Tuesday, December 02, 2008

Tanta profissao bonita

De vez em quando lá vem a frase. Quando vieste para o jornalismo já sabias que era assim, se querias ter uma vida normal devias ter escolhido outra profissão. A frase aparece normalmente às seis da tarde quando me vêm dar mais trabalho e eu digo que estou mesmo de saída. Ou quando são sete e eu já estou que nem posso e respondo mal a toda a gente. Quando quiseste ser jornalista já sabias.
Já sabia?
Por acaso não, não sabia. Lembro-me que foi em 1989 e o muro tinha acabado de cair e eu olhei para a televisão e pensei isto é que devia ser mesmo fixe, estar ali, onde as coisas acontecem. Não me ocorreu que aquilo eram horas de jantar e que para estar ali, onde as coisas acontecem, não ia estar em casa a comer sopinha. Mas talvez fosse porque ainda só tinha 14 anos e também jurava a pés juntos que nunca me apanhariam de aliança e tinha a certeza absoluta que ia ser podre de rica. Eu via os sinais do tempo na televisão e lia a grande reportagem e a revista do expresso e o independente e o público - estava eu no 11º ano quando saiu o público e foi um acontecimento, comprava todos os dias e, quando gostava mesmo de uma reportagem, recortava-a e guardava-a num dossier, as minas em áfrica, o orfanato na roménia, a perestroika, a guerra do iraque (a primeira), as chuvas na índia. E eu a sonhar em estar ali, onde as coisas acontecem. Tanta profissão bonita. Podia ter sido secretária, cabeleireira, funcionária da biblioteca, contabilista, professora, engenheira, advogada. E fui logo escolher esta. Não, não sabia. Malditos sejam o miguel sousa tavares e o miguel esteves cardoso, o barata feyo e o carlos fino, o pedro rosa mendes e o luís pedro nunes, o paulo moura e o vicente jorge silva, o adelino gomes e o josé pedro castanheira e todos os outros que me fizeram pensar que ser jornalista é que era. Todos homens. Eu devia ter percebido que havia algo errado.
Mas não sabia. Nem mesmo quando entrei para a faculdade e comecei a pensar mais a serio nisto tudo. Ninguém me disse que eu ia ter que trabalhar fim-de-semana sim, fim-de-semana não. Nunca imaginei que o trabalho só começasse verdadeiramente lá para as quatro. Não me ocorreu que as creches fecham às sete da tarde. Nem mesmo, vejam só a minha ingenuidade, nem mesmo quando comecei a trabalhar e percebi que toda a gente entrava depois do almoço e só saía às tantas da noite. Eu tinha 22 anos e tinha muito tempo. Eu também podia trabalhar até às quinhentas e nem precisava de folgar, para quê?, eu era nova e estava cheia de pica. Nem parei para pensar como é que eles fariam para estar com os filhos. Posso até ter dedicado uns minutos ao assunto, vá, para concluir que o melhor era ter uma empregada, de preferência interna, o que iria ser fácil porque eu ia ser muita boa e ganhar pipas de massa. Claro.
Pois é, a verdade é que eu não sabia. Burrice minha, é óbvio. Ninguém tem culpa. Mas, se eu soubesse, se eu soubesse alguma vez me teria metido nesta vida?
Há dias em que só me apetece mandar isto tudo pro espaço, é o que vos digo. E é porque sou uma rapariga bem educada.

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44 Comments:

Anonymous Anonymous said...

É por estas e por outras que entro cedo e sáio cedo. E mm assim gostava de trabalhar em "part-time". SL

9:20 AM  
Anonymous Anonymous said...

Somos tantas nesta profissão a sentir o mesmo, que até podíamos fazer um movimento reivindicativo. Será que resultava?

11:56 AM  
Anonymous mariana said...

Foi por isso que eu, filha de jornalista, um dos "pais" do Público, apesar de achar tanta graça, em teoria, à coisa, me pus bem longe. Eu até gosto de escrever e de estar onde as coisas acontecem e tal, mas eu já sabia.
Já a minha irmã parece que não. Ou então sabia e fez-se de esquecida...
Lá em casa o nascimento do Público também foi um acontecimento, ora se foi. Finalmente o pai ia ter um bocadinho mais de tempo livre. Não muito, que era para não nos habituar mal.

Muito bom texto, gostei muito.

Beijo *
Mariana

5:53 PM  
Blogger SMS said...

Parabéns, amiga, por mais um texto tão certeiro! Muito bom, mesmo.
Beijoooooos

6:26 PM  
Blogger pal said...

absolutamente solidária, eu também não sabia mesmo da missa a metade.
(e vivi com a mesma idade esses acontecimentos - e o nascimento da SIC e todos aqueles noticiários não foi uma emoção?!)

excepto esta parte - quando cheguei à parte do trabalhar perdi imediatamente a pica toda (já com namorado-praticamente-marido) e convenci-me que não era para mim. desisti e não tenciono voltar, mesmo com as duas crianças maiores de 3... :/

7:07 PM  
Blogger McSleepy said...

Gostei montes!! Acho que vou plagiar, mudando apenas a profissão!!! O que nos leva a ser tão estúpidos a pensar que vamos ganhar dinheiro suficiente para pagar a alguém que nos ajude??
Aiiii, a juventude...

7:43 PM  
Blogger Sun Melody said...

:)

Escreves realmente bem, que me dera ter a tua capacidade didáctica, pelo menos melhorá-la, emprestas-me um pouquinho?

Não vou te largar mais.
Beijo da Sun

8:33 PM  
Anonymous filipa said...

Se conheceres uma profissão que exija licenciatura, que tenha hora marcada do dia para começar e para acabar, diz-me pf. Ou tu julgas que é só com o jornalismo, e nos dias que correm, que é assim? Hoje em dia quem queira um emprego tem que penar e bem para o manter; porque se se queixa, rua que há mais gente na fila. Pelos vistos, por enquanto só os professores se podem dar ao luxo de refilar...

9:54 PM  
Blogger Billy said...

Hmm, diria que isso não acontece só aos jornalistas. Sou designer e já ouvi o famoso: "já te vais embora?", quando queria sair, vá, às oito da noite... Agora trabalho por conta própria e saio quando me apetece. Ou quando o trabalho me deixa!

(Cheguei cá através da SMS. Gostei muito do texto! Enquanto escrevo o comentário, ouço a "Garota..." do post anterior.)

10:09 PM  
Blogger Paula Sofia Luz said...

Olá "Gata". É a primeira vez que venho aqui e haveria logo de me sentir em casa. Talvez pudessemos fazer um clube, sim, mas depois acabaria como todos os outros a que pertenci, porque a malta não é boa nem a organizar-se. Por estes dias, em que me preparo para voltar ao activo de pois da licença de maternidade, este teu texto caiu-me ainda mais certeiro. bj

10:27 PM  
Blogger Mãe da Rita said...

Já por aqui tenho passado mas hoje este texto acorda-me coisas esquecidas... Eu fiz jornalismo no secundário e optei pela «facilidade» de uma carreira docente... Com tanta profissão bonita, escolhi a única em que, pelas palavras da senhora lá em cima, podemos refilar mas continuamos a trazer trabalho para casa e a gerir casa, carreira e família nos intervalos de uns trabalhecos que nem serviriam para nada.Enfim, adiante... Gostei do que escreveste. Muito. Quando alguém escreve assim, não a deixam sair cedo do trabalho... Mª João (ele há coincidências...)

10:38 PM  
Blogger silvia said...

Gostei muito... Apesar de ser leitora ha algum tempo é a primeir avez que comento. Adorei, mas acho que não é só no jornalismo que isso acontece. Nao estou num curso do género mas acho que o meu futuro trabalho vai exigir bastante de mim também, sem horário fixo, horas metida num laboratório sem saber muito bem a fazer o quê. Mas apesar de tudo, espero gostar =)

11:04 PM  
Blogger Mamie2 said...

Olha infelizmente não é só no jornalismo, acontece o mesmo nas outras profissões bonitas que nomeastes.

Em Portugal existe uma forma estranha de medir o trabalho de cada um pelo tempo que passa no escritório... ou melhor, pela hora de saída.

Seria muito melhor que se atendesse à hora de entrada de cada um e à quantidade/qualidade do trabalho individual. Mas não...

Muito bom texto.
Beijinhos

11:46 PM  
Anonymous Anonymous said...

PARABENS! Uma vez mais nos deliciamos nas palavras sábias e bem colocadas, no sentido de humor com muito saber da vida, da escrita, da mãe e da GRANDE JORNALISTA! um beijinho

12:06 AM  
Blogger Mikas said...

Este texto deixou-me assustada. Verdadeiramente. Estou agora a acabar a licenciatura em Comunicação Social e cada vez vejo mais testemunhos que me assustam. Se calhar devia ter pensado nisto antes, mas é assim tão mau ser jornalista?

1:12 AM  
Blogger Limba said...

Mikas, se não te importares de trabalhar aos fins-de-semana, no Natal, Ano Novo e outros feriados; se não te importares de fazer umas noitadas para fechar o jornal ou simplesmente porque alguém tem de trabalhar de noite porque também acontecem coisas de noite, não, não é mau. É assim a vida de um jornalista.
Tal como algumas pessoas disseram, isto também acontece noutras profissões. A diferença é que um médico ou mesmo um enfermeiro ganham bem mais que um jornalista. O jornalista é dos profissionais mais mal pagos do mercado de trabalho. E não estou a falar do José Rodrigues dos Santos ou da Judite de Sousa. Falo dos milhares de incógnitos com carteira profissional tão válida como a destes 2!
E não me digam que com os professores acontece o mesmo. Os meus pais são os 2 professores e, apesar de tudo o que está a acontecer por estes dias nessa profissão, ainda hoje me arrependo de não a ter seguido. Vida boa que eles têm e sempre tiveram! bom salário, estabilidade ao fim de alguns anos (no caso deles, claro) e uma boa reforma.
"Gata", já viu que me revi completamente nas suas palavras. Sempre que encontro alguém que quer seguir jornalismo tento demovê-lo de todas as formas. Ou pelo menos explicar-lhe o tipo de vida e de salário que tem um jornalista.
Beijos.

9:57 AM  
Anonymous mother_24 said...

Olá... vim recambiada do blog "cóco na fralda" e achei o teu texto um espectaculo... não só descreveu o jornalismo em si, como a nossa burrice em escolher profissões que á partida tem piada mas depois quando vamos a ver, vidinha própria que é bom, népias :D

Eu sou tecnica de informática e posso-te dizer, que em muito as nossas profissões são parecidas... horas extras e fins de semana são o meu nome do meio... quando uma gaja começou nisto, a coisa levava-se bem e tal, tipo "epa isto agora é a sério, altamente tou aqui a bulir que nem uma doida é porque tou a fazer um optimo trabalhinho, isto daqui a uns aninhos pá, é só verdinhas na carteira"... claro, depois do casamento e filhos, a coisa já não tem a mesma piada... mas que fazer

jocas e parabéns pelo blog, está muito bom

mother_24 (mãe aos 24) tás a ver a cena ná, fui mãe cedo logo a ideia que bulir até tarde era fixe, foi-se rapido :D

10:14 AM  
Anonymous Sara said...

Mas só há uma coisa que não percebi: se começas a trabalhar às quatro da tarde porque raio havias de sair antes das oito da noite?

10:16 AM  
Blogger flores said...

Saltei fora qdo me dei conta dessa realidade. Na altura ainda ñ tinha família, nem filhos, mas já ansiava por isso. E percebi q ñ havia compatibilidade horário/salário/familiar.

Primeiro comentário, leitora antiga, identificação total.

10:56 AM  
Blogger apipocamaisdoce said...

Tenho pensado muito neste tema estas últimas semanas.Para concluir que devia ter escolhido outra profissão. E que há dias em que só me apetece mandar isto tudo pró cara&%@.

10:58 AM  
Blogger Insano said...

Bem, não sei se ajuda, mas também sou jornalista aqui para os lados de carnaxide e pelo menos não saio tarde.
Estou é a entrar às seis da manhã, porque a essa hora também acontecem coisas.
Ajudou?

11:16 AM  
Anonymous Anonymous said...

Licenciatura em Economia e a trabalhar do Dpto. de Contabilidade: a diferença está em que às 9h já tinha que ter o cartão "picado", mas sair antes da 20h (a saída era suposto ser às 18h) era saudado pelo chefe com "Já vai????".

1:09 PM  
Anonymous margarida said...

Booom..
Eu até tirei jornalismo.E gostei. Bastante. E como tu, também tive professores que me disseram que "isto é que era". Paulo Moura.José Alberto Carvalho.Carlos Andrade. Sena Santos.Rui Miguel Gomes. Todos homens (curioso!),também.
Mas nao faço jornalismo.Ainda nao desisti (acabei o curso há cerca de 2 anos) porque quero acreditar no Jornalismo. Não no jornalismo que se faz. No Jornalismo. Aquele em que nos pagam. Ou melhor.Em que sabem o valor da informação.
Em que as pessoas valem. Em que o trabalho vale.
Nao faço jornalismo. Mas tenho pena..Muita!

1:50 PM  
Blogger Loira said...

Pois... BINGO. Por isso é que eu desisti de querer ser jornalista lá por alturas do estágio e virei-me para o entretenimento. Só depois percebi que me acontecia o mesmo. E lembro-me de todos os feriados que fiz, dos meses que não folguei, nos Natais e passagens de ano, para que os colegas com filhos os pudessem aproveitar... e depois fui mãe e gosto do miúdo e quero vê-lo, estar com ele. E era a mesma coisa: trabalhar a toda a hora, trazer o que fazer para casa, adeus fins-de-semana, adeus paz de espírito, tranquilidade e até o descanso nas férias... Já nem vou falar dos ordenados miseráveis...
E, não, ninguém me avisou...
beijo

3:26 PM  
Anonymous rosaselimao said...

Adorei o texto.Eu sou vitrinista e se há uns anos atrás fazia montras á noite, até ás tantas,depois das lojas fecharem, agora nem pensar: filhos, casa, refeições...não dá.
Leva-me a pensar que isto da igualdade entre homens e mulheres, ainda tem muito que se lhe diga, a não ser que se tenha resmas de massa, para se pagar á tal empregada doméstica,interna de preferência!!!
Ou pôr o marido a tirar um curso de culinária para poder ir adiantando o jantar, pôr a roupa a secar,limpar a casa de banho...
Eu também não sabia...mas com o tempo, vou-me dando conta que quem tem filhos,em escolas e em infantários, o melhor é mudar-se para a função pública...das 9.00 às 12.30 e das 14.00 às 17.30!!!
Ser mulher é f**ido.

Bjos e ânimo

4:39 PM  
Blogger dora said...

Uma colega minha diz "ser jornalista e mãe é fodido".Às tantas, já são tantos os avisos que deixam de nos ligar, acham que dramatizamos - que as gajas com filhos são umas chatas que só se queixam. Mas é preciso repetir que não vou sair de casa com a bebé a dormir e chegar a casa com a bebé a dormir. Que não sou melhor jornalistas se viver para o trabalho, se for pior mãe.
Consegue-se, mas é preciso estar sempre a impôr fronteiras. E percebo que ao fim de algum tempo, a coisa canse.

6:05 PM  
Blogger Montana said...

Eu não sou jornalista mas sempre tive esse problema de ter horários completamente diferentes dos ditos normais. Trabalho em hotelaria e nunca consegui fazer umas férias de verão com a minha filha. Páscoa e feriados com ponte e mesma coisa.A única coisa que lá ia conseguindo era o 24 e 25 de Dezembro, mas Ano Novo já estava a trabalhar. Ainda hoje é assim só que já não custa tanto pois ela já é grande, mas o certo foi que ela nunca pensou trabalhar nesta profissão.
Descobri o blog através do "cóco na fralda". Parabens

7:08 PM  
Blogger M said...

Very nice post. Conheço um homem que tinha o mesmo dilema. Quando o explicava às pessoas, tinha a sensação de que o ouviam em chinês. Mandou isso às urtigas e está feliz com o que faz (e continua a ser jornalista).

Há pessoas com sorte (a mãe dos filhos dele, por exemplo).

9:46 AM  
Blogger Sara M. said...

eu ainda estou na fase dos 22 anos e em que acho q isto é muita giro e que nao me importo de trabalhar fins de semana e feriados e ir até às tantas para concertos e tal. enfim, estou com a pica toda, tal como descreveste. como estarei daqui a uns anos?

ah, mas nao escrevo. fotografo.

(gostei mto do texto. apesar de não querer acreditar nele)

*

11:59 PM  
Anonymous Carina said...

Como te compreendo...

2:37 PM  
Blogger Rita said...

Miúda, deixa os diários... :)

9:46 AM  
Blogger Silvia said...

N tirei o curso de jornalismo (tirei um outro que me fez ter paixão pelas letras: filosofia), mas tive o prazer de trabalhar nessa área durante 3 anos...adorei...aliás, amei e morro hoje de saudades do que fazia...nunca senti essa pressão. Sempre fui respeitada, sempre tive tempo para mim, amigos, familia e depois filhota. Por vezes fazia algumas peças ao fim de semana mas mesmo aí havia sempre uma vertente lúdica associada pois essas peças eram, geralmente, culturais. Amei...mas sei que se amei o que fiz nesses 3 anos foi precisamente por estar num jornal regional...

1:43 PM  
Blogger sete e picos said...

gostei imenso deste post, a conciliação entre o trabalho e as outras esferas da vida é um tema que me apaixona e também só comecei a pensar a sério nisto depois de ter filhos. Espero que não te importes, fiz um link para este post lá no oito e coisa

5:50 PM  
Anonymous Anonymous said...

Podia ter sido eu a escrever este texto. Posso ainda acrescentar outros "malditos" nomes que consolidaram a minha escolha por esta profissäo: Joaquim Furtado, Solano de Almeida, Cesário Borga...também todos homens!
Apesar de tudo, há sempre mais de um dia, no ano, que digo: se voltar a nascer, quer ser jornalista!
Parabéns pelo blog. Sente-se que é de uma jornalista...

1:56 PM  
Anonymous Anonymous said...

Mas não faltam profissões com horários longe do "normal", com folgas em dias que não o fim-de-semana convencional, com trabalho, por exemplo, em pleno Natal ou Ano Novo. São aspectos normais dessas profissões, coisas inevitáveis se se pretende exercê-las.

Tão normais que não nos passa pela cabeça que nesses dias e nesses horários aqueles que as exercem não estejam lá, caso dos seus serviços necessitemos. Nem é assunto, em regra, em que pensemos

Não haverá aqui alguma auto-comiseração, alguma demonstração de certa ideia de superioridade e martírio a que se parecem agarrar por vezes alguns jornalistas?

Costa

7:43 PM  
Anonymous Anonymous said...

Então João?

Sabias, sabias, claro que sabias.

Filho da Assunção

10:19 PM  
Anonymous Coelha said...

Gata, é a primeira vez que leio o teu blog. Li este post e até me apeteceu chorar. Também sou jornalista, pouquinho mais nova que tu...este post podia ter sido escrito por mim. Eu também não sabia. Eu também quero mandar tudo pró espaço. Eu também sinto que vim parar a esta vida enganada. Mas e agora? Gastámos tanto tempo dedicadas a conseguir chegar aqui que já não temos o mesmo tempo para começar tudo de novo. Tens solução para isto? Eu queria mesmo deixar tudo de vez.

2:49 PM  
Anonymous Coelha said...

Filipa do comentário mais acima: eu acredito na motivação do trabalhador como principal catalisador da produtividade; eu acredito que as pessoas podem não ser substituíveis se assim se esforçarem; eu acredito em ser devidamente remunerado pelas horas de trabalho efectuado; eu acredito que um trabalhador feliz é um trabalhador melhor; eu acredito que uma empresa com trabalhadores felizes e motivados é uma empresa mais produtiva e com melhores resultados. E mais, eu acredito que só quando houver união entre todos; só quando todos dissermos NÃO às horas extraordinárias não remuneradas; aos recibos verdes falsos; aos complementos de ordenado feitos por fora; etc... só quando todos dissermos NÃO aos abusos a que todos os dias nos sujeitam é que seremos trabalhadores felizes e é que os referidos abusos terão um fim. Até lá só nos podemos culpar a nós. "Se queres ter respeito dá-te ao respeito". Termos de nos sujeitar a tudo para mantermos o nosso emprego, e mais, ter a mentalidade que mostraste com o teu comentário, é grave em todo o lado. Mas mais grave é num país que passou por uma revolução como nós passámos. É grave que 34 anos depois sejamos um conjunto de cidadãos desinteressado e amedrontado. É grave que tenhamos esquecido que temos direitos e não só deveres. Isso faz com que não saibamos lutar por aquilo que ganhámos há 34 anos, e corremos o risco de o perder.

2:58 PM  
Anonymous Coelha said...

E só mais uma coisinha: enquanto seres humanos e cidadãos de pleno direito, podemos exigir ser FELIZ na nossa casa (país) e para mim, ser FELIZ, implica ser tratada condignamente no meu local de trabalho.

3:01 PM  
Blogger -pirata-vermelho- said...

Mande a filharada e o maridinho p'o espoaço e vá trabalhar para um jornal que goste de si. S'ainda houver algum...

(Olhe o Fisk!)


A 'ingenuidade' descrita é força ou pica?

5:43 PM  
Blogger Gia said...

Sou jornalista há sete anos e continuo a ter o mesmo amor pela profissão que tinha no início. Apesar de ter tido dias de 14 horas, de Domingos e feriados em reportagem, é o que amo. Quando se faz o que se ama arranjam-se esquemas para equilibrar.
E a não ser que se tenha uma profissão como secretária ou recepcionista, é impossível sair às cinco todos os dias. O meu truque é a compensação; e até agora, continua a permitir-me entrar todos os dias no jornal com um sorriso na cara.

5:55 PM  
Blogger Joaninha said...

Parabéns!
=D*

Não tenho grande coisa a dizer, gostei e p(r)onto!

:)

9:29 PM  
Blogger ana v. said...

Bom texto. Na mouche.

10:17 AM  
Blogger princesa das estrelas said...

olá.
Comentei-te com um post no meu blogue. Beijos

1:52 PM  

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