Videoclube: quatro filmes de uma assentada (como nos velhos tempos)
Lembro com alguma nostalgia aquelas sextas-feiras à noite em que íamos buscar filmes ao videoclube. Havia um Blockbuster enorme ao pé do Fonte Nova, ficávamos lá uma meia hora pelo menos, a escrutinar as capas dos dvds. É que naquela altura não havia smartphones nem maneira de, estando ali, perante um título, saber mais sobre ele. Guiávamo-nos pelos nomes dos realizadores e dos actores e pelos resumos elogiosos das contracapas. Decisões complicadas, não podíamos errar. Trazíamos sempre dois ou três filmes. E pipocas de microondas ou gelados Häagen-Dazs, doçuras que, sabe-se lá porquê, só comprávamos quando íamos ao Blockbuster. Depois, era aproveitar o serão e o fim-de-semana para ver os filmes, e, na segunda-feira, passar na loja antes de ir trabalhar para deixá-los na caixa de entregas. Isto, claro, antes dos filhos.
(encontrei esta imagem no Google e era mais ou menos isto, paredes e estantes cheias de filmes)
O Blockbuster fechou há bastante tempo. Agora temos a box da televisão por cabo que nos permite andar para trás para vermos o que quisermos, temos as plataformas de streaming e mais a internet inteira para procurar os filmes que nos apetece ver. Foi o que fiz durante os dois dias que passei em casa às voltas com mais uma (a terceira) gripe devido à covid. Não foi nada de grave, apenas um nariz fungoso e aquela apatia que nos impede de sair do sofá e nos tira a capacidade de pensar no que quer que seja. Pois no sofá fiquei e vi tantos filmes que nem tenho a certeza de me lembrar de todos.
O meu preferido foi este: You Hurt My Feelings, realizado por Nicole Holofcener, com Julia Louis-Dreyfus e Tobias McKenzie, uma comédia-dramática, espécie de crónica sobre o quotidiano de um casal de meia-idade e sobre aquelas mentiras que todos dizemos por amor a alguém - serão assim tão inofensivas? É um estilo de filme que vai muito na linha de séries como Easy ou Modern Love, com muitos donuts e cafés bonitos e gente a falar sobre os seus problemas, que também são os nossos problemas, sem grande profundidade mas sem ser tonto, está ali no ponto ideal. Gostei muito.
Também vi Rye Lane, estreia na realização de Raine Allen-Mirrer, protagonizada por David Jonsson e Vivian Oparah. Fiz uma pesquisa para "melhores filmes de 2023" e encontrei várias referências a este, por isso decidi arriscar. Rye Lane é uma rua real, no sul de Londres, e é aí, entre lojas e esplanadas coloridas, que se passa quase toda a acção. É uma comédia romântica e isso diz tudo sobre a história, mas ainda assim foi uma boa surpresa.
Gostei menos de Showing Up, filme de Kelly Richardt, com Michelle Williams a interpretar uma artista cheia de inseguranças antes da inaguração da sua exposição, com dificuldades em relacionar-se com a sua família de artistas e com a comunidade artística de Oregon, EUA. O filme esteve nomeado para a Palma de Ouro em Cannes e a Michelle está muito bem, mas a mim aborreceu-me um bocado e acho que até adormeci pelo meio (mas pode ter sido da febre, vá).
Finalmente, na RTP2 vi o documentário A Vida é um Autocarro Vazio, sobre a escritora Maria Judite Carvalho. É uma escritora que só descobri há relativamente pouco tempo, gostei muito dos dois livros que li dela e tinha muita curiosidade sobre o filme. Achei interessante, porque ela parece ter sido uma mulher fascinante. O documentário é mais ou menos.

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