É outubro e já comi uma romã
Vou fazer 50 anos. Nunca me apetece festejar e este ano não é excepção, por mim fingíamos que este dia nem se quer existia e dispensavam-se os telefonemas e as mensagens e tudo, mas, pronto, se calhar, desta vez, vai ter que ser, não é?, afinal, são 50, caramba, vamos mesmo ter que inventar alguma coisa.
Estou a fazer pilates clínico com uma instrutora muito querida que bate palminhas e diz "muito bem" sempre que eu consigo apertar as nádegas, os glúteos e os abdominais ao mesmo tempo e fazer todas as repetições. O estúdio parece uma sala de tortura cheia de máquinas esquisitas e, para já, só lá vi pessoas mais velhas do que eu. Não adoro, mas estou a esforçar-me. Porque é importante para a recuperação. Ando toda dorida o que só pode significar que estou a mexer músculos que estavam há muito adormecidos. Mas a parte melhor é quando, no fim da aula, ela me pendura pelos pés e me deixa a relaxar. Sou muito boa a relaxar. É bom que isto sirva para alguma coisa, uma vez que é caríssimo. Tenho orçamento para dois meses (três, na loucura), antes de voltar ao pilates dos pobres no ginásio.
O trabalho também tem sido uma tortura. Há dias em que me apetece desistir de tudo (depois lembro-me que tenho contas para pagar). A única coisa boa dos últimos tempos foi ler o livro da Sally Rooney e escrever sobre ele. Nunca tinha lido nada dela e gostei mais do que estava à espera.
Antes de me abalançar na última temporada da série A Amiga Genial, decidi rever as três temporadas anteriores. Voltei a gostar como da primeira vez. E gostei ainda mais de "passear" por Nápoles, agora que já conheço a cidade.
Foi há quase um ano que fui a Nápoles. Tem sido um ano bom. Muito bom, mesmo. Apesar de tudo. Um dia vou escrever sobre isto. Gostaria de um dia escrever sobre isto no presente, e não no passado como normalmente acontece. Dizer "gostaria de um dia escrever sobre isto no presente" é já dizer tanto.
Na outra noite fui ver o Samuel Úria. Foi uma noite tão feliz. Já não me lembrava como gosto dele e daquelas canções.
Hoje comi uma romã e, como sempre, lembrei-me da minha avó. Outubro é também o mês dela. É o nosso mês. Das que cá estão e das que já não estão.

(Peço desculpa se não perceberam este post. Às vezes sou um bocadinho egoísta e escrevo só para mim. Outubro ainda vai a meio. Tenho tanta coisa para fazer até aos 50, a agenda cheia, nem vou ter tempo de me angustiar. Digo eu.)
Labels: envelhecer, Livros, música, televisão, viagem

2 Comments:
Já li os dois anteriores a este, da Rooney, e gostei da escrita dela e das histórias, mas a imprensa tem dito tão mal deste último que estou meia sem curiosidade.
Também estou a ver a Amiga Genial e confesso que passei direta do meio da terceira temporada para a quarta. Queria ver as personagens mais velhas. Não me agradou a escolha da maior parte, excetuando das principais, por razões fúteis, confesso - os atores das primeiras temporadas são todos mais bonitos ;)
Samuel Úria é sempre um prazer em palco (acho-o muito sensual, mas não digas a ninguém).
Ainda tens uns meses antes dos 50. Calmex! como se diz cá em casa.
A amar a última temporada da amiga genial. Vou ter saudades!
Post a Comment
<< Home