Monday, July 19, 2021

As coisas estranhas que eu vejo

Andamos sempre a trocar ideias sobre séries. O que tens visto? Aconselham alguma coisa? Ah, tenho mesmo que ver essa. Mas, depois, não. Na maior parte das vezes, ou me esqueço de tudo o que me foi aconselhado (é o mais comum) ou então descubro que não me apetece ver nada daquilo e acabo a ver outra coisa qualquer, daquelas de que mais ninguém gosta, muito provavelmente documentários. Portanto, nestes dias de férias em casa, acabei a ver, entre outras coisas, estas de que gostei muito:


Leonard and Marianne: Words of Love, sobre a história de amor entre o músico Leonard Cohen e a norueguesa Marianne, que começou na ilha grega de Hydra quando Cohen era ainda um escritor falhado, antes de se tornar um músico conhecido.



Five Came Back sobre os cinco realizadores norte-americanos que, durante a Segunda Guerra Mundial, se juntaram ao exército para fazer filmes de propaganda: John Ford, Frank Capra, William Wyler, George Stevens e John Houston. É muito interessante perceber como os filmes foram feitos, quais os objetivos políticos e estratégicos e o modo como cada realizador lidou com a situação e como a guerra acabaria por influenciar o seu trabalho futuro. Fiquei com imensa vontade de ver ou rever todos os filmes destes homens - com todos os seus anacronismos, patriotismo, machismo, moralismo, excesso de americanismo e todas essas coisas que hoje nos parecem insuportáveis mas que são, por isso mesmo, um excelente retrato do seu tempo.



Circus of Books conta a história de um banal casal de norte-americanos que acabam por se tornar donos de uma conhecida loja de artigos de pornografia gay em Los Angeles. O filme é realizado por uma das filhas e tem pormenores bastante curiosos, como o facto de a mãe ser judia e muito religiosa e de, durante muito tempo, eles terem escondido o seu negócio de todos os familiares e amigos.


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As coisas estranhas que eu vejo

Andamos sempre a trocar ideias sobre séries. O que tens visto? Aconselham alguma coisa? Ah, tenho mesmo que ver essa. Mas, depois, não. Na maior parte das vezes, ou me esqueço de tudo o que me foi aconselhado (é o mais comum) ou então descubro que não me apetece ver nada daquilo e acabo a ver outra coisa qualquer, daquelas de que mais ninguém gosta, muito provavelmente documentários. Portanto, nestes dias de férias em casa, acabei a ver, entre outras coisas, estas de que gostei muito:


Leonard and Marianne: Words of Love, sobre a história de amor entre o músico Leonard Cohen e a norueguesa Marianne, que começou na ilha grega de Hydra quando Cohen era ainda um escritor falhado, antes de se tornar um músico conhecido.



Five Came Back sobre os cinco realizadores norte-americanos que, durante a Segunda Guerra Mundial, se juntaram ao exército para fazer filmes de propaganda: John Ford, Frank Capra, William Wyler, George Stevens e John Houston. É muito interessante perceber como os filmes foram feitos, quais os objetivos políticos e estratégicos e o modo como cada realizador lidou com a situação e como a guerra acabaria por influenciar o seu trabalho futuro. Fiquei com imensa vontade de ver ou rever todos os filmes destes homens - com todos os seus anacronismos, patriotismo, machismo, moralismo, excesso de americanismo e todas essas coisas que hoje nos parecem insuportáveis mas que são, por isso mesmo, um excelente retrato do seu tempo.



Circus of Books conta a história de um banal casal de norte-americanos que acabam por se tornar donos de uma conhecida loja de artigos de pornografia gay em Los Angeles. O filme é realizado por uma das filhas e tem pormenores bastante curiosos, como o facto de a mãe ser judia e muito religiosa e de, durante muito tempo, eles terem escondido o seu negócio de todos os familiares e amigos.


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Sunday, July 18, 2021

Paris: voltar como se fosse a primeira vez

A viagem a Paris foi marcada durante o almoço de aniversário da Paula, enquanto bebíamos uma garrafa de um fantástico vinho branco, por isso é provável que não tenha sido uma decisão muito racional. Mas, vamos lá ver, estávamos há mais de oito meses em confinamento, eu tinha sido despedida há pouco tempo e a perspectiva era ficar durante os meses seguintes sem emprego ou, pelo menos, sem emprego fixo, ou seja, continuar fechada em casa com os meus filhos e os meus pensamentos e, muito provavelmente, a entrar em depressão. Vem comigo, disse-me ela, naquele seu jeito decidido. Está bem, respondi num impulso. Ela pegou no telefone e dois minutos depois já estava tudo marcado. Pronto.


Nunca tinha tirado férias sem filhos. O máximo que tinha feito tinha sido passar um fim de semana fora, uma noite. Geralmente, quando estou sem filhos estou a trabalhar (o que também é bom mas não é a mesma coisa). Nunca tinha gastado dias de férias para estar sem eles. Desta vez ia estar cinco noites fora. Depois de ter marcado a viagem fui várias vezes assaltada por aquele sentimento de culpa que as mães conhecem tão bem. Logo este ano em que, afinal, vou ter menos dias de férias, é que me deu para isto. E o dinheiro que vou gastar. Se calhar devia desmarcar tudo e ir com os putos para algum lado. Enfim. O grilo falante a atormentar-me o juízo todas as noites. Mas, vendo bem, não havia motivos para tal. E, convenhamos, os miúdos estão crescidos e isto vai ter de acontecer cada vez mais, por isso é bom que me comece a habituar.


A verdade é que estava mesmo a precisar disto. Estava a precisar de sair de casa, de não cozinhar, de não pensar, de descansar a cabeça, de me deixar ir. Depois deste ano e meio de confinamento, estava também a precisar de estar sem eles.


Podia ser Paris ou outro lado qualquer, acho que teria sido bom de qualquer maneira. Mas ainda bem que foi assim porque foi muito, muito fixe. 


Foi a quarta vez que estive em Paris (a última tinha sido com os miúdos) mas deu para ver várias coisas pela primeira vez - o Palácio de Versalhes com o seus jardins, o enorme Museu do Louvre (e a Mona Lisa), a maravilhosa livraria Shakespeare and Company, um lugar onde apetece ficar um dia inteiro, o Museu Rodin (com o bónus de ter uma exposição que junta Picasso e Rodin). É muito engraçado estar nestes sítios todos, que já conhecemos dos filmes, e ver como são na realidade. Deu para passear sem pressas, para andarmos muito a pé, para ficarmos só paradas a ver, para rirmos que nem perdidas, para conversarmos e conversarmos, para, por uns dias, esquecermos a nossa vidinha e simplesmente passar o cartão sem fazer contas ao preço do almoço. Paris é uma cidade muito bonita e vibrante, onde sabe bem passear, ver os prédios, as janelas, as varandas, os jardins, os cafés, os artistas de rua.


Uma das coisas que mais nos espantou foi ver que, à exceção dos transportes públicos e do museus, onde todos usam máscara, quase nem dávamos pela pandemia. Na rua, não se viam máscaras nem havia distanciamento. Havia multidões, filas, ajuntamentos. Restaurantes cheios. Gente a dançar nas praças. (E eu, que nem sou nada de ter medos de doenças, andava sempre de máscara, a desinfectar as mãos como uma maluquinha e a recusar-me a entrar nos bares lotados. Tenho muitas saudades de dançar, que tenho, mas ainda não estou preparada para isto...)


Foi tão bom que quando demos por nós já estávamos a fazer planos para a próxima viagem.


paris.jfif


rio.jfif


shakespeare.jfif


rodin.jfif

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Paris: voltar como se fosse a primeira vez

A viagem a Paris foi marcada durante o almoço de aniversário da Paula, enquanto bebíamos uma garrafa de um fantástico vinho branco, por isso é provável que não tenha sido uma decisão muito racional. Mas, vamos lá ver, estávamos há mais de oito meses em confinamento, eu tinha sido despedida há pouco tempo e a perspectiva era ficar durante os meses seguintes sem emprego ou, pelo menos, sem emprego fixo, ou seja, continuar fechada em casa com os meus filhos e os meus pensamentos e, muito provavelmente, a entrar em depressão. Vem comigo, disse-me ela, naquele seu jeito decidido. Está bem, respondi num impulso. Ela pegou no telefone e dois minutos depois já estava tudo marcado. Pronto.


Nunca tinha tirado férias sem filhos. O máximo que tinha feito tinha sido passar um fim de semana fora, uma noite. Geralmente, quando estou sem filhos estou a trabalhar (o que também é bom mas não é a mesma coisa). Nunca tinha gastado dias de férias para estar sem eles. Desta vez ia estar cinco noites fora. Depois de ter marcado a viagem fui várias vezes assaltada por aquele sentimento de culpa que as mães conhecem tão bem. Logo este ano em que, afinal, vou ter menos dias de férias, é que me deu para isto. E o dinheiro que vou gastar. Se calhar devia desmarcar tudo e ir com os putos para algum lado. Enfim. O grilo falante a atormentar-me o juízo todas as noites. Mas, vendo bem, não havia motivos para tal. E, convenhamos, os miúdos estão crescidos e isto vai ter de acontecer cada vez mais, por isso é bom que me comece a habituar.


A verdade é que estava mesmo a precisar disto. Estava a precisar de sair de casa, de não cozinhar, de não pensar, de descansar a cabeça, de me deixar ir. Depois deste ano e meio de confinamento, estava também a precisar de estar sem eles.


Podia ser Paris ou outro lado qualquer, acho que teria sido bom de qualquer maneira. Mas ainda bem que foi assim porque foi muito, muito fixe. 


Foi a quarta vez que estive em Paris (a última tinha sido com os miúdos) mas deu para ver várias coisas pela primeira vez - o Palácio de Versalhes com o seus jardins, o enorme Museu do Louvre (e a Mona Lisa), a maravilhosa livraria Shakespeare and Company, um lugar onde apetece ficar um dia inteiro, o Museu Rodin (com o bónus de ter uma exposição que junta Picasso e Rodin). É muito engraçado estar nestes sítios todos, que já conhecemos dos filmes, e ver como são na realidade. Deu para passear sem pressas, para andarmos muito a pé, para ficarmos só paradas a ver, para rirmos que nem perdidas, para conversarmos e conversarmos, para, por uns dias, esquecermos a nossa vidinha e simplesmente passar o cartão sem fazer contas ao preço do almoço. Paris é uma cidade muito bonita e vibrante, onde sabe bem passear, ver os prédios, as janelas, as varandas, os jardins, os cafés, os artistas de rua.


Uma das coisas que mais nos espantou foi ver que, à exceção dos transportes públicos e do museus, onde todos usam máscara, quase nem dávamos pela pandemia. Na rua, não se viam máscaras nem havia distanciamento. Havia multidões, filas, ajuntamentos. Restaurantes cheios. Gente a dançar nas praças. (E eu, que nem sou nada de ter medos de doenças, andava sempre de máscara, a desinfectar as mãos como uma maluquinha e a recusar-me a entrar nos bares lotados. Tenho muitas saudades de dançar, que tenho, mas ainda não estou preparada para isto...)


Foi tão bom que quando demos por nós já estávamos a fazer planos para a próxima viagem.


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Thursday, July 01, 2021

Julho - a felicidade nas coisas pequenas (XLVII)

Isto este ano atrasou tudo e ainda por cima não vou ter tantas férias e a vida não está fácil por vários motivos e parece que vem aí uma quarta vaga mas, bom, estamos em julho e finalmente acho que sinto aquele espírito do verão a entrar em mim.


A parte melhor do verão: dias longos, putos de férias, horários flexíveis, tentar que as coisas corram sem grandes stresses e que, mesmo que se tenha de trabalhar, consigamos estar com as pessoas de quem gostamos. Mais tempo com pessoas e menos tempo nas redes sociais. Todo o tempo que passarmos longe dos ecrãs é tempo ganho.


Ando a fazer o nosso calendário de julho e agosto - somos três, com idades e necessidades muito diferentes, queremos estar juntos mas também queremos (e precisamos) estar afastados uns dos outros, sobretudo depois deste ano e meio de confinamento - e, apesar dos grandes desafios logísticos (já estamos habituados), a palavra de ordem é esta: aproveitar todo o tempo possível para descansar e desligar.


Não temos maneira de ir para ilhas paradisíacas mas haveremos de arranjar maneira de ser felizes à mesma.


paradise-island.png

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Julho - a felicidade nas coisas pequenas (XLVII)

Isto este ano atrasou tudo e ainda por cima não vou ter tantas férias e a vida não está fácil por vários motivos e parece que vem aí uma quarta vaga mas, bom, estamos em julho e finalmente acho que sinto aquele espírito do verão a entrar em mim.


A parte melhor do verão: dias longos, putos de férias, horários flexíveis, tentar que as coisas corram sem grandes stresses e que, mesmo que se tenha de trabalhar, consigamos estar com as pessoas de quem gostamos. Mais tempo com pessoas e menos tempo nas redes sociais. Todo o tempo que passarmos longe dos ecrãs é tempo ganho.


Ando a fazer o nosso calendário de julho e agosto - somos três, com idades e necessidades muito diferentes, queremos estar juntos mas também queremos (e precisamos) estar afastados uns dos outros, sobretudo depois deste ano e meio de confinamento - e, apesar dos grandes desafios logísticos (já estamos habituados), a palavra de ordem é esta: aproveitar todo o tempo possível para descansar e desligar.


Não temos maneira de ir para ilhas paradisíacas mas haveremos de arranjar maneira de ser felizes à mesma.


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