Tuesday, April 30, 2019

Ok


"I'm just a fucked up girl looking for my own peace of mind"


 


Jim Carrey e Kate Winslet em Eternal Sunshine of the Spotless Mind

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"I'm just a fucked up girl looking for my own peace of mind"


 


Jim Carrey e Kate Winslet em Eternal Sunshine of the Spotless Mind

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Sunday, April 28, 2019

A minha aventura nas plataformas de encontros online (continuação)

Há uns tempos contei aqui como tinha sido a minha iniciação no maravilhoso mundo das plataformas de encontros online. Não fiquei muito convencida na altura, como devem lembrar-se. Mas, uns meses mais tarde, umas amigas falaram-me de uma outra aplicação, o Happn, e eu decidi dar-lhe uma hipótese. Assim como assim, não é como se estivessem a acontecer coisas muito interessantes na minha vida, não é?


O Happn funciona mais ou menos como o Tinder só que em vez de definirmos um raio de acção (por exemplo, 40 ou 100 quilómetros), basta ter o GPS ligado e a aplicação vai nos mostrando os happners com que nos vamos cruzando e diz-nos exactamente em que rua é que o encontro aconteceu.


Vantagem: ao contrário do Tinder em que temos sempre que tomar uma decisão em relação à pessoa que nos é sugerida (ou sim ou sopas), no Happn as sugestões vão surgindo num feed vertical, e é possível ver os perfis sugeridos e avançar sem ter que tomar qualquer decisão, se não sabemos bem o que lhe fazer simplesmente deixamos aquela pessoa lá quietinha para avaliar o perfil mais tarde.


Desvantagem: se uma pessoa circula sempre pela mesma zona (tipo eu, que vou de casa para o trabalho a pé), a aplicação acaba por se tornar muito intrusiva pois damos por nós a cruzar-nos com os vizinhos, os colegas do trabalho, os pais dos amigos dos miúdos, o senhor da farmácia. Pode ser desconfortável. E, além disso, imaginem o que é ter uma conversa na aplicação que corre mal e depois termos de encontrar esse tipo todos os dias no nosso bairro. Não seria muito agradável. Por isso, tinha sempre a aplicação desligada e tinha que me lembrar de a ligar quando ia a algum sítio diferente ou mais movimentado e depois tinha que me lembrar de desligá-la. Não estava a gostar muito da experiência. 


Decidi, então, tirar a minha foto de perfil e colocar uma foto não identificável. Não foi uma decisão fácil de tomar. Eu sou grande apologista do what you see is what you get e acho mesmo que se uma pessoa está numa aplicação destas é para assumir a coisa, não é para andar a esconder-se. Não há nada aqui que me envergonhe. Mas, sinceramente, não estava a resultar. A partir do momento em que coloquei outra foto começou uma nova fase desta aventura e consegui conversar com algumas pessoas sem preocupações e escolher a quem é que queria mostrar o meu belo rosto.


Claro que os outros constrangimentos todos se mantiveram - sobretudo porque não tenho muito tempo e tenho ainda menos paciência para aturar pessoas que não me interessam. Mas posso dizer que fiz alguns avanços. E até - imaginem - conheci efectivamente alguns homens. 


Três regras minhas:


Conversar muito. Eu gosto de conversar. Eu gosto de pessoas que saibam conversar. E gosto de quem tem conversas diferentes. Não temos que contar a nossa vidinha toda nem o nosso passado todo. Podemos falar de política, de filmes, do mundo, de relações, sei lá. Sabe-se tanto sobre uma pessoa quando se conversa. Pela maneira como fala (ou, no caso, como escreve). Por aquilo que diz. Pelo sentido de humor que revela. Eu converso muito. E quando os homens não querem conversar ou não são bons conversadores, quando em vez de conversar começam a pressionar para marcar encontros eu pura simplesmente dou-lhes um adeuzinho. Se vou dar-me ao trabalho de sair de casa para me encontrar com alguém tenho que ter alguma esperança que aquela pessoa vale a pena - isto é, que, pelo menos, o encontro vai ser agradável. 


Marcar encontros sempre de dia e garantir que vão ser curtos. O ideal é ir tomar um café e ter outro compromisso qualquer a seguir. Nada de jantares (imaginem que corre mal, é horrível ter que partilhar uma refeição inteira com alguém com quem não se está à vontade), nada de álcool (que altera um bocado a percepção das coisas). Se a coisa correr bem, nada nos impede de marcar outro encontro. Se a coisa correr mal, acaba rapidamente e nunca mais falamos.


Não ter expectativas. Isto é muito importante. Como já tinha dito no outro post, conhecer uma pessoa online nunca é o mesmo do que conhecê-la ao vivo, temos de estar preparados para que tudo corra mal. Para não haver química. Para ele cheirar mal da boca. Para se revelar uma pessoa absolutamente irritante. E depois temos de estar preparados para até simpatizar com aquela pessoa mas não querer continuar a vê-la porque vai-se a ver e não é assim tão especial que mereça o esforço (já disse que não tenho muito tempo?). E mesmo que as coisas corram muito bem e haja outros encontros a seguir temos de estar preparados para aproveitar muito bem todos os bons momentos mas não começar a fazer grandes filmes na nossa cabeça - porque, sejamos sinceros, encontrar a paixão numa plataforma destas é tão difícil quanto encontrar a paixão na vida real. Ou seja, pode acontecer mas é muito pouco provável.


E funcionou?


Bom, não encontrei o homem da minha vida. Mas conheci boas pessoas. Não muitas porque, como já devem ter reparado, eu, além de não ter muito tempo, também sou uma gaja armada em esquisita. Mas conheci algumas boas pessoas. Fizeram-me companhia. Estive menos sozinha. Fiz novos amigos.  De verdade. E fui (sou) mais feliz por ter conhecido estas pessoas.


Isso significa que me tornei fã das plataformas de encontro online?


Nem por isso. Continuo a achar que não tenho muito jeito para isto e que a maneira antiga é a melhor maneira de conhecer pessoas. Simplesmente, quando já se é crescido e se tem o mesmo emprego há muito tempo e um grupo de amigos de longa data, e ainda por cima se tem filhos, não é assim tão fácil conhecer pessoas. Não é mesmo. E as aplicações são uma forma fácil de conhecer pessoas novas. E de conhecer pessoas diferentes, fora do nosso meio, pessoas com quem de outra forma nunca nos iríamos encontrar. Essa é, para mim, a maior vantagem destas aplicações. 


O que me acontece é que depois de uma ou duas semanas online, começo a fartar-me daquilo. Sabem com quantas pessoas é que se tem de falar para, finalmente, encontrar uma que prenda a nossa atenção? Deixo de ter paciência para as tais conversinhas da treta, olá, como estás, o que fazes... Falta-me a paciência para começar mais uma conversa que, quase posso adivinhar, não me vai levar a lado nenhum. Nessa altura, suspendo a conta e vou-me embora. Tal e qual como fiz antes. Guardo um ou outro contacto de alguém com quem me interessa continuar a falar, volto para a minha vidinha e fico afastada por muito tempo (por exemplo, neste momento estou fora).


Até me dar um novo ataque de solidão num sábado à noite no sofá. 


É que se há coisa que eu descobri nesta aventura é que eu sinto-me sozinha mas não estou sozinha neste sentimento. Existe muita solidão por aí. Também existem muitos parvalhões, homens casados à procura de aventuras, tipos que querem ir para a cama com qualquer mulher, seja ela quem for, gajos que não sabem bem o que querem, gente que não interessa ao menino Jesus quanto mais interessar-me a mim. Mas acima de tudo existe muita solidão. 

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A minha aventura nas plataformas de encontros online (continuação)

Há uns tempos contei aqui como tinha sido a minha iniciação no maravilhoso mundo das plataformas de encontros online. Não fiquei muito convencida na altura, como devem lembrar-se. Mas, uns meses mais tarde, umas amigas falaram-me de uma outra aplicação, o Happn, e eu decidi dar-lhe uma hipótese. Assim como assim, não é como se estivessem a acontecer coisas muito interessantes na minha vida, não é?


O Happn funciona mais ou menos como o Tinder só que em vez de definirmos um raio de acção (por exemplo, 40 ou 100 quilómetros), basta ter o GPS ligado e a aplicação vai nos mostrando os happners com que nos vamos cruzando e diz-nos exactamente em que rua é que o encontro aconteceu.


Vantagem: ao contrário do Tinder em que temos sempre que tomar uma decisão em relação à pessoa que nos é sugerida (ou sim ou sopas), no Happn as sugestões vão surgindo num feed vertical, e é possível ver os perfis sugeridos e avançar sem ter que tomar qualquer decisão, se não sabemos bem o que lhe fazer simplesmente deixamos aquela pessoa lá quietinha para avaliar o perfil mais tarde.


Desvantagem: se uma pessoa circula sempre pela mesma zona (tipo eu, que vou de casa para o trabalho a pé), a aplicação acaba por se tornar muito intrusiva pois damos por nós a cruzar-nos com os vizinhos, os colegas do trabalho, os pais dos amigos dos miúdos, o senhor da farmácia. Pode ser desconfortável. E, além disso, imaginem o que é ter uma conversa na aplicação que corre mal e depois termos de encontrar esse tipo todos os dias no nosso bairro. Não seria muito agradável. Por isso, tinha sempre a aplicação desligada e tinha que me lembrar de a ligar quando ia a algum sítio diferente ou mais movimentado e depois tinha que me lembrar de desligá-la. Não estava a gostar muito da experiência. 


Decidi, então, tirar a minha foto de perfil e colocar uma foto não identificável. Não foi uma decisão fácil de tomar. Eu sou grande apologista do what you see is what you get e acho mesmo que se uma pessoa está numa aplicação destas é para assumir a coisa, não é para andar a esconder-se. Não há nada aqui que me envergonhe. Mas, sinceramente, não estava a resultar. A partir do momento em que coloquei outra foto começou uma nova fase desta aventura e consegui conversar com algumas pessoas sem preocupações e escolher a quem é que queria mostrar o meu belo rosto.


Claro que os outros constrangimentos todos se mantiveram - sobretudo porque não tenho muito tempo e tenho ainda menos paciência para aturar pessoas que não me interessam. Mas posso dizer que fiz alguns avanços. E até - imaginem - conheci efectivamente alguns homens. 


Três regras minhas:


Conversar muito. Eu gosto de conversar. Eu gosto de pessoas que saibam conversar. E gosto de quem tem conversas diferentes. Não temos que contar a nossa vidinha toda nem o nosso passado todo. Podemos falar de política, de filmes, do mundo, de relações, sei lá. Sabe-se tanto sobre uma pessoa quando se conversa. Pela maneira como fala (ou, no caso, como escreve). Por aquilo que diz. Pelo sentido de humor que revela. Eu converso muito. E quando os homens não querem conversar ou não são bons conversadores, quando em vez de conversar começam a pressionar para marcar encontros eu pura simplesmente dou-lhes um adeuzinho. Se vou dar-me ao trabalho de sair de casa para me encontrar com alguém tenho que ter alguma esperança que aquela pessoa vale a pena - isto é, que, pelo menos, o encontro vai ser agradável. 


Marcar encontros sempre de dia e garantir que vão ser curtos. O ideal é ir tomar um café e ter outro compromisso qualquer a seguir. Nada de jantares (imaginem que corre mal, é horrível ter que partilhar uma refeição inteira com alguém com quem não se está à vontade), nada de álcool (que altera um bocado a percepção das coisas). Se a coisa correr bem, nada nos impede de marcar outro encontro. Se a coisa correr mal, acaba rapidamente e nunca mais falamos.


Não ter expectativas. Isto é muito importante. Como já tinha dito no outro post, conhecer uma pessoa online nunca é o mesmo do que conhecê-la ao vivo, temos de estar preparados para que tudo corra mal. Para não haver química. Para ele cheirar mal da boca. Para se revelar uma pessoa absolutamente irritante. E depois temos de estar preparados para até simpatizar com aquela pessoa mas não querer continuar a vê-la porque vai-se a ver e não é assim tão especial que mereça o esforço (já disse que não tenho muito tempo?). E mesmo que as coisas corram muito bem e haja outros encontros a seguir temos de estar preparados para aproveitar muito bem todos os bons momentos mas não começar a fazer grandes filmes na nossa cabeça - porque, sejamos sinceros, encontrar a paixão numa plataforma destas é tão difícil quanto encontrar a paixão na vida real. Ou seja, pode acontecer mas é muito pouco provável.


E funcionou?


Bom, não encontrei o homem da minha vida. Mas conheci boas pessoas. Não muitas porque, como já devem ter reparado, eu, além de não ter muito tempo, também sou uma gaja armada em esquisita. Mas conheci algumas boas pessoas. Fizeram-me companhia. Estive menos sozinha. Fiz novos amigos.  De verdade. E fui (sou) mais feliz por ter conhecido estas pessoas.


Isso significa que me tornei fã das plataformas de encontro online?


Nem por isso. Continuo a achar que não tenho muito jeito para isto e que a maneira antiga é a melhor maneira de conhecer pessoas. Simplesmente, quando já se é crescido e se tem o mesmo emprego há muito tempo e um grupo de amigos de longa data, e ainda por cima se tem filhos, não é assim tão fácil conhecer pessoas. Não é mesmo. E as aplicações são uma forma fácil de conhecer pessoas novas. E de conhecer pessoas diferentes, fora do nosso meio, pessoas com quem de outra forma nunca nos iríamos encontrar. Essa é, para mim, a maior vantagem destas aplicações. 


O que me acontece é que depois de uma ou duas semanas online, começo a fartar-me daquilo. Sabem com quantas pessoas é que se tem de falar para, finalmente, encontrar uma que prenda a nossa atenção? Deixo de ter paciência para as tais conversinhas da treta, olá, como estás, o que fazes... Falta-me a paciência para começar mais uma conversa que, quase posso adivinhar, não me vai levar a lado nenhum. Nessa altura, suspendo a conta e vou-me embora. Tal e qual como fiz antes. Guardo um ou outro contacto de alguém com quem me interessa continuar a falar, volto para a minha vidinha e fico afastada por muito tempo (por exemplo, neste momento estou fora).


Até me dar um novo ataque de solidão num sábado à noite no sofá. 


É que se há coisa que eu descobri nesta aventura é que eu sinto-me sozinha mas não estou sozinha neste sentimento. Existe muita solidão por aí. Também existem muitos parvalhões, homens casados à procura de aventuras, tipos que querem ir para a cama com qualquer mulher, seja ela quem for, gajos que não sabem bem o que querem, gente que não interessa ao menino Jesus quanto mais interessar-me a mim. Mas acima de tudo existe muita solidão. 

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Thursday, April 25, 2019

Parece simples

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Mas na verdade não é.

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Mas na verdade não é.

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Tuesday, April 23, 2019

Sexo: "Stop should-ing yourself"

Já que estamos a falar disso.


Acabei de ler um artigo engraçado no Cup of Jo, no qual Emily Nagoshi, terapeuta sexual, diz: "your sexual well-being has nothing to do with how often you do it, or who you do it with, or what room you do it in. (“It,” by the way, means whatever you and your partner mean when you think about sex.) “The key is whether or not you like the sex you’re having." 


Ou seja, façam o que fizerem, mais ou menos vezes, o importante é que façam o que vos apetecer.


"Basically, there is no one-size-fits-all when it comes to sexuality. (...) Emily says that the goal is to “assess our own sexuality on its own terms, based on our personal and relational experience, without reference to anything that’s happening outside of our bodies and relationships.” In fact, Emily told me that a common phrase among sex educators is, “Stop should-ing on yourself.” “There is no ‘should,’ she says. “Should is not a word that belongs in sex positivity.”"

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Sexo: "Stop should-ing yourself"

Já que estamos a falar disso.


Acabei de ler um artigo engraçado no Cup of Jo, no qual Emily Nagoshi, terapeuta sexual, diz: "your sexual well-being has nothing to do with how often you do it, or who you do it with, or what room you do it in. (“It,” by the way, means whatever you and your partner mean when you think about sex.) “The key is whether or not you like the sex you’re having." 


Ou seja, façam o que fizerem, mais ou menos vezes, o importante é que façam o que vos apetecer.


"Basically, there is no one-size-fits-all when it comes to sexuality. (...) Emily says that the goal is to “assess our own sexuality on its own terms, based on our personal and relational experience, without reference to anything that’s happening outside of our bodies and relationships.” In fact, Emily told me that a common phrase among sex educators is, “Stop should-ing on yourself.” “There is no ‘should,’ she says. “Should is not a word that belongs in sex positivity.”"

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Monday, April 22, 2019

Da falta que um homem faz (18)

Companhia.


Digam o que disserem, tenho mais falta de alguém que se sente todos os dias comigo à mesa do jantar a conversar do que de alguém com quem dar uma queca. Mesmo

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Da falta que um homem faz (18)

Companhia.


Digam o que disserem, tenho mais falta de alguém que se sente todos os dias comigo à mesa do jantar a conversar do que de alguém com quem dar uma queca. Mesmo

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Thursday, April 18, 2019

C'est la vie

Claro que me entristeceu o incêndio da catedral de Notre-Dame, em Paris, mas não me parece que tenha sido uma catástrofe nem que tenha ali ardido "parte da humanidade" como vi escrito nos jornais. Uma casa é uma casa, não é uma pessoa. A história é importante mas é história, não é como se conseguíssemos ou sequer nos esforçássemos para guardar toda a nossa história. A Europa é a Europa, não é o mundo. Um símbolo é um símbolo, não é a vida. Este é o meu ponto de vista, respeito os que pensam de outra forma mas não me convencem que uma catedral queimada vale a minha consternação para além de um "oh, que pena".


Na nossa viagem de família a Paris estivemos à porta de Notre-Dame. Era o nosso último dia e a fila era enorme. A Cecília contou aos miúdos a história do Corcunda mas não entrámos. Já não teremos oportunidade de ver "aquela" catedral tal como era. C'est la vie, diriam os franceses. A vida é feita daquilo que fazemos e também daquilo que não fazemos. 


17301741_UUDVW.jpeg

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C'est la vie

Claro que me entristeceu o incêndio da catedral de Notre-Dame, em Paris, mas não me parece que tenha sido uma catástrofe nem que tenha ali ardido "parte da humanidade" como vi escrito nos jornais. Uma casa é uma casa, não é uma pessoa. A história é importante mas é história, não é como se conseguíssemos ou sequer nos esforçássemos para guardar toda a nossa história. A Europa é a Europa, não é o mundo. Um símbolo é um símbolo, não é a vida. Este é o meu ponto de vista, respeito os que pensam de outra forma mas não me convencem que uma catedral queimada vale a minha consternação para além de um "oh, que pena".


Na nossa viagem de família a Paris estivemos à porta de Notre-Dame. Era o nosso último dia e a fila era enorme. A Cecília contou aos miúdos a história do Corcunda mas não entrámos. Já não teremos oportunidade de ver "aquela" catedral tal como era. C'est la vie, diriam os franceses. A vida é feita daquilo que fazemos e também daquilo que não fazemos. 


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Tuesday, April 16, 2019

Vivian Maier

Descobri a Vivian Maier por acaso, como quase tudo o que nos acontece de bom. Numa noite de tédio em frente da televisão, ora vamos lá ver o que há para aqui para me entreter até me dar o sono. E havia este documentário sobre uma fotógrafa.



Vivian Maier nasceu em 1929 em Nova Iorque e cresceu para ser uma mulher solitária. Sem família, sem amores. Trabalhou brevemente numa fábrica e percebeu que não era nada disso que queria, então decidiu tornar-se ama, um trabalho que lhe permitia passar parte do dia na rua, a brincar e a passear com as crianças, e que além disso lhe dava alojamento e liberdade. Ela não precisava de mais nada. Não era propriamente a ama mais carinhosa do mundo. Falava pouco. Não contava nada da sua vida a ninguém. Em cada casa por onde passou contou um passado diferente, apresentou-se inclusivamente com nomes diferentes. No seu quarto, fechado à chave, guardava recortes de jornais e outras mil bugigangas. Descrevem-na como uma mulher "estranha", ou seja, diferente das outras. Muito alta, quase sempre de chapéu de abas na cabeça, com roupas pouco charmosas.


Vivian andava sempre com a sua Roliflex ao pescoço e fotografava de tudo um pouco. Mas imprimiu muito poucas fotografias. Fotografava obsessivamente e é óbvio que isso lhe dava prazer, mas não se interessava por ver as fotografias que tirava, muito menos por mostrá-las a outras pessoas. Quando morreu, sozinha e na pobreza, em 2009, deixou caixas cheias de milhares de negativos, rolos por revelar, provas de contacto. E só então se descobriu a maravilhosa fotógrafa que ela era. As suas fotografias, muitas a preto e branco, algumas a cores, são um documento incrível sobre a vida - em Nova Iorque, em Chicago, noutras partes do mundo - nos anos 50, 60 e 70. E o que é ainda mais fascinante é que aparentemente ela tirava aquelas fotografias instintivamente, enquanto deambulava pelas ruas, sozinha ou com crianças, sem perder muito tempo a pensar no enquadramento e na luz, muitas vezes apanhando as pessoas desprevenidas. Um momento. Um clique. E o resultado é incrível - descubram o seu trabalho no site www.vivianmaier.com que não se vão arrepender.


VM19XXW03457-07-MC.jpg


Não temos que ser todos iguais. Ainda bem que não somos todos iguais. São as pessoas que são diferentes, que pensam de maneira diferente, que não se enquadram, que, ainda que se sujeitem às regras sociais, mantêm uma cabeça livre, são essas pessoas que fazem geralmente coisas maravilhosas. Ainda que sejam pequenas. Pequenas coisas maravilhosas. Como as fotografias de Vivian Maier.

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Vivian Maier

Descobri a Vivian Maier por acaso, como quase tudo o que nos acontece de bom. Numa noite de tédio em frente da televisão, ora vamos lá ver o que há para aqui para me entreter até me dar o sono. E havia este documentário sobre uma fotógrafa.



Vivian Maier nasceu em 1929 em Nova Iorque e cresceu para ser uma mulher solitária. Sem família, sem amores. Trabalhou brevemente numa fábrica e percebeu que não era nada disso que queria, então decidiu tornar-se ama, um trabalho que lhe permitia passar parte do dia na rua, a brincar e a passear com as crianças, e que além disso lhe dava alojamento e liberdade. Ela não precisava de mais nada. Não era propriamente a ama mais carinhosa do mundo. Falava pouco. Não contava nada da sua vida a ninguém. Em cada casa por onde passou contou um passado diferente, apresentou-se inclusivamente com nomes diferentes. No seu quarto, fechado à chave, guardava recortes de jornais e outras mil bugigangas. Descrevem-na como uma mulher "estranha", ou seja, diferente das outras. Muito alta, quase sempre de chapéu de abas na cabeça, com roupas pouco charmosas.


Vivian andava sempre com a sua Roliflex ao pescoço e fotografava de tudo um pouco. Mas imprimiu muito poucas fotografias. Fotografava obsessivamente e é óbvio que isso lhe dava prazer, mas não se interessava por ver as fotografias que tirava, muito menos por mostrá-las a outras pessoas. Quando morreu, sozinha e na pobreza, em 2009, deixou caixas cheias de milhares de negativos, rolos por revelar, provas de contacto. E só então se descobriu a maravilhosa fotógrafa que ela era. As suas fotografias, muitas a preto e branco, algumas a cores, são um documento incrível sobre a vida - em Nova Iorque, em Chicago, noutras partes do mundo - nos anos 50, 60 e 70. E o que é ainda mais fascinante é que aparentemente ela tirava aquelas fotografias instintivamente, enquanto deambulava pelas ruas, sozinha ou com crianças, sem perder muito tempo a pensar no enquadramento e na luz, muitas vezes apanhando as pessoas desprevenidas. Um momento. Um clique. E o resultado é incrível - descubram o seu trabalho no site www.vivianmaier.com que não se vão arrepender.


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Não temos que ser todos iguais. Ainda bem que não somos todos iguais. São as pessoas que são diferentes, que pensam de maneira diferente, que não se enquadram, que, ainda que se sujeitem às regras sociais, mantêm uma cabeça livre, são essas pessoas que fazem geralmente coisas maravilhosas. Ainda que sejam pequenas. Pequenas coisas maravilhosas. Como as fotografias de Vivian Maier.

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Sunday, April 14, 2019

"A lentidão é o segredo da felicidade"

O espectáculo estreou em 2012 e já correu mundo mas, vá-se lá saber como, só o vi ontem à noite. O Senhor Ibrahim e as Flores do Corão: texto de Eric-Emmanuel Schmidt, encenação e interpretação de Miguel Seabra com o músico Rui Rebelo. Só isto. Guiados pela voz delicada de Miguel deixamo-nos levar para a rua Bleu, na Paris dos anos 60, a rua dos judeus, onde o pequeno Moisés, de 11 anos, se faz homem ao mesmo tempo que se faz amigo do senhor Ibrahim, o único árabe ali e dono da mercearia de onde ele rouba latas de comida para o jantar do pai. Com Ibrahim, Momo (como ele lhe chama) aprende como o sorriso pode ser uma arma e como o amor que se tem por outra pessoa é valioso mesmo quando não é correspondido: "O que dás é teu para sempre, o que guardas está perdido para sempre".


Mas se é para escolher um ensinamento de Ibrahim, escolho este: "A lentidão é o segredo da felicidade".


Não ter pressa. É o que quero. Viver cada momento em pleno (como já falei AQUI e AQUI). Por exemplo. Tirar uma noite no meio do caos para ir ao teatro. Ouvir uma história bem contada. Rir. Emocionarmo-nos um pouco. Suspender a vida por uma hora e meia. Sair de lá e pensar: aconteça o que acontecer amanhã, esta pequena felicidade já ninguém me tira. E isto serve para tudo.


teatro_meridional.jpg

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"A lentidão é o segredo da felicidade"

O espectáculo estreou em 2012 e já correu mundo mas, vá-se lá saber como, só o vi ontem à noite. O Senhor Ibrahim e as Flores do Corão: texto de Eric-Emmanuel Schmidt, encenação e interpretação de Miguel Seabra com o músico Rui Rebelo. Só isto. Guiados pela voz delicada de Miguel deixamo-nos levar para a rua Bleu, na Paris dos anos 60, a rua dos judeus, onde o pequeno Moisés, de 11 anos, se faz homem ao mesmo tempo que se faz amigo do senhor Ibrahim, o único árabe ali e dono da mercearia de onde ele rouba latas de comida para o jantar do pai. Com Ibrahim, Momo (como ele lhe chama) aprende como o sorriso pode ser uma arma e como o amor que se tem por outra pessoa é valioso mesmo quando não é correspondido: "O que dás é teu para sempre, o que guardas está perdido para sempre".


Mas se é para escolher um ensinamento de Ibrahim, escolho este: "A lentidão é o segredo da felicidade".


Não ter pressa. É o que quero. Viver cada momento em pleno (como já falei AQUI e AQUI). Por exemplo. Tirar uma noite no meio do caos para ir ao teatro. Ouvir uma história bem contada. Rir. Emocionarmo-nos um pouco. Suspender a vida por uma hora e meia. Sair de lá e pensar: aconteça o que acontecer amanhã, esta pequena felicidade já ninguém me tira. E isto serve para tudo.


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Thursday, April 11, 2019

Operação "tirar adolescentes de casa"

Não são bem umas férias. Foram só quatro dias de folga que eu consegui tirar para estar um bocadinho com eles sem a pressão da escola e dos horários. Só para estarmos. O primo juntou-se nestes dias e os crescidos foram ao cinema ver o "Capitão Marvel" mas não ficaram muito satisfeitos. Além disso, houve muita playstation, alguns jogos de bola no terraço e intermináveis conversas na cama, muito para além da hora de dormir. Faz parte. Depois, todos os dias, tivemos um pequeno programa organizado por mim. Apenas para tirá-los de casa. O adolescente de serviço foi sempre obrigado e contrariado, prometendo odiar tudo. Também faz parte. Não tivemos muita sorte com o tempo. Mas é preciso muito mais do que uma chuvinha para derrotar uma mãe-que-quer-afastar-os-seus-rapazes-dos-ecrãs, não é? No final, não correu assim tão mal. Acho que até houve momentos em que se divertiram.


1. Exposição "Cérebro - mais vasto do que o céu"


Muito interessante esta exposição na Fundação Gulbenkian. Os rapazes não tiveram paciência para ler os textos e absorver toda a informação (que é imensa) sobre o funcionamento do cérebro. Mas acho que experimentaram todos os jogos interactivos e acabaram por se divertir bastante. Mesmo. Ainda por cima, os preços são simpáticos: os miúdos até aos 12 anos não pagam, os jovens pagam 2,50 euros e os adultos 5 euros. Para ver até 10 de junho.


2. Miradouro Panorâmico de Monsanto


Um antigo restaurante abandonado no meio de Monsanto com uma vista fabulosa e muitos recantos para explorar - os meus filhos são mais do tipo explorador do que do tipo contemplador de paisagens. E ainda dá para ver de perto o retrato de Marielle feito por Vhils. Das 9.00 às 19.00. Entrada livre.


20190410_141308.jpg


3. Exposição "Living among what's left behind"


O fotógrafo Mário Cruz - premiado pelo World Press Photo - esteve em Manila e fotografou toda a pobreza daquelas pessoas que vivem do/no lixo junto ao rio Pasig. São imagens impressionantes e ele tem a capacidade de fotografar a miséria de forma bonita mas sem fazer da miséria uma coisa bonita (que é algo que me irrita muito num determinado tipo de fotojornalismo). Foi um murro no estomago para todos, sobretudo para os miúdos que se esquecem muita vezes do quão privilegiados são. A exposição está no Palácio dos Anjos, em Algés, até 26 de maio e a entrada é livre.

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Operação "tirar adolescentes de casa"

Não são bem umas férias. Foram só quatro dias de folga que eu consegui tirar para estar um bocadinho com eles sem a pressão da escola e dos horários. Só para estarmos. O primo juntou-se nestes dias e os crescidos foram ao cinema ver o "Capitão Marvel" mas não ficaram muito satisfeitos. Além disso, houve muita playstation, alguns jogos de bola no terraço e intermináveis conversas na cama, muito para além da hora de dormir. Faz parte. Depois, todos os dias, tivemos um pequeno programa organizado por mim. Apenas para tirá-los de casa. O adolescente de serviço foi sempre obrigado e contrariado, prometendo odiar tudo. Também faz parte. Não tivemos muita sorte com o tempo. Mas é preciso muito mais do que uma chuvinha para derrotar uma mãe-que-quer-afastar-os-seus-rapazes-dos-ecrãs, não é? No final, não correu assim tão mal. Acho que até houve momentos em que se divertiram.


1. Exposição "Cérebro - mais vasto do que o céu"


Muito interessante esta exposição na Fundação Gulbenkian. Os rapazes não tiveram paciência para ler os textos e absorver toda a informação (que é imensa) sobre o funcionamento do cérebro. Mas acho que experimentaram todos os jogos interactivos e acabaram por se divertir bastante. Mesmo. Ainda por cima, os preços são simpáticos: os miúdos até aos 12 anos não pagam, os jovens pagam 2,50 euros e os adultos 5 euros. Para ver até 10 de junho.


2. Miradouro Panorâmico de Monsanto


Um antigo restaurante abandonado no meio de Monsanto com uma vista fabulosa e muitos recantos para explorar - os meus filhos são mais do tipo explorador do que do tipo contemplador de paisagens. E ainda dá para ver de perto o retrato de Marielle feito por Vhils. Das 9.00 às 19.00. Entrada livre.


20190410_141308.jpg


3. Exposição "Living among what's left behind"


O fotógrafo Mário Cruz - premiado pelo World Press Photo - esteve em Manila e fotografou toda a pobreza daquelas pessoas que vivem do/no lixo junto ao rio Pasig. São imagens impressionantes e ele tem a capacidade de fotografar a miséria de forma bonita mas sem fazer da miséria uma coisa bonita (que é algo que me irrita muito num determinado tipo de fotojornalismo). Foi um murro no estomago para todos, sobretudo para os miúdos que se esquecem muita vezes do quão privilegiados são. A exposição está no Palácio dos Anjos, em Algés, até 26 de maio e a entrada é livre.

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Wednesday, April 10, 2019

Isto não é uma comédia

After Life é uma minissérie de seis episódios escritos, realizados e interpretados por Ricky Gervais. Tendo visto Gervais em The Office, a fazer solos de stand up ou a apresentar os Globos de Ouro, uma pessoa poderia esperar que esta fosse uma série de comédia. Mas não. É muito negra até. Esta é a história de um homem, Tony, que acabou de perder a mulher e que está a passar por um complicado processo de luto, sem vontade de continuar a viver, sem conseguir encontrar qualquer sentido nisto tudo. Isto tudo é um pai que está num lar e praticamente não o reconhece, um emprego que já não o entusiasma como repórter no jornal local, e uma série de pessoas com que se vai cruzando e que lhe vão mostrando como a vida pode ser bastante ridícula. E no entanto há uma enorme ternura aqui. After Life não nos faz rir e isso acaba por ser uma boa surpresa.


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Isto não é uma comédia

After Life é uma minissérie de seis episódios escritos, realizados e interpretados por Ricky Gervais. Tendo visto Gervais em The Office, a fazer solos de stand up ou a apresentar os Globos de Ouro, uma pessoa poderia esperar que esta fosse uma série de comédia. Mas não. É muito negra até. Esta é a história de um homem, Tony, que acabou de perder a mulher e que está a passar por um complicado processo de luto, sem vontade de continuar a viver, sem conseguir encontrar qualquer sentido nisto tudo. Isto tudo é um pai que está num lar e praticamente não o reconhece, um emprego que já não o entusiasma como repórter no jornal local, e uma série de pessoas com que se vai cruzando e que lhe vão mostrando como a vida pode ser bastante ridícula. E no entanto há uma enorme ternura aqui. After Life não nos faz rir e isso acaba por ser uma boa surpresa.


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Tuesday, April 02, 2019

Desligar (a felicidade nas coisas pequenas - XXXVIII)

How-to-Get-in-Touch-with-Physical-Pleasure-in-a-Di


"We’re conditioned to maximize (and monetize) every moment of our days, and we often feel guilty if we forego work for the sake of acting purely for pleasure. I’m constantly complaining about being trapped in a capitalist system that runs on sexism, white supremacy, self-policing and devotion to devices that — one could argue — have become crucial to our survival. Yet I barely notice the wonder that is the sun’s photons warming my face because I’m too busy swiping through the paths of least congestion to get to work faster and increase my efficiency.


My new inspirational mantra is: fuck efficiency, get pleasure. What if we took a break from double-timing eating and answering emails, or tweeting while we poop? (Say what you will, but for many defecating is a pleasurable experience.) What if we just allowed ourselves these few, precious moments a day to feel unabashed, unmitigated pleasure?


Of course, reconnecting with the sensual experiences of being human isn’t a switch to be flipped, and there isn’t a definitive cure-all (i.e. “going outside”). But in a time when we’re encouraged to measure fulfillment in likes and emails answered, reclaiming pleasure in these small ways — in pausing to take the first deep breath of our day before checking our mentions, or allowing ourselves a post-exercise stretch without digital double-tasking — can be an act of resistance, and has the power to make us more fulfilled and energized in the long run.


Not to mention, it can be delicious."


Texto de Molly Savard. Ilustração de Rose Wang.  


(na sequência do post anterior)

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Desligar (a felicidade nas coisas pequenas - XXXVIII)

How-to-Get-in-Touch-with-Physical-Pleasure-in-a-Di


"We’re conditioned to maximize (and monetize) every moment of our days, and we often feel guilty if we forego work for the sake of acting purely for pleasure. I’m constantly complaining about being trapped in a capitalist system that runs on sexism, white supremacy, self-policing and devotion to devices that — one could argue — have become crucial to our survival. Yet I barely notice the wonder that is the sun’s photons warming my face because I’m too busy swiping through the paths of least congestion to get to work faster and increase my efficiency.


My new inspirational mantra is: fuck efficiency, get pleasure. What if we took a break from double-timing eating and answering emails, or tweeting while we poop? (Say what you will, but for many defecating is a pleasurable experience.) What if we just allowed ourselves these few, precious moments a day to feel unabashed, unmitigated pleasure?


Of course, reconnecting with the sensual experiences of being human isn’t a switch to be flipped, and there isn’t a definitive cure-all (i.e. “going outside”). But in a time when we’re encouraged to measure fulfillment in likes and emails answered, reclaiming pleasure in these small ways — in pausing to take the first deep breath of our day before checking our mentions, or allowing ourselves a post-exercise stretch without digital double-tasking — can be an act of resistance, and has the power to make us more fulfilled and energized in the long run.


Not to mention, it can be delicious."


Texto de Molly Savard. Ilustração de Rose Wang.  


(na sequência do post anterior)

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Monday, April 01, 2019

A felicidade nas coisas pequenas (XXXVII)

"Nestes tempos de mercantilização de cada recanto da nossa existência, da precarização, da desconexão com o que está à nossa volta, sentados, diante da TV, olhando também para o telemóvel e o computador, as pequenas alegrias do quotidiano, aqueles momentos de sentidos imensamente despertos, são essenciais.


Mas até isso se pode dissolver, adormecidos que estamos, sem percebermos que esses instantes não virão até nós por acaso. Temos que reconhecê-los para ficarem connosco. Coisas sem importância, mas que por vezes nos reconciliam com isto. Uma boa conversa. O primeiro gole de cerveja ao final da tarde. Ir para a cama sem despertador. Aquela sessão de dança. O beijo na filha de quatro anos. Rirmos sem sentido aparente. Tirar os sapatos depois de um dia duro. O cheiro de pão acabado de fazer. Apanhar um taxista calmo. O odor a terra molhada depois de uma tempestade de Verão. Um duche com música que apetece cantar. Uma declaração de amor de alguém que também se ama. Entrar na cama com lençóis lavados. Andar de mão dada na rua. Um verdadeiro e prolongado abraço. À janela, com tempo, vendo as vidas passar.


Pensar na sociedade como uma grande família em que não se compete pela sobrevivência e onde todos têm as necessidades básicas garantidas. Ter tempo. Resistir ao ruído permanente. Imaginar, viajando, existindo. Às vezes é apenas isso. Andamos em círculos, em círculos, em círculos, à procura, e está tudo aqui."


O Vítor Belanciano a dizer verdades na sua última crónica intitulada "Sem os outros somos menos que nada" (só o nome é lindo). Verdades óbvias mas tantas vezes esquecidas - até por mim, que ando há anos a apregoar "a felicidade nas coisas pequenas" (e já vamos no capítulo XXXVII).


A felicidade também pode ser só isto: encontrar um texto que nos faz parar e pensar. 

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A felicidade nas coisas pequenas (XXXVII)

"Nestes tempos de mercantilização de cada recanto da nossa existência, da precarização, da desconexão com o que está à nossa volta, sentados, diante da TV, olhando também para o telemóvel e o computador, as pequenas alegrias do quotidiano, aqueles momentos de sentidos imensamente despertos, são essenciais.


Mas até isso se pode dissolver, adormecidos que estamos, sem percebermos que esses instantes não virão até nós por acaso. Temos que reconhecê-los para ficarem connosco. Coisas sem importância, mas que por vezes nos reconciliam com isto. Uma boa conversa. O primeiro gole de cerveja ao final da tarde. Ir para a cama sem despertador. Aquela sessão de dança. O beijo na filha de quatro anos. Rirmos sem sentido aparente. Tirar os sapatos depois de um dia duro. O cheiro de pão acabado de fazer. Apanhar um taxista calmo. O odor a terra molhada depois de uma tempestade de Verão. Um duche com música que apetece cantar. Uma declaração de amor de alguém que também se ama. Entrar na cama com lençóis lavados. Andar de mão dada na rua. Um verdadeiro e prolongado abraço. À janela, com tempo, vendo as vidas passar.


Pensar na sociedade como uma grande família em que não se compete pela sobrevivência e onde todos têm as necessidades básicas garantidas. Ter tempo. Resistir ao ruído permanente. Imaginar, viajando, existindo. Às vezes é apenas isso. Andamos em círculos, em círculos, em círculos, à procura, e está tudo aqui."


O Vítor Belanciano a dizer verdades na sua última crónica intitulada "Sem os outros somos menos que nada" (só o nome é lindo). Verdades óbvias mas tantas vezes esquecidas - até por mim, que ando há anos a apregoar "a felicidade nas coisas pequenas" (e já vamos no capítulo XXXVII).


A felicidade também pode ser só isto: encontrar um texto que nos faz parar e pensar. 

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