Dançar no jardim
Fui só um dia, que a agenda não me permitiu mais, mas acabou por ser uma tarde gloriosa. E ouvi e li muitos relatos por aí. A segunda edição do Jardim de Verão, na Fundação Calouste Gulbenkian, programado por Dino d'Santiago, confirmou-se como um espaço de diversidade, igualdade, partilha e empatia, como infelizmente ainda há poucos nesta cidade que se diz tão diversa. Havia ali uma alegria que se sentia no ar. O que faz a diferença não é tanto a diversidade, que a essa pelo menos alguns de nós já estamos habituados, embora noutros contextos. O que faz a diferença é precisamente ver essa diversidade num espaço institucional e elitista, onde ela é tão pouco comum. Como escreveu o Vítor Belanciano: a "prova de que é possível fazer a diferença quando lugares institucionais de grande representatividade para o colectivo estão dispostos a partilhar o poder, o espaço, os sentidos e os imaginários, envolvendo de forma muito concreta quem por norma não acede a eles". É um caminho e é bom que esteja a ser feito.

Fotografia retirada do Facebook da Fundação Calouste Gulbenkian
(Aliás, abrir parêntesis aqui para dizer que o Belanciano continua a ter um dos olhares mais atentos e instigadores sobre a cultura contemporânea - pop ou urbana ou outra - e que, polémicas à parte, é sempre um prazer lê-lo, por agora só nas redes sociais.)

