Um caso de saias

Sobre saias e meninos já disse o que tinha a dizer há uns tempos AQUI.
O assessor da deputada, Rafael Esteves Martins, também disse o que tinha a dizer e esteve muito bem AQUI.
Um homem entrou de saias no Parlamento. Registe-se o momento histórico. Houve quem falasse em manobra de marketing. Será. Mas a mim o statement parece-me óbvio: estamos aqui para estraçalhar os estereótipos e os preconceitos e defender a liberdade de cada um ser como é. Que é, na verdade, uma das coisas que as pessoas que votaram no Livre esperam que o partido faça.
O resto são os polemistas do costume que acham que têm de ter opinião sobre a roupa que os outros usam como se isso lhes dissesse respeito. A sério. Cada um veste o que quer. Quando quer. Como quer. Prefiro mil vezes pessoas que estão na assembleia (ou noutro sítio qualquer) a exibir as suas tatuagens e piercings e ténis e chinelos e minissaias e o que mais lhes apetecer mas que trabalhem e sejam honestas do que gente engravatada com botões de punho e camisas vincadas mas que são uns trafulhas e incompetentes.
O "respeito pela instituição" mede-se em trabalho, assiduidade, pontualidade, preparação, empenho, seriedade. Não tem nada a ver com uma saia plissada.
(a foto é do Miguel Silva/ Jornal Sol)

23 Comments:
Concordo em absoluto com o último parágrafo!
Em relação ao vestuário ... deixam de existir dress codes? Adequação do que se veste à circunstância?
Se assim for acho óptimo porque é uma grande chatice :-)
entao e se quiserem ir de bikini? tb pode?
Embora também prefira a honestidade e a competência, a Assembleia da República é o lugar onde estão sentados os nossos representantes (eles não se estão apenas a representar a si próprios...), e por isso, devem apresentar-se adequadamente.
Se essa pessoa costumar andar na rua de bikini e isso for normal para ela... se vai assim ao cinema e às compras, se já se vestia assim no seu anterior o trabalho... pois que continue. Agora, se se veste assim só para provocar e, portanto, vai "mascarado" para o parlamento, então aquilo que escrevi não se aplica. O que eu acho é que as pessoas não têm de deixar de ser quem são e de se vestir como se sentem confortáveis.
Felizmente, a noção de "adequado" evolui à medida que a sociedade também evolui. Se não ainda tínhamos um parlamento só com homens e todos de chapéu e bengala. Eu não vejo ali nada de desadequado. :)
E nua ? Tb pode ir nua ? Eu diria que não... ou seja la por ela se sentir confortável nua ou de bikini não significa que os outros se sintam bem .. e os outros tb merecem respeito
Mas ele faltou ao respeito a alguém?
Claro que isto foi feito para ter o efeito que teve e ser notícia. E resultou.
Mas tinha resultado ainda mais se tivesse sido usada também uma cabeleira loura. :)
Pessoalmente, gostei mais de o ver de calças do que de saia. Da mesma forma que poderia acontecer com outra pessoa qualquer, mesmo sendo mulher.
Penso que os "dress codes" e muito preconceito à mistura estão tão entranhados que nos é difícil vestir sempre aquilo com que nos sentimos bem e confortáveis, e pensar que podemos ser livres nesse sentido. E, como tal, também é difícil aos outros aceitar que alguém possa usufruir dessa liberdade, sem que isso afecte o desempenho profissional.
Já vai havendo mudanças, mas ainda dificilmente, por exemplo, numa instituição bancária, vemos homens vestidos de forma informal, abandonando os fatos, gravatas e sapatos.
Dificilmente, alguém no seu posto de trabalho (a não ser que esteja relacionado) poderá, por exemplo, se tiver um estilo desportivo, ir trabalhar de fato de treino.
Ainda há serviços que "obrigam" as mulheres a andar de sapatos de salto, e a esquecer os ténis, por exemplo.
Não são situações que impliquem choque ou provocação. São mesmo requisitos e padrões de vestuário há muito enraizados, que podem fazer a diferença entre ser ou não contratado ou permanecer ou ser dispensado de um determinado trabalho.
"O "respeito pela instituição" mede-se em trabalho, assiduidade, pontualidade, preparação, empenho, seriedade". Ora aí está, completamente de acordo.
Nem mais.
]Não gostei nem um pouco .... Até porque lhe assentava muito mal.
Também concordo que a falta de respeito pela Instituição tem sido a (a)normalidade na AR. Deputados que não estão presentes mas que pedem a outro para registar a presença, deputados que declaram moradas onde não residem para obter subsídios ilícitos, trocas de viagem para levar acompanhantes nas deslocações, etc.
Dito isto, ainda que não me incomode por aí além a questão da saia, não havia necessidade.
Ok. Para adoptar a sua "lógica", podemos passar andar de calções e a usar super-parolas camisetas de mangas cavas, ir de chinelos ou até os tradicionais tamancos, para a A.R! "Aquilo" é mesmo uma bandalheira! Tinha de ser um idiota, que nunca lutou por nada na vida para adoptar algo que sabe a priori, que iria chamar atenção, num exercício absurdamente anti-social e de afronta! Já agora, a menina vai de mini-saia, "top", ou biquíni para o trabalho ou usa barba? Vá não siga as convenções, nem os esteriotipos ou "preconceitos". Defenda a "fé" que aqui advoga! Não seja hipócrita. Já agora, alguma vez ouviu falar em normas de trato social? Regras que permitem e evoluíram ao longo dos tempos - e, pelas quais, muitos deram a vida - para que possamos viver em conjunto? Aposto que não.
Se o que importa é a competencia, era escusado, tirar a atençao disso mesmo... Para umas saias.
Mas é disto que a malta gosta...
artigo absolutamente redutor! nem todos os que entram na assembleia de saia plissada trabalham, assim como nem todos os de 'fato e gravata' são trafulhas e incompetentes.
Este artigo tamém é uma forma de populismo!
Como li num artigo de opinião do Diogo Faro "Sabes quem é que nunca usou saia quando foi à Assembleia? O Sócrates, o Ricardo Salgado, o Zeinal Bava, o Dias Loureiro e uma lista infindável de ilustres que jamais desonraram o país."
E está tudo dito.
Concordo consigo.
A minha questão é se ele é uma velha conservadora? Pois aparenta ser isso...
O problema quanto a mim não está relacionado com a saia em si, mas sim com as meias....
Ninguém no seu perfeito juízo entra com umas meias daquelas na Assembleia da República!
é tão bonito ser "moderno" e "progressista" lol. Deve ser do mesmo género que acha que os ciganos são alvo de descriminação da sociedade, mas obviamente não gostaria de viver num bairro cheio deles.
Esta frase da autora revela bem o seu QI reduzido (desculpe, mas é verdade) "Cada um veste o que quer. Quando quer. Como quer. ". Então da próxima vez que for a um casamento ou entrevista de emprego, alguém for de bikini ou sandálias, "está tudo bem", ou "está tudo bacano" lol.
Nem percebo como este blog aparece no Sapo.
Bikini não se adequa à Assembleia da República, como é óbvio! Seja homem ou mulher não é adequado ir-se de bikini para a Assembleia, nem de lantejoulas, nem de pinguim. Não me parece que Rafael Esteves Martins tenha usado um traje desadequado à circunstância ou ao local. Se fosse uma mulher estava impecavelmente vestido... o problema (para si e tantos outros) é que é um homem e um homem não veste saia... ai... se calhar até veste!
Ir nu não poderia! Seria preso por atentado ao pudor. Há regras e leis, sabe? Mas, felizmente, não há nenhuma que proíba um homem de andar de saia como em tempos houve a que proibia a mulher de usar calças. Curioso!
Presumo que a Ana não use calças, afinal é uma vestimenta masculina. Pelo menos assim dizia a lei há uns anos. Sabia que a primeira mulher a entrar de calças no Banco de Portugal (Teodora Cardoso) o fez em 1973? Sim! Há apenas 46 anos. Foi um escândalo que só não tomou as proporções deste porque não havia facebook.
O que podemos, devemos vestir mais não é do que uma convenção social. Não há roupas de homem ou mulher! Há uma convenção social que dita o que cada um deve vestir. Felizmente, com o progresso (Bendito seja!), cada vez esta convenção faz menos sentido!
Se não se sente bem por ver um homem de saia, talvez tenha que se resolver melhor.
O que estava mesmo foleiro, eram as peúgas verdes! A saia plissada até ficou muito bem, para as fotos...
Quem não viu a TIETA do AGRESTE? A mim fez-me logo lembrar a Perpétua e tudo o que a personagem representa, sendo que em Portugal havia reais até há não muito pouco tempo. Sinistro!
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