Tuesday, March 30, 2021

Cinco coisas bonitas para nos alegrar os dias de confinamento

Para uma história do teatro


No Dia Mundial do Teatro, o André e. Teodósio deu uma conferência sobre a história do teatro experimental em Portugal, desde os anos 40 até ao presente. Para além da enorme pesquisa, é impressionante ver toda a reflexão que ele fez para conseguir esquematizar e sintetizar influências, linhas de trabalho, objectivos, problemas, projectos e desafios de tanta gente. Além disso, dá para sentir toda a paixão do André pelo teatro e pelo teatro experimental. A conferência continua disponível no Facebook do Teatro do Bairro Alto. Aproveitem.


Misantropo-7f_PC.jpg


(a foto é de O Misantropo, o primeiro espetáculo da Cornucópia, 1973)


Casas para as pessoas


Também no Dia Mundial do Teatro, o São Luiz propôs uma programação online para "Estar em Casa" que, entre muitas outras coisas, incluiu uma intervenção da designer e antropóloga brasileira Zoy Anastassakis que falou sobre a sua relação com a obra do seu pai, o arquiteto e urbanista Demetre Anastassakis. Oportunidade para pensarmos no direito à habitação e na arquitectura para as pessoas, em vez de ser só uma arte da monumentalidade e do exibicionismo de formas e de egos. Aqui está:



Duas séries para ver em streaming


Não tenho visto muita coisa e ainda nem comecei a ver os filmes dos Óscares (desta semana não passa, está decidido) mas, neste último mês, vi na HBO duas séries muito diferentes e de que gostei bastante.


It's a Sin coloca-nos em Londres, nos anos 80, a acompanhar um grupo de jovens na descoberta da sua sexualidade (para quase todos homossexualidade) e, depois, no confronto com a sida. Oscila, por isso, entre a alegria queer desenfreada e a tristeza mais profunda. É também uma história do preconceito e da ignorância - e de como o medo do desconhecido pode ser tão desumanizador. 



Normal People leva-nos para a Irlanda e também nos põe a acompanhar um grupo de jovens, primeiro no liceu e depois na faculdade, e, de entre eles, os amores e desamores de Marianne e Connell. São duas pessoas bastante problemáticas. Ele com muita dificuldade em expressar o que sente e em dizer o que quer. Ela com traumas familiares que influenciam muito a ideia que tem si mesma e o que julga ser o seu lugar no mundo. Ambos com uma imensa dificuldade em ser quem realmente são, em assumir-se perante os outros. Algo que só conseguirão ultrapassar juntos. O amor nem sempre é um caminho fácil e nem sempre tem um happy end, mas nem por isso deixa de ser amor, não é?



Escusado será dizer que me fartei de chorar a ver estas duas séries. 


E já agora prestem atenção às bandas sonoras, as duas magníficas, cada uma no seu género.


Música para fugir das breaking news


Uma das coisas de que tenho mais saudades é de ouvir música enquanto trabalho. Era algo que eu fazia e que, agora, no meu trabalho novo, porque tenho que estar sempre atenta à televisão, não é possível. O ritmo das breaking news pode ser muito intenso e, às vezes, é mesmo preciso parar e desligar. Nas minhas pausas, nestes últimos dias, tenho tido a companhia de Bach interpretado pelo pianista islandês Víkingur Ólafsson:



(e dizer, mais uma vez, que sou muito agradecida a todas as pessoas que me mostram músicas novas, livros novos, mundos novos e que me ajudam a cuidar do meu jardim. assim vai valendo a pena.)

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Cinco coisas bonitas para nos alegrar os dias de confinamento

Para uma história do teatro


No Dia Mundial do Teatro, o André e. Teodósio deu uma conferência sobre a história do teatro experimental em Portugal, desde os anos 40 até ao presente. Para além da enorme pesquisa, é impressionante ver toda a reflexão que ele fez para conseguir esquematizar e sintetizar influências, linhas de trabalho, objectivos, problemas, projectos e desafios de tanta gente. Além disso, dá para sentir toda a paixão do André pelo teatro e pelo teatro experimental. A conferência continua disponível no Facebook do Teatro do Bairro Alto. Aproveitem.


Misantropo-7f_PC.jpg


(a foto é de O Misantropo, o primeiro espetáculo da Cornucópia, 1973)


Casas para as pessoas


Também no Dia Mundial do Teatro, o São Luiz propôs uma programação online para "Estar em Casa" que, entre muitas outras coisas, incluiu uma intervenção da designer e antropóloga brasileira Zoy Anastassakis que falou sobre a sua relação com a obra do seu pai, o arquiteto e urbanista Demetre Anastassakis. Oportunidade para pensarmos no direito à habitação e na arquitectura para as pessoas, em vez de ser só uma arte da monumentalidade e do exibicionismo de formas e de egos. Aqui está:



Duas séries para ver em streaming


Não tenho visto muita coisa e ainda nem comecei a ver os filmes dos Óscares (desta semana não passa, está decidido) mas, neste último mês, vi na HBO duas séries muito diferentes e de que gostei bastante.


It's a Sin coloca-nos em Londres, nos anos 80, a acompanhar um grupo de jovens na descoberta da sua sexualidade (para quase todos homossexualidade) e, depois, no confronto com a sida. Oscila, por isso, entre a alegria queer desenfreada e a tristeza mais profunda. É também uma história do preconceito e da ignorância - e de como o medo do desconhecido pode ser tão desumanizador. 



Normal People leva-nos para a Irlanda e também nos põe a acompanhar um grupo de jovens, primeiro no liceu e depois na faculdade, e, de entre eles, os amores e desamores de Marianne e Connell. São duas pessoas bastante problemáticas. Ele com muita dificuldade em expressar o que sente e em dizer o que quer. Ela com traumas familiares que influenciam muito a ideia que tem si mesma e o que julga ser o seu lugar no mundo. Ambos com uma imensa dificuldade em ser quem realmente são, em assumir-se perante os outros. Algo que só conseguirão ultrapassar juntos. O amor nem sempre é um caminho fácil e nem sempre tem um happy end, mas nem por isso deixa de ser amor, não é?



Escusado será dizer que me fartei de chorar a ver estas duas séries. 


E já agora prestem atenção às bandas sonoras, as duas magníficas, cada uma no seu género.


Música para fugir das breaking news


Uma das coisas de que tenho mais saudades é de ouvir música enquanto trabalho. Era algo que eu fazia e que, agora, no meu trabalho novo, porque tenho que estar sempre atenta à televisão, não é possível. O ritmo das breaking news pode ser muito intenso e, às vezes, é mesmo preciso parar e desligar. Nas minhas pausas, nestes últimos dias, tenho tido a companhia de Bach interpretado pelo pianista islandês Víkingur Ólafsson:



(e dizer, mais uma vez, que sou muito agradecida a todas as pessoas que me mostram músicas novas, livros novos, mundos novos e que me ajudam a cuidar do meu jardim. assim vai valendo a pena.)

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Sunday, March 21, 2021

A felicidade nas coisas pequenas (XLV)

 



Music for Lovers, de Nina Simone


(mas experimentem ouvir o disco todo, Baltimore)


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A felicidade nas coisas pequenas (XLV)

 



Music for Lovers, de Nina Simone


(mas experimentem ouvir o disco todo, Baltimore)


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Tuesday, March 09, 2021

Dia de todas as mulheres

É muito cansativo ser mulher no Dia da Mulher. No supermercado, havia ontem uma bancada especial com flores. No Facebook, amigos falavam do quanto as mulheres são especiais porque têm o poder de dar vida e mandavam mensagens desejando um "feliz dia". Na comunicação social, repetiram-se as entrevistas às mulheres de sucesso. A sério. É muito cansativo ser mulher no Dia da Mulher, o que nos mostra o quanto este dia ainda é necessário.


Fixemos isto: em 2021 houve uma mulher, diretora de um jornal, que se deu ao luxo de escrever nas suas redes sociais que "das fracas não rezará a história", como se só as CEO deste mundo fossem "mulheres com M maiúsculo". Infelizmente, não é a única a pensar assim.


Podíamos comentar como é fácil ser forte quando se é herdeira de uma empresa e se tem uma Marilene lá em casa a fazer o jantar para toda a família, mas não vamos entrar por aí, não é? O problema é muito mais grave do que isso. É que esta ideia de mulheres fortes e fracas remete para uma hierarquização das pessoas em função de um determinado conceito de estatuto social. E isso é algo tão inacreditavelmente preconceituoso.


Em nome das "fraquinhas" deste mundo, quero homenagear todas as mulheres - mesmo aquelas anónimas que não terão nunca direito a um rodapé nos livros de história - e dizer-lhes que independentemente de serem criadas ou gestoras de empresas, de serem ricas ou pobres, gordas ou magras, feias ou bonitas, de usarem chinelos ou saltos altos, independentemente do apelido, da cor da pele, da quantidade de pêlos que têm no corpo, independentemente de terem ou não filhos e dos motivos para tal, independentemente de terem nascido em Portugal ou na Índia, de morarem na avenida de Roma ou na Cova da Moura, independentemente das origens e das opções de vida, independentemente de se manifestarem na rua pelos vossos direitos ou de sofrerem em silêncio por todas as violências de que são alvo, vocês, mulheres, todas as mulheres, merecem ter todo o respeito, toda a liberdade e todos os direitos que os homens têm.  E isto é só o começo da conversa.


escrava.jpg


Laundress-1024x660.jpg


women-working-in-a-facotry-pic-getty-images-367492


Mulheres-cultivo-arroz-Alentejo_VNR_site-destaque.


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Dia de todas as mulheres

É muito cansativo ser mulher no Dia da Mulher. No supermercado, havia ontem uma bancada especial com flores. No Facebook, amigos falavam do quanto as mulheres são especiais porque têm o poder de dar vida e mandavam mensagens desejando um "feliz dia". Na comunicação social, repetiram-se as entrevistas às mulheres de sucesso. A sério. É muito cansativo ser mulher no Dia da Mulher, o que nos mostra o quanto este dia ainda é necessário.


Fixemos isto: em 2021 houve uma mulher, diretora de um jornal, que se deu ao luxo de escrever nas suas redes sociais que "das fracas não rezará a história", como se só as CEO deste mundo fossem "mulheres com M maiúsculo". Infelizmente, não é a única a pensar assim.


Podíamos comentar como é fácil ser forte quando se é herdeira de uma empresa e se tem uma Marilene lá em casa a fazer o jantar para toda a família, mas não vamos entrar por aí, não é? O problema é muito mais grave do que isso. É que esta ideia de mulheres fortes e fracas remete para uma hierarquização das pessoas em função de um determinado conceito de estatuto social. E isso é algo tão inacreditavelmente preconceituoso.


Em nome das "fraquinhas" deste mundo, quero homenagear todas as mulheres - mesmo aquelas anónimas que não terão nunca direito a um rodapé nos livros de história - e dizer-lhes que independentemente de serem criadas ou gestoras de empresas, de serem ricas ou pobres, gordas ou magras, feias ou bonitas, de usarem chinelos ou saltos altos, independentemente do apelido, da cor da pele, da quantidade de pêlos que têm no corpo, independentemente de terem ou não filhos e dos motivos para tal, independentemente de terem nascido em Portugal ou na Índia, de morarem na avenida de Roma ou na Cova da Moura, independentemente das origens e das opções de vida, independentemente de se manifestarem na rua pelos vossos direitos ou de sofrerem em silêncio por todas as violências de que são alvo, vocês, mulheres, todas as mulheres, merecem ter todo o respeito, toda a liberdade e todos os direitos que os homens têm.  E isto é só o começo da conversa.


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Laundress-1024x660.jpg


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Mulheres-cultivo-arroz-Alentejo_VNR_site-destaque.


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