Tuesday, July 31, 2012

Quem me dera a mim a ser atleta olímpica

Até ontem palpita-me que a maioria de nós não sabia quem era a Telma Santos, a nossa jogadora de badmington. Eu, por exemplo, até à semana passada, quando li as suas histórias na revista do expresso, não fazia a mínima ideia quem eram o nadador Diogo Carvalho, a atiradora Joana Castelão ou o ciclista David Rosa. E no entanto estes portugueses, assim como os mais populares como a judoca Telma Monteiro ou o velejador Gustavo Lima, fazem algo absolutamente incrível: treinam todos os dias, uns com mais apoio outros com menos, e conseguiram qualificar-se para os jogos olímpicos, onde só estão os melhores do mundo. Os melhores. Quantos de nós nos poderemos orgulhar de estar entre os melhores do mundo na nossa profissão? A sério, quantos dos que criticam com tanta facilidade os atletas portugueses conseguiriam um lugar entre os melhores na sua profissão sequer a nível nacional?
Eles conseguiram. Num país onde a maioria de nós se está nas tintas para desporto que não seja futebol, onde o desporto escolar está em vias de extinção, onde milhares de jovens praticam modalidades às custas dos pais (que pagam aos clubes e aos professores, que levam e trazem os miúdos de um lado para o outro), onde os pequenos clubes por esse país fora vivem nas ruas da amargura, onde durante quatro anos nunca ninguém ouviu falar da Telma Santos ou da Joana Castelão, onde as provas de ginástica, de ténis de mesa ou até mesmo de atletismo estão às moscas, não passam na televisão e são invariavelmente ignoradas pelos jornais. Mas estes portugueses conseguiram ficar entre os melhores. Estar ali ao lado dos chineses e dos americanos, que praticam desde pequenos integrados em complexos programas de treino. Queriam que eles ganhassem medalhas? Queríamos todos, eles mais do que ninguém. Mas a verdade é que isso seria sempre muito difícil. De vez em quando, com sorte, com um talento extraordinário e uma vontade de ferro, aparecem uma Rosa Mota ou um Carlos Lopes. Mas são execepções. De vez em quando, há umas supresas. Uns que passam às finais, que ficam perto do pódio. Que conseguem superar os nervos, as lesões, o stress, o medo, a falta de preparação, a falta de experiência, a falta de apoios, que conseguem superar-se. Que nos dão uma felicidade inesperada.
Mas dizer, como se tem dito nestes dias, que estamos desiludidos com os atletas portugueses é uma profunda injustiça.

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5 Comments:

Blogger C. said...

Obrigada pela sanidade mental que tem faltado por esse País fora. Caramba, os tipos estão a esforçar-se!! E quem me dera a mim ser tão boa quanto eles naquilo que faço...estar entre os melhores do mundo?

So proud of them!!

5:47 PM  
Blogger Diario de uma mae solteira said...

É bem verdade
Há atletas noutros países que nem qualificações conseguiram para entrar, nós (Portugal) estamos lá

5:52 PM  
Blogger CM said...

Obrigada por mais um vez expressar de forma tão clara, o óbvio, o concreto, a realidade :)
A vontade foi de copiar :)

8:44 PM  
Anonymous Maria_S said...

Bem....mas pelo menos que façam os seus mínimos, não? Se o recorde de um atleta for , sei lá, 1m45s não é normal fazer 2m (um exemplo qualquer):). Mas estou com eles à mesma. Bjs.

10:59 PM  
Blogger CM said...

Para mim o melhor deste post é identificar que os Jogos Olimpicos, envolvem muito mais que as capacidades fisicas.
Muitos dos atletas portugueses em competição já venceram Mundiais, Europeus e mais um sem fim de medalhas nas suas modalidades... mas o que se vive nos Jogos Olimpicos vai para além de tudo isso.. e a pressão também tem de ser treinada, ensinada e só assim vencida :)

11:26 AM  

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