Tuesday, November 30, 2021

Tudo passa


Estou a ver o documentário dos Beatles. Como tenho pouco tempo ainda só vi o primeiro episódio. Acredito que para quem não é grande fã aquilo seja extremamente aborrecido mas para mim está a ser só delicioso. Estou a desfrutar de todos os detalhes. E a redescobrir músicas que já não ouvia há muito tempo. Como esta. Que maravilha.


 


"Sunrise doesn't last all morning
A cloudburst doesn't last all day
Seems my love is up
And has left you with no warning
But it's not always going to be this grey

 

All things must pass
All things must pass away

 

Sunset doesn't last all evening
A mind can blow those clouds away
After all this my love is up
And must be leaving
It has not always been this grey

 

All things must pass
All things must pass away

 

All things must pass
None of life's strings can last
So I must be on my way
And face another day

 

Now the darkness only stays at nighttime
In the morning it will fade away
Daylight is good
At arriving at the right time
It's not always going to be this grey

 

All things must pass
All things must pass away
All things must pass
All things must pass away"

 

(All Things Must Pass, de George Harrison)

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Monday, November 22, 2021

Breaking news

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Daqui a pouco estreia a CNN Portugal. Televisão e site.


Que alegria poder fazer parte desta aventura.

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Thursday, November 18, 2021

Casamentos

Scenes from a Marriage, a série da HBO com Jessica Chastain e Oscar Isaac, não é, ao contrário do que o título indica, sobre um casamento mas sim sobre um divórcio. Algo que também acontecia, aliás, com Marriage Story. Acho isto curioso.


Gostava de ter gostado mais destas cenas de um casamento. Os actores estão óptimos - e são lindos, os dois - e é tudo muito bem feito, os cenários, os diálogos, a realização claustrofóbica. O primeiro episódio até começa bem. Sentimos perfeitamente que aquela relação tem problemas embora todos digam que são felizes. Mas, depois, não sei, fui-me desligando daquelas personagens demasiado confusas, sem saberem bem o que querem, incongruentes até. Deve ser um problema meu que já estou numa fase da minha vida em que não tenho grande paciência para dramas (acho que nunca tive, mas agora tenho ainda menos, suponho). Comecei a enervar-me com as personagens que ora sim, ora não, ora nim. O quarto episódio, então, foi um martírio. E no quinto já estava mais do que aborrecida a desejar que aquilo acabasse.



(Também dispensava perfeitamente as cenas no backstage, não percebi qual era o objectivo, acho que não sou suficientemente intelectual para alcançar.)

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Wednesday, November 17, 2021

Está quase

Não conheço a minha médica de família, que só está na USF há pouco mais de um ano, mas gosto de receber os telefonemas da minha velha conhecida enfermeira Guilhermina a saber como me sinto e também já reconheço a voz da Eunice, a administrativa, que me deseja sempre as melhoras. Tirando a dor de garganta e as aftas, que foram os primeiros sintomas, e, depois, aqueles dois dias de gripe que passei deitada no sofá a dormir e a ver os episódios todos do Glória, acho que até nem estive muito mal. Penso muito como seria se não tivesse levado a vacina. Estou fã dos supermercados online e do cabaz do Orgânico Lisboa que me abastace de tangerinas e romãs e mais uns legumes verdes que nem sempre sei distinguir mas ponho tudo em sopa e fica óptima. Quando é que voltas a jantar connosco?, perguntou-me o meu filho que, afinal, até sente saudades minhas. Está quase. Já estou em contagem decrescente para o fim dos dez dias de isolamento-tortura e só me apetece ir para a rua apanhar sol e vento na cara. Mas, como ainda não posso, ponho os Beatles a tocar e vou adiantando trabalho. "Jojo was a man who thought he was a loner, But he knew it wouldn't last."


Diz que vem aí a quinta vaga. Cuidem-se!



I've got a feeling, Beatles

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Monday, November 08, 2021

As mulheres que limpam as nossas casas

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Faltei a um jantar a que queria ter ido, aliás nesse dia nem jantei, e fui sozinha, o que é chato sobretudo por não ter com quem trocar ideias no final, mas apesar disto tudo fui ao CCB na sexta-feira porque não queria mesmo perder o Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa, da Sara Barros Leitão. Eu já sabia que ia ser bom. Foi ainda melhor.


O espectáculo parte da realidade das criadas, mulheres que, fosse no século XIX ou no Estado Novo, iam trabalhar e viver para casa dos patrões perdendo todos os seus direitos (incluindo a liberdade, a privacidade, o direito a ter uma família e até uma vida própria) para se dedicarem a cuidar dos outros, tantas vezes sem pagamento justo nem descanso assegurado. Está tudo explicado NESTE livro que conta as histórias dessas miúdas vindas da província ainda crianças e das humilhações que sofreram.


Mas, depois, o espectáculo vem até ao 25 de abril para mostrar como até nas revoluções que se dizem de esquerda há uns que são mais iguais do que outros e até os sindicalistas precisam de alguém que lhes limpe o pó e faça o assado para o almoço. E, finalmente, viaja até aos nossos dias e faz-nos pensar nas criadas de hoje. Nas mulheres-a-dias, nas empregadas, nas senhoras da limpeza, em todas essas mulheres (porque são maioritariamente mulheres) que continuam a limpar as nossas casas. Já sem falar daquelas que, em 2021, continuam a ser "internas", sujeitas a essa quase-escravidão disfarçada de caridade, pessoas que "são como da família" só que não são, são as pessoas que limpam as sanitas das outras.


Têm essas mulheres - muitas delas imigrantes, racializadas, sem papéis, quase todas desfavorecidas social e economicamente - os seus direitos garantidos? Ou continuam a ser exploradas, assediadas, abusadas? 


Esta é uma reflexão que é preciso ter. E que não é um problema só das elites, porque hoje em dia grande parte das pessoas tem empregada, nem que seja durante quatro horas por semana, como eu.


Num momento em que questionamos os horários laborais, as 40 horas por semana, as horas extraordinárias, é importante lembrar que todas essas regras foram instituídas num tempo em que muitas das mulheres ficavam em casa e asseguravam que as compras eram feitas, a casa era limpa, a comida chegava à mesa, as crianças eram educadas e mimadas. Eram criadas não pagas das suas próprias famílias.


Num momento em que lutamos pela igualdade de género e batalhamos pelo reconhecimento das mulheres no trabalho, exigindo que haja mais mulheres nas lideranças e que sejam igualmente pagas, não nos devemos esquecer que para as mulheres "saírem de casa" para trabalhar foi preciso que outras mulheres ficassem nessas casas a fazer o trabalho que antes era delas. 


É o seu trabalho reconhecido? Estamos a dar-lhes o devido valor e a garantir-lhes adequadas condições de trabalho?


Porque não basta olhar para o passado e reconhecer como tantas coisas estavam erradas se não tirarmos daí alguma lição para o presente.


E, para além disto, o texto é óptimo, o uso dos objectos é surpreendente, a Sara é fantástica e está tudo lá, no sítio certo, para nos fazer sorrir e pensar, de tal forma que nem se dá pelo tempo passar. Eu sei que há poucas sessões mas, se puderem, não percam.

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Thursday, November 04, 2021

"A Criada"

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Se não viram ainda, vejam Maid - A Criada, na Netflix. Sobre violência doméstica, mas não só. Sobre repetição de padrões familiares. Sobre abuso emocional, controlo e medo. Sobre a importância de cada pessoa ter a sua independência financeira para poder ser livre. Sobre a dificuldade de sair. A dificuldade de pedir ajuda. A dificuldade de encontrar ajuda. Os entraves burocráticos. Os passos atrás. Sobre o que se faz pelos filhos. Sobre pais e mães. Sobre desigualdade de género. Sobre mulheres. Sobre deixar tudo. E ter coragem. E mudar de vida. E sonhar.


É lamechas, pois é. Preparem os lencinhos.

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"A Criada"

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Se não viram ainda, vejam Maid - A Criada, na Netflix. Sobre violência doméstica, mas não só. Sobre repetição de padrões familiares. Sobre abuso emocional, controlo e medo. Sobre a importância de cada pessoa ter a sua independência financeira para poder ser livre. Sobre a dificuldade de sair. A dificuldade de pedir ajuda. A dificuldade de encontrar ajuda. Os entraves burocráticos. Os passos atrás. Sobre o que se faz pelos filhos. Sobre pais e mães. Sobre desigualdade de género. Sobre mulheres. Sobre deixar tudo. E ter coragem. E mudar de vida. E sonhar.


É lamechas, pois é. Preparem os lencinhos.

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