Tuesday, August 05, 2008

Realidade

Todas as semanas tiro roupa da gaveta. O bebé cresce tanto - tem dois meses e meio e a roupa de seis meses já não lhe fica nada grande - que, todas as semanas, há roupa que deixa de servir. Vou guardando bodies, calções, blusinhas num saco e depois noutro e agora já tenho um terceiro saco cheio de roupinhas que já foram dos meus dois filhos e a seguir... vão ser de quem? Vou esperar mais uns tempos, pode ser que alguma das minhas amigas engravide por estes dias (ouviram? hein? alguém?), gostava de oferecer a alguém especial os lençóis que a minha mãe bordou num ponto-de-cruz perfeito, o fatinho de marinheiro oferta da minha madrinha, os bodies tão pequeninos que só foram usados meia dúzia de vezes. Mas se não houver ninguém pego nos sacos e levo-os a alguma instituição. Não adianta ficar com eles por aqui. Não haverá mais bebés nesta casa. A decisão está tomada há imenso tempo. Não que eu não quisesse outro bebé (só mais um ou uma...) mas porque, vistas bem as coisas, não pode ser, não há condições, não há, infelizmente, dinheiro. Eu já conheço os argumentos. Que o mais importante é haver amor. Que os nossos avós e os nossos pais sobreviveram com muito menos do que nós temos hoje em dia. Que quando se quer mesmo uma coisa arranjamos maneira de a conseguir. Pois eu não consigo. Já dei voltas à cabeça, já fiz todas as contas, já considerei todas as hipóteses. Assim como estamos já vai ser suficientemente complicado, com mais uma criança nem consigo imaginar. Além de que, para não darmos todos em loucos, se tivéssemos mais um filho o ideal seria ter uma casa um bocadinho maior (um quintal, isso é que era) e, claro, ter uma empregada. Ah, e já agora, dava jeito ter uma vida menos stressante. Ter uns horários decentes. Ter os avós sempre por perto. Essas coisas. Nada disso vai acontecer. Não haverá euromilhões, nem aumentos salariais. Daqui a uns tempos volto ao trabalho. E não haverá avós nem tios nem primos por perto que nos salvem, pelo contrário, parece que a família vai estar cada vez mais longe e que vamos estar cada vez mais só nós - só nós os quatro e havemos de nos aguentar, terá que ser. Por isso, mais vale ir dobrando a roupa, enchendo o saco, pensando bem a quem vou oferecer fraldinhas e toalhas com capuz, casaquinhos de lã e botinhas minúsculas (alguém? hum?).

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