionistas, que acham que a dança deve ser avaliada pelo seu virtuosismo, cheia de movimentos muito bem executados e sincronizados, os últimos espectáculos de Anne Teresa parecem ter sempre um certo grau de imperfeição. E de humanidade. 


Ontem fui à Gulbenkian ver e ouvir as suites de violoncelo de Bach, dançadas pelos bailarinos da companhia Rosas e interpretadas pelo músico Jean-Guihen Queyras (tão boa a música, tão bom o músico). Uma hora e meia de puro deleite. Esqueci-me de tudo e sorri o tempo todo por baixo da máscara. 


 

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Da beleza da imperfeição

Ver Anne Teresa de Keersmaeker a dançar com 61 anos é uma pequena maravilha. Saio dos seus espectáculos sempre com uma alegria profunda e uma crença enorme no mundo. Contra todos os puristas e perfeccionistas, que acham que a dança deve ser avaliada pelo seu virtuosismo, cheia de movimentos muito bem executados e sincronizados, os últimos espectáculos de Anne Teresa parecem ter sempre um certo grau de imperfeição. E de humanidade. 


Ontem fui à Gulbenkian ver e ouvir as suites de violoncelo de Bach, dançadas pelos bailarinos da companhia Rosas e interpretadas pelo músico Jean-Guihen Queyras (tão boa a música, tão bom o músico). Uma hora e meia de puro deleite. Esqueci-me de tudo e sorri o tempo todo por baixo da máscara. 


 

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Sunday, January 02, 2022

"Licorice Pizza" e mais uma mão cheia de filmes

Como sempre, aproveito esta época do natal em que estou mais liberta dos afazeres de mãe para tentar ver alguns filmes e desta vez tive muita sorte porque deu para ir ao cinema ver dois dos filmes que mais queria ver em 2021: Madres Paralelas, de Pedro Almodóvar, e Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson. O resto vi em casa, na televisão.


Licorice Pizza


Licorice-Pizza-courtesy-of-We-Got-This-Covered-.jp


Licorice Pizza é absolutamente delicioso. Eu sou grande fã do Paul Thomas Anderson (na verdade, não consigo lembrar-me de nenhum filme dele de que não tenha gostado) e tinha lido umas coisas sobre o filme mas não sabia exactamente o que esperar. O próprio título não nos dá nenhuma pista. Aparentemente, Licorice Pizza era o nome de uma loja de discos que havia em San Fernando Valley, Los Angeles, onde o realizador cresceu e onde se passa a ação, nos anos 60.


O filme acompanha a amizade entre um rapaz que no início tem apenas 15 anos (interpretado por Cooper Hoffman, que é filho de Philip-Seymour Hoffman - com quem PTA trabalhou e de quem era amigo) e uma rapariga dez anos mais velha (interpretada por Alana Haim, uma das músicas das Haim, para quem PTA realizou vários videoclipes). É a estreia cinematográfica de ambos mas não se nota nada. Os borbulhentos Gary e Alana (assim se chamam as personagens) partilham o sonho de ser ricos (e famosos, afinal, Hollywood está mesmo ali ao lado) e estão dispostos a tudo para isso, vão ser parceiros de negócios, ganhar e perder dinheiro e ter muitas discussões, às vezes pondo em causa a sua amizade. Há momentos em que quase parece estarmos perante um filme de aventuras de adolescentes, mas com óptimos diálogos, uma banda sonora escolhida a dedo e a aparição surpreendente de figuras como Tom Waits, Sean Penn ou Bradley Cooper.


Simples e tocante, como eu gosto. E o Cooper tem o sorriso do pai.



Madres Paralelas


Seria sempre muito difícil a Pedro Almodóvar fazer um filme depois de Dor e Glória, que era magnífico. Ainda assim este filme é muito bom. Madres Paralelas é também uma reflexão sobre a maternidade e, ao mesmo tempo, sobre a importância de sabermos de onde viemos e onde estão as nossas raízes (e o sub-enredo sobre a Guerra Civil de Espanha, com um toque quase documental, não deixa de ser um pouco surpreendente). Mas é sobretudo um filme sobre mulheres, nas suas diferentes facetas e papéis. O filme tem pormenores muito bons, começando pelos actores (Penélope Cruz, Milena Smit e Israel Elejalde - dois rostos que eu não conhecia) e passando pela música, os cenários, as cores, os enquadramentos perfeitos e a ressonância de todos os melodramas que já vimos e que nos dão uma reconfortante sensão de familiaridade. Tudo extraordinariamente belo. 



O Poder do Cão


Confesso que ia um pouco desconfiada. Gajos a tomar conta do gado e que se descobrem gay, onde é que já tínhamos visto isto? Mas até que gostei deste O Poder do Cão, de Jane Campion, filme marcado pela lentidão, pelos muitos silêncios, por uma natureza hostil e uma masculinidade "bruta". Mas onde também há subtilezas. Benedict Cumberbatch e Kirsten Dunst estão muito longe daquilo que costumam ser os seus registos e isso, particularmente nela, acaba por ser uma boa surpresa. Na Netflix.



A Mão de Deus


Nápoles, Itália, anos 80. Tudo acontece entre aquela altura em que se especulava sobre a vinda (quase impossível) de Diego Maradona para o clube de futebol da cidade, a chegada do jogador argentino, e o momento em que o Nápoles se sagra campeão italiano. Paolo Sorrentino regressa à sua cidade e ao seu bairro (vale a pena ver o mini-doc de oito minutos com a entrevista ao realizador) para contar a história de Fabietto, um jovem liceal, ainda quase sem barba, fascinado por Maradona e por mulheres voluptuosas (o que - embora me tenha feito alguma confusão, confesso - pode justificar em parte o modo "babado" como Sorrentino mostra as mulheres neste filme). A família de Fabietto é composta por figuras estranhas e exacerbadas, tudo muito barulhento. No entanto, a trágica morte dos pais vai mudar definitivamente a sua vida e obrigá-lo a crescer. Filme de uma beleza muito fotográfica, A Mão de Deus é também uma homenagem aos cineastas italianos que inspiraram Sorrentino e à magia do cinema, que nos ajuda a esquecer a realidade. Este é o filme italiano candidato aos Óscares. Na Netflix. 



A Metamorfose dos Pássaros


Candidato português ao Óscar de Melhor Filme Internacional, A Metamorfose dos Pássaros é uma viagem de Catarina Vasconcelos pela história da sua família, centrada nas figuras da sua avó paterna, que ela não chegou a conhecer, e da sua mãe, que morreu quando ela tinha onze anos. Misturando memórias reais e ficção, actores e verdadeiros elementos da sua família, Catarina Vasconcelos presta homenagem a estas mulheres e às mulheres e às mães, de uma maneira geral. Filme sobre o amor, sobre a família e sobre a perda, A Metamorfose dos Pássaros é um filme bastante emocionante e íntimo, o que contrasta com a racionalidade dos planos, belos na sua composição perfeição. Como quadros. Óptimo para quem, como eu, gosta de folhear álbuns de fotografias antigas. Deu ontem na RTP2, por isso é aproveitar.



Não Olhes Para Cima


A comédia de Adam McKay é protagonizada por dois cientistas - interpretados por Leonardo Di Caprio e Jennifer Lawrence - que descobrem que um cometa está em rota de colisão com a Terra e que se nada for feito a vida humana não irá sobreviver ao impacto. Os seus alertas são ignorados pela fútil presidente dos Estados Unidos (Meryl Streep) que está demasiado ocupada a tentar ganhar as próximas eleições, são gozados pelos media (Cate Blanchet é a apresentadora de televisão) demasiado ocupados em entreter as massas e são ignorados pela generalidade das pessoas, demasiado autistas e com as cabeças enfiadas nos seus telemóveis para perceberem o que realmente vai acontecer. A cereja no topo do bolo é um magnata tecnológico, espécie de Steve Jobs misturado com Bill Gates e Elon Musk, que aparece como messias com um solução milagrosa mas que, afinal, se revela um embuste. A paródia à sociedade contemporânea é mais do que óbvia. As caricaturas são, como todas as caricaturas, exageradas. Não Olhes para Cima tem provocado reacções extremadas, de amor e de ódio, como se fosse o grande marco distintivo entre esquerda e direita, mas a mim parece-me que lhe estão a dar demasiada importância. Garanto que sou de esquerda até à medula e posso dizer que o filme me aborreceu de morte e não lhe achei graça nenhuma. Nem me vou incomodar a argumentar. Basicamente, isto os filmes é como os homens: até podia ser perfeito mas não houve química.


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"Licorice Pizza" e mais uma mão cheia de filmes

Como sempre, aproveito esta época do natal em que estou mais liberta dos afazeres de mãe para tentar ver alguns filmes e desta vez tive muita sorte porque deu para ir ao cinema ver dois dos filmes que mais queria ver em 2021: Madres Paralelas, de Pedro Almodóvar, e Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson. O resto vi em casa, na televisão.


Licorice Pizza


Licorice-Pizza-courtesy-of-We-Got-This-Covered-.jp


Licorice Pizza é absolutamente delicioso. Eu sou grande fã do Paul Thomas Anderson (na verdade, não consigo lembrar-me de nenhum filme dele de que não tenha gostado) e tinha lido umas coisas sobre o filme mas não sabia exactamente o que esperar. O próprio título não nos dá nenhuma pista. Aparentemente, Licorice Pizza era o nome de uma loja de discos que havia em San Fernando Valley, Los Angeles, onde o realizador cresceu e onde se passa a ação, nos anos 60.


O filme acompanha a amizade entre um rapaz que no início tem apenas 15 anos (interpretado por Cooper Hoffman, que é filho de Philip-Seymour Hoffman - com quem PTA trabalhou e de quem era amigo) e uma rapariga dez anos mais velha (interpretada por Alana Haim, uma das músicas das Haim, para quem PTA realizou vários videoclipes). É a estreia cinematográfica de ambos mas não se nota nada. Os borbulhentos Gary e Alana (assim se chamam as personagens) partilham o sonho de ser ricos (e famosos, afinal, Hollywood está mesmo ali ao lado) e estão dispostos a tudo para isso, vão ser parceiros de negócios, ganhar e perder dinheiro e ter muitas discussões, às vezes pondo em causa a sua amizade. Há momentos em que quase parece estarmos perante um filme de aventuras de adolescentes, mas com óptimos diálogos, uma banda sonora escolhida a dedo e a aparição surpreendente de figuras como Tom Waits, Sean Penn ou Bradley Cooper.


Simples e tocante, como eu gosto. E o Cooper tem o sorriso do pai.



Madres Paralelas


Seria sempre muito difícil a Pedro Almodóvar fazer um filme depois de Dor e Glória, que era magnífico. Ainda assim este filme é muito bom. Madres Paralelas é também uma reflexão sobre a maternidade e, ao mesmo tempo, sobre a importância de sabermos de onde viemos e onde estão as nossas raízes (e o sub-enredo sobre a Guerra Civil de Espanha, com um toque quase documental, não deixa de ser um pouco surpreendente). Mas é sobretudo um filme sobre mulheres, nas suas diferentes facetas e papéis. O filme tem pormenores muito bons, começando pelos actores (Penélope Cruz, Milena Smit e Israel Elejalde - dois rostos que eu não conhecia) e passando pela música, os cenários, as cores, os enquadramentos perfeitos e a ressonância de todos os melodramas que já vimos e que nos dão uma reconfortante sensão de familiaridade. Tudo extraordinariamente belo. 



O Poder do Cão


Confesso que ia um pouco desconfiada. Gajos a tomar conta do gado e que se descobrem gay, onde é que já tínhamos visto isto? Mas até que gostei deste O Poder do Cão, de Jane Campion, filme marcado pela lentidão, pelos muitos silêncios, por uma natureza hostil e uma masculinidade "bruta". Mas onde também há subtilezas. Benedict Cumberbatch e Kirsten Dunst estão muito longe daquilo que costumam ser os seus registos e isso, particularmente nela, acaba por ser uma boa surpresa. Na Netflix.



A Mão de Deus


Nápoles, Itália, anos 80. Tudo acontece entre aquela altura em que se especulava sobre a vinda (quase impossível) de Diego Maradona para o clube de futebol da cidade, a chegada do jogador argentino, e o momento em que o Nápoles se sagra campeão italiano. Paolo Sorrentino regressa à sua cidade e ao seu bairro (vale a pena ver o mini-doc de oito minutos com a entrevista ao realizador) para contar a história de Fabietto, um jovem liceal, ainda quase sem barba, fascinado por Maradona e por mulheres voluptuosas (o que - embora me tenha feito alguma confusão, confesso - pode justificar em parte o modo "babado" como Sorrentino mostra as mulheres neste filme). A família de Fabietto é composta por figuras estranhas e exacerbadas, tudo muito barulhento. No entanto, a trágica morte dos pais vai mudar definitivamente a sua vida e obrigá-lo a crescer. Filme de uma beleza muito fotográfica, A Mão de Deus é também uma homenagem aos cineastas italianos que inspiraram Sorrentino e à magia do cinema, que nos ajuda a esquecer a realidade. Este é o filme italiano candidato aos Óscares. Na Netflix. 



A Metamorfose dos Pássaros


Candidato português ao Óscar de Melhor Filme Internacional, A Metamorfose dos Pássaros é uma viagem de Catarina Vasconcelos pela história da sua família, centrada nas figuras da sua avó paterna, que ela não chegou a conhecer, e da sua mãe, que morreu quando ela tinha onze anos. Misturando memórias reais e ficção, actores e verdadeiros elementos da sua família, Catarina Vasconcelos presta homenagem a estas mulheres e às mulheres e às mães, de uma maneira geral. Filme sobre o amor, sobre a família e sobre a perda, A Metamorfose dos Pássaros é um filme bastante emocionante e íntimo, o que contrasta com a racionalidade dos planos, belos na sua composição perfeição. Como quadros. Óptimo para quem, como eu, gosta de folhear álbuns de fotografias antigas. Deu ontem na RTP2, por isso é aproveitar.



Não Olhes Para Cima


A comédia de Adam McKay é protagonizada por dois cientistas - interpretados por Leonardo Di Caprio e Jennifer Lawrence - que descobrem que um cometa está em rota de colisão com a Terra e que se nada for feito a vida humana não irá sobreviver ao impacto. Os seus alertas são ignorados pela fútil presidente dos Estados Unidos (Meryl Streep) que está demasiado ocupada a tentar ganhar as próximas eleições, são gozados pelos media (Cate Blanchet é a apresentadora de televisão) demasiado ocupados em entreter as massas e são ignorados pela generalidade das pessoas, demasiado autistas e com as cabeças enfiadas nos seus telemóveis para perceberem o que realmente vai acontecer. A cereja no topo do bolo é um magnata tecnológico, espécie de Steve Jobs misturado com Bill Gates e Elon Musk, que aparece como messias com um solução milagrosa mas que, afinal, se revela um embuste. A paródia à sociedade contemporânea é mais do que óbvia. As caricaturas são, como todas as caricaturas, exageradas. Não Olhes para Cima tem provocado reacções extremadas, de amor e de ódio, como se fosse o grande marco distintivo entre esquerda e direita, mas a mim parece-me que lhe estão a dar demasiada importância. Garanto que sou de esquerda até à medula e posso dizer que o filme me aborreceu de morte e não lhe achei graça nenhuma. Nem me vou incomodar a argumentar. Basicamente, isto os filmes é como os homens: até podia ser perfeito mas não houve química.


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"Soube-me a pouco"

Não sejamos injustos. Houve coisas boas em 2021.


Novos trabalhos, novos desafios.


Voltei a fazer yoga. Sou péssima mas estou a esforçar-me.


A viagem a Paris.


Os bons momentos com os meus putos.


Caminhar, voltar aos transportes públicos, andar a pé sempre que possível.


Voltei à terapia. Também sou péssima nisto mas estou a esforçar-me.


Os meus amigos (vocês sabem quem são). Não estive com eles tanto quanto gostaria mas aproveitei todas as oportunidades para encontrá-los, abraçá-los e mostrar-lhes o quanto são importantes para mim.


Fiz uma amiga nova ("e coisa mais preciosa no mundo não há").


Os espectáculos que vi, os filmes e as séries, os livros (poucos mas bons), as músicas que descobri e todas as outras coisas boas da vida.


A família reunida e feliz no dia do meu aniversário.


Os sonhos do natal.


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Para 2022 só queria isto tudo mas mais. 

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