Wednesday, September 22, 2021

Love: For real

"Love" é o espectáculo de Alexander Zeldin que vai estar esta semana (quinta e sexta-feira) na Culturgest. Um espectáculo que parte de situações reais de pessoas que, por algum motivo, vivem num abrigo, sendo forçadas a partilhar o seu espaço e a sua intimidade com outras pessoas que mal conhecem. Pessoas que não têm uma casa ou que tiveram de sair da sua casa ou que estão à procura de uma casa.


A propósito de "Love", fui falar com o Marco, o José e a Sumaj, três pessoas que já moraram na rua, já moraram em abrigos e agora têm um casa. 


A reportagem "For real - O real à procura do teatro" faz parte do primeiro número do "Projecto Invisível", a nova revista sonora da Culturgest, uma maneira diferente de explorar a programação e de viajar com ela e a partir dela.


Fiquei mesmo contente por poder fazer parte deste projecto e por fazer uma coisa de que gosto tanto, que é descobrir pessoas, conversar com elas e arranjar uma maneira (desta vez uma maneira não-escrita) de contar as suas histórias. 


Espero que ouçam e que gostem. Eu acho que está mesmo bonito.


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Love: For real

"Love" é o espectáculo de Alexander Zeldin que vai estar esta semana (quinta e sexta-feira) na Culturgest. Um espectáculo que parte de situações reais de pessoas que, por algum motivo, vivem num abrigo, sendo forçadas a partilhar o seu espaço e a sua intimidade com outras pessoas que mal conhecem. Pessoas que não têm uma casa ou que tiveram de sair da sua casa ou que estão à procura de uma casa.


A propósito de "Love", fui falar com o Marco, o José e a Sumaj, três pessoas que já moraram na rua, já moraram em abrigos e agora têm um casa. 


A reportagem "For real - O real à procura do teatro" faz parte do primeiro número do "Projecto Invisível", a nova revista sonora da Culturgest, uma maneira diferente de explorar a programação e de viajar com ela e a partir dela.


Fiquei mesmo contente por poder fazer parte deste projecto e por fazer uma coisa de que gosto tanto, que é descobrir pessoas, conversar com elas e arranjar uma maneira (desta vez uma maneira não-escrita) de contar as suas histórias. 


Espero que ouçam e que gostem. Eu acho que está mesmo bonito.


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Saturday, September 18, 2021

Mais uma viagem, mais uma corrida

Eu fui a Paris. Foi a minha loucura.


Fomos os três passar duas noites a Santa Cruz num sítio bem catita. Foi o nosso "momento família".


E depois fomos meia dúzia de dias para o Algarve já em modo "os meus e os amigos", que é uma coisa que resulta muito bem quando se tem filhos adolescentes.


Pelo meio, o Pedro teve uma semana de surf em Carcavelos, uma semana radical no Malhadal com a Junta de Freguesia e uma semana de actividades do clube de BTT.


E o António esteve em tantos sítios e com tantos amigos que é impossível agora dizer, só sei que quase não parou em casa e que ele elegeu estas como "as melhores férias de sempre". 


Foram umas férias um bocadinho atípicas, como se previa. Mas palpita-me que a partir de agora a coisa vai ser mais ou menos assim. Cada um nos seus programas e, depois, tentar encontrar momentos, ainda que curtos, para estarmos juntos e sermos felizes fora da rotina infernal.


Estamos nesta aprendizagem, e até agora acho que nos estamos a sair bem.


Entretanto, no último dia de férias, o Pedro testou positivo para a covid e tivemos que ficar os dois em isolamento durante dez dias: ele no quarto a jogar playstation, eu na sala a trabalhar. Só assim para acabar em grande.


Já passou. Já levámos com o setembro em cima. E por mais que nos preparemos para isto nunca estamos preparados. Siga.

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Mais uma viagem, mais uma corrida

Eu fui a Paris. Foi a minha loucura.


Fomos os três passar duas noites a Santa Cruz num sítio bem catita. Foi o nosso "momento família".


E depois fomos meia dúzia de dias para o Algarve já em modo "os meus e os amigos", que é uma coisa que resulta muito bem quando se tem filhos adolescentes.


Pelo meio, o Pedro teve uma semana de surf em Carcavelos, uma semana radical no Malhadal com a Junta de Freguesia e uma semana de actividades do clube de BTT.


E o António esteve em tantos sítios e com tantos amigos que é impossível agora dizer, só sei que quase não parou em casa e que ele elegeu estas como "as melhores férias de sempre". 


Foram umas férias um bocadinho atípicas, como se previa. Mas palpita-me que a partir de agora a coisa vai ser mais ou menos assim. Cada um nos seus programas e, depois, tentar encontrar momentos, ainda que curtos, para estarmos juntos e sermos felizes fora da rotina infernal.


Estamos nesta aprendizagem, e até agora acho que nos estamos a sair bem.


Entretanto, no último dia de férias, o Pedro testou positivo para a covid e tivemos que ficar os dois em isolamento durante dez dias: ele no quarto a jogar playstation, eu na sala a trabalhar. Só assim para acabar em grande.


Já passou. Já levámos com o setembro em cima. E por mais que nos preparemos para isto nunca estamos preparados. Siga.

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Thursday, September 16, 2021

Um amor inquebrável

Já o sabíamos, desde o momento em que os segurámos nos braços eram eles apenas três quilos de gente a choramingar e a sujar as fraldas, mas à medida que crescem tomamos ainda mais consciência deste facto: o amor que temos pelos filhos é completamente irracional, incondicional e infinito. E isso é algo ao mesmo tempo maravilhoso e assustador. Não me canso de me surpreender com esta capacidade para amar de forma tão arrebatadora uma pessoa que tem as suas próprias ideias, tantas vezes contrárias às minhas, que faz escolhas com as quais posso não concordar, que tem atitudes que por vezes me parecem incompreensíveis, que regularmente me parte o coração e me deixa de rastos, a duvidar de mim mesma e da minha capacidade para ser mãe. Não toleraria isto a mais ninguém. Só aos filhos permitimos que nos façam sofrer assim. E no dia seguinte lá estamos a fazer-lhes festinhas na cabeça, a comprar o pão de que eles gostam para o pequeno-almoço, a pagar-lhes o Spotify Premium que nunca assinámos porque achamos que é dinheiro mal gasto, a perder noites de sono atormentadas pelas preocupações. E se ele não for feliz?, e só essa ideia é suficiente para sentir um aperto no peito que é quase insuportável. O amor que temos pelos filhos é resistente. Inquebrável. Gostarei de ti mesmo quando mais ninguém gostar, mesmo quando tu próprio não gostares (gostarei de ti mesmo quando não gostar). Só aos meus filhos poderei dizer isto tendo a certeza absoluta de que será sempre verdade.


E, no entanto, quando ele saiu de casa ainda há pouco, com a mochila às costas e os phones nos ouvidos, preparado para mais um recomeço, disse-lhe apenas "tem um dia bom". Acho que ele percebeu.

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Um amor inquebrável

Já o sabíamos, desde o momento em que os segurámos nos braços eram eles apenas três quilos de gente a choramingar e a sujar as fraldas, mas à medida que crescem tomamos ainda mais consciência deste facto: o amor que temos pelos filhos é completamente irracional, incondicional e infinito. E isso é algo ao mesmo tempo maravilhoso e assustador. Não me canso de me surpreender com esta capacidade para amar de forma tão arrebatadora uma pessoa que tem as suas próprias ideias, tantas vezes contrárias às minhas, que faz escolhas com as quais posso não concordar, que tem atitudes que por vezes me parecem incompreensíveis, que regularmente me parte o coração e me deixa de rastos, a duvidar de mim mesma e da minha capacidade para ser mãe. Não toleraria isto a mais ninguém. Só aos filhos permitimos que nos façam sofrer assim. E no dia seguinte lá estamos a fazer-lhes festinhas na cabeça, a comprar o pão de que eles gostam para o pequeno-almoço, a pagar-lhes o Spotify Premium que nunca assinámos porque achamos que é dinheiro mal gasto, a perder noites de sono atormentadas pelas preocupações. E se ele não for feliz?, e só essa ideia é suficiente para sentir um aperto no peito que é quase insuportável. O amor que temos pelos filhos é resistente. Inquebrável. Gostarei de ti mesmo quando mais ninguém gostar, mesmo quando tu próprio não gostares (gostarei de ti mesmo quando não gostar). Só aos meus filhos poderei dizer isto tendo a certeza absoluta de que será sempre verdade.


E, no entanto, quando ele saiu de casa ainda há pouco, com a mochila às costas e os phones nos ouvidos, preparado para mais um recomeço, disse-lhe apenas "tem um dia bom". Acho que ele percebeu.

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Thursday, September 09, 2021

Mais coisas (e mulheres) estranhas que eu vejo por aí

Então, Maria João, já viste a Casa de Papel? Nem por isso. Mas em compensação vi isto:


A Diretora


The Chair, no original, é uma das estreias recentes na Netflix. Sandra Oh (que para mim há de ser sempre a Cristina Yang da Anatomia de Grey) é a professora Ji-Yoon Kim, que acaba de assumir o cargo de diretora do departamento de literatura inglesa numa pequena universidade americana e se vê a braços com uma série de dificuldades, a começar pela falta de interesse dos alunos pela literatura (e aquilo que a universidade está disposta a fazer para "seduzir" mais alunos e mais financiadores), passando pelos professores mais velhos que não sabem como cativar os jovens e tecnológicos estudantes, e terminando com um professor que é filmado a fazer uma saudação nazi (ainda que irónica) numa aula. Isto, sem falar dos muitos dramas pessoais que por ali se cruzam. Há muita questões a ser levantadas, sobretudo no que toca ao elitismo e à falta de representatividade nos meios académicos e também ao chamado "politicamente correcto" (a que poderíamos chamar só "o correcto", não?), aos julgamentos nas redes sociais e à "cancel culture". No final fica uma certa desilusão, gostava que a série tivesse ido um pouco mais fundo na análise do caso, mas, vistas bem as coisas, isto é só um "comedy-drama" que se quer leve e até temos direito a David Duchovny (ele mesmo, o dos Ficheiros Secretos) a gozar consigo próprio, o que é muito bom.



Mrs. Fletcher


Uma mulher com quarenta e tal anos, divorciada, enfrenta a solidão depois de o filho sair de casa para ir para a universidade. Uma vez que já não tem que dar contas a ninguém, esta é a oportunidade para se descobrir e para concretizar algumas das suas fantasias. Kathryn Hahn é a protagonista desta minissérie que está na HBO. Não é nada do outro mundo (mesmo) mas fala de uma maneira divertida de alguns assuntos que ainda são mais ou menos tabu na sexualidade das mulheres (pornografia, masturbação, fantasias, sexo com outra mulheres, com rapazes mais jovens, com várias pessoas...). Às vezes parece tudo um bocadinho forçado, mas gosto muito da ideia: faz o que te apetecer que já não tens idade para estares com vergonhas e com merdas.



Alias Grace


A pessoa não resiste a uma série histórica, não é? Esta, baseada numa obra de Margaret Atwood (que aparece por breves segundos numa das cenas), conta-nos a história de Grace Marks, imigrante irlandesa no Canadá do século XIX, condenada por homicídio tendo já passado por hospícios e prisões com diferentes graus de tortura. Desafiada a contar a história da sua vida a um psicólogo americano, que irá tentar perceber se ela é de facto culpada ou inocente ou apenas louca, a impassível Grace (interpretação de Sarah Gadon) mergulha nas memórias e cria uma narrativa de si mesma sem que seja possível distinguir onde está a verdade e onde está a mentira (e não faremos todos um bocadinho isso?).


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Mais coisas (e mulheres) estranhas que eu vejo por aí

Então, Maria João, já viste a Casa de Papel? Nem por isso. Mas em compensação vi isto:


A Diretora


The Chair, no original, é uma das estreias recentes na Netflix. Sandra Oh (que para mim há de ser sempre a Cristina Yang da Anatomia de Grey) é a professora Ji-Yoon Kim, que acaba de assumir o cargo de diretora do departamento de literatura inglesa numa pequena universidade americana e se vê a braços com uma série de dificuldades, a começar pela falta de interesse dos alunos pela literatura (e aquilo que a universidade está disposta a fazer para "seduzir" mais alunos e mais financiadores), passando pelos professores mais velhos que não sabem como cativar os jovens e tecnológicos estudantes, e terminando com um professor que é filmado a fazer uma saudação nazi (ainda que irónica) numa aula. Isto, sem falar dos muitos dramas pessoais que por ali se cruzam. Há muita questões a ser levantadas, sobretudo no que toca ao elitismo e à falta de representatividade nos meios académicos e também ao chamado "politicamente correcto" (a que poderíamos chamar só "o correcto", não?), aos julgamentos nas redes sociais e à "cancel culture". No final fica uma certa desilusão, gostava que a série tivesse ido um pouco mais fundo na análise do caso, mas, vistas bem as coisas, isto é só um "comedy-drama" que se quer leve e até temos direito a David Duchovny (ele mesmo, o dos Ficheiros Secretos) a gozar consigo próprio, o que é muito bom.



Mrs. Fletcher


Uma mulher com quarenta e tal anos, divorciada, enfrenta a solidão depois de o filho sair de casa para ir para a universidade. Uma vez que já não tem que dar contas a ninguém, esta é a oportunidade para se descobrir e para concretizar algumas das suas fantasias. Kathryn Hahn é a protagonista desta minissérie que está na HBO. Não é nada do outro mundo (mesmo) mas fala de uma maneira divertida de alguns assuntos que ainda são mais ou menos tabu na sexualidade das mulheres (pornografia, masturbação, fantasias, sexo com outra mulheres, com rapazes mais jovens, com várias pessoas...). Às vezes parece tudo um bocadinho forçado, mas gosto muito da ideia: faz o que te apetecer que já não tens idade para estares com vergonhas e com merdas.



Alias Grace


A pessoa não resiste a uma série histórica, não é? Esta, baseada numa obra de Margaret Atwood (que aparece por breves segundos numa das cenas), conta-nos a história de Grace Marks, imigrante irlandesa no Canadá do século XIX, condenada por homicídio tendo já passado por hospícios e prisões com diferentes graus de tortura. Desafiada a contar a história da sua vida a um psicólogo americano, que irá tentar perceber se ela é de facto culpada ou inocente ou apenas louca, a impassível Grace (interpretação de Sarah Gadon) mergulha nas memórias e cria uma narrativa de si mesma sem que seja possível distinguir onde está a verdade e onde está a mentira (e não faremos todos um bocadinho isso?).


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