As histórias de quem veio
Conheci a Valentyna numa daquelas semanas em que só se falava do Rendeiro. As luzes de natal a piscarem, na televisão toda a gente a discutir a fuga do banqueiro e nós sentámo-nos a beber um carioca de limão e ela contou-me como foi difícil decidir deixar o seu país, um dia era professora de biologia na Ucrânia e poucos dias depois era a única mulher loira numa aldeia portuguesa e trabalhava numa fábrica, mas andava maravilhada com as arvores cheias de laranjas mesmo ali à porta de casa. "Comi tantas laranjas que me ficou a doer a barriga", disse, entre gargalhadas. Rimo-nos e emocionámo-nos e no fim despedimo-nos com um abraço apertado e ela deu-me um rebuçado. Há jornalistas que vibram com as notícias em primeira mão, os exclusivos, as cachas, as manchetes. Para mim um dia bom é aquele em que tenho oportunidade de conhecer pessoas boas, de conversar com elas e de ficar a conhecer as suas histórias. Pessoas como a Valentyna, a Zinaída, o Iuri ou a Irma.
Falei com eles para mais uma edição do Projeto Invisível, a revista sonora da Culturgest. E foi mais uma vez incrível.
Ouçam AQUI a conversa "For Real" feita a propósito do espectáculo Amores de Leste, dos Hotel Europa.
Se quiserem, também podem ouvir o número anterior da revista.

Labels: jornalismo, teatro

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