Friday, December 27, 2024

A justiça nem sempre é justa

O novo filme de Clint Eastwood, Juror #2, não chegou às salas de cinema portuguesas e estreou directamente no HBO Max. O Clint merecia melhor. No entanto, para ser honesta, a mim é-me mais ou menos indiferente. Gosto muito de ir ao cinema mas também gosto muito de ver filmes no conforto do meu sofá. Tornei-me um desses espectadores pouco exigentes que, como tão bem apontou o Vasco Câmara, não se importa de ver filmes em pequenos ecrãs de qualidade duvidosa e com um som péssimo. Sinto-me um bocadinho culpada, é verdade, mas, por outro lado, se não fosse assim sei que não veria nem metade dos filmes que vejo. Porque a vida é difícil, o tempo curto, a energia nem sempre existe e a maioria dos filmes fica pouco tempo em cartaz ou fica em horários que deus me livre. Conformei-me.


Juror-No.-2.jpg


Dito isto, o filme é muito bom. Muito Eastwood -  no tema e na forma. No centro da história, um homem, Justin (interpretação de Nicholas Hoult), marido dedicado e prestes a ser pai, que é escolhido para o júri no julgamento de um caso de homicídio. Tudo parece indicar que, após uma discussão num bar, um homem matou a namorada, tendo-a atirado de uma ponte. A procuradora (Toni Collette) não tem dúvidas que estamos perante um caso de violência doméstica. No entanto, na primeira sessão no tribunal, quando são relatados os factos do crime, Justin, apercebe-se, em pânico, que foi ele o responsável pela morte daquela mulher. Numa noite de chuva, com a cabeça nos seus problemas, Justin pensou ter atropelado um veado mas, na verdade, atropelou uma pessoa. E, agora, o que fazer? Não pode deixar que um inocente seja preso, mas, se assumir a culpa vai estragar por completo a sua vida que ainda agora parece estar a começar. Há muito aqui para explorar. Tudo começa na luta pessoal e íntima de Justin, atormentado pelo sentido de justiça, mas, das reuniões do júri às ambições políticas da procuradora, o filme explora o cinismo, os interesses e as vulnerabilidades do sistema judicial. Interpretado com contenção e filmado sem espalhafatos, Juror #2 é um belo exemplar do cinema de Clint Eastwood. Pode não ter conquistado os senhores que mandam na Warner, mas merece mesmo ser visto - ainda que num pequeno ecrã.


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1 Comments:

Anonymous Inês said...

Fiquei curiosa, vou ver! Obrigada pela partilha

12:18 PM  

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