Sobre o livro de Henrique Raposo tenho a dizer isto
Já li. E chego ao fim confirmando aquilo que senti às primeiras páginas. É como se eu agora fosse ali passar uns dias a Alfama e falasse com umas quantas pessoas, daquelas mais antigas e que quase nunca saíram do bairro, e que me falavam das avós varinas, das tias fadistas, dos padrinhos que marchavam no santo antónio. E depois, com isto tudo, fazia um retrato dos lisboetas.
Alentejo Prometido é um livro de memórias, de Henrique Raposo e dos seus familiares. É um mergulho do autor no seu passado, nas origens humildes da família, a desenterrar as histórias que as famílias geralmente tentam calar e, nesse sentido, é até um pequeno acto de coragem. É uma visão muito pessoal do Alentejo e é como tal que deve ser visto.
O primeiro erro do autor é, portanto, querer a partir da sua experiência fazer um retrato dos alentejanos. Exemplo: o autor acha que os alentejanos têm orgulho no seu analfabetismo e di-lo baseando-se no facto de a sua avó nunca ter percebido a obsessão do pequeno Henrique por livros e de achar que tanta leitura não o levaria a lado nenhum. Tenho pena por ele. Sinceramente. Foi uma criança incompreendida. Mas se fosse eu a escrever a tese seria diferente. A minha avó, que não completou a segunda classe, sempre nos incentivou a estudar e sempre nos disse que se queríamos ser alguém deveríamos estudar. A minha avó, que mal sabia escrever, lia todos os dias os meus artigos, que falavam de coisas que ela não fazia a mínima ideia o que eram, e sei que sentia um enorme orgulho na suas netas que vieram estudar para Lisboa e tirararam cursos superiores.
Outro exemplo: Raposo elogia o grande empenho da sua prima como voluntária no clube local e todo o trabalho gratuito que ela faz sem qualquer reconhecimento da comunidade para concluir que os alentejanos são desconfiados e não estabelecem laços comunitários. Sim, é difícil ter laços de vizinhança quando se mora num monte isolado, seja no Alentejo ou no Texas, mas nas aldeias e vilas é diferente. Eu ainda sou do tempo em que as portas estavam fechadas apenas no trinco para que qualquer pessoa pudesse entrar, ainda sou do tempo em que toda a gente se conhece e toda a gente se cumprimenta (eu era aquela pessoa que, quando vim para Lisboa, dizia bom dia ao motorista do autocarro e nunca levava resposta, até perceber que mais ninguém o fazia, por isso quando me dizem que os alentejanos são antipáticos fico um bocadinho surpreendida), sou deste tempo em que as pessoas se ajudam e ajudam os que mais precisam, sem alarido, sem ser preciso grandes operações mediáticas de solidariedade. E quanto a envolvimento na comunidade tenho o exemplo do meu pai que sempre se envolveu em tudo e mais alguma coisa, na escola ou nos bombeiros, no clube ou na câmara, que tanto fez (e faz) de graça e com boa-vontade e nunca foi criticado ou mal-visto por isso, antes pelo contrário. Ao contrário da prima "Marta", o meu pai é uma pessoa respeitada e acarinhada na nossa terra, com quem as pessoas sabem que podem contar, na junta de freguesia ou na biblioteca, para ensinar os putos a jogar à bola ou para fazer exposições de fotografia.
Também devo ser uma pessoa de sorte pois, apesar de ser um pouco mais velha do que Henrique, nunca ouvi contar histórias de homens ou rapazes que encostaram mulheres ou raparigas a um sobreiro, a um muro ou a outro lado qualquer e abusaram delas como se não fosse nada. Nem sequer em noites de festa. Essa ideia dos alentejanos violadores e das mulheres que são violadas "e pronto" deve ser uma tradição lá daquela aldeia.
Henrique Raposo comete ainda mais um erro que é o de atribuir ao Alentejo especificidades que, na verdade, ele não tem. O retrato que faz não é do Alentejo mas do país, ou pelo menos do país rural, quer seja de há 50 anos quer seja agora. As mulheres alentejanas não iam aos cafés, as tabernas eram sítios onde só os homens entravam? Correcto. E em Trás-os-Montes seria muito diferente? A pobreza da casa dos avós, sem casa-de-banho e um rebanho de crianças a dormirem na mesma cama, seria assim tão diferente da pobreza das casas de campo nas Beiras ou no Minho? A importância recente das discotecas escuras para libertar os namoros dos olhares alcoviteiros não terá sido um fenómeno transversal, pelo menos fora das grandes cidades? E acredito que, embora mais cedo, também em Lisboa - ainda outro dia, um taxista me contava como ia tantas vezes ao cinema quando começou a namorar, há 40 anos, por ser o único sítio escuro, onde se podia ter alguma intimidade, "está a compreender, menina?". Foi preciso ir a um casamento no Alentejo para o autor ver um par que casa e baptiza o filho no mesmo dia? E para descobrir que muitos homens em vez de assistirem à cerimónia ficam cá fora a fumar cigarros e a falar de futebol? E para ver jovens entediadas a mexerem no telemóvel durante a missa? Quer-me parecer que não tem ido a muitos casamentos na capital ultimamente. Henrique Raposo supreende-se ainda pelo facto do cemitério da aldeia reproduzir as diferenças sociais que existem no mundo dos vivos, com campas rasas de um lado e jazigos de outro, o que me faz concluir que com certeza também não tem ido a muitos funerais no resto do país.
Um último exemplo que me parece relevante: Raposo relaciona o modo como as raparigas que trabalhavam em casa "dos senhores" eram abusadas com a migração em direção à região de Lisboa, nos anos 50 e 60, para trabalhar nas fábricas, e diz que essa migração não representava tanto uma ascensão material e social como uma ascensão moral - pois significava a libertação da mulher do jugo dos patrões. Diz que sim, que esses abusos aconteciam, embora fosse interessante perceber se só aconteciam no Alentejo ou nas outras zonas rurais. Por outro lado, parece-me que o que faz a diferença nesta "nova dignidade pessoal" das mulheres não é tanto a mudança do Alentejo para Lisboa mas, sobretudo, a mudança de criada de servir (como se dizia) para empregada fabril. Isso sim. As muitas raparigas que vieram, não só do Alentejo como de todo o país, para servir em Lisboa continuaram a ser usadas pelos patrões e pelos filhos dos patrões - como tão bem se conta neste livro.
Todo o Alentejo Prometido me parece tão cheio de generalizações descabidas que, para falar a verdade, as partes que menos me chocaram são as que falam do suicídio. Claro que o suicídio no Alentejo não é endémico nem é tão natural "como o vento a passar entre os sobreiros". E Henrique Raposo só perde em ser assim tão leviano ao falar de um assunto tão sério. Mas, sim, é verdade que há mais suicídios no Alentejo. E, sim, é verdade que, de uma certa forma, as pessoas aprenderam a lidar com isso como um facto incontornável - embora não seja verdade que as pessoas não sofram com a morte e não a lamentem. E, sim, todos nós crescemos a ouvir pessoas dizerem que preferem matar-se a ficar a sofrer. Provavelmente, nem damos muita atenção a isso e o mais certo é que depois essas pessoas não se matem (fiz um esforço e só me lembro de um caso, há muito tempo, era eu criança, de um primo da minha mãe que se matou, com um tiro de uma caçadeira, porque estava doente e sabia que não se iria curar - um caso típico como os que são contados no livro). Mas, sim, admito que isto que nós achamos natural, que é uma pessoa tomar conta do seu destino, possa chocar alguém que chega de fora. Sobre este assunto, a jornalista Maria Henrique Espada, com quem eu brinquei muito nos quintais da nossa infância, escreveu uma crónica que é muito certeira.
Quanto ao resto, são opiniões.
Henrique Raposo acha que dizer palavrões é um sinal de confiança e que o facto de os alentejanos não dizerem muitos palavrões mostra que são muito desconfiados. Eu (tipicamente alentejana) acho que dizer palavrões em todas as frases é apenas ser mal-educado.
Henrique Raposo considera que uma das falhas graves dos alentejanos é a sua falta de fé, e que o facto de não irem muito à igreja nem mesmo para a missa do galo, de não acarinharem os padres nem celebrarem publicamente a fé é não só motivo para a falta de esperança e de alegria dos alentejanos, como para o pouco espírito comunitário, para a tal desconfiança e para uma certa amoralidade. A mim (tipicamente alentejana) enerva-me a beatice, os valha-me deus, as ladaínhas, o beijo no pé da estátua. Estou como Rui Cardoso Martins, citado neste texto (que é um belo texto), que diz: "É verdade que o Alentejo é um lugar pouco religioso, o que para mim é um elogio." A amoralidade de que fala o autor é apenas falta de cinismo - há muito tempo que sabemos que as rapazes e raparigas têm relações antes de casarem, há muito tempo que aceitámos os "ajuntamentos" e que normalizámos as separações, antes mesmo de o divórcio ser legal. Estávamos à frente do nosso tempo. Graças a deus.
Henrique Raposo considera que Alvalade do Sado é "uma terra interessante" por ser menos típica, porque, por ter estação dos comboios e um empreendimento fabril, sempre foi poiso de forasteiros e por isso é uma terra mais moderna e mais igual às outras terras modernas do resto do país. Nem sei bem como comentar esta ideia do que é uma "terra interessante". Mas Henrique Raposo também elogia os grandes avanços introduzidos pela televisão, pela internet, pelas auto-estradas e pelo desenvolvimento de uma maneira geral que estão a acabar com o linguajar tradicional, com o pão tradicional, com a arquitetura tradicional e com tudo o resto que era tradicional. As crianças de Santiago do Cacém (as crianças todas, de todo o país) são hoje iguaizinhas às crianças de Lisboa e isso é motivo de alegria para o autor. Eu (tipicamente alentejana que mora em Lisboa) tenho saudades do pão, das açordas, das linguíças, tenho saudades das expressões tipicamente alentejanas e daquela pronúncia que perdi, sem querer.
E, sim, eu sei como é crescer numa terra pequena do Alentejo (não há de ser muito diferente de uma terra pequena noutro sítio qualquer), sei como é sentir a pressão familiar e social, ser alvo de olhares e coscuvilhices, e, sim, não é agradável, não senhor (felizmente, não sou voluptuosa nem espampanante como parecem ser todas as mulheres da família do autor, por isso nunca senti os tais olhares maliciosos dos homens alentejanos que aqui são descritos como se fossem tão mais intensos e castradores do que os olhares maliciosos dos trolhas das cidades). Mas vim para Lisboa estudar e não só me adaptei num instante como nunca fui gozada nem me senti mais provinciana do que os meus colegas que vinham dos Açores ou de Braga - devo mesmo ser uma pessoa de sorte, ao contrário dos primos de Henrique Raposo.
E ainda uma curiosidade: o autor fala do não deixar os corpos sozinhos na casa mortuária durante a noite (e tira daí algumas conclusões sobre a irreligiosidade do povo alentejano) como algo que ainda acontece e que é uma tradição da região. Mas a verdade é que já há muito que não se "acompanham" os mortos à noite na minha terra. Por outro lado, ainda há pouco tempo estive a ler O Apocalipse dos Trabalhadores, de valter hugo mãe, cuja ação se passa na atualidade (a primeira edição é de 2008) na zona de Bragança e que tem entre as personagens principais uma carpideira profissional - que é paga pelos padres para não deixar os mortos sozinhos durante a noite. Nunca conheci carpideiras no Alentejo e sempre achei que eram figuras de outro tempo, quase literárias. Mas, lá está, esta é a minha experiência, não posso garantir que seja igual em toda região.
Como disse, são opiniões. Ele tem as dele, eu tenho as minhas. E, acima de tudo, há algo que me separa de Henrique Raposo: é que eu gosto muito do Alentejo, amo-o profundamente com todos os seus defeitos (e nisso não serei muito diferente das outras pessoas amam as suas terras, imagino). O meu olhar sobre o Alentejo é toldado por esta paixão, o olhar de Henrique Raposo é toldado pelo ressentimento por todo o sofrimento que os seus antepassados viveram e até, parece-me, por um certo desprezo por tudo aquilo. O percurso do autor tem sido, até aqui, de afastamento consciente de todos os sinais de alentejanismo que ainda pudessem restar nos seus poros, algo que o próprio assume neste livro.
Dito isto, o livro Alentejo Prometido pode até, de uma certa forma, ser interessante como exemplo da opinião de um forasteiro - o que será que eles pensam de nós? - e o livro está bem escrito, há que dizê-lo. Mas aquele não é o meu Alentejo. E, embora não me ofenda (pelo amor de deus, é só um livrinho de 107 páginas de um rapaz que gosta de dizer coisas), entristece-me. Eu, como boa alentejana que sou, gostava que toda a gente gostasse da minha terra e sentisse a alegria que eu sinto quando vou no meu carro e vejo a planície a aproximar-se, aquela imensidão, aquele cheiro, aquele desolamento, aquela sensação única de estar em casa.
A foto foi roubada do Facebook do meu pai que, em junho de 2013, escolheu esta frase para a acompanhar: "Seja qual for o número de céus que desabem, temos de viver." (D. H. Lawrence).
Para saberem das polémicas à volta do livro, leiam este texto.
O título foi inspirado, com uma vénia, numa crónica do grande Ferreira Fernandes.


44 Comments:
Eu não li o livro e honestamente também não faço intenções de o fazer! Pelos excertos do mesmo que li na net o Henrique generaliza o povo alentejano baseado na infância que teve e também pelo pouco que li parece-me que o problema dele não é o Alentejo mas sim qualquer coisa recalcada do próprio, seja na sua infância ou nos dias de hoje!
Finalmente um artigo bem escrito, e objectivo, sobre o livro de HR.
Pois é! Saímos do Alentejo mas o Alentejo nunca sai de nós...mas, qualquer dia, nem bolotas temos. Grande abraço, Natalina
Gostei bastante do artigo pois de forma simples expôs os problemas mais óbvios do livro do HR. Henrique Raposo escreveu um livro baseado em experiências pessoais e quis fazer passar o livro por um tratado social do Alentejo. As ciências sociais existem e de certa forma esta obra acaba por ser uma afronta a essas mesmas ciências, pois de uma parte, de uma experiência pessoal, ele concluiu um todo, um modo de ser e estar de um povo de uma região.
No entanto, as opiniões de HR valem o que valem e, por vezes, acho que algum recalcamento, alguma incapacidade levam-no a optar por uma via mais de afronta, de provocação, do que uma via de análise, observação e estudo.
Parabéns pelo artigo.
Estou para comprar o livro mas nunca o cheguei a encontrar portanto a opinião que tenho do homem é baseada na entrevista que deu na sic radical, também fiz um textozito sobre isso mas não é nada de especial...
Assim como tu tive a sorte de viver num Alentejo extremamente diferente ao que ele descreve em que as pessoas deixam o postigo aberto para os vizinhos entrarem, mas pronto... No fundo compreendo que a visão que ele tem do Alentejo seja meio distorcida, o bacano habituou-se a viver num sitio completamente diferente, se eu publicasse um livro sobre a opinião que tenho do pessoal de Lisboa o povo também não o ia aceitar com muito animo...
De qualquer forma o homem efectuou um golpe publicitário do caraças e isso ninguém lhe pode tirar.
Bom dia,
Gostei do seu texto.
Apenas quero acrescentar ou esclarecer que a principal indignação dos alentejanos nem é, ou não seria, com o livro.
Poucos o leram e, também, poucos leram o capítulo sobre o suicídio que foi publicado no Observador.
A entrevista do autor, no programa Irritações, foi o rastilho de tudo o que se tem passado. Isso e o ataque feroz que os Media fizeram contra os alentejanos que manifestaram a sua indignação, através de comentários, imagens, mensagens ou petições, como se estes não tivessem também liberdade de expressão, para "exprimir" a sua indignação
Por terem exercido esse direito, foram de imediato identificados como "perigosos facínoras".
Sem os Media, este livro medíocre teria ficado a ganhar poeira nas prateleiras do Pingo Doce.
Não sou alentejana , mas adoro-o.
o meu sonho é ir morar para o Alentejo. por isso, até o meu sonho não se realizar é aproveitar todas as férias nesse lugar magnifico seja interior seja litoral.
Gostei muito deste texto. Não li o,livro, também sou alentejano (de Ourique) e por lá também sempre fomos assim como a Christie descreve.
Continue a escrever. É um gosto ler os seus textos.
Alexandra
Grande texto. Revi-me em tantas passagens. Obrigada :)
Eu sou quase Alentejana. E digo quase, porque sou de uma aldeia Algarvia a 3 kms do Alentejo. De vivências, sou mais alentejana que algarvia.
As portas abertas dia e noite (pelo menos quando é preciso), o bom dia, boa tarde e boa noite; o orgulho de responder SIM quando me dizem "Tu gostas mesmo da aldeia, não gostas?". Vivo em Lisboa, mas cada vez mais sou de lá, da serra, das estevas, dos sobreiros e das azinheiras. Do pão alentejano (de que encho o congelador todos os meses), do paio caseiro (a ausência de frio este ano atrasou a coisa, mas já está encomendado), da lareira acesa dia e noite (e só sinto o cheiro na roupa quando chego à primeira estação de serviço), das ribeiras e das tarde no café (diria a "jogar sueca" mas esse talvez tenha sido o único preconceito que não consegui quebrar - os velhos não jogam comigo - perder com uma gaiata que não bebe cerveja teria sido o fim da picada).
Correndo o risco de falar de algo que não li (tenho acompanhado a polémica a alguma distância) parece-me que o HR mais não é que alguém que se quer distanciar de ser Alentejano, alguém que se sente/sentiu minimizado por sê-lo e ficou muito orgulhoso pelo facto de começar a ser Alentejano apenas "de nome". Tenho, acima de tudo, pena dele. Pena de quem perde as raízes dessa forma.
Já eu e o meu marido (Lisboeta mas já Algarvio/ Alentejano de coração) fantasiávamos com a vida perfeita: ficar a trabalhar lá na serra e vir a Lisboa aos fins de semana. Cada vez nos custa mais regressar à cidade no domingo à noite.
Gostei muito da sua análise.
Vi o programa na televisão e não li, nem vou ler o livro, mas nunca gostei que de experiências pessoais se generalizasse um todo!
Muito menos, um todo que já foi estudado e apresentado em estudos por outros e que em nada vai de encontro ao que autor deste livro apresenta.
Além do mais, o Alentejo está em mim e no "meu" Alentejo nunca vivi nada do que o autor relata.
Cara Vitória
Li com muito interesse o seu comentário sobre o livro de HR.
É um excelente texto literário no qual me revejo. Cumprimentos cordiais de um alentejano que acha que a sua versão está correctissima.
Cada um é livre de escrever o que quiser, e só lê também quem o quer.
Agora uma instituição como a: F.F.M.S. editar tal escrito, só perde em credibilidade.
Excelente texto. Subscrevo.
Na minha aldeia, que fica entre o Douro Litoral e o Minho, nunca se deixam os mortos sozinhos durante a noite e não é preciso pagar a carpideiras. As pessoas organizam-se para que isso não aconteça.
(só não concordo que dizer palavrões em todas as frases é ser mal educado, mas isso é porque vivi muitos anos no Porto :) )
nao se preocupe pois o alentejo é amado por muitos dos portugueses. eu adoro o alentejo!
Parabéns pelo magnífico texto. Não sou do Alentejo, nem nasci em Portugal, mas este é o meu país de coração e o Alentejo um amor maior, onde me sinto sempre em casa, onde a paisagem me acalma as saudades da minha terra e as gentes, as gentes são iguais a tantas outras, simples e devo também ser uma grandessíssima sortuda porque sempre fui recebida com sorrisos e com um calor humano que muitas vezes não temos na própria família.
Gostei muito um beijinho especial para si e para o Seu Alentejo!
O texto que descreve tudo aquilo que todos os Alentejanos querem dizer, de melhor forma possível. Parabéns!
Maravilhoso texto!
Também tenho um imenso orgulho em me sentir alentejana "nascida em Lisboa". O meu Alentejo é uma paixão que me beija de forma louca sempre que nela penso...eterna, assumidíssima e consumada! Um património de memórias onde volto tantas vezes e que, de tão vivo, preciso de respirar!
Adorei o seu texto e o que nele espelha. O Amor pelo Alentejo! Que poderia ser por outro Local, fosse qualquer outra Província onde tivesse nascido. Que amar as nossas "Raízes"... É lindo!
http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/retalhos-do-alentejo-4243
Queria dar-lhe os parabéns pelo excelente texto. Sou também uma alentejana que saiu da sua pequena aldeia para estudar, e é com muito orgulho que digo que a minha mãe nunca foi à escola mas aprendeu a ler sozinha para nos ensinar, a mim e ás minhas irmãs. A minha vivência no Alentejo foi totalmente diferente da que terá sido a do Sr Henrique Raposo e a da sua família mas na minha opinião isso trata-se de um problema estrutural do seio familiar e não do meio geográfico onde esta está inserida.
Parabéns pelo seu texto!
Enquanto alentejana, tenho pena que as memórias do autor sejam as que ele descreve, ao pormenor, no seu livro (que não li). Podia ter tido uma infância mais feliz.
O Alentejo é muito mais do que o que ele relata!
Mais uma cagada, a juntar às outras que foram cagadas sobre a excelente obra que é "Alentejo Prometido".
muito bom! gostei muito do seu texto e revi-me nele muitas vezes.
não li o livro, aliás, nem me apercebi que existia. soube do assunto pela televisão. confesso que, ao ouvir dizer que os alentejanos não são amigos da família, que são antipáticos e pouco hospitaleiros, que são tendencialmente suicidas...fiquei irritadíssima.
sou alentejana dos sete costados e com muito orgulho. e não partilho, de todo, a opinião do senhor. se por uns momentos ainda ponderei ler o livro, depois de ler várias criticas, incluindo a sua, decidi que o não vou ler. não tenho interesse em saber a opinião do Sr. . Raposo sobre "a minha terra". parece-me no entanto excessivo tanto burburinho à volta disso. porque afinal, o homem tem direito à sua opinião e a querer pô-la por escrito. mais um bocadinho lincham o homem e ficamos iguais aos jihadistas .
Excelente texto, só podia ser escrito por alguém que tão bem conhece o verdadeiro Alentejo. Nunca concordei com a queima de livros, a Inquisição há muito que acabou, no entanto o Sr. Henrique Raposo terá que conviver, quer queira quer não, com comentários negativos, pois essa é a essência da Liberdade.
O Alentejo é terra de paz.
O homem já chateou os algarvios com aquele texto publicado no expresso no Verão passado, agora chateia os alentejanos e vai começar a subir, falta-lhe o Norte e as Beiras, alguma coisa ele há-de arranjar de mau. Quanto a mim não lhe dou qualquer importância, nem $$$$.
No Minho também não sei deixam os corpos sozinhos à noite na casa mortuária (hoje em dia já se deixam, mas não sem uma grande dose de culpa dos familiares que passam a noite em claro e voltam para lá na primeira hora da manhã).
No Minho há fé para dar e vender, beatice até dizer chega e não me parece que isso torne os minhotos melhores ou mais morais do que os alentejano ou os lisboetas.
Nas aldeias do Minho também há coscuvilhice, e homens que olham para as mulheres, e pressão familiar e avós que acham que a escola não serve para grande coisa (não há em todo o lado?).
No Minho dizem-se palavrões por dá ca aquela palha e eu que sou minhota concordo que é apenas falta de educação.
No Minho também havia raparigas que eram criadas de servir que assim que puderam fugiram para as fabricas, não devido a qualquer necessidade de ascensão moral mas porque eram emprego com salários e horários justos, que davam direitos a férias e a licenças e que ainda eram atualizados de acordo com a inflação...
Também as casas do Minho não tinham casas de banho, e tinham os rebanhos de ovelhas ou as galinhas a dormirem no quarto, na cozinha, na sala...
As minhotas também não iam às tabernas, que no Minho, como no Alentejo eram coisas de homem.
E quando tudo era proibido... todos os locais escuros ou recônditos eram bons para namorar... no Minho como no resto do país!
Que bonito texto. Eu também sinto o mesmo. Parece-me (e não é de agora, que eu também leio o expresso) que o HR sente mais desprezo pela terra dos pais que verdadeiro interesse por perceber o Alentejo. Isso é ter descoberto "deus" e a terra da mulher, na Beira litoral. O meu marido também é de lá e perante as dias realidades, prefiro a minha terra.
Eu sou alentejana, criada entre a extremadura (espanhola) e o alto Alentejo, também há analfabetos, também há mulheres que nunca casaram e se consegui-te também fujo da missa. São opiniões. E publicidade a mais.
Nunca comentei no seu blog e também ainda não li o livro do Sr . Raposo. Tenho lido os comentários na net e, como o senhor é pessoa que não me desperta curiosidade suficiente, ainda não cheguei ao livro.
O meu comentário resume-se ao seguinte: vivo numa pequena aldeia, com cerca de 100 habitantes. Não estamos isolados numa montanha escarpada, estamos a cerca de 35 min de Leiria e talvez uns 40 de Santarém, e a pouco mais de 5 minutos da vila mais próxima. No entanto, todas as observações que fala sobre a sua aldeia e as suas gentes poderiam ter-se passado na minha aldeia. Todas mesmo.
Estou em crer que o tal senhor deve referir-se a um qualquer Alentejo e mesmo a um qualquer Portugal que não este nosso.
O palavrão tal como é usado no Porto não é palavrão.
E aliás há gente muito mal educada a "falar bem" e outros que são de uma ternura e encanto por cada palavra que fora do seu contexto e cidade, fariam corar muitos intrépidos.
Perfeita observação.
O céu pode ser em qualquer lado,assim como o inferno
Também sou alentejana, nascida e criada numa pequena vila, a viver a Lisboa desde que vim para cá estudar. Apesar de não ter lido o livro, revi-me completamente nas suas palavras. É mesmo pena que o autor não possa ver o Alentejo como o vemos. Parabéns pelo texto, gostei muito!
O Henrique Raposo é o rei dos disparates literários. Mas tem o mérito de dizer disparates com aquele ar e aquela pose de avozinho do século XIX! Com isso, consegue levar gente de alguma credibilidade a apresentar-lhe o livro.
pelo menos esse mérito ele tem.
Querida gata, sou alentejana, distrito de Évora, vila vicosa. Tenho 24anos e assumo que, infelizmente, ha-de haver muita gente que sabe mais do nosso alentejo que eu. Mas sei o suficiente para muita coisa, talvez não que chegue. Sei que chegue para não me passar da cabeça quando falta a luz. Tenho (temos) paciência. Sei que chegue nos dias em que nos falta o gás. Tamos aqui, no meio de onde não se passa nada. Passamos nós. E é o que basta. Passamos nós. Chega e chegará. A terra faz-se das pessoas. E nós estamos cá!
Comentou exactamente aquilo que acho que todos aqueles que nasceram, nessa terra linda, de grande identidade pessoal e linda, sentem. Eu sinto-o e por isso tenho o prazer de me apresentar como alentejano em qualquer sitio e circunstancia.
Fantastica e certissima visão....vivendo num pais do norte da Europa, lembro saudosamente os meus serões a sa minha avó "a roda do lume" no meu Alentejo profundo onde queimaria com todo o prazer o livro deste pseudo alentejano que nem consigo escrever com letra maiuscula....
“o odor a haxixe dos eucaliptos” quem estaria a fumar aquela mata?
Gostei muito Maria João, belo texto!
beijos
O Dona Cristie porque é que a sua verdade é melhor do que a do Raposo?
Tive uma colega na FEUP alentejana, além de estranha suicidou-se.
O resto é paisagem e a bem dizer não me interessa nada. É apenas a passagem para o Algarve.
Gostei muito da sua visão. Da visão de alguém que vive o Alentejo. De uma verdadeira alentejana que é.
O que é ironico é que muitas pessoas ficaram a saber mais do Alentejo e do próprio país com este género de interpretações - comentários ao livreco daquele triste. Isso já me deixa feliz!
Texto muito bem escrito que retrata exactamente aquilo que sinto... Obrigada!
Tenho acompanhado superficialmente a polémica sobre o livro que não vou ler.
O seu Alentejo é o que eu conheci - mal - porque não nasci lá, mas onde o meu pai muitas vezes me levou e onde passei muitas férias.
Obrigado por este seu texto que, várias vezes, me fez relembrar locais, cheiros, pessoas...
Jorge Conceição
"Todo o Alentejo Prometido me parece tão cheio de generalizações descabidas que, para falar a verdade, as partes que menos me chocaram são as que falam do suicídio."
Tem piada, foi o mesmo que eu pensei.
Talvez se interesse em dar uma uma vista de olhos ao que eu escrevi:
http://obloguedeluizsantosroza.blogspot.pt/2016/03/fe-de-pouca-sorte-num-mundo-lixivia.html
Alentejanos ,
Como os comentários de alguns podem ser tão esclarecedores, educativos e , essencialmente ,repositores da verdade histórica.!
Embora adepto da não crucificação antecipada de publicações algo duvidosas e , no mínimo , polémicas , fico grato e reconfortado , quando vejo alguém a desmistificar e esclarecer os temas tratados nesta "obra" de Henrique Raposo.
Não precisamos de mais colagens "obscenas" às que já tivemos de destruir e desmistificar ao longo de gerações, que nos qualificaram de indolentes , falsos , retrógrados e medíocres.
A falta de vivências , de relatos históricos crediveis , leva o autor a cometer erros gravissimos na generalização que faz do povo alentejano.
Além de que , (tomando o todo pelas partes) , esquece que , apesar de uma identidade própria de ser e estar , o alentejano , inserido uma área geográfica diminuta , criou uma diversidade de usos ,e costumes , que divergem em Portalegre , Cano , Évora , Alvalade do Sado ou Beja.
Deixem-nos em paz , com as nossas raízes ,o nosso apanágio de povo simples , sensível e orgulhoso da sua história e do exemplo que pode dar a gerações vindouras.
"O simples,rigoroso e verdadeiro , será sempre apanágio do Povo Alentejano. Obrigado a todos os que o tentam dignificar e clarificar o Alentejo , aos olhos de alguns incultos , ignorantes e maledicentes.
Bem hajam!!!
Há quem queira ser, e se sinta, alentejano!
Um membro da Associação Cultural "Além Guadiana" , de Olivença,, proferiu esta declaração na Casa do Alentejo, em 10 de Junho de 2016 (Eduardo Naharro Macias-Machado):
«Caros irmãos alentejanos, bom dia.
Hoje, Olivença é mais possante ao estar mais próximo do Alentejo e da Portugalidade. A terra das oliveiras, Olivença, nunca esqueceu o seu passado e aproveitando o presente quer construir o futuro. Esse futuro passa, além de outras acções, pela confraternização com o espaço lusófono e principalmente com os nossos irmãos alentejanos.
Ser Alentejano é ser especial, ser Oliventino é também ser Alentejano.
Olivença “cheira” a Extremadura, mas também “cheira” a Alentejo e respira ar do Guadiana que não deixa de ser alentejano.
O sangue oliventino é sangue que navega entre duas culturas como o Guadiana e que se abraça ao espírito que o rodeia.
A associação cultural Além Guadiana, quer agradecer a nossa presença à Casa do Alentejo e a todos os presentes por nos ouvirem. Hoje não viemos a Lisboa, viemos ao Alentejo, quer seja Alto quer seja Baixo Alentejo.
Há sete anos nasceu uma associação com uma só finalidade: recuperar, preservar e promover a língua de Camões e a cultura lusitana para poder pertencer de pleno direito ao espaço lusófono.
Quando falamos de espaço, para alguns terá umas conotações provavelmente diferentes às da nossa associação. Mas queremos manifestar alto e claro que respeitamos todas as posições e interpretações. Além Guadiana não nasceu para se opor a nada nem a ninguém, nem sequer para opinar sobre determinadas considerações.
Somos apenas uma associação construtiva e o único espaço que nós temos vindo a reforçar são os espaços humanos e culturais.
Não esqueçamos nunca que são os Oliventinos os que irão decidir o seu futuro. Para poder construir não se deve ocultar informação ou desinformar. Além Guadiana não é o dono da verdade mas até agora tem sido a nossa verdade que tem conduzido Olivença a uma realidade. Essa realidade chama-se biculturalismo e esperemos que chegue ao bilinguismo real.
No processo de sensibilização tem sido a cultura a melhor vacina para cicatrizar as feridas do passado e a melhor medicina para não voltar a enfermar.
Somos uma terra de carácter e universal. Foram mães oliventinas que trouxeram ao mundo filhos que participaram nos primórdios da globalização, a expansão ultramarina. A terra das oliveiras marcou presença com a família Gama a oriente e Frei Henrique de Coimbra a ocidente.
O nosso património que é também vosso, património: monumental, histórico, linguístico, gastronómico, cultural e humano merece ser visitado. É de salientar o nosso rico património embora Olivença ofereça muito mais do que monumentos. O intangível, como diz o meu caro amigo e Presidente da associação Além Guadiana, Joaquim Fontes, em Olivença é mais importante o que não se vê do que propriamente se vê.
Só com a ajuda de todos é possível que Olivença continue a crescer.
Além Guadiana agradece ao estado português o carinho que nos dá ao tornar possível que os oliventinos, de livre vontade, possam reaver a sua identidade.
Caros irmãos portugueses, abraçamos-vos de lés-a-lés e especialmente aos irmãos alentejanos, em Olivença têm a vossa casa.
OLIVENÇA ESPERA-VOS.
E para concluir queremos exprimir que: nem todas as pessoas que vêm a Lisboa têm a mesma sorte que os oliventinos ao poderem repousar na sua sala de sua própria casa: a sala de Olivença na Casa do Alentejo. Agradecemos à Casa do Alentejo por manter a chama viva de Olivença.
Vamos trabalhar conjuntamente com a Câmara Municipal de Olivença para o ano que vem podermos marcar presença no aniversário da Casa do Alentejo.
Aproveitando que hoje, 10 de Junho, é dia das comunidades portuguesas e dia de Camões ponderamos que um poema do universal poeta exprime muito be
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